sexta-feira, 8 de setembro de 2023

Tráfico do Atlântico (Tráfico negreiro entre África x Américas)

Tráfico negreiro do Atlântico - comércio de escravos entre África e Américas.



Clique no link abaixo e veja o vídeo sobre a grandiosa história africana ao longo da antiguidade e idade média.


https://youtu.be/hSDhPrMz7IQ?si=sdVcnMYsgMp4RUcE


O tráfico transatlântico



Africanos em um navio negreiro.


Quais foram os principais resultados do tráfico transatlântico?



Dançarinos de conga se apresentam nas ruas de Havana, em Cuba. Foto de 2016. 


A diáspora africana



Significado (definição) palavra diáspora.


Até recentemente, o termo diáspora era aplicado para nomear a dispersão forçada dos judeus pelo mundo após a destruição de Jerusalém pelos romanos, no século I d.C. Sabemos, porém, que processos semelhantes de dispersão territorial ocorreram com outros povos. Por isso, desde o final do século XX, muitos livros e artigos têm feito referência à diáspora africana, o movimento de migração forçada mais intenso de que se tem notícia.



Diáspora 


O deslocamento territorial de milhões de africanos através do Oceano Atlântico foi motivado pelos lucros obtidos com o tráfico negreiro e com a exploração do trabalho escravo na América. 



Diáspora africana 


Escravidão promovida por europeus que focavam nos altíssimos lucros obtidos pelo tráfico.


Praticado por quase quatro séculos, o tráfico de escravizados teve como maior consequência para o continente africano a perda demográfica. Na Europa, o seu principal resultado foi o acúmulo de grandes lucros. Na América, para onde a maior parte dos africanos escravizados foi levada, o tráfico atlântico e a escravidão produziram sofrimento, mortes e um legado de preconceito difícil de superar. Porém, eles também promoveram encontros e trocas entre diversas sociedades e culturas, ocorridos tanto nos navios negreiros como nos espaços que os sujeitos escravizados encontraram fora da África. 


Nas terras ligadas pelo Atlântico, os africanos escravizados estabeleceram novos vínculos afetivos e familiares, construindo, na relação com outros povos, expressões culturais afro-americanas. Seus descendentes, em razão das barreiras étnico-sociais geradas pela escravidão, hoje lutam para se inserir como cidadãos plenos na sociedade.


“Para pensar a diáspora africana é preciso destacar as regiões portuárias. Tais regiões marcaram a entrada desses indivíduos em novos mundos, e por serem locais de chegada, eram também marcados pelo contato e […] pela diversidade cultural, étnica e social. [...] 


Um mundo de trocas e sociabilidade se construiu a partir da experiência num novo local. Formas de ver o mundo, domínio de diferentes tecnologias, ideias e crenças são exemplos destas trocas. Africanos de todas as partes do continente precisaram construir novas formas de viver a vida em terras (hoje) brasileiras. 


Assim, a diáspora não é apenas sinônimo da imigração à força, mas também [...] a construção de novas formas de ser, agir e pensar no mundo. Os castigos físicos e o sofrimento fizeram parte da vida de homens e mulheres escravizados. Mas as lutas diárias, os novos elos afetivos, os vínculos familiares também.” 


ANDRADE, Ana Luíza Mello Santiago. Diáspora africana. Geledés, 14 fev. 2017. Disponível em <http://mod.lk/67yhg>. Acesso em 16 mar. 2020. 



Rancho na região da serra do Caraça, gravura de Spix & Martius, 1817-1820.


Escravo ou escravizado?


Segundo alguns pesquisadores, do ponto de vista semântico, o termo “escravo” naturaliza a condição do cativo, como alguém que se acomodou a uma condição estabelecida desde sempre. Por isso, o termo mais correto seria “escravizado”. Ele permite perceber que a pessoa cativa estava naquela condição, criada e não natural, por decisão do opressor.


A expansão portuguesa na África


Os portugueses foram pioneiros no comércio de pessoas escravizadas da África para a América. Em 1443, a Coroa portuguesa criou, no Arquipélago de Arguim, a primeira feitoria em terras africanas. O entreposto de Arguim seria utilizado para a obtenção de ouro, goma arábica e escravizados, além de servir de base para a expansão portuguesa em direção ao Atlântico Sul.


Porém, o grande impulso ao tráfico veio com a colonização da América, a partir do século XVI. A crescente demanda de mão de obra estimulou a criação de rotas diretas entre a África e a América, transformando o tráfico negreiro em um negócio transatlântico.


No século XVI, com o apoio de guerreiros imbangalas, os portugueses derrotaram reinos mais ao sul do continente africano, que resistiam à sua presença, e fundaram as colônias de Luanda e Benguela. Aos poucos, formou-se uma nova sociedade colonial portuguesa, voltada à captura e venda de escravizados.


À medida que cresciam os lucros com o comércio negreiro, as guerras entre os reinos africanos passaram a ser motivadas cada vez mais pelo interesse em adquirir escravizados e comercializá-los com os europeus. Dessa maneira, a solução para o fornecimento de mão de obra na América tornou-se um lucrativo negócio, tanto para os europeus quanto para os chefes e líderes africanos.



