domingo, 16 de novembro de 2025

República Velha (1889 - 1930) República de Espada (1889 - 1894) e República do Café com Leite (1894 - 1930)


A República Velha (1889-1930): Das Espadas ao Café com Leite

O que é uma República? 

República, do latim "res publica" (coisa pública), é um sistema de governo em que o poder é exercido por representantes eleitos pelo povo por um tempo determinado, com foco no bem comum e na soberania popular. Uma forma de governo em que o Estado se constitui de modo a atender o interesse geral dos cidadãos. Um modo de governo na qual o povo é soberano, governando o Estado por meio de representantes investidos nas suas funções em poderes distintos.

Na República Velha, o povo foi soberano? O bem comum e a soberania pública foram prioridades?

Abaixo,  veremos que a proclamação da República no Brasil,  não significou a implantação de um governo preocupado em atender o interesse geral dos cidadãos. Mas sim, na prática, a República Velha marcou a conservação e a defesa dos privilégios e dos interesses dos grupos dominantes, como os militares, proprietários de terras, do clero e outros.

O que foi a República Velha?

A República Velha, período que se estendeu da Proclamação da República em 1889 até a Revolução de 1930, foi uma era de profundas transformações e consolidação do novo regime no Brasil. Ela é tradicionalmente dividida em duas fases principais: a República da Espada (1889-1894) e a República Oligárquica (1894-1930).

O Início da República Velha

A República foi proclamada em 15 de novembro de 1889 por um grupo de militares positivistas apoiados por elites agrárias descontentes com a Monarquia. As principais causas foram a insatisfação com a abolição da escravatura sem indenização (Lei Áurea de 1888), o atraso político em relação ao federalismo, a crise com a Igreja (Questão Religiosa) e o Exército (Questão Militar), e o forte desejo das oligarquias agrárias, especialmente de São Paulo, por maior autonomia regional.

A República da Espada (1889-1894)

Denominada "República da Espada" por ter sido governada por dois marechais, Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto, esta fase foi marcada pela transição do regime imperial para o republicano, com forte instabilidade política e a centralização do poder nas mãos dos militares.

Principais Características:

· Governo Militar: Os dois primeiros presidentes eram militares, refletindo o papel central do Exército na proclamação.
· Instabilidade Política: Enfrentou várias revoltas, tanto de monarquistas quanto de setores republicanos descontentes.
· Centralização do Poder: Apesar da promessa de federalismo, o governo federal interveio fortemente nos estados.
· Crise Econômica: O país enfrentou a crise do Encilhamento, uma política econômica que gerou inflação, especulação financeira e uma série de falências.

Divisão e Fatos Históricos da República da Espada:

1. Governo Provisório (1889-1891) - Marechal Deodoro da Fonseca:
   · Deodoro chefiava um governo provisório com poderes quase absolutos.
   · Foram adotadas uma série de reformas para "republicanizar" o país: a separação entre Igreja e Estado, a instituição do casamento civil e a secularização dos cemitérios.
   · Foi promulgada a Primeira Constituição Republicana (1891), que estabeleceu o presidencialismo, o federalismo (com estados fortes e autônomos), o voto universal para homens alfabetizados (o voto era aberto, não secreto) e a garantia de direitos individuais.
2. Governo Constitucional de Deodoro da Fonseca (1891):
   · Eleito indiretamente, Deodoro enfrentou forte oposição do Congresso, controlado por oligarquias.
   · As relações entre o Executivo e o Legislativo se deterioraram rapidamente. Em novembro de 1891, Deodoro deu um golpe fechando o Congresso Nacional.
   · A reação foi imediata. A Marinha, liderada pelo Almirante Custódio de Melo, ameaçou bombardear o Rio de Janeiro (Capital Federal), forçando a renúncia de Deodoro em 23 de novembro de 1891.
3. Governo de Floriano Peixoto (1891-1894):
   · Como vice-presidente, Floriano assumiu o cargo. Sua posse foi contestada, pois a Constituição previa uma nova eleição caso o presidente não completasse metade do mandato.
   · Conhecido como "Marechal de Ferro", governou com mão de ferro, centralizando o poder e reprimindo violentamente as oposições.
   · Seu governo foi marcado por duas grandes revoltas:
     · Revolução Federalista (1893 - RS): Uma guerra civil entre dois grupos políticos gaúchos (federalistas e republicanos).
     · Revolta da Armada (1893-1894): Um levante da Marinha no Rio de Janeiro, que exigia a renúncia de Floriano e a convocação de novas eleições. Floriano sufocou a revolta com apoio do Exército e de batalhões patrióticos.

O Fim da República da Espada:
Com o término do mandato de Floriano Peixoto em 1894,as oligarquias agrárias (especialmente cafeicultoras de São Paulo), que já detinham o poder econômico, assumiram definitivamente o controle político do país através de eleições. O primeiro presidente civil, Prudente de Morais, marcou o início da República Oligárquica.

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A República Oligárquica (1894-1930)

Esta fase é caracterizada pelo domínio político das elites agrárias estaduais, principalmente de São Paulo e Minas Gerais, em um arranjo conhecido como Política do Café com Leite.

Características da República Velha Oligárquica:

· Política dos Governadores: Um pacto de poder entre o governo federal e as oligarquias estaduais. O presidente apoiava os governadores estaduais, que, em troca, garantiam a eleição de uma base parlamentar fiel no Congresso. Era um sistema de "apoio mútuo" que mantinha a estabilidade política.
· Coronelismo: O poder local era exercido pelos "coronéis" (fazendeiros, chefes políticos locais). Eles controlavam a população, os votos e a polícia local, sendo a base de sustentação das oligarquias estaduais.
· Voto de Cabresto: O coronel utilizava de seu poder econômico e, por vezes, da violência, para coagir os eleitores a votarem nos candidatos por ele indicados. O voto não era secreto, facilitando a fiscalização e a coerção.
· Economia: A economia era predominantemente agrário-exportadora, com o café como principal produto. A indústria começou a se desenvolver, impulsionada pela Primeira Guerra Mundial, mas ainda de forma incipiente.
· Sociedade: Era uma sociedade profundamente desigual, com uma grande massa de população rural analfabeta e excluída da vida política. O êxodo rural e o crescimento urbano começaram a gerar uma nova classe operária, que enfrentava condições precárias de trabalho.

A Política do Café com Leite:
Foi o acordo tácito entre as oligarquias deSão Paulo (maior produtor de café) e Minas Gerais (maior produtor de leite e criador de gado) para alternarem a presidência da República. Essa alternância garantia o domínio político do país e a implementação de políticas favoráveis a esses dois estados, como a valorização do café (onde o governo federal comprava estoques para manter os preços altos no mercado internacional).

Fatos Históricos Importantes da República Oligárquica:

· Revolta de Canudos (1896-1897): Conflito no sertão da Bahia, liderado por Antônio Conselheiro. Foi uma comunidade que desafiava o poder dos coronéis e a ordem republicana. O movimento foi brutalmente massacrado pelo Exército.
· Revolta da Vacina (1904): No Rio de Janeiro, a população se revoltou contra a obrigatoriedade da vacinação contra a varíola, em um contexto de reformas urbanas autoritárias que desalojavam os pobres.
· Revolta da Chibata (1910): Marinheiros, majoritariamente negros, se rebelaram contra os castigos físicos (chibatadas) e as condições degradantes na Marinha. Liderados por João Cândido, o "Almirante Negro", conseguiram a anistia, que depois foi descumprida.
· Guerra do Contestado (1912-1916): Conflito semelhante a Canudos, na região de fronteira entre Paraná e Santa Catarina, envolvendo questões de terra, messianismo e a insatisfação com a recém-instalada estrada de ferro.
· Tenentismo (década de 1920): Movimento de jovens oficiais de baixa patente (tenentes) do Exército que criticavam a corrupção e o domínio das oligarquias na República Velha. Lideraram revoltas como a dos 18 do Forte (1922) e a Coluna Prestes (1925-1927).
· Crise de 1929: A quebra da Bolsa de Nova York abalou profundamente a economia brasileira, baseada na exportação de café. O preço do café despencou no mercado internacional, quebrando a base econômica da Política do Café com Leite.

O Fim da República Velha:
A crise econômica de 1929,somada ao desgaste do sistema oligárquico e às reivindicações das classes médias e tenentes por modernização e moralização política, criaram o cenário para a Revolução de 1930. A quebra do acordo do Café com Leite – quando o presidente paulista Washington Luís indicou outro paulista, Júlio Prestes, para sucedê-lo, ignorando Minas Gerais – foi o estopim. Liderada por Getúlio Vargas, a revolução depôs o presidente e pôs fim à República Velha, iniciando a Era Vargas.

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Conclusão:

A República Velha foi um período fundamental na história do Brasil, onde se consolidou o regime republicano sob a égide primeiro dos militares e, depois, de forma mais duradoura, das oligarquias agrárias. Seu legado de coronelismo, clientelismo e desigualdade social deixou marcas profundas na política nacional, enquanto suas crises e contradições pavimentaram o caminho para as transformações radicais do século XX.


ATIVIDADE PONTUADA 

Claro! Com base no texto sobre a República Velha, aqui está um exercício com 16 questões, sendo 8 discursivas e 8 de múltipla escolha.

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Exercício: República Velha (1889-1930)

PARTE 1: QUESTÕES DISCURSIVAS

01. Explique por que o período de 1889 a 1894 ficou conhecido como "República da Espada".

02.Descreva duas características principais da Política dos Governadores.

03.O que foi a crise do Encilhamento e em qual fase da República Velha ela ocorreu?

04.Compare os governos de Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto, destacando um ponto de crise enfrentado por cada um.

05.Defina o que foi o Coronelismo e qual a sua relação com o "voto de cabresto".

06.O que foi a Política do Café com Leite e quais os dois estados protagonistas desse arranjo político?

07.Identifique e explique UMA causa que levou ao fim da República da Espada e o início da República Oligárquica.
08.Além da Política do Café com Leite, cite e explique brevemente duas outras características da República Oligárquica.

