quarta-feira, 8 de novembro de 2023

Mapão redemocratização do Brasil (1974 - 1990)

 Mapão de História sobre a redemocratização do Brasil (1974 - 1990)



Leia o seu material de estudo (livro, caderno e blog) e após a sua leitura, utilize os tópicos abaixo para a orientação dos seus estudos.


* Milagre econômico definição, pontos positivos e pontos negativos;


* Crise do petróleo na década de 1970 - o que foi, motivos e como impactou o Brasil;


* Em março de 1974, o general Ernesto Geisel assumiu a presidência com a promessa de:


* Abertura lenta e gradual, no contexto da redemocratização do país, o que isso significou?


* Como os militares da chamada linha-dura reagiram ao processo de início de redemocratização do país?


* No contexto da ditadura militar no Brasil, o termo subversão significava:


* O que aconteceu com o chefe de jornalismo da TV Cultura de São Paulo, Vladimir Herzog? Quais foram as repercussões disso?


* O que aconteceu em janeiro de 1976,  com o metalúrgico Manuel Fiel Filho?


Os militares de linha dura continuaram com a repressão clandestina. Cartas-bomba foram colocadas em órgãos da imprensa e da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil). O que aconteceu no dia 30 de Abril de 1981 no centro de convenções do Rio Centro?


* Lei da Anistia (1979) - Definição e objetivo


* Colégio eleitoral (1985) - Definição, função e objetivos;


* Pacote de abril (1977) - Definição, motivos (por que o governo lançou) e seus objetivos;


* Quem eram os senadores biônicos? O que o governo esperava deles?


* Emenda popular


* Qual foi a importância de Dante de Oliveira?


* Diretas já;

- O que foi?

- Principal objetivo;

- Como foi a participação da população nas Diretas já?


* Em 1982, na primeira eleição direta para o governo dos estados desde 1960, os partidos de oposição venceram em dez estados, entre eles São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Em fevereiro de 1983, o deputado federal Dante de Oliveira (PMDB) apresentou ao Congresso Nacional um projeto de emenda constitucional. O que previa a Emenda Dante de Oliveira?


* Quem foi Tancredo Neves? Qual foi a sua importância no processo de redemocratização do Brasil?


* Qual papel teve o MDB no processo de redemocratização do Brasil?


* As mobilizações dos trabalhadores retornaram ao cenário nacional. O centro dessa nova fase do movimento sindical foi a região do ABC paulista. Entre 1978 e 1980, os metalúrgicos entraram em greve. Como era a situação dos trabalhadores ao longo do regime militar?


* Por que os trabalhadores, mesmo em um cenário de violência, diminuição da liberdade de expressão e violência, entraram em greve?


* Qual foi a importância das greves do ABC?


* Quais foram os resultados da greve do ABC?


Luiz Inácio Lula da Silva, fale um pouco sobre a história de vida dele:


* Quando Lula foi presidente do Sindicato dos Metalúrgicos? Qual a importãncia e participação dele nos movimentos dos trabalhadores por melhores condições de trabalho, renda e da redemocratização do Brasil?


* Além das mobilizações dos trabalhadores, outros grupos sociais intensificaram seus esforços pela a redemocratização. Informe um pouco sobre o que foram esses grupos e a participação desses grupos no processo de redemocratização:

- Movimento estudantil 

- o Movimento Negro Unificado Contra a Discriminação Racial (MNUCDR), depois renomeado Movimento Negro Unificado (MNU)

- Democracia Corintiana

- Cinema Novo 


* O que foi a lei eleitoral de 1979? O que ela determinava?


* Quem foi eleito (indiretamente) o primeiro presidente civil após o regime militar?


* Por que Tancredo Neves não conseguiu assumir a presidência do Brasil?


* Após a impossibilidade da posse de Tancredo Neves ao cargo de presidente, quem assumiu a chefia do executivo brasileiro?


* Ao assumir a presidência, José Sarney logo tomou medidas para tentar resolver a intensa crise deixada pelos militares ao longo dos anos de 1964 – 1985. No contexto do primeiro governo civil eleito indiretamente pelos militares, informe cinco ações do governo civil de José Sarney:


* O que foi o Plano Cruzado?


* O que previa o Plano Cruzado de Sarney?


* Quais foram as principais consequencias do congelamento de preços do Plano Cruzado do governo Sarney?


* Quem eram as pessoas entituladas como "os fiscais do Sarney"?


* Um dos principais acontecimentos do governo Sarney foi a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte, encarregada de elaborar uma nova Constituição para o país. Informe cinco princípios presentes na nossa Constituição atual:


* A Constituição de 1998 foi um marco na história recente do nosso país, reforçando valores democráticos e direitos de minorias presentes no território brasileiro. Esse importante documento ficou conhecido como Constituição Cidadã. Por que a nossa Constituição tem esse apelido?