Navio negreiro, gravura colorizada de Johann Moritz Rugendas, 1835.


O funcionamento do tráfico negreiro


Clique no link abaixo e veja o vídeo sobre o tráfico negreiro

https://youtu.be/D8OYVuwquCs?si=jG1U_8TDbPwB1F_E


O tráfico transatlântico de escravizados foi responsável pelo maior deslocamento forçado de pessoas, a longa distância, da história. Das primeiras viagens realizadas no início do século XVI até 1866, ano da partida do último navio negreiro para a América, cerca de 12,5 milhões de africanos foram escravizados e obrigados a embarcar, em sua maioria, em direção às colônias americanas do outro lado do Oceano Atlântico. 


As propriedades monocultoras de cana-de-açúcar na América, conhecidas como plantations, foram fundamentais para a expansão do tráfico negreiro, pois 80% de todos os escravizados que saíram da África entre os séculos XVI e XIX foram levados para trabalhar nessas áreas de produção de açúcar. Entre os que desembarcaram em portos americanos, 95% foram levados para o Caribe e a América do Sul.


O tráfico era lucrativo para todos os agentes nele envolvidos. Na maior parte da costa africana, o comércio entre europeus, colonos americanos e traficantes locais se assentava em praças mercantis, portos e fortalezas. Os navios negreiros partiam de vinte portos principais, de onde quase três quartos de todos os cativos retirados da África foram transportados em naus para diversas localidades (veja o mapa abaixo).


Os principais portos de embarque de pessoas escravizadas se localizavam na África Ocidental. Ao longo de quase quatro séculos de tráfico negreiro, a maior parte dos cativos partiu da região centro-ocidental. Na porção oriental da costa africana, Madagascar e Moçambique destacaram-se a partir do final do século XVIII até meados do século XIX, período em que o tráfico começou a declinar e as rotas convencionais foram proibidas.


Visão geral do tráfico de escravizados (1501-1866)




Fonte: Slave Voyages: The Trans-Atlantic Slave Trade Database. Disponível em <http://mod.lk/zon3v>. Acesso em 9 mar. 2020.


O discurso que justificava a escravidão


O volume do tráfico de africanos escravizados superou em muito o comércio de cativos na Antiguidade. Diferentemente do escravismo antigo, a escravidão moderna alcançou uma dimensão intercontinental, criando sociedades escravistas em várias partes da América.


Os reinos europeus que comerciavam escravizados no Atlântico criaram leis para regulamentar o tráfico e a escravidão, definindo, por exemplo, até onde ia o poder do senhor sobre seus cativos, quais eram as condições de compra e venda, que castigos eram toleráveis etc. Procuravam também determinar em quais situações os escravizados poderiam alcançar a alforria.


Para legitimar a prática da escravidão do ponto de vista moral e jurídico, os europeus procuravam justificativas nas ideias de pensadores da Igreja, nos textos de Aristóteles e no direito romano. Assim, eles criaram um discurso que tratava um ato cruel e hediondo como uma prática justa, natural e necessária (leia o boxe no final desta página).




Filhos de Caim


Um dos discursos criados pelos europeus para justificar a escravidão consistia em associar os negros aos descendentes de Caim, personagem bíblico que assassinou seu irmão Abel e por isso foi amaldiçoado por Deus.

“Os africanos seriam os descendentes de Caim, e, portanto, trazendo ainda na carne o sinal da maldição divina imposta ao primeiro homicida, segundo a narrativa bíblica. [...] Na tradição popular os negros passaram a ser considerados como raça maldita de Caim, sendo a negritude de sua pele um sinal imposto pelo próprio Deus.”

AZZI, Riolando. In: OLIVIERA, Cleiton. A prole de Caim e os descendentes de Cam. Dissertação de Mestrado em História apresentada à Unifal, 2018. p. 32.

ERIC LAFFORGUE/CORBIS/GETTY IMAGES - COLEÇÃO PARTICULAR



Representação em baixo-relevo de um religioso católico pregando para africanos em Angola, s/d.


Os agentes do tráfico


No século XVI e na primeira metade do século XVII, portugueses e espanhóis dominaram o tráfico de africanos escravizados. A partir da expansão da economia açucareira no Caribe, a competição aumentou com a participação de franceses, ingleses e holandeses e, em menor escala, de dinamarqueses, suecos e alemães.

O século XVIII foi marcado pelo domínio dos ingleses no Atlântico Norte e de comerciantes portugueses e luso-brasileiros no Atlântico Sul. Nos países mais atuantes no tráfico negreiro foram criadas instituições que regulamentavam o funcionamento dessa atividade, estabeleciam impostos e tarifas e disputavam o monopólio do comércio de escravizados no Atlântico.

No Atlântico, essa grande rede de comércio de pessoas era composta pela elite mercantil, comerciantes, capitães de navios, marinheiros e armadores, financiados por banqueiros europeus. No interior da África, esses agentes do tráfico dependiam de guias, intérpretes, carregadores de mercadorias, moradores e funcionários reais que se estabeleciam nas proximidades dos portos e nas colônias. Também havia traficantes locais, que poderiam ser até mesmo ex-escravizados e europeus estabelecidos na África.