PARTE 2: QUESTÕES DE MÚLTIPLA ESCOLHA

09. A Primeira Constituição Republicana do Brasil, promulgada em 1891, estabeleceu como forma de governo:

a)Uma monarquia parlamentarista.
b)Uma república presidencialista.
c)Uma ditadura militar.
d)Uma confederação de estados.

10. O movimento tenentista, que ocorreu na década de 1920, foi caracterizado por:

a)Ser uma rebelião de grandes proprietários rurais contra o governo federal.
b)Defender a volta do regime monárquico e a figura do imperador.
c)Ser liderado por jovens oficiais do Exército que criticavam a corrupção das oligarquias.
d)Promover a revolta de comunidades sertanejas contra a autoridade republicana.

11. O "voto de cabresto", prática comum na República Velha, estava diretamente associado ao(a):

a)Fortalecimento do poder judiciário.
b)Sistema de controle político dos coronéis sobre a população local.
c)Implementação do voto secreto e universal.
d)Expansão dos direitos trabalhistas para os urbanos.

12. A Revolta de Canudos (1896-1897) e a Guerra do Contestado (1912-1916) são exemplos de conflitos ocorridos durante a República Velha que compartilham a característica de:

a)Serem revoltas de elite promovidas por cafeicultores insatisfeitos.
b)Envolverem comunidades sertanejas lideradas por figuras messiânicas, contestando a ordem estabelecida.
c)Terem como principal objetivo a separação de seus estados da federação brasileira.
d)Defendiam a implantação do anarquismo no campo.

13. Qual foi o fator econômico externo decisivo que contribuiu para a crise final da República Velha em 1930?

a)A Primeira Guerra Mundial.
b)A Quebra da Bolsa de Nova York em 1929.
c)A Grande Depressão Europeia de 1920.
d)O Bloqueio Continental napoleônico.

14. O governo de Floriano Peixoto (1891-1894) foi marcado pela forte repressão a duas grandes revoltas. Quais foram elas?

a)Revolta da Vacina e Revolta da Chibata.
b)Revolução Federalista e Revolta da Armada.
c)Revolta de Canudos e Guerra do Contestado.
d)Revolta dos Malês e Sabinada.

15. A "Política de Valorização do Café", praticada durante a República Oligárquica, consistia em:

a)Substituir as lavouras de café por culturas de subsistência.
b)Estimular a concorrência entre os estados produtores para baixar o preço.
c)O governo federal comprar e estocar estoques de café para manter os preços altos no mercado internacional.
d)Proibir a entrada de imigrantes para trabalhar nas lavouras.

16. O que representou a Revolução de 1930 para a República Velha?

a)A consolidação definitiva do poder das oligarquias de São Paulo e Minas Gerais.
b)A vitória do movimento operário e a instauração de um governo socialista.
c)A restauração do regime monárquico no Brasil.
d)O fim do período, com a deposição do presidente e a ascensão de Getúlio Vargas ao poder.

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sexta-feira, 14 de novembro de 2025

Segundo Reinado - Parte 02 - Do Apogeu ao Declínio


O Segundo Reinado: Do Apogeu à Queda da Monarquia


O Segundo Reinado (1840-1889), sob a liderança de D. Pedro II, representou um período de notável estabilidade política e transformação econômica para o Brasil. Marcado pela consolidação do Estado nacional, esta era é frequentemente lembrada como um momento de apogeu, mas também carregava em si os germes de sua própria dissolução.

A Era de Ouro: Café, Progresso e a "Modernidade" do Imperador

O alicerce da prosperidade do Segundo Reinado foi, incontestavelmente, o café. O "ouro verde" fluiu dos vales do Paraíba para o Oeste Paulista, gerando uma riqueza sem precedentes que financiou o desenvolvimento nacional. Foi justamente dessa economia cafeeira pujante que surgiram os capitais para os primeiros grandes investimentos industriais, notadamente na área têxtil, marcando o início tímido, porém significativo, da industrialização brasileira.

Este crescimento demandou infraestrutura. O governo imperial promoveu grandes avanços, com a expansão das ferrovias – como a Estrada de Ferro Santos-Jundiaí, que escoava a produção cafeeira –, a instalação de linhas telegráficas que integravam o vasto território, e a melhoria dos portos. A urbanização do Rio de Janeiro ganhou novos contornos com a introdução do bonde e do gás de iluminação.

A figura do Imperador D. Pedro II era central nesse projeto de "nação civilizada". Um mecenas das ciências e das artes, ele personificava o ideal de um governante erudito e progressista. Sua imagem serena e dedicada conferia credibilidade internacional ao país e garantia, internamente, um equilíbrio político através do "Parliamentarismo às Avessas". Ações como o incentivo à educação, à pesquisa e a própria manutenção da unidade nacional em um contexto de revoltas regionais são legados positivos de seu longo governo.

As Rachaduras na Coroa: O Caminho para o Declínio

Contudo, a partir da década de 1870, as bases do Império começaram a tremer. O sistema que parecia sólido revelou suas fissuras, culminando em uma crise multifacetada que levaria à sua queda.

1. A Questão Abolicionista: A abolição da escravidão foi o golpe mais decisivo na estrutura imperial. As leis abolicionistas, embora graduais, minaram a base de apoio dos grandes proprietários de terra, a principal elite do Império. A Lei do Ventre Livre (1871) e a Lei dos Sexagenários (1885) foram vistas como intromissões do Estado em seus domínios. O fortalecimento do movimento abolicionista, com figuras como Joaquim Nabuco e José do Patrocínio, e a pressão internacional, criaram um clima de insustentabilidade. A Lei Áurea (1888), assinada pela Princesa Isabel, foi celebrada pela população, mas alienou de vez a classe dos "barões do café", que, sem a indenização pelos escravos libertos, retiraram seu apoio à monarquia.

2. A Guerra do Paraguai (1864-1870): Guerra iniciada pela disputa pela hegemonia na Bacia do Prata e rivalidades políticas e econômicas entre Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, oconflito, embora vitorioso para o Brasil, teve consequências desastrosas. Exauriu os cofres públicos, endividou o país e fortaleceu o Exército. Os militares voltaram da guerra profissionais, conscientes de seu poder e descontentes com a política imperial, que desprezava suas reivindicações e lhes negava voz ativa na vida política.

3. A Questão Militar: Esse descontentamento deu origem à Questão Militar. Oficiais, influenciados por ideias positivistas e republicanas, passaram a criticar publicamente o governo e a interferência de políticos civis em assuntos castrenses. O imperador, que considerava os militares uma instituição subalterna, repreendeu-os publicamente, como no célebre episódio com o Coronel Cunha Matos. Esse atrito fez com que o Exército, outrora fiel, se tornasse um foco de oposição ativa.

4. A Questão Religiosa: O Império também perdeu o apoio da Igreja Católica. D. Pedro II, seguindo a tradição do Padroado, interveio em assuntos eclesiásticos, punindo bispos que cumpriram ordens do Papa e prenderam maçons (muitos deles políticos importantes do regime). A ruptura com a hierarquia da Igreja, outro pilar de sustentação do trono, foi profunda e irreconciliável.

5. Crise Econômica: Os principais problemas econômicos do Segundo Reinado após a Guerra do Paraguai foram o endividamento público, os gastos com a guerra, a crise na mão de obra escrava e a instabilidade gerada pela abolição, que levou à perda de apoio dos cafeicultores ao governo. Além disso, houve desafios na modernização, apesar de investimentos como a expansão das ferrovias e a indústria. 

6. Perda do apoio político - Governo teve a sua base de sustentação enfraquecida com todos os itens acima.

A Proclamação da República

Em 15 de novembro de 1889, todas essas correntes de insatisfação convergiram. Com o apoio de cafeicultores paulistas descontentes, de ideais republicanos em ascensão e da conivência de uma população urbana cada vez mais afastada da figura do imperador, um pequeno grupo de militares, liderados pelo Marechal Deodoro da Fonseca, decretou o fim do Império. Sem bases de apoio – escravocratas, militares, religiosos e até mesmo uma parcela da elite econômica –, D. Pedro II foi deposto de forma rápida e quase sem resistência, encerrando 67 anos de Segundo Reinado e inaugurando a República Brasileira. A monarquia, que havia guiado o país através de uma era de prosperidade, sucumbiu à sua incapacidade de se adaptar às novas forças sociais e políticas que ela mesma ajudara a criar.


ATIVIDADE PONTUADA 

Exercício: O Segundo Reinado Brasileiro - Do Apogeu ao Declínio

Instruções:

· Leia o texto de apoio com atenção.
· Responda às questões 1 a 8 de forma discursiva, sendo claro e objetivo.
· Para as questões 9 a 16, marque a alternativa correta.

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Parte 1: Questões Discursivas (1 a 8)

1. Segundo o texto, qual foi o principal produto que serviu de base para a prosperidade econômica do Segundo Reinado e como ele influenciou o processo de industrialização?

2. Explique, com base no texto, de que forma a economia cafeeira permitiu investimentos em infraestrutura durante o governo de D. Pedro II. Dê dois exemplos dessas melhorias.

3. Além dos aspectos econômicos, qual era a imagem projetada por D. Pedro II e como isso contribuía para a estabilidade política do Império?

4. Por que a abolição da escravidão, mesmo sendo uma causa progressista, é considerada um fator de desgaste para a Monarquia?

5. A Guerra do Paraguai é apontada como um evento vitorioso, mas com consequências negativas para o Império. Quais foram duas dessas consequências mencionadas no texto?

6. O que foi a "Questão Militar" e por que ela representou uma ruptura na relação entre o Exército e o governo imperial?

7. Descreva brevemente o conflito conhecido como "Questão Religiosa" e seu impacto para a sustentação do trono de D. Pedro II.

8. Sintetize, conforme o texto, quais foram os três principais grupos ou instituições que retiraram seu apoio ao Império, tornando a Proclamação da República possível.

Parte 2: Questões de Múltipla Escolha (9 a 16)

9. O principal produto de exportação que financiou a economia do Segundo Reinado foi:
   a) A borracha.
   b) O algodão.
   c) O café.
   d) A cana-de-açúcar.