* A Constituição Federal de 1988 foi elaborada por meio de uma Assembleia Nacional Constituinte, que teve a responsabilidade de redigir e aprovar o texto constitucional, dando corpo à nova lei suprema e fundamental do Brasil. A frente da Assembleia foi presidida por:


* Quem foi Ulisses Guimarães? Qual foi a importância dele para a História do Brasil democrático?


* A “Nova República” representa uma nova fase da história política brasileira, marcada pela confiança da sociedade em restabelecer a democracia plena e recuperar a economia e o padrão de vida dos brasileiros. Em 1989, vários candidatos concorreram nas primeiras eleições diretas para a presidência da república, após os anos de Ditadura Militar, sendo eleito presidente:


* Quem foi Fernando Collor de Mello?


Como foi o governo Collor? Por que ele acabou antes de 4 anos de duração?


Esse mapão tem como temas centrais:

01 - Governo Geisel (1974 - 1979)

https://historiaecio.blogspot.com/2022/12/governo-geisel-1974-1979.html


02 - Redemocratização do Brasil

https://historiaecio.blogspot.com/2022/12/a-redemocratizacao-do-brasil.html


03 - Governo Figueiredo (1979 - 1985)

https://historiaecio.blogspot.com/2022/12/governo-figueiredo-1979-1985.html


04 - Governo José Sarney (1985 - 1990)

https://historiaecio.blogspot.com/2022/12/governo-jose-sarney-1985-1990.html


Avalie o seu conhecimento sobre o assunto.

Clique no link abaixo e faça com muita atenção o Google Formulário sobre a Redemocratização do Brasil

https://forms.gle/1oNEja46hUqHk8XR9

segunda-feira, 6 de novembro de 2023

Segundo reinado (1840 - 1889) parte 01 características, política e economia.

 Segundo reinado (1840 - 1889) características, política e economia.


O que foi o Segundo Reinado?

O Segundo Reinado foi a fase da História do Brasil que corresponde ao governo de D. Pedro II. Teve início em 23 de julho de 1840, com a mudança na Constituição que declarou Pedro de Alcântara maior de idade com 14 anos e, portanto, apto para assumir o governo. O 2º Reinado terminou em 15 de novembro de 1889, com a Proclamação da República.

O governo de D. Pedro II, que durou 49 anos, foi marcado por muitas mudanças sociais, política e econômicas no Brasil.


Principais características da política no Segundo Reinado:

A política no Segundo Reinado foi marcada pela disputa entre o Partido Liberal e o Conservador. Estes dois partidos defendiam quase os mesmos interesses, pois eram elitistas. Neste período o imperador escolhia o presidente do Conselho de Ministros entre os integrantes do partido que possuía maioria na Assembleia Geral. Nas eleições eram comuns as fraudes, compras de votos e até atos violentos para garantir a eleição.


Principais acontecimentos históricos do período:

1. Término da Guerra dos Farrapos

Quando assumiu o império a Revolução Farroupilha estava em pleno desenvolvimento. Havia uma grande possibilidade de a região sul conseguir a independência do restante do país. Para evitar o sucesso da revolução, Dom Pedro II nomeou o barão de Caxias como chefe do exército. Caxias utilizou a diplomacia para negociar o fim da revolta com os líderes. Em 1845, obteve sucesso através do Tratado de Poncho Verde e conseguiu colocar um fim na Revolução Farroupilha.


2. Revolução Praieira

A Revolução Praieira foi uma revolta liberal e federalista que ocorreu na província de Pernambuco, entre os anos de 1848 e 1850. Dentre as várias revoltas ocorridas durante o Brasil Império, esta foi a última. Ganhou o nome de praieira, pois a sede do jornal dirigido pelos liberais revoltosos (chamados de praieiros) situava-se na rua da Praia.


3. Guerra do Paraguai

Conflito armado em que o Paraguai enfrentou a Tríplice Aliança (Brasil, Argentina e Uruguai) com apoio da Inglaterra. Durou entre os anos de 1864 e 1879 e levou o Paraguai a derrota e a ruína. 


4. Economia do Brasil no Segundo Reinado:

• O café foi o principal produto brasileiro (monocultura). Sua produção visava, principalmente, o mercado internacional (economia exportadora). Os principais compradores do café brasileiro eram os Estados Unidos e os países da Europa.

• As duas regiões de maior desenvolvimento da cultura do café foram: Vale do Paraíba (entre as províncias do Rio de Janeiro e São Paulo) e o Oeste Paulista.

• Base econômica agrária, baseada na presença de latifúndios (grandes propriedades monocultoras).

• Grande parte da mão de obra era escrava. Esse cenário só começou a mudar no final do Segundo Reinado, quando se intensificou a entrada de mão de obra imigrante (europeia).