Os soberanos e chefes africanos também participavam do tráfico, pois eram eles que monopolizavam o fornecimento de cativos. Esses líderes locais passaram a promover guerras e expedições contra vilas, aldeias e reinos rivais para aprisionar e escravizar pessoas.

Em troca dos cativos, os europeus ofereciam mercadorias apreciadas pelas autoridades africanas, como cauris e zimbos (conchas que circulavam como moedas); objetos de ferro e cobre; tecidos finos do Oriente; tabaco; cavalos; armas de fogo; vinho; rum e cachaça. Os europeus negociavam os africanos escravizados no Caribe, nas treze colônias inglesas e na América do Sul e depois partiam para a Europa levando açúcar, tabaco e rum. Esse circuito ficou conhecido como comércio triangular.


Gravura colorizada do século XIX que representa africanos cativos sendo conduzidos, em comboio, para os postos de venda de escravizados na costa do continente.


A dimensão humana da travessia atlântica


Por trás dos números, dos mapas e das tabelas relacionados ao tráfico negreiro, estão as pessoas que foram vítimas da crueldade desse comércio. O terror, o medo e a tortura eram as características mais evidentes da escravização e do tráfico negreiro.


Dos cerca de 12,5 milhões de africanos que embarcaram nos navios com destino à América, quase 2 milhões não sobreviveram. Sucumbiram em razão das precárias condições da viagem, que durava em média quarenta dias: embarcações lotadas, disseminação de doenças como tuberculose e disenteria, alimentos estragados e sujeira. Também foram vítimas de castigos físicos, privações e violência sexual.


Nos navios, os africanos resistiam com frequência, promovendo motins na tentativa de se libertar. Em um a cada dez navios ocorreu algum tipo de rebelião de escravizados ou ataque na costa africana. As fugas, as revoltas armadas e a formação de comunidades de fugitivos são alguns exemplos da resistência à escravização que acontecia ainda no interior do continente africano.


As pressões dos agentes envolvidos na economia escravista para aumentar a cada dia o fornecimento de escravizados levaram as elites africanas a criar e incrementar meios para a obtenção de cativos, como o sequestro, a captura ilegal de livres e libertos e a escravização de pessoas acusadas de algum crime. Os resultados desse processo foram o despovoamento de regiões inteiras, a instabilidade política de reinos, vilas e aldeias e a desagregação social das populações locais.



O motim no Amistad, pintura mural de Hale Woodruff, 1938. A cena representa a rebelião de africanos escravizados ocorrida em 1838 no navio Amistad. 


A escravidão atlântica 

http://mod.lk/cf2h7006


Fotos quadro


Abaixo, foto do quadro aula 01 e 02


Aula01


Foto da aula Tráfico do Atlântico (tráfico negreiro entre a África e o continente americano)

Abaixo, foto do quadro aula 02 


Foto aula 02 Tráfico Negreiro do Atlântico.


Próxima aula

Escravidão africana no Brasil


quarta-feira, 6 de setembro de 2023

Mapão Nordeste açucareiro (sociedade e economia açucareira)

Mapão (estudos orientados) Nordeste açucareiro (sociedade e economia açucareira)


O engenho e seu funcionamento - Nordeste açucareiro (sociedade e economia do açúcar)

Avaliação baseada no conteúdo 

https://historiaecio.blogspot.com/2023/08/nordeste-acucareiro.html

- Após o ciclo do pau-brasil, qual produto tomou importância na colonização de exploração da América portuguesa?

- Sobre o cultivo da cana-de-açúcar... Tivemos  duas capitanias foram favorecidas pela maior proximidade da metrópole, pela disponibilidade de terras aráveis e pela existência de rios navegáveis, que facilitavam o transporte do açúcar. Estamos falando sobre as capitanias de:

- Durante os dois primeiros séculos de colonização, o açúcar se tornou o produto mais lucrativo e o principal negócio para a Coroa e para os comerciantes portugueses. Por que isso acontecia?

- O engenho colonial era composto por:

- Ao longo do processo produtivo do açúcar, defina:

1 - Setor de moagem       2 - Setor de cozimento        3 - Setor de purgar 

- Poucos fazendeiros contavam com recursos próprios para montar uma plantação de cana e arcar com os custos de instalação dos equipamentos utilizados para a fabricação do açúcar. Como os fazendeiros conseguiam empréstimos para cultivar a cana-de-açúcar e os produtos derivados?

- O açúcar produzido no Brasil fazia parte de uma extensa rede de comércio internacional. Quem lucrava com essa extensa rede de produção e comércio?

- Em quais regiões das capitanias de Pernambuco e Bahia ficavam os engenhos?

- Boa parte da mão de obra implantada no cultivo da cana-de-açúcar, a maioria dos trabalhadores no engenho eram:

- Quem eram os senhores de engenho? Fale um pouco sobre eles:

- Nem todo produtor tinha recursos para a instalação de um engenho. Os produtores de cana que não possuíam engenho eram chamados lavradores de cana. Eles se dividiam basicamente em duas categorias: os lavradores proprietários e os arrendatários. Quem eram os:

1 - Lavradores proprietários                     2 - Lavradores arrendatários 

- Todo proprietário de lavouras de cana-de-açúcar era um senhor de engenho?