10. A industrialização inicial no Brasil, durante o Segundo Reinado, foi financiada principalmente:
   a) Pelo capital estrangeiro inglês.
   b) Pelos empréstimos obtidos após a Guerra do Paraguai.
   c) Pelos lucros oriundos da economia cafeeira.
   d) Pela exploração de ouro em Minas Gerais.

11.  A figura de D. Pedro II era associada a um ideal de governante:
   a) Guerreiro e expansionista.
   b) Mercantilista e protecionista.
   c) Erudito e progressista.
   d) Radical e democrático.

12. A Lei que decretou o fim definitivo da escravidão no Brasil, alienando a elite agrária, foi:
   a) Lei do Ventre Livre (1871).
   b) Lei Eusébio de Queirós (1850).
   c) Lei dos Sexagenários (1885).
   d) Lei Áurea (1888).

13. Uma das principais consequências da Guerra do Paraguai para o Brasil foi:
   a) A anexação de territórios paraguaios.
   b) O endividamento das contas públicas e o descontentamento dos militares com a política imperial.
   c) A imediata proclamação da República.
   d) A união política com Argentina e Uruguai.

14. A "Questão Militar" refere-se ao conflito entre o Exército e o governo imperial porque:
   a) Os militares eram contra a abolição da escravidão.
   b) O governo não permitia que os militares usassem uniformes.
   c) Os oficiais militares desejavam maior participação política e sentiam-se desprezados pelo Imperador.
   d) O Exército era a favor do retorno do Primeiro Reinado.

15. A "Questão Religiosa" ocorreu devido à:
   a) Proibição do catolicismo no Brasil.
   b) Interferência do Imperador em assuntos internos da Igreja, como a punição de bispos.
   c) Conversão de D. Pedro II ao protestantismo.
   d) Separação oficial entre Igreja e Estado antes de 1889.

16. O ato final que depôs o Imperador e instaurou a República no Brasil é conhecido como:
   a) Golpe da Maioridade.
   b) Revolução Federalista.
   c) Proclamação da República.
   d) Revolta da Armada.

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Foto do quadro da aula 

segunda-feira, 3 de novembro de 2025

Revisão - Estudo Orientado - PRIMEIRO ANO - 3° Trimestre 2025 (Estudo Dirigido para a prova do 3° Trimestre 2025 1° ano)

Revisão para a prova do 3° trimestre de 2025 - PRIMEIRO ANO ENSINO MÉDIO 


01. A história política de Roma Antiga é tradicionalmente dividida em três grandes períodos. Qual é a sequência CORRETA desses períodos?

02. De acordo com a lenda romana, como foi fundada a cidade de Roma?

03. Como era formada a sociedade romana? Quais eram os grupos sociais existentes?

04. Na sociedade romana durante a Monarquia e a República, a classe dos patrícios era definida por:

05. Qual era a principal função do Senado durante o período da Monarquia Romana?

06. No período monárquico, o rei (rex) concentrava várias funções. Entre suas principais atribuições NÃO estava:

07. O fim da Monarquia Romana, por volta de 509 a.C., está tradicionalmente associado a:

08. O que significa a palavra República? Informe três características da República Romana:

09. Durante a República Romana, as magistraturas eram cargos públicos ocupados geralmente por patrícios. Uma característica fundamental desses cargos era:

10. Informe quatro magistraturas romanas e suas respectivas funções:

11. O que foi o Tribuno da Plebe? Quais eram as suas principais funções? 

12. Um dos principais conflitos sociais da República Romana foi a "Luta das Ordens". Esse conflito opunha:

13. Informe quatro fatores que auxiliaram na crise que desencadeou o fim da República Romana:

14. O fim da República Romana e a transição para o Império estão diretamente ligados a:

15. Sobre as principais características do Alto Império Romano (séculos I a.C. a III d.C.), é correto afirmar que:

16. Por que o Império Romano do Ocidente chegou ao fim?

sábado, 1 de novembro de 2025

Segundo Reinado AULA 02 - ECONOMIA CAFEEIRA E O INÍCIO DA INDUSTRIALIZAÇÃO NO BRASIL

Segundo Reinado  Aula 02 - Economia cafeeira e a o início da industrialização nacional. 

Aula 2025


O Segundo Reinado: A Era do Café e os Primórdios da Industrialização Brasileira


O que foi o Segundo Reinado


O Segundo Reinado (1840-1889) foi um período fundamental da história do Brasil, compreendido entre o Golpe da Maioridade, que antecipou a coroação de D. Pedro II, e a Proclamação da República. Marcado por uma relativa estabilidade política interna, foi uma era de profundas transformações econômicas e sociais, tendo o café como seu principal protagonista e a lenta e gradual abolição da escravidão como seu drama central.

Características do Segundo Reinado

· Políticas: Centralização do poder na figura do Imperador, com a prática do "Parlamentarismo às avessas". Os partidos Liberal e Conservador se alternavam no poder sob a égide do Poder Moderador. Foi um período de consolidação do Estado Nacional.

· Sociais: Sociedade escravista e patriarcal, extremamente hierarquizada. A base da pirâmide social era composta por escravizados africanos e seus descendentes. Havia uma pequena e emergente classe média urbana e uma elite agrária extremamente poderosa.

· Econômicas: Economia agroexportadora, com o café como carro-chefe. O período testemunhou o fim do tráfico negreiro, a imigração europeia e os primeiros passos da industrialização, voltada para bens de consumo imediato.

A Economia Cafeeira: A "Era do Ouro Verde"

A Economia Cafeeira foi o ciclo econômico que sustentou financeiramente o Império Brasileiro. O café não era apenas um produto de exportação; era a base da riqueza, da estrutura social e da política do período.

Características da Economia Cafeeira e a Definição de Plantation

O cultivo do café se baseava no sistema de plantation, caracterizado por:

· Monocultura: Dedicação de grandes extensões de terra a um único produto (café) para exportação.

· Latifúndio: Propriedades territoriais muito extensas.

· Mão de obra escrava: Inicialmente majoritariamente cativa, sendo posteriormente substituída por imigrantes assalariados.

· Produção em larga escala: Voltada para o mercado externo.

Origem e Importância Comercial do Café

Originário da Etiópia e difundido no mundo árabe, o café chegou às Guianas e, no século XVIII, ao Pará, no Brasil. Nos séculos XVIII e XIX, tornou-se uma bebida de grande popularidade na Europa e nos EUA. Sua importância comercial era colossal, tornando-se o produto tropical mais demandado no mercado internacional, o que permitiu ao Brasil ocupar uma posição de destaque no comércio mundial.

O Vale do Paraíba (RJ): O Berço da Aristocracia Cafeeira

A primeira grande região produtora foi o Vale do Paraíba, no Rio de Janeiro.

O Segundo Reinado: A Era do Café e os Primórdios da Industrialização Brasileira

· Cultivo e Perfil do Cafeicultor: O cultivo em São Paulo era mais moderno e eficiente. Os cafeicultores paulistas, muitas vezes imigrantes ou descendentes, eram mais empresariais, adotando técnicas avançadas, ferrovias (como a Santos-Jundiaí) e investindo em infraestrutura.

· Mão de Obra: Predominantemente escrava. As fazendas do Vale dependiam massivamente do trabalho cativo, sendo o último reduto da resistência escravista.

A Expansão para o Oeste Paulista: Modernidade e Imigração

A exaustão dos solos do Vale do Paraíba levou à expansão dos cafezais para o Oeste Paulista (regiões de Campinas, Ribeirão Preto, São Carlos).

· Cultivo e Perfil do Cafeicultor: O cultivo em São Paulo era mais moderno e eficiente. Os cafeicultores paulistas, muitas vezes imigrantes ou descendentes, eram mais empresariais, adotando técnicas avançadas, ferrovias (como a Santos-Jundiaí) e investindo em infraestrutura.

· Mão de Obra: Com a pressão pelo fim do tráfico e a escassez de mão de obra escrava, os paulistas pioneiramente adotaram o sistema de parceria e, posteriormente, o trabalho assalariado com imigrantes europeus (principalmente italianos). Esse foi um fator crucial para a diferenciação econômica e social de São Paulo.

São Paulo e o Lucro do Café na Industrialização

A imensa riqueza gerada pelo café em São Paulo não ficou restrita ao campo. Os lucros da cafeicultura (conhecidos como "capital cafeeiro") foram reinvestidos em:

· Infraestrutura: Ferrovias, portos e bancos.

· Indústria: Os chamados "Barões do Café" começaram a investir em fábricas, inicialmente para atender às demandas da própria população urbana em crescimento, impulsionada pela imigração.

A Industrialização de Bens de Consumo Imediato

A industrialização brasileira no Segundo Reinado foi incipiente e voltada para bens de consumo não-duráveis ou de consumo imediato. Suas características eram:

· Tipo de Indústria: Fábricas de tecidos, alimentos (massas, cerveja, doces), sabão, velas, móveis simples e couros.

· Características: Utilizava tecnologia majoritariamente importada da Inglaterra, dependia de capitais nacionais (do café) e enfrentava a concorrência dos produtos manufaturados estrangeiros.

A Pressão pelo Fim da Escravidão e as Leis Abolicionistas

O sistema escravista tornou-se um entrave às relações comerciais do Brasil, principalmente com a Inglaterra, que, industrializada, defendia o livre-comércio e o trabalho assalariado para criar novos mercados consumidores.

· Bill Aberdeen (1845): Lei britânica que autorizava a Marinha Real a apreender navios negreiros, considerando o tráfico como pirataria.

· Lei Eusébio de Queiroz (1850): Proibiu definitivamente o tráfico de escravizados para o Brasil, pressionada pela Inglaterra.

· Lei de Terras (1850): Estabeleceu que as terras devolutas só poderiam ser adquiridas por compra, e não por doação. Isso impediu que ex-escravizados e pobres tivessem acesso à terra, concentrando a propriedade e forçando muitos a trabalhar por salários.

· Lei do Ventre Livre (1871): Declarou livres os filhos de mulheres escravizadas nascidos a partir daquela data.
· Lei dos Sexagenários (1885): Concedeu liberdade aos escravizados com mais de 60 anos.

· Lei Áurea (1888): Assinada pela Princesa Isabel, extinguiu a escravidão no Brasil, levando à ruptura final entre a Coroa e as elites agrárias escravistas, que apoiaram a Proclamação da República.