• Os grandes proprietários rurais, que eram muito ricos, tinham grande influência e participação na política brasileira.

• Entre 1850 e 1870, houve a chamada Era Mauá. A economia cafeicultora, monocultora e exportadora continuou sendo a base econômica do país, porém ocorreu uma tentativa de desenvolvimento industrial e de infraestrutura. O principal responsável pelos investimentos nesses setores foi Irineu Evangelista de Sousa (Barão de Mauá). Ele investiu em ferrovias, indústrias, navios a vapor, empresas de navegação, bondes no Rio de Janeiro, bancos e sistema telegráfico (rede de telégrafos).

• Além do café, o Brasil também produzia, nesse período, outros produtos secundários. Entre eles, os principais foram: açúcar (principalmente no Nordeste), algodão (no Maranhão) e borracha (na região amazônica).


5. Tarifa Alves Branco

Foi uma medida econômica tomada pelo governo de D. Pedro II que aumentou os impostos dos produtos importados (aumento de 30% dos produtos que não eram produzidos no Brasil e 60% sobre os que tinham similares brasileiros). A lei desagradou muito os comerciantes ingleses, porém ajudou o desenvolvimento econômico interno.


6. Imigração

Muitos imigrantes europeus, principalmente italianos, chegaram para aumentar a mão de obra nos cafezais de São Paulo, a partir de 1850. Vieram para, aos poucos, substituírem a mão-de-obra escrava que, devido às pressões da Inglaterra, começava a entrar em crise. Além de buscarem trabalho nos cafezais do interior paulista, também foram para as grandes cidades do Sudeste que começavam a abrir muitas indústrias.


7. Questão abolicionista

- Lei Eusébio de Queiróz (1850): extinguiu oficialmente o tráfico de escravos no Brasil.

- Lei do Ventre Livre (1871): tornou livre os filhos de escravos nascidos após a promulgação da lei.

- Lei dos Sexagenários (1885): dava liberdade aos escravos ao completarem 65 anos de idade.

- Lei Áurea (1888): assinada pela Princesa Isabel, aboliu a escravidão no Brasil.


8. Cultura no 2º Reinado

Durante o Segundo Reinado, o Brasil testemunhou um notório florescimento cultural. Esse período foi marcado por uma estreita ligação com a cultura europeia, o que resultou na absorção de influências oriundas do Romantismo, do Realismo e do Positivismo.

No âmbito literário, figuras notáveis como José de Alencar, Machado de Assis e Gonçalves Dias brilharam com suas obras. No cenário musical, a era se notabilizou pelo surgimento da ópera brasileira, com composições de destaque por parte de Carlos Gomes. No campo da arquitetura, as obras de Victor Meirelles e Grandjean de Montigny (arquiteto francês radicado no Brasil) se destacaram como exemplos emblemáticos.

Em síntese, o Segundo Reinado se revelou como um período de efervescente diversidade cultural no Brasil, impulsionado pela influência de diversas correntes artísticas e pela presença marcante dos imigrantes europeus.


Principais causas da crise do Segundo Reinado

A crise do 2º Reinado teve início já no começo da década de 1880. Esta crise pode ser entendida através de algumas questões:

• Interferência de D. Pedro II em questões religiosas, gerando um descontentamento nas lideranças da Igreja Católica no país;

• Críticas e oposição feitas por integrantes do Exército Brasileiro, que se mostravam descontentes com a corrupção existente na corte. Além disso, os militares estavam insatisfeitos com a proibição, imposta pela Monarquia, pela qual os oficiais do Exército não podiam dar declarações na imprensa sem uma prévia autorização do Ministro da Guerra;

• A classe média brasileira (funcionários públicos, profissionais liberais, jornalistas, estudantes, artistas, comerciantes) desejava mais liberdade e maior participação nos assuntos políticos do país. Identificada com os ideais republicanos, esta classe social passou a apoiar a implantação da República no país;

• Falta de apoio dos proprietários rurais, principalmente dos cafeicultores do Oeste Paulista, que desejavam obter maior poder político, já que tinham grande poder econômico. Fazendeiros de regiões mais pobres do país também estavam insatisfeitos, pois a abolição da escravatura, encontraram dificuldades em contratar mão de obra remunerada.


Fim da Monarquia e a Proclamação da República

Em 15 de novembro de 1889, o Marechal Deodoro da Fonseca, com o apoio dos republicanos, destituiu o Conselho de Ministros e seu presidente. No final do dia, Deodoro da Fonseca assinou o manifesto proclamando a República no Brasil e instalando um governo provisório.

No dia 18 de novembro, D. Pedro II e a família imperial brasileira viajaram para a Europa. Era o começo da República Brasileira com o Marechal Deodoro da Fonseca assumindo, de forma provisória, o cargo de presidente do Brasil.