Explique a principal diferença entre os lavradores proprietários e os lavradores arrendatários:

- A desigualdade racial existente no Brasil de hoje tem a sua origem na colonização de exploração portuguesa e na adoção da mão-de-obra escrava. Nos engenhos, quem era escravo? O que os escravos faziam?

- O engenho não era composta apenas de trabalhadores escravizados. Dentro deste contexto, quem eram os trabalhadores livres e assalariados do engenho?

- Defina:

1 – Feitor do eito          2 – Feitor da moenda           3 – Feitor-mor          4 – Mestre de açúcar

- Conceitue e informe semelhanças e diferenças entre:

1 - Casa-grande                                                          2 - Senzala

- Considerando o conceito do Antigo Sistema Colonial, o açúcar foi o produto escolhido por Portugal para dar início à colonização brasileira, em virtude de... Por que o açúcar incentivou o início da colonização da América portuguesa?

- O que é a plantation?

- O que é uma monocultura?

- Qual era o destino do açúcar produzido no nordeste brasileiro ao longo dos séculos XVI e XVII?
 
Link da aula



terça-feira, 5 de setembro de 2023

Revisão 3° ano Fascismo 3° bim. 2023

Revisão História prova 3° ano 3° bim. 2023 Fascismo e nazismo.

Avaliação baseada na aula:

https://historiaecio.blogspot.com/2022/12/a-ascensao-do-fascismo-na-italia.html


Símbolo fascista


Lema fascista


Principais tópicos que você precisa saber para a realização de uma boa avaliação sobre o fascismo:


- Em qual contexto histórico surgiu o fascismo na Itália e o nazismo na Alemanha?


- Definição de fascismo é:


- Quem foi Benito Mussolini e Adolf Hitler? Fale um pouco sobre cada um deles:


- As principais características do fascismo (informe pelos menos cinco características):


- O que era o Fasci di Combattimento?


- Relação entre o regime fascista e os meios de comunicação. Como o fascismo usava a mídia para controlar e censurar?


- Qual era o objetivo dos governos fascistas ao usar a censura?


- Características econômicas defendidas pelos regimes fascistas europeus nas décadas de 1930 e 1940:


- O governo fascista na Itália sob Benito Mussolini foi caracterizado por:


- Como Mussolini chegou ao poder?


- Como o fascismo usava a religiosidade?


- Como Adolf Hitler assumiu o poder na Alemanha?


- Qual relação entre os regimes totalitários (fascismo e nazismo) com o início da Segunda Grande Guerra Mundial?


- Por que o fascismo é considerado de direita?


- Por que os empresários italianos, em sua maioria, apoiavam o fascismo?


- Qual é o lema do fascismo?


- Como ditador (Duce), o que Mussolini fez nos primeiros anos de poder?


- Qual o problema do fascismo?



Liberação de armas para a população - formação de milícias armadas


Faça uma reflexão...

O fascismo e as suas características lembra algo que o Brasil possui atualmente?


Aula (material)

https://historiaecio.blogspot.com/2022/12/a-ascensao-do-fascismo-na-italia.html

domingo, 3 de setembro de 2023

Primeiro Reinado (1822 - 1831)

O Primeiro Reinado



Brasil Imperial (parte 01) - Primeiro Reinado (1822 - 1831)


Nem todos queriam a independência...


Que acontecimentos marcaram o governo de D. Pedro I no Brasil?


Após a independência, a resistência de algumas províncias ao rompimento com Portugal avançou para o confronto armado. Nas províncias do Pará, Maranhão, Piauí e Ceará, além de parte da Bahia e da Província Cisplatina, militares e altos funcionários portugueses não aceitaram a independência, aliando-se às Cortes de Lisboa.


No município de Campo Maior, no Piauí, por exemplo, ocorreu a Batalha do Jenipapo, em 13 de março de 1823. Na luta, piauienses, apoiados por maranhenses e cearenses favoráveis à independência, combateram as tropas portuguesas, comandadas pelo governador João José da Cunha Fidié, que desejavam manter as províncias do Norte e Nordeste fiéis a Portugal.


O movimento teve forte caráter popular. Estima-se que mais de 2 mil sertanejos, entre vaqueiros, artesãos, fazendeiros, roceiros, lavradores e até mesmo escravos, tenham participado do conflito. Eles armaram-se com instrumentos de trabalho, como foices e enxadas.


Apesar da resistência sertaneja, as tropas de Fidié venceram o conflito e fizeram cerca de 500 prisioneiros. Porém, após a batalha, um grupo de sertanejos invadiu o acampamento militar dos portugueses e apreendeu armamentos, munições e dinheiro. Além disso, muitos soldados desertaram. Assim, Fidié se viu obrigado a sair do Piauí, seguindo para o Maranhão, onde foi preso e mandado de volta a Portugal.


Na Bahia, a guerra contra as tropas portuguesas contou com o apoio de oficiais ingleses. O conflito terminou em 2 de julho de 1823, com a vitória das forças inglesas e imperiais.



Ilustração atual representando a Batalha do Jenipapo, ocorrida em 1823.


