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sábado, 7 de janeiro de 2023

Os desafios da África livre - Novos países, novas fronteiras

Os desafios da África livre - Novos países, novas fronteiras

Por que a proposta de uma África livre e unida não se concretizou após as independências?


África após o processo de descolonização e suas dificuldades.

Como as fronteiras de um país são definidas? O que leva um grupo de pessoas a se sentir parte de uma mesma nação? Seria o fato de todas elas falarem a mesma língua, ou compartilharem valores, costumes e uma tradição comum? Ou as fronteiras devem ser determinadas por fatores geográficos, como rios ou cadeias de montanhas? No caso do continente africano, nenhum desses fatores foi decisivo.

A dominação colonial europeia deixou marcas profundas na África. Alterações econômicas, sociais e culturais, somadas às fronteiras políticas estabelecidas pelos colonizadores, tiveram como resultado uma África muito diferente da que existia no período pré-colonial. A sobrevivência de estruturas coloniais é, ainda hoje, um dos principais obstáculos à consolidação de Estados nacionais no continente.


No V Congresso Pan-Africano, realizado em 1945, o ganês Kwame Nkrumah proferiu o grito de guerra “A África para os africanos!” Defensor de uma África livre e unida (maximalista).

Como superar o passado colonial? Durante o V Congresso Pan-Africano, realizado em 1945, o ganês Kwame Nkrumah proferiu o grito de guerra “A África para os africanos!”. O congresso estabeleceu a conquista das independências como meta suprema dos povos africanos, conclamou os negros de todo o mundo a se unirem contra o colonialismo e condenou todas as formas de discriminação. Nas resoluções finais, constam as palavras: “Nós estamos determinados a ser livres. Não iremos mais suportar com a nossa pobreza uma aristocracia traiçoeira e um imperialismo decadente”.


Definição pan-africanismo

As independências na África (1936-1990) 


Fonte: DUBY, Georges. Atlas historique mondial. Paris: Larousse, 2003. p. 219.

A unidade africana


25 de maio - Dia Internacional da África

Nos congressos realizados nas cidades ganenses de Kumasi, em 1953, e de Acra, em 1958, a discussão política centrou-se na definição das fronteiras africanas após a independência. Os pan-africanistas minimalistas defendiam a manutenção das fronteiras coloniais, incentivando a construção de Estados nacionais com base nas fronteiras já estabelecidas e diálogo com algumas das antigas metrópoles. Já os maximalistas defendiam a construção de uma unidade econômica, política e militar no continente.

A posição dos maximalistas representava, na prática, a radicalização das ideias do pan-africanismo, que haviam servido de projeto político para as lutas pela independência. O grande defensor de uma África livre e unida foi o líder ganês Kwame Nkrumah, primeiro governante de Gana após a independência.

A principal resistência à proposta maximalista era representada pelos países da antiga África Ocidental Francesa. As elites desses novos Estados acreditavam que uma política de alinhamento com a França garantiria ajuda financeira para o desenvolvimento dos seus países e facilitaria o ingresso desses dirigentes no grupo seleto das elites econômicas mundiais.

A posição pan-africanista, assim, caminhou para o isolamento. A formação da Organização para a Unidade Africana (OUA), em 1963, acabou, na prática, com os últimos resquícios do movimento pan-africanista ao reafirmar os Estados africanos como autônomos, independentes e iguais no conjunto dos Estados mundiais.


Unidade Africana (OUA)



A OUA, fundada em 1953, reafirmou os Estados africanos como autônomos, independentes e iguais no conjunto dos Estados mundiais.


Mulheres usam trajes e instrumentos tradicionais em atividade do Mês da África, em Durban, África do Sul. Foto de 2018. O evento celebra, ao longo do mês de maio, a unidade africana pela expressão de uma identidade comum.

Ser africano


Identidade africana

A identidade africana é uma das pautas políticas mais relevantes no pós-colonialismo e um dos temas mais explorados nas literaturas africanas. Conheça, neste diálogo entre três personagens criados pela escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie, diferentes visões sobre o problema da identidade.

“‘Claro que nós somos todos iguais, todos temos a opressão branca em comum’, disse a srta. Adebayo, secamente. […]

‘Claro, claro, mas o que eu digo é que a única identidade autêntica para um africano é sua tribo’, disse o patrão. ‘Eu sou nigeriano porque um branco criou a Nigéria e me deu essa identidade. Sou negro porque o branco fez o negro ser o mais diferente possível do branco. Mas eu era ibo antes que o branco aparecesse.’

O professor Ezeka bufou e balançou a cabeça […]. ‘Mas você só tomou consciência de que era ibo por causa do homem branco. […] Você tem que entender que tribo, hoje em dia, é um produto tão colonialista quanto nação e raça.’”

ADICHIE, Chimamanda Ngozi. Meio sol amarelo. São Paulo: Companhia das Letras, 2008. p. 31.

A nova diáspora africana


Diáspora negra ou diáspora africana - saída forçada de homens e mulheres, durante quase quatro séculos.

No caso dos povos africanos, a expressão diáspora negra ou diáspora africana passou a ser utilizada, no final do século XX, para se referir à saída forçada de homens e mulheres, durante quase quatro séculos, em sua maioria levados para trabalhar como escravos no continente americano.


Diáspora africana

Atualmente, o termo também é utilizado para se referir ao movimento migratório de africanos em direção à Europa e à América, onde esperam encontrar melhores condições de vida. Na maioria dos casos, os antigos vínculos coloniais determinam a escolha do destino final dessas pessoas. Dessa forma, é grande o fluxo de marroquinos, argelinos e senegaleses para a França, e de nigerianos e quenianos para a Grã-Bretanha, por exemplo. Embora a Europa seja o destino principal dos migrantes que deixam a África, muitos deles também se dirigem para o Oriente Médio e os Estados Unidos.

Nos últimos anos, o Brasil também se converteu em um importante destino dessas migrações. A familiaridade com o idioma leva o nosso país a atrair imigrantes da África de língua portuguesa, como Angola, Moçambique e Cabo Verde.

República Velha (1889 - 1930) República de Espada (1889 - 1894) e República do Café com Leite (1894 - 1930)

A República Velha (1889-1930): Das Espadas ao Café com Leite O que é uma República?  República, do latim "res publica"...