Foto do quadro


Próxima aula

Segundo Reinado - D. Pedro II no trono do Brasil (aula 02) - Continuação deste conteúdo

https://historiaecio.blogspot.com/2023/11/segundo-reinado-d-pedro-ii-no-trono-do.html



domingo, 5 de novembro de 2023

Feudalismo e a sociedade feudal

Feudalismo e a sociedade feudal


Sociedade feudal - os estamentos sociais (clero, nobreza e camponeses)


Feudalismo

O feudalismo foi um modelo econômico e social, baseado na terra e na relação de fidelidade entre homens, que durou ao longo de toda a Idade Média.


Feudo - a terra e as relações entre pessoas baseadas na fidelidade são as bases do feudalismo.


 A ligação entre o fim do Império Romano do Ocidente e o feudalismo.

A origem do feudalismo está no final do Império Romano, quando surgiram os colonatos — terras onde os romanos buscavam abrigo e, em troca, trabalhavam para os seus donos.


Relação terra, trabalho e relações interpessoais no feudalismo.


De acordo com Jacques Le Goff, um dos principais estudiosos da Idade Média, o feudalismo é “um sistema de organização econômica, social e política baseado nos vínculos de homem a homem, no qual uma classe de guerreiros especializados — os senhores —, subordinados uns aos outros por uma hierarquia de vínculos de dependência, domina uma massa campesina que explora a terra e lhes fornece com que viver”.



A hierarquia social do feudalismo.


Mapa mental feudalismo - observe as principais características 


O feudalismo foi um modelo social e econômico que vigorou dos séculos V ao XV, na Europa Ocidental, e que marcou profundamente a Idade Média. Esse modelo era baseado na terra e, por meio dela, constituíam-se a atividade econômica e a estrutura social.


Visando a subsistência, o plantio e a criação de animais foram as principais atividades de sustento no período medieval.


Origem do feudalismo


O declínio do Império Romano do Ocidente (capital Roma) em 476 d. C. pode ser visto como uma das origens do feudalismo.


A origem do feudalismo está na crise que provocou a queda do Império Romano do Ocidente. No século III, por conta da crise econômica provocada pela falta de escravizados e das invasões germânicas, os romanos abandonaram as cidades e migraram para o campo com o objetivo de encontrar proteção e trabalho. Dessa forma, surgiam os colonatos, nos quais aqueles que encontravam abrigos no campo trabalhavam para o seu senhor.


As invasões germânicas ao Império Romano do Ocidente proporcionou uma intensa crise.



Muitas pessoas deixavam as cidades e foram para o campo em busca de proteção e trabalho. Neste contexto surgiu o colonato (veja a definição na figura acima).


O surgimento dos reinos germânicos, no século V, contribuiu para aprofundar o processo de ruralização europeia. Além desse movimento de saída das cidades para o campo, o enfraquecimento do poder político contribuiu para o surgimento do feudalismo.

A formação dos reinos germânicos auxiliou no processo de descentralização do poder no continente europeu e o acirramento bélicos entre esses reinos.


A sociedade feudal


Características da sociedade feudal


Se você já assistiu a filmes ou seriados ou leu algum livro ou HQ ambientados na Idade Média, deve ter entrado em contato com palavras como barão, conde, duque, entre outros títulos que identificavam pessoas poderosas. A ilustração abaixo mostra que existia uma hierarquia entre esses títulos de poder.

No entanto, não podemos esquecer que esse esquema representava apenas a hierarquia existente no interior da nobreza, e não no conjunto da sociedade medieval. Nela havia outras divisões hierárquicas, de acordo com a relação que os indivíduos tinham com a terra e com a Igreja.

Um bispo do século XI, chamado Adalberón de Laon, resumiu a visão da Igreja a respeito da sociedade: havia os que oravam (clero), os que lutavam (a nobreza e os demais aristocratas) e os que trabalhavam (camponeses). Segundo ele, essa estrutura refletia a ordem celeste, representada pelo Pai, pelo Filho e pelo Espírito Santo. Essa divisão, porém, representava a sociedade feudal do ponto de vista da Igreja. Atualmente, os historiadores tendem a dividi-la de acordo com o papel que o indivíduo ocupava na comunidade cristã. Segundo esse critério, havia os leigos e os clérigos e, dentro de cada um desses grupos, outras divisões.


Clero, nobreza e camponeses


A Igreja Católica influenciava intensamente no social, político, artístico, cultural, na filosofia e entre outros campos.



Sociedade feudal


Os leigos no meio rural

Os senhores de terras (1° grupo dos leigos)

Os senhores de terra formavam o primeiro grupo de leigos das áreas rurais. Nesse grupo, havia os nobres, os grandes senhores e os senhores menores. Eles cuidavam das atividades administrativas e militares, da justiça e da vigilância dos camponeses.