Bahia: mulheres na luta pela independência


Na Bahia, a Festa da Independência é celebrada no dia 2 de julho, data em que todo o estado relembra a vitória sobre as tropas portuguesas, ocorrida em 1823. Os conflitos entre portugueses e brasileiros na Bahia começaram em fevereiro de 1822 com a chegada de um novo governador enviado pelas Cortes de Lisboa. No mesmo mês, ele ordenou a invasão do convento da Lapa, supostamente à procura de armas e rebeldes ali escondidos. A freira Joana Angélica tentou impedir a entrada dos soldados e foi morta a golpes de baionetas. Quem também se destacou foi Maria Quitéria. Nascida em uma família de militares, a jovem fugiu de casa, vestiu um uniforme militar e se passou por homem para integrar as forças voluntárias que lutavam contra os portugueses. Hoje é considerada, oficialmente, a primeira mulher a integrar uma unidade militar no Brasil. Maria Felipa de Oliveira, negra liberta e pescadora da Ilha de Itaparica, liderou voluntários em ações de apoio às tropas brasileiras: erguiam barricadas, vigiavam a praia e a chegada de embarcações inimigas e organizavam o envio de provisões para o interior. Em 2017, o nome de Maria Felipa foi acrescentado a uma lápide comemorativa em Itaparica ao lado de outros personagens que se destacaram nas lutas de independência da Bahia.



Ilustração atual representando Joana Angélica, Maria Felipa de Oliveira e Maria Quitéria.


A Assembleia Constituinte de 1823


Além dos conflitos internos, em 1823 também ocorreram eleições para a Assembleia Constituinte. Ela tinha por objetivo elaborar a primeira Constituição do Brasil, tarefa essencial na construção do novo Estado. Instalada em maio, a Assembleia reunia advogados, padres, funcionários públicos – civis e militares – e, principalmente, proprietários rurais.


Os constituintes estavam divididos em duas correntes distintas: os partidários do imperador, que defendiam um governo centralizado e forte, capaz de derrotar as tendências separatistas que se verificavam no começo do império, e os adversários do imperador, que propunham limites para a autoridade de D. Pedro I.


A proposta inicial da Constituição desagradou o imperador. Apesar de conservador, mantendo os interesses das elites que apoiaram D. Pedro na independência do Brasil, o projeto limitava os poderes do monarca, como o de dissolver a Câmara dos Deputados quando considerasse necessário.


Diante disso, em novembro de 1823, D. Pedro I enviou suas tropas à Assembleia Constituinte, pondo fim aos seus trabalhos. Esse acontecimento ficou conhecido como a Noite da Agonia. Dissolvida a Assembleia Constituinte, D. Pedro I encomendou a um grupo de pessoas de sua confiança um novo projeto constitucional.


RJTV - Noite da Agonia

Clique no link abaixo e veja o vídeo.

https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/rj1/video/historica-noite-da-agonia-completa-200-anos-12103210.ghtml



Coroação de D. Pedro I, pintura de Jean-Baptiste Debret, 1828.


A Constituição de 1824


Em 1824, D. Pedro I outorgou a primeira Constituição do Brasil, que conciliava os interesses da elite com o autoritarismo do imperador. Veja as principais resoluções da lei.


* O governo do Império do Brasil foi definido como uma monarquia hereditária, constitucional e representativa.

* Adotou-se o princípio da separação dos poderes, que foram divididos em Executivo, Legislativo, Judicial e Moderador. Este último era exclusivo do imperador e lhe garantia o direito de intervir nos demais poderes.

* Foi garantido o direito à propriedade de terras, escravos e demais bens adquiridos pelas elites durante o período colonial.

* O catolicismo foi adotado como religião oficial do império.

* Foi estabelecido o voto indireto e censitário. Os eleitores escolhiam, nas eleições primárias, o colégio encarregado de eleger os deputados. Além disso, exigia-se do cidadão uma renda mínima para poder votar ou candidatar-se à Câmara e ao Senado.

A nova lei também dividiu o território brasileiro em províncias, governadas por um presidente nomeado pelo imperador. Estabeleceu ainda o princípio da tolerância religiosa e a educação primária gratuita.


Negros e indígenas na Constituição


As elites que conduziam o novo país mantiveram os negros escravizados e os indígenas excluídos de seus planos políticos e sociais.


A Constituição de 1824 não fazia menção aos escravos, apenas aos ingênuos e libertos. Por exemplo, ao determinar quem era cidadão brasileiro, a lei declarava que os ingênuos e os libertos nascidos no Brasil eram cidadãos com direitos restritos. Com isso, os cativos nascidos na África que obtinham a alforria ficavam em condição vulnerável, suscetíveis a todo tipo de violência por parte dos antigos senhores e das autoridades imperiais.


Em relação aos indígenas, o estadista José Bonifácio apresentou à Assembleia Constituinte de 1823 uma proposta para integrá-los socialmente por meio da educação, do trabalho, dos casamentos mistos e do convívio com o homem branco. Entretanto, o projeto foi excluído da Constituição de 1824. Apenas com a Constituição de 1988, os indígenas conquistaram o direito à sua identidade étnica e às terras que tradicionalmente ocupam.



Mulher escravizada que trabalhou como ama de leite e babá, em Pernambuco. Foto de Alberto Henschel, 1874.