O Enfraquecimento do Mercantilismo e o Fortalecimento do Capitalismo

O Segundo Reinado assistiu à transição de um modelo econômico de herança colonial (mercantilista) para um modelo capitalista. O fim do tráfico, a imigração assalariada, o investimento em infraestrutura e o início da industrialização são sinais claros da integração do Brasil na economia mundial capitalista, ainda que em uma posição periférica e agroexportadora.

Consequências e Legados do Segundo Reinado

· Econômicos: Consolidou o café como principal produto de exportação; permitiu a acumulação de capital que financiaria a industrialização futura; integrou o país por meio das ferrovias.

· Sociais: Aboliu formalmente a escravidão, mas sem integrar a população negra à sociedade de forma igualitária, legando graves problemas sociais. Iniciou o processo de imigração europeia que moldou o sul e sudeste do país.

· Políticos: A abolição sem indenização e a centralização de poder em D. Pedro II desgastaram o regime, levando ao seu fim em 1889 com a Proclamação da República. O poder econômico e político deslocou-se decisivamente da região Nordeste (açúcar) para o Sudeste (café).

Em suma, o Segundo Reinado foi a encruzilhada onde o Brasil colonial e escravista encontrou o Brasil moderno e capitalista. O café foi o agente dessa transformação, financiando não apenas o Império, mas também lançando as sementes da República e da nação industrial que o país viria a se tornar no século XX.

ATIVIDADE PONTUADA (1,0)

Exercício: O Segundo Reinado - Café, Indústria e Abolição

Instruções:

· Leia atentamente cada questão.
· Para as questões discursivas (1 a 8), responda com clareza e coerência, utilizando os conceitos do texto.
· Para as questões de múltipla escolha (9 a 16), marque a alternativa correta.

Questões Discursivas

1. Explique duas características fundamentais do sistema de plantation que estruturou a economia cafeeira no Segundo Reinado.

2. Compare o perfil do cafeicultor do Vale do Paraíba (RJ) com o do Oeste Paulista (SP) ao longo do século XIX, destacando suas diferenças em relação às técnicas de cultivo e à mentalidade econômica.

3. Descreva o papel do capital gerado pela cafeicultura (o "capital cafeeiro") no processo de industrialização incipiente do Brasil, especialmente na província de São Paulo.

4. Caracterize o tipo de industrialização que surgiu no Segundo Reinado, citando dois exemplos de setores industriais que se desenvolveram nesse período.

5. Relacione a pressão inglesa pelo fim do tráfico negreiro com seus interesses econômicos como nação industrializada. Por que a Inglaterra pressionava o Brasil a acabar com a escravidão?

6. Explique as principais consequências da Lei de Terras de 1850 para a estrutura fundiária e social do Brasil.

7. Analise por que a Lei Áurea (1888) é considerada um dos fatores que levaram ao fim do Segundo Reinado e à Proclamação da República.

8. Diferencie a mão de obra predominante nas fazendas de café do Vale do Paraíba daquela utilizada nas fazendas do Oeste Paulista, explicando as razões para essa diferença.

Questões de Múltipla Escolha

9. O Segundo Reinado (1840-1889) foi um período da história do Brasil caracterizado pela:

   a) Instabilidade política constante e uma série de guerras civis.
   b) Economia baseada no extrativismo da borracha na região amazônica.
   c) Centralização do poder no Imperador e economia agroexportadora cafeeira.
   d) Adoção de uma república federativa e imediata abolição da escravidão.

10. O sistema de plantation, base da economia cafeeira, pode ser definido como um modelo agrícola baseado em:

   a) Policultura de subsistência, minifúndio e mão de obra familiar.
   b) Monocultura de exportação, latifúndio e mão de obra escrava (posteriormente assalariada).
   c) Produção diversificada para o mercado interno, com uso de tecnologia intensiva.
   d) Cooperativas de pequenos produtores que compartilhavam maquinário.

11. A principal razão pela qual a Inglaterra pressionou o Brasil pelo fim do tráfico e da escravidão foi:
   a) O desejo de implantar o sistema de plantation em suas colônias na África.
   b) Motivações puramente humanitárias e religiosas, sem interesses econômicos.
   c) A necessidade de criar um mercado consumidor para seus produtos industrializados e adotar a ideologia do livre-comércio.
   d) A intenção de enfraquecer o Brasil para invadir e tomar suas plantations de café.

12. A Lei de Terras de 1850 teve um impacto significativo na sociedade brasileira porque:

   a) Distribuiu terras gratuitamente para os imigrantes europeus e ex-escravizados.
   b) Impediu o acesso à propriedade terra por meio da compra, concentrando-a nas mãos da elite.
   c) Nacionalizou todas as fazendas de café do Vale do Paraíba.
   d) Estabeleceu que a terra só poderia ser obtida por doação da Coroa.

13. A industrialização durante o Segundo Reinado foi marcada pela produção de:

   a) Bens de capital, como máquinas pesadas e equipamentos industriais complexos.
   b) Bens de consumo imediato, como tecidos, alimentos e sabão.
   c) Tecnologia de ponta para exportação para outros países da América do Sul.
   d) Produtos de luxo exclusivos para a aristocracia do Vale do Paraíba.

14. Qual lei abolicionista declarou livres os filhos de mulheres escravizadas nascidos a partir de sua promulgação?

   a) Lei Eusébio de Queiroz
   b) Lei do Ventre Livre
   c) Lei dos Sexagenários
   d) Lei Áurea

15. A transição da mão de obra escrava para a assalariada imigrante nas lavouras de café ocorreu primeiro e de forma mais intensa em qual região?

   a) No Vale do Paraíba Fluminense (RJ)
   b) No Nordeste Açucareiro
   c) No Oeste Paulista (SP)
   d) Na Amazônia, durante o ciclo da borracha.

16. Um dos principais legados do Segundo Reinado para a política e economia do Brasil foi:

   a) A manutenção do poder político nas mãos das elites nordestinas do açúcar.
   b) A centralização do poder econômico e político na região Sudeste, impulsionada pelo café.
   c) A desintegração do território nacional em várias repúblicas independentes.
   d) A implantação de uma reforma agrária que distribuiu terras para os camponeses.

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quinta-feira, 30 de outubro de 2025

Idade Média: A Influência da Igreja Católica, expansão do Islamismo e as Cruzadas.


A Idade Média: Igreja, Islão e as Cruzadas


1. O que foi a Idade Média?

A Idade Média é um período histórico tradicionalmente compreendido entre a queda do Império Romano do Ocidente, em 476 d.C., e a tomada de Constantinopla pelos turcos-otomanos em 1453. Longe de ser uma "idade das trevas", como ficou pejorativamente conhecida durante o Renascimento, foi uma era complexa e dinâmica, marcada pela síntese entre a cultura clássica romana, as tradições germânicas e a espiritualidade cristã. A Igreja Católica emergiu como a instituição mais estável e influente do período, tornando-se o eixo em torno do qual a sociedade medieval girava.

2. A Divisão: Alta e Baixa Idade Média

Para melhor compreensão, os historiadores dividem a Idade Média em dois grandes subperíodos:

· Alta Idade Média (séculos V ao X): Caracterizada pela desagregação do poder centralizado de Roma, ruralização da sociedade, economia basicamente agrária e de subsistência (o Feudalismo), e constantes invasões bárbaras. O poder era fragmentado entre os senhores feudais.
· Baixa Idade Média (séculos XI ao XV): Período de transformações e renascimento. Houve um crescimento populacional, o renascimento comercial e urbano, o fortalecimento do poder real e o surgimento de uma nova classe social: a burguesia. É neste contexto que as Cruzadas se inserem e atuam como um dos catalisadores dessas mudanças.

3. A Influência da Igreja Católica e do Clero

A Igreja Católica foi a instituição onipresente e dominante na Europa Medieval. Sua influência permeava todas as esferas da vida:

· Política: O Papa era uma figura de autoridade rival aos imperadores e reis. A Teoria do Dualismo (poder espiritual do Papa e poder temporal do Imperador) era constantemente disputada. A Coroação de Carlos Magno pelo Papa Leão III em 800 é um símbolo máximo dessa relação. O clero era o setor letrado da sociedade, responsável pela administração e redação de documentos.
· Filosofia e Educação: A filosofia medieval foi dominada pela Escolástica, que buscava conciliar a fé cristã com a razão, principalmente através da obra de Aristóteles. Figuras como Santo Agostinho e São Tomás de Aquino são centrais. A educação era monopólio da Igreja, ministrada em mosteiros e, posteriormente, nas primeiras universidades.
· Artes: A arte era essencialmente religiosa e didática, destinada a glorificar a Deus e educar uma população majoritariamente analfabeta. A arquitetura é o maior legado, evoluindo do estilo Românico (sólido, baixo e com poucas aberturas) para o Gótico (vertiginoso, com vitrais e arcos ogivais, simbolizando a ascensão a Deus).
· Economia e Sociedade: A Igreja era a maior proprietária de terras na Europa, exercendo grande poder econômico. Ela também estruturava a sociedade através da Teoria dos Três Estados: Oratores (os que rezam - clero), Bellatores (os que combatem - nobreza) e Laboratores (os que trabalham - servos).

4. A Expansão Islâmica e os Califados

Paralelamente ao desenvolvimento da Europa Cristã, o Islão surgia na Península Arábica no século VII, com a revelação do profeta Maomé. Após sua morte em 632, a comunidade muçulmana foi liderada pelos califas (sucessores), que iniciaram uma expansão territorial vertiginosa.

Sob os califados Omíada e Abássida, os exércitos islâmicos conquistaram vastos territórios, incluindo o Norte da África, Península Ibérica (Al-Andalus), Palestina, Síria, Pérsia e partes da Índia. Essa expansão não foi apenas militar, mas também cultural e científica. Cidades como Bagdá (no Oriente) e Córdoba (no Ocidente) tornaram-se centros de conhecimento, onde se preservou e se avançou sobre a filosofia, matemática, astronomia e medicina da Antiguidade Clássica, conhecimentos que, em grande parte, haviam se perdido na Europa.