Senhores de terras (senhores feudais)


No grupo havia também os cavaleiros, combatentes armados que pertenciam à aristocracia laica. O ritual de ingresso nessa instituição marcava a passagem do interessado para a vida adulta: um jovem de 18 a 20 anos recebia do senhor um golpe na nuca e as armas que faziam dele um integrante do grupo.


Cavaleiros medievais


A figura do cavaleiro, no imaginário coletivo, entrou no terreno da lenda com as novelas de cavalaria, criadas nos séculos XI e XII. Escritas em verso e em prosa, as novelas adaptavam antigas narrativas orais que abordavam os feitos heroicos e as guerras históricas, como as conquistas de Carlos Magno e os doze pares de França e as lendas do rei Arthur.

As novelas de cavalaria apresentavam um código de conduta no qual se destacavam o heroísmo, a honra e a lealdade, que eram os ideais da cavalaria medieval. O cavaleiro, nas histórias, agia em defesa da honra e da lealdade ao rei e à Igreja. A mulher era objeto de seu amor cortês, a dama que deveria ser tratada e amada com respeito e delicadeza.


Os camponeses: a principal força de trabalho

Camponese (2° grupo de leigos)

Os camponeses formavam o segundo grupo de cristãos leigos. Entre eles havia os servos e os vilões. 


Camponeses


Os servos estavam presos à terra para o resto da vida. Sobre eles recaíam vastos tributos. A corveia, por exemplo, os obrigava a trabalhar gratuitamente no manso senhorial, duas ou três vezes na semana. Pela talha, os servos tinham de entregar ao senhor um terço do que produziam no manso servil. Eles também arcavam com as banalidades, tributo que os obrigava a pagar ao senhor pelo uso de equipamentos da propriedade senhorial, como fornos, celeiros e moinhos. Até mesmo a herança era taxada: cobrava-se a mão-morta após a morte de um servo, quando os herdeiros requeriam a posse da terra junto ao senhor.

Os vilões eram camponeses livres que haviam adquirido pequenos lotes de terra. Com o passar do tempo, porém, muitos cederam às pressões senhoriais e tornaram-se servos. Havia também um número reduzido de escravos, que trabalhavam nos afazeres domésticos dos castelos. 


Os moradores das cidades

Burgueses (3° grupo de leigos)


Burgueses


Apesar de o campo ser o centro da vida na Europa medieval, as cidades não desapareceram. Contudo, elas se esvaziaram e empobreceram, perdendo a vitalidade que tinham na época romana. Para se ter ideia, a cidade de Roma, no século I, tinha cerca de 1 milhão de habitantes. Por volta do ano 1000, nenhuma cidade da Europa Ocidental tinha mais de 10 mil habitantes.

A paisagem urbana da Europa Ocidental, porém, começou a se transformar a partir do século XI. Em decorrência das melhorias na agricultura, o aumento da população também atingiu muitas cidades, que cresceram e ganharam novas construções.

Rodízio trienal - primeira inovação tecnológica no campo da baixa idade média. 



Charrua - segundo exemplo de inovação tecnológica da baixa idade média.


Uso do cavalo e o atrelamento do animal pelo tronco e não mais pelo pescoço - terceiro e quarto exemplo de inovações tecnológicas no campo ao longo da baixa idade média. 

O número de cidades também aumentou de forma espetacular entre 1150 e 1340. As novas cidades recebiam o nome de burgo, que significa “cidade pequena e cercada de muralhas de defesa”. Os moradores dessas comunidades urbanas eram os burgueses. A maior parte dos burgueses vinha das áreas rurais; eram geralmente servos fugidos ou homens livres que dependiam dos senhores de terra. Nas cidades, eles se tornavam mercadores, artesãos, banqueiros e lojistas, por exemplo.


Burgueses

Os clérigos no mundo medieval


Clero

Na comunidade cristã, o clero tinha muita importância. No topo da hierarquia eclesiástica estava o papa, chefe da Igreja. Entre outras tarefas, ele tinha poder para julgar os clérigos, instituir dioceses, reconhecer novas ordens religiosas, cobrar o dízimo e estabelecer um modelo de conduta social.


Clero= Clero secular e clero regular


Abaixo do papa havia o clero secular e o clero regular. O primeiro dividia-se em dois grupos: o alto e o baixo clero.

Alto clero. Composto de bispos, que dirigiam as dioceses. Estava no topo da hierarquia social e compunha-se, em sua maioria, de pessoas nascidas nas famílias nobres. Seus integrantes tinham terras e muito poder e eram responsáveis por debater as questões de doutrina.

Baixo clero. Representado pelos párocos, líderes de paróquia. Cultivavam a terra e atendiam os pobres e necessitados das vilas e das regiões próximas da paróquia.


O baixo clero tinha um contato maior com a população.