Museu Imperial


Disponível em <http://mod.lk/aLkgp>. Acesso em 2 jul. 2020.

O Museu Imperial, localizado no centro histórico do município de Petrópolis, no Rio de Janeiro, possui o principal acervo referente ao Império Brasileiro. O site da instituição disponibiliza diversas informações sobre o Primeiro e o Segundo Reinado por meio de documentos escritos, imagens e objetos do acervo do museu, além de publicações on-line. Também é possível fazer uma visita virtual para conhecer as exposições e a arquitetura do prédio, que foi residência de veraneio da família imperial.


A Confederação do Equador

Confederação do Equador


A dissolução da Assembleia Constituinte de 1823 e o caráter centralizador da Constituição de 1824 desagradaram as lideranças da província de Pernambuco, onde havia um forte sentimento antiportuguês e favorável à república. A difusão das ideias liberais na província tinha como principais representantes o médico e ativista político Cipriano Barata e o Frei Joaquim do Amor Divino Rabelo, conhecido popularmente como Frei Caneca, um dos líderes da Revolução Pernambucana de 1817.


Em seu periódico Sentinela da Liberdade, Cipriano defendia a liberdade de imprensa e um governo liberal e federativo para o país. Por suas posições políticas, foi preso em 1823 e libertado somente em 1830. Na prisão, Cipriano continuou a alimentar o movimento com as ideias liberais publicadas em seu jornal. Já Frei Caneca, por meio de seu jornal, o Tifis Pernambucano, denunciava o autoritarismo do governo imperial, propagava os ideais republicanos e conclamava o povo à revolta.


O estopim para a insurreição foi a nomeação, por parte do governo de D. Pedro I, de um novo presidente para a província de Pernambuco. Em julho de 1824, os revoltosos proclamaram a Confederação do Equador, propondo a formação de uma república independente. Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí e Paraíba aderiram à revolta.


O governo imperial reprimiu com violência o movimento: os principais líderes foram presos, e nove deles foram condenados à morte. Frei Caneca, figura central na revolta, foi morto a tiros depois da recusa do carrasco em enforcá-lo.



A execução de Frei Caneca, pintura de Murilo La Greca, sem data.


Bárbara de Alencar: líder rebelde do Cariri


Nascida em Exu, em Pernambuco, Bárbara de Alencar fez sua carreira política em Crato, no vale do Cariri cearense, onde ajudou a fortalecer os ideais republicanos. Proprietária de terras e escravos, ela pertencia à elite agrária do sertão e sua casa era usada como local de encontros políticos e sociais. Na Insurreição Pernambucana de 1817, tomada pelo fervor revolucionário, Bárbara e outros rebeldes arriaram a bandeira portuguesa do Paço Municipal de Crato e hastearam a bandeira da república. A rebelde teve os bens confiscados e foi presa com seus três filhos. Após terem passado quatro anos em prisões de Fortaleza, Recife e Salvador, eles foram libertados. Quando eclodiu a Confederação do Equador, a família engajou-se na nova rebelião republicana. Com a violenta repressão do governo de D. Pedro I, Bárbara refugiou-se em uma fazenda e dois dos seus filhos foram mortos pelas tropas imperiais. Bárbara é considerada a primeira revolucionária, republicana e antimonarquista do país e também a primeira prisioneira política.


Guerra pela Província Cisplatina


Durante o governo de D. João VI, a Banda Oriental (atual Uruguai), na Bacia do Prata, foi incorporada ao Brasil com o nome de Província Cisplatina. O controle da região era motivo de conflitos entre portugueses e espanhóis desde o século XVIII e tornou-se um problema também para o governo de D. Pedro I.


Em 1825, rebeldes da Província Cisplatina declararam a ruptura com o Brasil e a incorporação daquela região às Províncias Unidas do Rio da Prata (atual Argentina). Foi o início de uma guerra entre o Brasil e o governo de Buenos Aires que trouxe perdas humanas e custos financeiros para ambos.


A guerra terminou em 1828 com a independência da Província Cisplatina, que passou a se chamar República Oriental do Uruguai.



Juramento dos trinta e três orientais, pintura de Juan Manuel Blanes, 1877. A obra representa o momento em que os insurgentes juram libertar a Província Cisplatina do domínio brasileiro.


A abdicação de D. Pedro I


A crise econômico-financeira marcou o governo de D. Pedro I. O baixo preço dos produtos agrícolas no mercado internacional e os elevados gastos militares com a independência aumentaram a dívida pública. Sem dinheiro, o governo elevou a emissão de moedas, causando o aumento do custo de vida e a falência, em 1829, do Banco do Brasil.


A crise econômica intensificou o conflito entre o imperador e o Poder Legislativo, principalmente com a Guerra da Cisplatina, que obrigou o governo a elevar os impostos para sustentar o conflito. A Câmara dos Deputados, dominada pela oposição, só foi convocada em 1826. Visando controlar o Senado, o imperador escolheu seus membros numa lista de três candidatos mais votados em cada província.