5. As Cruzadas: Conflito e Encontro

As Cruzadas foram expedições militares e religiosas organizadas pela Igreja Católica, entre os séculos XI e XIII, com o objetivo declarado de reconquistar a Terra Santa (Jerusalém e arredores) do domínio muçulmano.

· Motivos: Os motivos eram uma complexa teia de fatores:
  · Religioso: A reconquista de Jerusalém, local de peregrinação sagrado. A Igreja também prometia a remissão dos pecados aos cruzados.
  · Político: O Papa buscava reunificar a cristandade (inclusive com a Igreja Ortodoxa do Oriente) e aumentar seu poder temporal.
  · Econômico e Social: A nobreza europeia mais jovem via nas Cruzadas uma oportunidade de obter terras e riquezas. Para os comerciantes italianos (de Veneza e Gênova), representava a abertura de novas rotas comerciais.
· Participantes e Quantidade: Houve oito Cruzadas principais, além de outras menores. Participaram reis, nobres, cavaleiros, camponeses e até crianças (na "Cruzada das Crianças").
· Consequências:
  · Para o Oriente: Gerou um legado de desconfiança e hostilidade entre cristãos e muçulmanos que perdura até hoje. Causou grande destruição e morte nas populações locais.
  · Para o Ocidente: Apesar do fracasso militar final (os cristãos não mantiveram o controle permanente da Terra Santa), as consequências para a Europa foram profundas e transformadoras.

6. Cruzadas e o Renascimento Cultural, Comercial e Econômico

As Cruzadas foram um dos principais motores do declínio da Alta Idade Média e do advento das transformações da Baixa Idade Média.

· Renascimento Comercial: O contato com o Oriente reativou o comércio no Mediterrâneo. Os europeus passaram a demandar produtos de luxo como especiarias, sedas, porcelanas e açúcar. As cidades italianas, que forneciam transporte e financiamento, enriqueceram enormemente, tornando-se os principais intermediários desse comércio.
· Renascimento Cultural e Intelectual: O contato, por vezes violento, com a civilização islâmica permitiu que os europeus redescobrissem os textos clássicos de Aristóteles, Platão e outros filósofos e cientistas, que haviam sido preservados e comentados pelos sábios árabes. Traduções do árabe para o latim reintroduziram conhecimentos em matemática (algarismos arábicos), medicina, astronomia e química na Europa, fertilizando o solo para o futuro Renascimento.
· Declínio do Feudalismo: A circulação de moedas, o renascimento do comércio e o crescimento das cidades (burgos) enfraqueceram a economia agrária e autossuficiente do feudo. Muitos servos aproveitaram as Cruzadas para deixar os feudos, e a nova economia monetária começou a corroer as relações de vassalagem, baseadas na terra.

Conclusão

O período medieval, portanto, não pode ser entendido sem a compreensão da simbiose entre o poder espiritual da Igreja Católica, o dinamismo e a erudição do mundo islâmico e o impacto catalisador das Cruzadas. Este grande conflito, embora de natureza religiosa, abriu caminho para o fluxo de ideias, mercadorias e conhecimentos que quebraram a estagnação relativa da Alta Idade Média e pavimentaram a estrada para as grandes transformações dos séculos seguintes: o Renascimento Cultural, a formação dos Estados Nacionais e a expansão marítima europeia.

terça-feira, 28 de outubro de 2025

EJA 03 - Período Regencial Brasileiro (1831 - 1840) Aula 2025

Período Regencial (1831 - 1840) Versão EJA






O Período Regencial (1831-1840): Uma Era de Turbulências e Transformações


O Período Regencial foi uma das fases mais complexas, conturbadas e decisivas da história do Brasil. Ele funcionou como um verdadeiro laboratório político, onde as disputas pelo poder e os projetos de nação foram testados, frequentemente à força, moldando o destino do país.


Definição e Duração

O Período Regencial foi uma regência trina e una que governou o Brasil entre a abdicação de Dom Pedro I, em 7 de abril de 1831, e a coroação de Dom Pedro II, com o Golpe da Maioridade, em 23 de julho de 1840. Como o herdeiro do trono, Dom Pedro II, tinha apenas 5 anos de idade em 1831, a Constituição de 1824 previa que o Império fosse governado por regentes até que o imperador atingisse a maioridade.

Fato Histórico que Iniciou o Período

O marco inicial do período foi a Abdicação de Dom Pedro I, em 7 de abril de 1831. Pressões políticas internas, descontentamento popular, a impopularidade da Guerra da Cisplatina e a crise econômica fragilizaram sua posição. A gota d'água foi o conflito com a elite política brasileira (os "brasileiros"), que não aceitava seu autoritarismo e seu vínculo com Portugal. Forçado, Dom Pedro I abdicou em favor de seu filho de cinco anos, Pedro de Alcântara.

Fato Histórico que Concluiu o Período

O período regencial foi encerrado pelo Golpe da Maioridade, em 23 de julho de 1840. Liderado pelos políticos do Partido Liberal, o golpe antecipou a maioridade de Dom Pedro II, que na época tinha apenas 14 anos. O objetivo principal da elite política era conter a onda de revoltas e instabilidade que ameaçava a unidade do Império, acreditando que a figura de um imperador, mesmo jovem, traria centralização, autoridade e paz.

Periodização: As Regências

O período é dividido em três fases principais:

1. Regência Trina Provisória (Abril a Junho de 1831): Assumiu o poder imediatamente após a abdicação, com o objetivo de convocar eleições para uma regência permanente.
2. Regência Trina Permanente (1831-1835): Governada por três regentes eleitos pela Assembleia Geral. Foi um período de intensa agitação, marcado pelo avanço de ideias liberais e federalistas, culminando na criação do Ato Adicional de 1834.
3. Regência Una de Diogo Antônio Feijó (1835-1837): O Ato Adicional substituiu a regência trina por uma regência una, elegendo o padre Diogo Antônio Feijó como Regente. Seu governo foi marcado pelo agravamento das revoltas provinciais.
4. Regência Una de Araújo Lima (1837-1840): Após a renúncia de Feijó, assumiu Pedro de Araújo Lima (futuro Marquês de Olinda). Seu governo representou uma reação conservadora, com a reforma do Ato Adicional em 1840 (Lei de Interpretação do Ato Adicional), centralizando o poder novamente. Este foi o último governo regencial.

Características Gerais do Período

· Crise e Instabilidade: Foi um período de profunda crise política e social.
· Experiência Liberal: Foi o momento de maior autonomia provincial e avanço de ideias liberais no Império.
· Vácuo de Poder: A ausência da figura do imperador criou um vácuo de poder, intensificando as disputas entre as facções políticas.
· Rebeliões Regionais: Eclodiram inúmeras revoltas em várias províncias, contestando o poder central.
· Centralização vs. Federalismo: O grande debate do período era entre centralizar o poder no Rio de Janeiro ou conceder mais autonomia às províncias.

Grupos Políticos do Período

Três grupos principais disputavam o poder:

1. Restauradores (Caramurus): Defendiam a volta de Dom Pedro I ao trono e um governo centralizado. Eram em sua maioria portugueses e burocratas ligados ao antigo imperador.
2. Liberais Moderados (Chimangos): Formado pela maioria da elite agrária brasileira. Defendiam a monarquia, mas com maior autonomia para as províncias e um governo representativo. Eram a força política dominante durante a maior parte do período.
3. Liberais Exaltados (Farroupilhas ou Jurujubas): Eram os liberais radicais. Defendiam a descentralização total, a federação, e alguns até a proclamação de uma república. Tinham forte apoio nas camadas médias urbanas e nas províncias.

O Ato Adicional de 1834

Foi a principal reforma constitucional do período, criada para atender às demandas por descentralização. Suas principais medidas foram:

· Substituição da Regência Trina pela Regência Una.
· Criação das Assembleias Legislativas Provinciais, que ganharam autonomia para legislar sobre assuntos locais (impostos, educação, estradas).
· Extinção do Conselho de Estado, órgão de caráter conservador.
· Foi uma vitória dos liberais, mas sua excessiva descentralização é apontada como uma das causas da explosão de revoltas.

Principais Fatos Históricos e Revoltas

O período foi marcado por uma série de conflitos que refletiam as tensões sociais, econômicas e regionais:

· Cabanagem (1835-1840) - Grão-Pará: Revolta popular de indígenas, mestiços e negros libertos contra a elite local e o governo central. Foi uma das revoltas mais sangrentas, com os rebelados chegando a tomar o poder na província.
· Sabinada (1837-1838) - Bahia: Liderada por Francisco Sabino, foi uma rebelião de classe média urbana (militares, jornalistas, profissionais liberais) que proclamou uma "República Baiana" enquanto Dom Pedro II não atingisse a maioridade.
· Balaiada (1838-1841) - Maranhão: Movimento social envolvendo vaqueiros, escravizados fugidos e artesãos (como o fabricante de balaios, Manoel Francisco dos Anjos, o "Balaio") contra a elite rural e a miséria generalizada.
· Guerra dos Farrapos (1835-1845) - Rio Grande do Sul: A mais longa rebelião. Liderada pela elite estancieira gaúcha, proclamou a República Rio-Grandense e a República Juliana (em Santa Catarina). Motivada por altos impostos e questões políticas, foi essencialmente um conflito de elites regionais contra o governo central.

Conclusão

O Período Regencial foi muito mais do que um simples "interregno" entre dois imperadores. Foi uma fase de definição do Estado nacional brasileiro, onde as forças centrífugas (descentralização e revoltas) foram contidas pelas forças centrípetas (centralização e unidade). O Golpe da Maioridade, ao colocar Dom Pedro II no trono, representou a vitória da elite em busca de ordem e estabilidade, mas as lições e tensões desse período marcariam profundamente o resto do Segundo Reinado.



ATIVIDADE PONTUADA (1,0)

Exercício: O Período Regencial Brasileiro (1831-1840)

Parte 1: Questões Discursivas

1. Defina, em suas próprias palavras, o que foi o Período Regencial no Brasil.

2. Qual foi o fato histórico que deu início ao Período Regencial e quais foram as suas causas principais?

3. Explique o que foi o "Golpe da Maioridade" e por que a elite política da época o articulou.

4. Diferencie os principais interesses dos grupos políticos Liberais Exaltados (Farroupilhas) e Restauradores (Caramurus).