Já o clero regular era formado pelos monges, que viviam afastados das cidades para servir a Deus. Nas bibliotecas dos mosteiros, eles copiavam e ilustravam obras antigas dos gregos, dos romanos e dos cristãos.


Um mosteiro medieval



O que os monges faziam

sábado, 4 de novembro de 2023

Península arábica, Maomé e o Islamismo

Maomé, islamismo - Sunitas e xiitas


O profeta Maomé e seus disciplos


Árabes e muçulmanos 


Diferença entre árabes e muçulmanos.


Maomé e a fundação do islã

A força da religião não se limitava à Europa medieval. Na Arábia, onde hoje se situa a Arábia Saudita, foi fundada uma religião monoteísta que em poucos anos se espalharia por todo o Oriente Médio. O nome dessa religião é islã, também conhecida como islam ou islamismo, e seus seguidores são chamados muçulmanos ou islâmicos.



Islã


A imagem que se difundiu no Brasil e em outros países ocidentais a respeito do islã é geralmente negativa. Ele tem sido associado ao fanatismo religioso, aos ataques promovidos por grupos extremistas e à tragédia criada pela guerra civil na Síria. O que muitas pessoas não sabem, porém, é que os extremistas islâmicos representam uma pequena minoria do mundo muçulmano.

Por isso, conhecer alguns aspectos importantes da história e da cultura islâmica deverá contribuir para superar essa visão negativa em relação aos povos muçulmanos e para ampliar a sua compreensão sobre a Idade Média.


Os primeiros tempos do islã

O islã surgiu na Península Arábica no século VII. Seu fundador, Maomé, era um próspero mercador de caravanas da tribo dos coraixitas. Segundo a tradição, ele recebeu sua primeira revelação divina por volta dos 40 anos de idade. Conta-se que, enquanto meditava em uma caverna perto de Meca, o anjo Gabriel lhe apareceu e anunciou: “Maomé, tu és o profeta de Deus, e tua missão é pregar a fé em um único Deus”.


Significado palavra coraixita


Segundo a tradição, Maomé (o fundador do Islamismo) ouviu a voz do Anjo Gabriel enquanto meditava por volta de 610 d.C. Segundo o Anjo Gabriel, Maomé seria o Último Profeta de Deus. Para os seguidores do Islamismo, a Palavra de Deus foi revelada a Maomé e está contida no Livro Sagrado: o Alcorão.


Inicialmente, Maomé confiou a revelação apenas a familiares próximos. Por volta de 613, decidiu tornar pública a mensagem revelada. Assim, dirigiu-se à Colina de Safa, diante do santuário da Caaba, para anunciar a existência de um único Deus, condenar a idolatria e declarar-se o último mensageiro de Deus.

Caaba



Pedra Negra na Caaba


As pregações de Maomé incomodaram os líderes coraixitas, que temiam perder seu poder político e os lucros obtidos com as peregrinações à Caaba. Assim, em 622 do calendário cristão, Maomé, pressionado e ameaçado, migrou para Yatrib (Medina). O episódio, conhecido como Hégira, foi adotado como o ano 1 do calendário muçulmano.


Definição de Hégira



Mohammed e a Hégira


Os cinco pilares do islamismo


Pilares do islã


A Hégira marcou o início da aceitação e da expansão do islã na Península Arábica. Depois de reorganizar suas forças militares em Yatrib, Maomé retornou a Meca, reconciliou-se com os mercadores coraixitas e ali estabeleceu o centro do islã. Os ídolos da antiga crença politeísta, situados na Caaba, foram destruídos e o santuário foi purificado.

Com a nova religião, o grande cubo negro da Caaba ganhou um novo significado. Na tradição muçulmana, ele teria sido construído por Adão, destruído pelo dilúvio e reconstruído por Abraão e seu filho Ismael. Por essa razão, a cidade de Meca, onde está a Caaba, é o local mais sagrado para o islã.

Conheça agora os cinco pilares do islamismo, ou seja, as obrigações que orientam a vida de todos os fiéis muçulmanos.


Obrigaões dos fiéis muçulmanos


Obrigações islã


Proferir o testemunho de fé, declarando que existe um único Deus e que Maomé é seu profeta.

Orar cinco vezes ao dia: ao nascer do Sol, ao meio-dia, no meio da tarde, ao entardecer e à noite, em pé e voltado em direção a Meca.

Praticar a caridade com os necessitados por meio da doação de dinheiro, chamada de zakat.

Jejuar no mês do Ramadã (9º mês do calendário islâmico), não consumindo alimentos nem bebidas do nascer ao pôr do Sol.

Realizar a peregrinação a Meca (hajj), no 12º mês do calendário muçulmano, pelo menos uma vez na vida caso haja condições físicas e financeiras.