Em abril de 1831, já não era possível contro- lar os protestos. Na capital e nas províncias, associações oposicionistas e até membros do alto-comando do exército pediam a derrubada do governo. Ao mesmo tempo, D. Pedro I sofria intensa pressão vinda de Lisboa, pois os liberais portugueses insistiam no retorno do imperador.


Isolado politicamente e abandonado pelos militares, em 7 de abril de 1831 D. Pedro I abdicou do trono do Brasil e partiu para a Europa. A Coroa ficou com seu filho, o brasileiro Pedro de Alcântara, na ocasião com 5 anos de idade. A abdicação do imperador significou a vitória das elites do Centro-Sul e a ruptura definitiva com Portugal.



A abdicação do primeiro imperador do Brasil, D. Pedro I, pintura de Aurélio de Figueiredo, 1911.


Filme

Independência ou morte

Clique no link abaixo para assistir 

https://youtu.be/sGr6lhUizjc?si=1MLBKILCMYjKE8Oc


Curiosidade sobre D. Pedro I

Exumação do corpo de D. Pedro I e suas esposas

https://youtu.be/9yDgWwvWiHs?si=Qx10Ox_koOe5VVaC

sábado, 2 de setembro de 2023

Volta de D. João VI a Portugal ( motivos independência do Brasil)

A volta da família real portuguesa e a emancipação política do Brasil



Declaração de independência 


De que maneira a Revolução do Porto impulsionou a independência do Brasil?


A volta de D. João VI a Portugal


Com a vinda da família real para o Brasil, as tropas francesas assumiram o controle de Portugal. No entanto, o domínio da França teve curta duração. Em setembro de 1808, os franceses foram vencidos por uma coligação luso-britânica e expulsos do território. Um conselho chefiado pelo general inglês William Beresford assumiu o governo de Portugal, situação que causava grande insatisfação entre os portugueses.


Os mais descontentes eram os grupos mercantis, que se queixavam da insistência de D. João em permanecer no Brasil e dos prejuízos que a abertura dos portos brasileiros causou à economia portuguesa. Foi nesse contexto que eclodiu a Revolução Liberal de 1820 (ou Revolução do Porto). O movimento começou na cidade do Porto e depois se espalhou pelas cidades mais importantes do reino. Os rebeldes exigiam a volta do rei a Lisboa e uma Constituição liberal para o país.


No comando da situação, os revolucionários convocaram eleições para formar as Cortes, o Parlamento português. Lideradas por uma maioria de deputados portugueses, as Cortes aprovaram uma série de medidas que demonstravam a intenção de recolonizar o Brasil. Entre elas, estavam a restrição da liberdade administrativa e comercial do Brasil e o restabelecimento dos monopólios e privilégios portugueses.


As pressões das Cortes forçaram D. João VI a voltar para Portugal. Mas, para garantir a permanência da família no governo brasileiro, ele deixou seu filho, D. Pedro, como príncipe regente. Essa situação contribuiu para impulsionar a independência do Brasil.



Proclamação da independência


A maior parte da elite brasileira, formada principalmente por grandes proprietários de terra, apoiava a ideia de uma monarquia dual: D. João governaria Portugal e D. Pedro governaria o Brasil, desde que fossem mantidas as liberdades conquistadas a partir de 1808. Manter um monarca português no poder era também uma forma de evitar uma mobilização popular e escrava pela independência, como havia ocorrido no Haiti.


As pressões das Cortes em Lisboa, porém, criaram uma divisão nas elites brasileiras. Províncias do Norte e do Nordeste, onde havia uma forte presença portuguesa, estavam mais alinhadas com as Cortes e tendiam a defender a centralização do poder em Lisboa e não no Rio de Janeiro. O projeto de independência, em aliança com o príncipe, era defendido pelas elites paulista e fluminense do Centro-Sul.


Em 1821, as Cortes exigiram o retorno imediato de D. Pedro a Portugal. O príncipe, porém, anunciou, no dia 9 de janeiro de 1822, que permaneceria no Brasil, marcando o Dia do Fico.


Meses depois, em uma viagem a São Paulo, D. Pedro recebeu notícias de que as Cortes haviam reduzido o seu poder. Na carta, o ministro do Conselho de Estado, José Bonifácio de Andrada e Silva, insistia para que D. Pedro rompesse com Portugal. Assim, no dia 7 de setembro de 1822, D. Pedro proclamou a independência do Brasil e, em outubro, foi aclamado imperador.


A independência do Brasil resultou de uma aliança política entre o príncipe D. Pedro e a aristocracia rural do Centro-Sul do Brasil. As elites se aproximaram de D. Pedro para evitar a participação popular na luta pela independência e garantir seus privilégios, que as Cortes ameaçavam retirar. Por isso, o Brasil que nasceu da independência era um país monárquico e escravista.



Encenação da proclamação da independência do Brasil na novela Novo Mundo, 2017


Os brasileiros do pós-independência.


Um país novo, porém a exclusão continuou a mesma. As classes populares continuaram discriminadas.


Durante o período colonial não havia um sentimento de identidade nacional entre os habitantes da América portuguesa. Os colonos se entendiam como portugueses, enquanto indígenas e africanos escravizados tinham suas próprias identidades étnicas. Com o passar do tempo, o vínculo com a terra se firmou e se desenvolveram as identidades regionais. A ideia do “Brasil” como um único grande país – abarcando todo o território português na América – só ganhou força a partir da permanência de D. João VI no Rio de Janeiro.