5. Quais foram as duas principais mudanças instituídas pelo Ato Adicional de 1834?

6. A Cabanagem e a Balaiada são frequentemente caracterizadas como revoltas de cunho popular. Explique por quê.

7. Por que o Período Regencial pode ser considerado uma "experiência liberal" na história do Brasil Imperial?

8. A Regência Una de Araújo Lima (1837-1840) é associada a uma "reação conservadora". O que isso significa e qual medida legal simbolizou essa reação?

Parte 2: Questões de Múltipla Escolha

9. O Período Regencial na história do Brasil compreendeu os anos de:
a)1822 a 1831
b)1831 a 1840
c)1840 a 1889
d)1835 a 1845

10. O Ato Adicional de 1834 foi uma emenda constitucional que introduziu mudanças significativas. Uma de suas principais medidas foi:
a)A proclamação da República.
b)A criação da Guarda Nacional.
c)A criação das Assembleias Legislativas Provinciais.
d)A extinção da escravidão.

11. A Revolta Farroupilha (1835-1845), eclodida no Rio Grande do Sul, teve como uma de suas principais causas:
a)A oposição à cobrança de altos impostos sobre o charque e o couro.
b)A demanda pela expulsão de todos os portugueses do comércio.
c)A insatisfação com a proibição do tráfico de escravizados.
d)A luta pela libertação imediata e incondicional dos escravos.

12. Qual grupo político do Período Regencial era composto principalmente por portugueses e burocratas ligados a Dom Pedro I e defendia o seu retorno ao trono?
a)Liberais Moderados (Chimangos)
b)Liberais Exaltados (Farroupilhas)
c)Restauradores (Caramurus)
d)Republicanos Federalistas

13. A Sabinada (1837-1838), ocorrida na Bahia, caracterizou-se por:
a)Ser um movimento de elite agrária que desejava a independência da província.
b)Proclamar uma república provisória, que duraria até a maioridade de Dom Pedro II.
c)Lutar pela libertação dos escravos e reforma agrária radical.
d)Ser liderada por indígenas e mestiços que tomaram a capital da província.

14. O Golpe da Maioridade, que pôs fim ao Período Regencial, foi articrado principalmente porque:
a)Dom Pedro II já tinha 18 anos e era legalmente apto a assumir o trono.
b)A elite acreditava que a figura de um imperador traria estabilidade e conteria as revoltas.
c)Os regentes haviam sido depostos por uma revolta popular no Rio de Janeiro.
d)Os Restauradores ameaçavam trazer Dom Pedro I de volta ao Brasil.

15. A Regência Trina Permanente (1831-1835) foi sucedida pela Regência Una, cujo primeiro regente foi:
a)Padre Diogo Antônio Feijó
b)Pedro de Araújo Lima
c)Dom Pedro I
d)José Bonifácio

16. Qual das seguintes revoltas NÃO ocorreu durante o Período Regencial?
a)Cabanagem
b)Balaiada
c)Guerra de Canudos
d)Sabinada

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domingo, 26 de outubro de 2025

Brasil 1945 - 1964. Uma breve história Democrática. Período Democrático entre duas ditaduras

Brasil 1945 - 1964. Um período de democracia e de desenvolvimento.

A Breve Primavera Democrática (1945-1964): Brasil entre Duas Ditaduras


O período que vai de 1945 a 1964 representa um dos capítulos mais complexos e dinâmicos da história do Brasil Republicano. Marcado por uma experiência democrática frágil e intensa, foi uma era de grandes esperanças, profundas contradições e agudos conflitos, encravada entre a ditadura do Estado Novo (1937-1945) e a ditadura militar que se iniciaria em 1964. Foi uma época em que o país se urbanizava rapidamente, industrializava-se e via suas massas populares ingressarem na vida política de forma irreversível.

O Fim da Era Vargas e o Declínio do Estado Novo

A ditadura do Estado Novo, chefiada por Getúlio Vargas, começou a ruir no contexto da Segunda Guerra Mundial. A contradição de o Brasil combater o fascismo na Europa ao lado dos Aliados, enquanto mantinha um regime de caráter autoritário em casa, tornou-se insustentável. A pressão interna por redemocratização crescia, liderada por setores da imprensa, por estudantes universitários (como a UNE) e por políticos liberais.

Vargas, um político astuto, percebeu a maré mudar. Em 1945, decretou uma anistia ampla, marcou eleições presidenciais e permitiu a organização de partidos políticos. Foram criadas duas grandes agremiações que dominariam a cena política pelos próximos vinte anos: o Partido Social Democrático (PSD), que reunia interventores estaduais e aliados da techno-burocracia varguista, e o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), focado nos sindicatos urbanos e na massa trabalhadora organizada pela legislação trabalhista de Vargas. A oposição liberal e conservadora se aglutinou na União Democrática Nacional (UDN).

Um movimento militar, conhecido como "O Movimento de 29 de Outubro", forçou a renúncia de Vargas, temendo que ele articulasse um golpe para se manter no poder. O fim do Estado Novo abriu caminho para as eleições diretas e o início do período democrático.

O Governo Eurico Gaspar Dutra (1946-1951)

Eleição e Política: Eurico Gaspar Dutra, ministro da Guerra de Vargas e candidato pela coligação PSD-PTB, venceu as eleições de 1945. Seu governo foi marcado pela tentativa de normalização institucional, com a promulgação de uma nova Constituição em 1946, democrática e liberal, que restabeleceu os direitos individuais e o voto secreto.

Economia: Inicialmente, Dutra adotou uma política econômica liberal, abolindo o controle estatal sobre importações e cambial. As reservas acumuladas durante a guerra foram rapidamente gastas em importações de bens de consumo supérfluos, esgotando-se em pouco tempo. Com a crise de divisas, o governo foi forçado a retomar o controle sobre as importações, privilegiando bens de capital para a indústria. Foi um período de contradição: liberalismo inicial seguido de um retorno à intervenção.

Cultura e Sociedade: Foi uma época de abertura cultural, com a influência norte-americana se tornando massiva através do cinema, da música (o jazz e o rock começavam a chegar) e dos costumes. No entanto, o governo também adotou uma postura conservadora, cassando o Partido Comunista Brasileiro (PCB) e rompendo relações com a União Soviética no contexto da Guerra Fria.

O Segundo Governo Vargas (1951-1954)

Eleição e Política: Getúlio Vargas retornou ao poder em 1951, desta vez pelo voto direto, como candidato do PTB com apoio do PSP (de Adhemar de Barros). Seu governo foi marcado por uma intensa polarização. De um lado, as forças trabalhistas e nacionalistas que o apoiavam; do outro, a oposição ferrenha da UDN, que o via como um ditador populista e corrupto. Seu principal algoz era o jornalista e deputado udenista Carlos Lacerda, dono do jornal Tribuna da Imprensa, que fazia oposição sistemática e pessoal a Vargas, acusando-o de corrupção e de preparar um novo golpe.

Economia e o Nacional-Desenvolvimentismo: A tônica do governo foi o nacional-desenvolvimentismo. Sob a batuta de seu ministro do Trabalho, João Goulart, e com a criação de estatais estratégicas como a Petrobras (1953) – sob o lema "O petróleo é nosso!" –, Vargas defendia que a industrialização pesada do país deveria ser liderada pelo Estado, com capital nacional. Esta visão se chocava frontalmente com a dos setores liberais e estrangeiros, que acusavam Vargas de "entreguista" em alguns momentos e, em outros, de criar obstáculos ao capital internacional. A crise econômica, com alta da inflação e descontentamento popular, alimentava a oposição.

Crise e Suicídio: A tensão atingiu seu ápice com o "Atentado da Rua Tonelero", em agosto de 1954, quando pistoleiros ligados à guarda presidencial tentaram assassinar Carlos Lacerda, mas mataram seu acompanhante, o major-aviador Rubens Vaz. As investigações apontaram para a cumplicidade do chefe da guarda presidencial de Vargas, Gregório Fortunato. Isolado e sob forte pressão militar para se demitir, Vargas optou pelo caminho mais dramático. Na madrugada de 24 de agosto de 1954, suicidou-se com um tiro no coração no Palácio do Catete. Deixou uma carta-testamento acusando "forças e interesses contra o povo" e declarando ter "lutado contra a espoliação do Brasil". Sua morte causou uma comoção nacional enorme, com manifestações de massa que impediram, por um tempo, a escalada golpista.

O Governo Juscelino Kubitschek (1956-1961)

Eleição e Política: Juscelino Kubitschek (PSD) venceu as eleições de 1955 com Jango Goulart (PTB) como vice, sob a plataforma do "Plano de Metas", cujo lema era "Cinquenta anos em cinco". Para garantir a posse, diante de uma tentativa de golpe da UDN (o "Movimento de 11 de Novembro"), os militares legalistas, liderados pelo general Henrique Teixeira Lott, garantem a ordem através de um "contragolpe".

Economia e o Plano de Metas: JK foi o grande realizador do desenvolvimentismo. Seu governo foi um período de otimismo e crescimento econômico acelerado. O Plano de Metas concentrou investimentos em energia, transporte, indústria de base e alimentícia. A indústria automobilística foi implantada, mudando para sempre a paisagem urbana do país. A abertura ao capital estrangeiro foi uma característica marcante, atraindo multinacionais para setores-chave.

Cultura e Sociedade: Foi a "Era de Ouro" da cultura brasileira. A Bossa Nova surgia, sintetizando o jazz com o samba. O cinema ganhava força com a comédia da "Vera Cruz" e o início do Cinema Novo. A arquitetura modernista florescia. Era a imagem de um país moderno, confiante e voltado para o futuro.

Brasília e Endividamento: Sua obra máxima foi a construção de Brasília, inaugurada em 1960. A nova capital simbolizava a marcha para o interior e a superação de um passado colonial. No entanto, o custo foi altíssimo. O endividamento externo disparou, e a inflação, contida artificialmente, começou a sair do controle, plantando as sementes da crise que assomaria os governos seguintes.