Além disso, os muçulmanos são proibidos de consumir álcool e carne de porco, animal que consideram impuro. Também devem dedicar as sextas-feiras, um dia sagrado para o islamismo, às orações conjuntas da comunidade. 

Entre as festividades religiosas do islã, destacam-se a celebração do fim do jejum do Ramadã (Eid El Fitr) e a Festa do Sacrifício (Eid El Adha), que comemora o fim da peregrinação a Meca. Embora praticadas por muçulmanos de todo o mundo, essas celebrações podem variar de região para região, de acordo com particularidades culturais. Comidas típicas, grandes banquetes e demonstrações de generosidade, porém, são comuns em diferentes países, como a Somália e o Paquistão.



Muçulmanos oram na Grande Mesquita de Baiturrahman, na Indonésia, durante o Ramadã. Foto de 2017.


A Caaba antes de Maomé

Os antigos árabes acreditavam em diversos deuses e adoravam elementos da natureza. As centenas de divindades estavam subordinadas a um deus superior, Allah (Alá), e eram cultuadas na Caaba, na cidade de Meca, onde uma grande pedra negra sagrada encontra-se guardada. Junto a ela estavam 360 ídolos, provavelmente associados aos dias do ano. Anualmente, todas as tribos da Arábia para lá se dirigiam em peregrinação.


Simulação interior da Caaba


Pedra Negra é uma rocha situada no canto leste da Caaba, o antigo edifício no centro da Grande Mesquita em Meca, Arábia Saudita. É venerado pelos muçulmanos como uma relíquia islâmica que, de acordo com a tradição muçulmana, remonta à época de Adão e Eva.


A divisão e a expansão do islã

Quando Maomé morreu, em 632, toda a Arábia estava unificada em torno do islã. Visando preservar a obra religiosa do profeta, seus seguidores iniciaram o registro do Alcorão, o livro sagrado do islamismo. Também iniciaram a compilação da Sunna, livro que registra os feitos e as recomendações de Maomé e serve de guia espiritual e de conduta para os muçulmanos.


É o livro sagrado do Islã. Os muçulmanos creem que o Alcorão é a palavra literal de Deus (Alá) revelada ao profeta Maomé (Muhammad) ao longo de um período de vinte e três anos. A palavra Alcorão deriva do verbo árabe que significa declamar ou recitar; Alcorão é portanto uma "recitação" ou algo que deve ser recitado.



Sunna são as tradições e práticas do profeta islâmico Maomé que constituem um modelo a ser seguido pelos muçulmanos. A sunna é o que todos os muçulmanos da época de Maomé evidentemente viram, seguiram e transmitiram às gerações seguintes. De acordo com as teorias islâmicas clássicas, as sunna são documentadas por hadith (o registro transmitido verbalmente dos ensinamentos, ações e ditos, permissões silenciosas ou desaprovações de Maomé ), e junto com o Alcorão (o livro do Islã ) são a revelação divina ( Wahy ) entregue através de Maomé que constitui as fontes primárias da lei islâmica e da crença/teologia .


Maomé morreu sem indicar um sucessor. Sua morte reacendeu antigas inimizades entre as tribos beduínas e dividiu a comunidade muçulmana em dois grupos principais: um defendia que o sucessor deveria ser escolhido entre os familiares de Maomé (os xiitas); o outro alegava que Maomé não havia indicado um sucessor, pois entendia que a comunidade tinha o poder de decidir (os sunitas).

O escolhido foi Abu Bakr, amigo e conselheiro de Maomé. Ele se tornou o primeiro califa, que em árabe significa sucessor do profeta e chefe da comunidade muçulmana. A escolha, porém, enfrentou a resistência dos partidários de Ali Ibn Talib, primo e genro de Maomé. As rivalidades entre os dois grupos evoluíram para a guerra civil quando Ali chegou ao poder e se tornou o quarto califa.

Os muçulmanos que defendiam o direito de Ali e seus descendentes governar a comunidade islâmica passaram ser conhecidos como xiitas (os Shiat Ali, partidários de Ali). No lado oposto, aqueles que apoiavam a escolha do califa pelo conjunto dos fiéis ficaram conhecidos como sunitas. O nome vem de Ahl al-Sunna, pessoas que seguem a tradição compilada nos relatos da Sunna.


Algumas diferenças entres sunitas e xiitas


Mesmo com as divisões internas, em pouco mais de um século, os califas estenderam o islã por um vasto território, que incluía a Arábia, a Palestina, a Síria, a Mesopotâmia, o norte da África, a Pérsia e a Península Ibérica (veja o mapa e a linha do tempo).



Sunitas (Península Arábica), xiitas (Irã e Iraque) e ibaditas (Omã)


A jihad

O conceito da jihad se desdobra em dois: a “jihad menor”, que prega a expansão da fé islâmica por meio da conquista territorial; e a “jihad maior”, que representa a luta interior do fiel por uma vida condizente com a vontade divina.

Nos países ocidentais, como o Brasil, a jihad tende a ser confundida com o terrorismo praticado por grupos extremistas. Mas o significado real de jihad é o esforço de todo fiel para converter os não muçulmanos ao islã.



Fonte: DUBY, Georges. Atlas historique. Paris: Larousse, 1987. p. 196-197, 209.


Califas (após a morte de Maomé)

Califa ("sucessor" ou "representante") é o chefe de Estado em um Califado, e o título para o governante da Umma muçulmana, uma comunidade islâmica governada pela sharia. Seu adjetivo é o califal. Sua família se chama família califal e o seu trono, por ser um chefe-de-estado, trono califal (antinobiliarquia). Tradicionalmente, no Ocidente, tem sido considerado que um califa tem o mesmo status que um imperador.

O título de califa foi inicialmente usado por Abacar, o sogro de Maomé, quando o sucedeu pela primeira vez como líder da Umma (comunidade do Islão), em 632, e tornou-se o título que se atribuía ao chefe primário do islamismo.


Os acontecimentos dessa linha do tempo não foram representados em escala temporal.


A valorização do conhecimento

O mundo islâmico produziu importantes estudos em diversas áreas do conhecimento. Ao expandir o islã e as atividades comerciais, os muçulmanos entraram em contato com muitas culturas, o que lhes permitiu conhecer inovações tecnológicas de outros povos, como a bússola, o astrolábio e o papel chineses, bem como textos do mundo grego, persa e indiano.

O estudo obrigatório do Alcorão também permitiu desenvolver a teologia, a filosofia, o direito, a gramática e a história, destacando-se, entre os principais pensadores, os filósofos Abu al-Farabi e Averróis e o historiador Ibn Khaldun.

Os califas fundaram grandes bibliotecas, como a de Bagdá, que reunia manuscritos originais gregos, persas, indianos e latinos, bem como as respectivas traduções para o árabe. Eles também acolheram estudiosos, poetas e copistas de diferentes culturas e religiões, que contribuíram para engrandecer a ciência islâmica.


O legado científico

* Sabão, hospital, farmácia, número zero, anestesia... O que esses elementos têm em comum? Todos foram desenvolvidos ou aprimorados por estudiosos islâmicos. Veja alguns exemplos a seguir.

* Matemática. Os muçulmanos aprimoraram e difundiram os símbolos (de 0 a 9) criados pelos indianos, conhecidos como algarismos indo-arábicos. Desenvolveram a álgebra, a trigonometria, o uso da letra “x” para representar uma incógnita e a classificação das equações segundo os graus.

* Química. Criaram a água de rosas, utilizada em cosméticos e na culinária, o vinagre e o sabão. Abriram farmácias, onde disponibilizavam os medicamentos em forma de pomadas, pílulas e inalantes.

* Medicina. Criaram o conceito de hospital como local para o tratamento dos doentes e para o ensino da medicina. Estudaram doenças como a varíola e a asma, bem como seus tratamentos e medicamentos. Elaboraram ferramentas cirúrgicas, como a seringa, o fórceps, o bisturi e a agulha de sutura. A obra O cânone da medicina, de Avicena (Ibn Sina), publicada no século XI, reunia todo o conhecimento médico e farmacológico da época.

No Império Muçulmano, dois locais se destacaram no estudo de diferentes áreas do conhecimento: a Escola de Alexandria, no Egito, e a Casa da Sabedoria, em Bagdá, voltada principalmente à tradução de obras gregas.

sexta-feira, 3 de novembro de 2023

A Missão (Filme completo - duplado)

 Filme a Missão



Clique no link abaixo e veja o filme

https://www.youtube.com/watch?v=CDHfEcc5v70


Sinopse do filme


O Padre Jesuíta Gabriel (Jeremy Irons) vai para a terra dos Guaranis, na América do Sul, com o propósito de converter os nativos ao Cristianismo. Rapidamente ele constrói uma missão, juntamente com Rodrigo Mendoza (Robert De Niro), um comerciante de escravos em busca de redenção. Quando um tratado transfere a terra da Espanha para Portugal, o governo português quer capturar os nativos para o trabalho escravo. Mendoza e Gabriel protegem a missão, discordando da realização da tarefa.


Data de lançamento: 1 de outubro de 1986 (França)

Diretor: Roland Joffé

Roteiro: Robert Bolt

Música composta por: Ennio Morricone

Produção: Fernando Ghia, David Puttnam, Máximo Berrondo




Link do filme

República Velha (1889 - 1930) República de Espada (1889 - 1894) e República do Café com Leite (1894 - 1930)

A República Velha (1889-1930): Das Espadas ao Café com Leite O que é uma República?  República, do latim "res publica"...