O Governo Jânio Quadros (1961)

Eleição e Política: Jânio Quadros, um político excêntrico e carismático, venceu as eleições de 1960 com um discurso moralizador (símbolo da vassoura) e de oposição a JK. Sem base partidária sólida, governou de forma errática e isolada.

Economia e Sociedade: Tentou implementar uma política de austeridade para conter a inflação e o déficit, mas suas medidas foram impopulares, como a proibição do jogo e das brigas de galo.

Política Externa: Sua política externa independente foi o aspecto mais marcante. Buscou o não alinhamento na Guerra Fria, reatando relações com a União Soviética e condecorando o revolucionário Che Guevara. Isso alarmou os setores conservadores e militares.

Crise e Renúncia: Em 25 de agosto de 1961, após apenas sete meses no governo, Jânio Quadros renunciou em uma manobra política arriscada, acreditando que seria reconduzido ao poder pelo clamor popular. O cálculo falhou. A renúncia abriu uma crise constitucional, pois o vice-presidente, João Goulart, era visto com extrema desconfiança pelos militares por suas ligações com os sindicatos e a esquerda trabalhista.

O Governo João Goulart (1961-1964)

Chegada ao Poder e Parlamentarismo: Os ministros militares tentaram impedir a posse de Jango, alegando que ele seria "um Mandela brasileiro". A resistência civil, liderada pelo cunhado de Jango, Leonel Brizola, então governador do Rio Grande do Sul (na "Cadeia da Legalidade"), e a pressão de setores militares legalistas, forçaram um compromisso: Goulart assumiria, mas sob um sistema parlamentarista, que reduzia seus poderes.

Política e as Reformas de Base: Em 1963, um plebiscito restaurou o presidencialismo. Jango, então, lançou seu projeto de Reformas de Base. Estas incluíam reformas de grande alcance: agrária (desapropriação de latifúndios), urbana, fiscal, eleitoral (extensão do voto aos analfabetos e soldados) e universitária. O projeto era apoiado pelas esquerdas, sindicatos e movimentos sociais (como as Ligas Camponesas), mas era visceralmente rejeitado pela direita, pelos empresários, pela grande imprensa e pelos militares, que o viam como um caminho para o comunismo.

Economia e Sociedade: A economia estava em frangalhos, com inflação galopante e estagnação. O governo perdia o controle. A polarização atingiu níveis extremos. De um lado, Jango era pressionado pela esquerda a radicalizar; do outro, a direita organizava marchas conservadoras, como a "Marcha da Família com Deus pela Liberdade".

Crise e Golpe de 1964: Em 13 de março de 1964, Jango realizou um grande comício na Central do Brasil, no Rio de Janeiro, decretando a nacionalização de refinarias privadas e a desapropriação de terras, radicalizando seu discurso. Em resposta, a oposição organizou a "Marcha da Família" em São Paulo. O estopim final foi o discurso de Jango para sargentos no Automóvel Clube do Brasil, em 30 de março, visto pelos militares como uma incitação à quebra da hierarquia. Na madrugada de 31 de março para 1º de abril de 1964, tropas militares de Minas Gerais, sob o comando do general Olímpio Mourão Filho, iniciaram o movimento que depôs João Goulart, que, sem apoio militar significativo, refugiou-se no Sul e depois no exílio. A experiência democrática de 1945 chegava ao fim, e iniciava-se uma ditadura militar que duraria 21 anos.

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Este período, apesar de sua instabilidade, foi fundamental para a formação do Brasil moderno. Nele, a industrialização se consolidou, os direitos trabalhistas se expandiram, a cultura floresceu e a população se tornou ator político. Suas contradições e conflitos, no entanto, revelavam as profundas divisões de uma sociedade em rápida transformação, que não soube, ou não pôde, conciliar seus projetos em disputa de forma pacífica.

ATIVIDADE PONTUADA (+1,0)

Exercício: A História do Brasil no Período Democrático (1945-1964)

Parte 1: Questões Discursivas

Instruções: Responda às questões abaixo de forma clara e completa, utilizando os conhecimentos construídos a partir do texto base.

1. Explique por que a ditadura do Estado Novo, chefiada por Getúlio Vargas, entrou em declínio em 1945.

2.Descreva a principal contradição da política econômica adotada no governo Eurico Gaspar Dutra (1946-1951).

3.O que foi o "nacional-desenvolvimentismo" no segundo governo de Vargas (1951-1954) e qual foi sua principal realização no setor de infraestrutura?

4.Qual foi o papel de Carlos Lacerda no segundo governo Vargas e qual evento culminante intensificou a crise política que levou ao suicídio do presidente?

5.Qual era o lema do "Plano de Metas" de Juscelino Kubitschek e quais foram seus dois principais eixos de atuação para alcançá-lo?

6.A construção de Brasília durante o governo JK é carregada de simbolismos. Explique o significado político e social da nova capital.

7.A política externa independente de Jânio Quadros causou forte reação. Dê dois exemplos de ações que caracterizaram essa política.

8.Por que a renúncia de Jânio Quadros, em 1961, desencadeou uma grave crise política?

9.O que eram as "Reformas de Base" propostas pelo governo João Goulart? Cite três exemplos.

10.Descreva o contexto imediato (os dois eventos-chave) que serviu de estopim para o Golpe Militar de 1964.

Parte 2: Questões de Múltipla Escolha

Instruções: Para cada questão, marque a alternativa correta.

11. Os dois principais partidos políticos criados no final do Estado Novo e que dominaram a cena política no período 1945-1964 foram:

a)UDN e PCB
b)PSD e PTB
c)PTB e PCB
d)PSD e UDN

12. A Constituição promulgada em 1946, durante o governo Dutra, caracterizou-se por ser:

a)Outorgada e centralizadora, mantendo os princípios do Estado Novo.
b)Democrática e liberal, restabelecendo direitos individuais e o voto secreto.
c)Socialista, inspirada no modelo da União Soviética.
d)Monárquica, restaurando os poderes do Imperador.

13. O lema "O petróleo é nosso!" está associado à criação de qual estatal durante o segundo governo Vargas?

a)Eletrobras
b)Petrobras
c)Vale do Rio Doce
d)Chesf

14. O evento dramático que marcou o fim do segundo governo Vargas, em 24 de agosto de 1954, foi:

a)Seu impeachment pelo Congresso Nacional.
b)Seu assassinato por opositores políticos.
c)Seu suicídio no Palácio do Catete.
d)Sua renúncia forçada pelos militares.

15. O "Plano de Metas" do governo Juscelino Kubitschek tinha como slogan:

a)"Ordem e Progresso"
b)"Cinquenta anos em cinco"
c)"Trabalhadores do Brasil, uni-vos!"
d)"Independência ou Morte"

16. A política externa independente de Jânio Quadros foi marcada por:

a)Um alinhamento automático aos Estados Unidos.
b)A ruptura de relações com todos os países socialistas.
c)A condecoração do revolucionário Che Guevara.
d)A entrada do Brasil no Pacto de Varsóvia.

17. Para assumir a presidência após a renúncia de Jânio Quadros, João Goulart foi submetido a um sistema de governo que reduzia seus poderes. Esse sistema era:

a)O Presidencialismo.
b)O Parlamentarismo.
c)O Coronelismo.
d)O Comunismo.

18. As "Reformas de Base" propostas por João Goulart incluíam uma reforma que previa a desapropriação de grandes propriedades rurais. Essa reforma era a:

a)Reforma Urbana.
b)Reforma Eleitoral.
c)Reforma Agrária.
d)Reforma Bancária.

19. Qual foi o movimento de rua, organizado pela oposição conservadora, que demonstrou o apoio da classe média ao Golpe de 1964?

a)Marcha da Vitória.
b)Marcha da Família com Deus pela Liberdade.
c)Passeata dos Cem Mil.
d)Marcha do Silêncio.

20. O Golpe Militar de 1964 que depôs João Goulart teve início com a movimentação de tropas do general Olímpio Mourão Filho em qual estado?

a)São Paulo
b)Rio Grande do Sul
c)Minas Gerais
d)Rio de Janeiro

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sábado, 25 de outubro de 2025

Os Arabes e o Islamismo - Aula 2025

Árabes e o Islamismo 

A História dos Árabes e o Surgimento do Islamismo

Introdução: Quem são os Árabes?
Os árabes são um povo de origem semita,cuja gênese está profundamente ligada à Península Arábica. Tradicionalmente, a genealogia árabe remonta a Ismael, filho do patriarca Abraão (Ibrahim no Islã) com sua serva Hagar. Ismael é considerado o progenitor das tribos árabes, que se estabeleceram na região. Etnicamente, os árabes são um grupo diverso, mas unificado pela língua árabe e, posteriormente, pela cultura e religião islâmica. Sua vida era marcada pelo nomadismo, com os beduínos sendo a espinha dorsal da sociedade pré-islâmica. Estes eram pastores de camelos, ovelhas e cabras, cuja sobrevivência dependia do conhecimento das rotas do deserto e da lealdade tribal.


A Península Arábica: Um Berço Inóspito

A Península Arábica é caracterizada por um ambiente majoritariamente árido e desértico.Seu clima é extremamente severo, com altas temperaturas diurnas e frio intenso durante a noite no deserto. Os recursos hídricos eram escassos, concentrando-se em oásis e no litoral. Essa geografia hostil moldou a sociedade local, onde o controle de um poço ou oásis significava poder e riqueza. A cidade de Meca, por exemplo, surgiu em um cruzamento de rotas comerciais e em torno do poço de ZamZam, tornando-se um centro vital.

Os Árabes Antes de Maomé: A "Jahiliyya"

O período anterior ao Islã é conhecido comoJahiliyya ("Era da Ignorância"). Nesta época:

· Política e Sociedade: A organização era tribal e clânica. A lealdade à tribo (e ao seu xeique) era o valor supremo, frequentemente levando a ciclos intermináveis de guerras e vinganças de sangue. Não havia um Estado centralizado.

· Economia: Baseava-se no comércio de caravanas que ligavam o Iêmen à Síria, na criação de animais (beduínos) e em alguma agricultura nos oásis.

· Religião: Era predominantemente politeísta e animista. Centenas de ídolos e divindades eram cultuados, muitas vezes associadas a tribos específicas. No entanto, havia também comunidades de hanifs – monoteístas que buscavam a religião de Abraão – e comunidades judaicas e cristãs.

Meca, os Coraixitas e a Caaba

A cidade de Meca era o centro religioso e comercial mais importante.Ela era dominada pela tribo dos Coraixitas (Quraysh), que controlavam o comércio e o santuário da Caaba. A Caaba era (e ainda é) um edifício cúbico que abrigava a Pedra Negra, um meteorito reverenciado como sagrado. Era um local de peregrinação para todas as tribos árabes, que para lá se dirigiam para cultuar seus ídolos, garantindo trégua nas hostilidades e movimentando a economia de Meca. Os Coraixitas, portanto, detinham enorme poder político e religioso.

Maomé: O Profeta do Islã

Maomé(Muhammad) nasceu em Meca por volta de 570 d.C., membro do clã Banu Hashim da tribo Coraixita. Órfão desde cedo, tornou-se comerciante e era conhecido por sua honestidade. Aos 40 anos, durante um retiro espiritual, ele recebeu a primeira revelação do anjo Gabriel (Jibril). Maomé começou a pregar uma mensagem radicalmente nova para a Arábia:

· O que ele pregava: O monoteísmo absoluto (crença em um único Deus, Alá), a iminente chegada do Dia do Juízo Final, a responsabilidade individual pelas ações e a importância da caridade e da justiça social.

· Quem o seguiu: Inicialmente, seus seguidores foram sua esposa Khadija, parentes próximos e pessoas das camadas mais pobres e marginalizadas de Meca, atraídas pela mensagem igualitária.

A Hégira: A Saída de Meca e a Importância de Medina

A elite coraixita viu a mensagem de Maomé como uma ameaça direta.O monoteísmo desafiaria o politeísmo que sustentava a economia de peregrinação de Meca, e a nova fé questionava a estrutura social baseada no sangue e na riqueza. A perseguição se intensificou, levando Maomé e seus seguidores a fugirem de Meca em 622 d.C. Esse evento, conhecido como Hégira, marca o início do calendário islâmico.

Eles foram para Yathrib, posteriormente renomeada Medina ("a Cidade do Profeta"). Medina era uma cidade dividida por conflitos tribais, e Maomé foi convidado como um mediador imparcial. Lá, ele estabeleceu a primeira comunidade muçulmana (Umma), criando uma Constituição que unia muçulmanos, judeus e outras tribos sob uma única autoridade política e religiosa. Medina tornou-se o primeiro Estado Islâmico.

O Retorno a Meca e a Consolidação

Após anos de conflitos e negociações com Meca,Maomé percebeu que a conversão da sua cidade natal era crucial. Em 630 d.C., ele reuniu um exército de 10.000 seguidores e marchou sobre Meca. Diante dessa demonstração de força, a cidade se rendeu praticamente sem luta. Maomé entrou em Meca e realizou um ato de grande significado: destruiu os ídolos da Caaba, rededicando o santuário ao Deus único, Abraão. Esse gesto não foi uma derrota para Meca, mas uma conquista espiritual que unificou o centro religioso tradicional com a nova fé.

O Islamismo: Fundamentos e Características

OIslã (que significa "submissão à vontade de Deus") é uma religião monoteísta abraâmica.

· O Profeta: Maomé é considerado o "Selo dos Profetas", o último e mais importante de uma linhagem que inclui Abraão, Moisés e Jesus.

· Alcorão: É o livro sagrado, considerado a palavra literal de Deus, revelada a Maomé ao longo de 23 anos. É a fonte primária da lei e da teologia islâmica.

· Características e Práticas: Os Cinco Pilares do Islã formam o núcleo da prática religiosa:
  1. Shahada (Profissão de Fé): "Não há outro deus além de Alá, e Maomé é seu mensageiro."
  2. Salat (Oração): Realizada cinco vezes ao dia, voltada para Meca.
  3. Zakat (Es-mola Legal): Doação de uma parte da riqueza aos pobres.
  4. Sawm (Jejum): Jejuar durante o mês sagrado do Ramadã.
  5. Hajj (Peregrinação): Peregrinação a Meca, pelo menos uma vez na vida, para quem tiver condições.

A Morte de Maomé e o Cisma Sucessório

Maomé faleceu em 632 d.C.Sua morte criou uma crise de sucessão: quem lideraria a Umma? A comunidade se dividiu em duas principais facções:

· Sunitas: Acreditavam que o sucessor (Califa) deveria ser eleito entre os mais capazes da comunidade. Eles formam a vasta maioria (cerca de 85-90%) dos muçulmanos hoje.

· Xiitas: Acreditavam que a liderança deveria permanecer na família do Profeta, começando por seu primo e genro, Ali ibn Abi Talib. Para os xiitas, os líderes legítimos são os Imames, figuras divinamente guiadas.

Expansionismo Árabe e a Era dos Califas

Os primeiros líderes após Maomé,os Califas ("sucessores"), iniciaram um processo de expansão vertiginoso. Motivados por fatores como a unificação tribal sob o Islã, a busca por saque e terras, e a propagação da fé, os exércitos árabes conquistaram impérios enfraquecidos.

· Sob os primeiros califas, eles tomaram o Império Sassânida (Pérsia) e vastos territórios do Império Bizantino, incluindo a Síria, o Egito e o Norte da África.

· Os árabes na Europa cruzaram o Estreito de Gibraltar e conquistaram a Península Ibérica em 711 d.C., estabelecendo Al-Andalus, um centro de florescimento cultural, científico e filosófico que durou séculos.

Jihad Islâmica

O conceito deJihad ("esforço") é complexo. Primariamente, significa o esforço interior de cada muçulmano para ser uma pessoa melhor e viver de acordo com os princípios islâmicos (a "Grande Jihad"). Secundariamente, pode se referir à defesa da comunidade muçulmana contra agressões ("Pequena Jihad"). Embora tenha sido usada para justificar a expansão militar, a Jihad não é equivalente a "guerra santa" no sentido de conversão forçada; o Alcorão proíbe a coerção em matéria de fé.

Conclusão

A história dos árabes e do Islã é a narrativa de uma transformação profunda.De uma sociedade tribal e fragmentada na periferia dos grandes impérios, a Arábia unificou-se sob a bandeira de uma nova fé monoteísta. Em poucas décadas, os árabes não apenas criaram um império, mas também forjaram uma civilização brilhante que preservou e expandiu o conhecimento clássico, legando ao mundo avanços em matemática, medicina, astronomia e filosofia, cujos ecos são sentidos até hoje.

ATIVIDADE PONTUADA (1,5)

Exercício: A História dos Árabes e o Islamismo

Nome: _________________________________________ Data: //______

Instruções: Leia atentamente as questões a seguir e responda com clareza e precisão.

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Parte 1: Questões Discursivas

1. Explique quem eram os beduínos e qual era a sua importância para a sociedade árabe pré-islâmica.

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2. Descreva as características geográficas e climáticas da Península Arábica e como elas influenciavam a organização social e econômica de seus povos.

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3. O que era a "Jahiliyya"? Descreva brevemente a organização política e religiosa dos árabes nesse período.

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4. Qual era a importância da cidade de Meca antes do surgimento do Islamismo? Explique o papel da tribo Coraixita e do santuário da Caaba.

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5. A Hégira (622 d.C.) é um evento central para a história islâmica. Explique o que foi esse evento, seus motivos e suas consequências imediatas.

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6. Quais são os Cinco Pilares do Islamismo? Liste e explique brevemente cada um deles.

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7. O que provocou a divisão entre sunitas e xiitas após a morte do Profeta Maomé? Explique o argumento central de cada um dos dois grupos.

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8. O conceito de Jihad é frequentemente mal compreendido. Explique o seu significado primário (a "Grande Jihad") e o seu significado secundário (a "Pequena Jihad").

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Parte 2: Questões de Múltipla Escolha

Instruções: Marque com um "X" a alternativa correta.

9. A origem étnica e geográfica do povo árabe está historicamente ligada à:
() Península do Sinai.
() Península Arábica.
() Planície da Mesopotâmia.
() Planalto da Anatólia.

10. Antes do Islamismo, a religião predominante na Arábia era:
() O monoteísmo cristão.
() O politeísmo e o animismo.
() O zoroastrismo.
() O judaísmo rabínico.

11. A Pedra Negra, objeto de grande reverência religiosa, está localizada:
() No Domo da Rocha, em Jerusalém.
() Na Mesquita do Profeta, em Medina.
() No interior da Caaba, em Meca.
() No Palácio dos Califas, em Damasco.

12. A elite de Meca, da tribo Coraixita, via as pregações de Maomé inicialmente como uma ameaça porque ele:
() Defendia o fim do comércio de caravanas.
() Pregava o monoteísmo, o que ameaçava a economia de peregrinação da cidade.
() Queria transferir a capital religiosa para Medina.
() Era a favor do domínio político do Império Bizantino.

13. O calendário islâmico tem como marco zero o ano:
() Do nascimento de Maomé.
() Da primeira revelação do Alcorão.
() Da Hégira (fuga de Maomé para Medina).
() Da conquista de Meca por Maomé.

14. Qual foi a ação simbólica mais significativa de Maomé ao retornar vitorioso para Meca em 630 d.C.?
() Coroar-se como rei da Arábia.
() Prender e executar todos os seus opositores.
() Destruir os ídolos politeístas no interior da Caaba.
() Decretar Medina como a nova capital permanente.

15. O livro sagrado do Islamismo, que contém as revelações de Deus a Maomé, é chamado de:
() Torá
() Bíblia
() Alcorão
() Suna

16. A rápida expansão do Império Árabe após a morte de Maomé resultou na conquista de territórios na Europa, notadamente:
() A Península Itálica.
() A Península Balcânica.
() As Ilhas Britânicas.
() A Península Ibérica.

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República Velha (1889 - 1930) República de Espada (1889 - 1894) e República do Café com Leite (1894 - 1930)

A República Velha (1889-1930): Das Espadas ao Café com Leite O que é uma República?  República, do latim "res publica"...