Nessa época, foram criadas as primeiras obras artísticas e literárias que buscavam enaltecer essa parte do Império Português, as quais, em sua maioria, ficaram a cargo de estrangeiros que viajaram para o Brasil e ajudaram a criar símbolos e imagens para o local. No mesmo período, também foram fundados os primeiros jornais dirigidos ao público brasileiro. 


A criação e a divulgação de imagens e ideais que buscavam pensar e valorizar o país foram incentivadas pelo rei para propagar entre as elites das diversas capitanias o orgulho de viver em uma terra promissora, com riquezas suficientes para se tornar um “poderoso império”. Com a criação do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, em 1815, a valorização do Brasil foi ainda mais acentuada.


Os líderes da independência eram admiradores dos artistas estrangeiros trazidos por D. João VI e liam avidamente os jornais locais. Essas imagens e textos ajudaram a criar na imaginação das elites a ideia de que todo esse imenso território formava uma só nação.


Ao proclamar a independência, D. Pedro I contou com aliados que tinham ideias diversas sobre como deveria ser a nova nação brasileira. Por exemplo, seu principal ministro, José Bonifácio de Andrada e Silva, pensava em realizar reformas que acabassem com o tráfico de escravizados e promovessem a integração dos indígenas.


Porém, o que predominou, no fim das contas, foram os interesses das elites, formadas por grandes fazendeiros e traficantes de escravizados. Seu ideal era o de uma civilização europeia na América. Vistos por essas elites como estrangeiros, inferiores ou mesmo como “inimigos internos”, indígenas e africanos não eram considerados integrantes da nação brasileira.



Batuque, gravura de Johann Moritz Rugendas, c. 1835. O alemão Rugendas também viajou pelo Brasil representando cenas cotidianas. Práticas como a que o artista mostrou nessa imagem não eram bem vistas pelas elites da época, que consideravam as expressões culturais dos escravizados vadiagem.


O IHGB e o Brasil das “três raças”


O principal marco do esforço do império na criação de imagens e textos sobre o Brasil foi a fundação do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), em 1838, no Rio de Janeiro. Formado por membros da elite letrada e política, o instituto se inspirava nas agremiações iluministas que surgiam na Europa, apesar de estabelecer uma íntima relação com a monarquia. Sua missão era escrever, publicar e divulgar textos que tratavam da história e da geografia do país, de modo a criar e fortalecer em seus leitores o sentimento de pertencimento à nação brasileira.


A tarefa de pensar como se deveria conceber uma narrativa sobre a história do Brasil coube a um estrangeiro, o cientista e historiador alemão Carl Friedrich Philipp von Martius. Seu texto Como se deve escrever a história do Brasil, de 1844, foi o vencedor de um concurso promovido pelo IHGB em 1847 e serviu de base para outros autores que escreveram posteriormente sobre o tema.


Em um trecho da obra, ele afirma:

“O Brasil está afeto em muitos membros de sua população de ideias políticas imaturas. Ali vemos republicanos de todas as cores, ideólogos de todas as qualidades. É justamente entre estes que se acharão muitas pessoas que estudarão com interesse uma história de seu país natal; para eles, pois, deverá ser calculado o livro, para convencê-los [...] da necessidade de uma monarquia em um país onde há um tão grande número de escravos. Só agora principia o Brasil a sentir-se como um todo unido.”

MARTIUS, Carl Friedrich Philipp von. Como se deve escrever a história do Brasil [1844]. In: KHALED JR.; Salah H. Horizontes identitários: a construção da narrativa nacional brasileira pela historiografia do século XIX. Porto Alegre: EdiPUCRS, 2010. p. 86.


A principal novidade trazida do livro de Von Martius foi a inclusão dos indígenas e dos africanos como personagens da história nacional. Porém, para o autor, apesar de o Brasil ser formado da miscigenação de “três raças” (branca, negra e indígena), era a cultura europeia que deveria prevalecer.


Bandeira do Império do Brasil, desenhada por Jean-Baptiste Debret, 1834-1839. As cores da primeira bandeira do Brasil remetiam ao regime monárquico, simbolizando as origens familiares de D. Pedro I (verde, da casa de Bragança) e de sua esposa, a imperatriz Leopoldina (amarelo, da casa de Habsburgo).


Aula 2024 - Início do processo de emancipação política no Brasil.




Aula 2023 - foto do quadro


Próxima aula

Primeiro reinado (Nem todos queriam a independência).

https://historiaecio.blogspot.com/2023/09/o-primeiro-reinado.html





sexta-feira, 1 de setembro de 2023

Brasil e a crise do antigo sistema colonial

O Brasil e a crise do antigo sistema colonial 


A crise portuguesa se aprofunda


A situação de Portugal no contexto internacional do século XVIII era delicada. As monarquias ibéricas, pioneiras no processo de colonização da América, passaram a enfrentar a concorrência de potências em ascensão, como Holanda, França e Inglaterra. Portugal, por exemplo, sofria os efeitos da concorrência no comércio do açúcar e de africanos escravizados.


A rivalidade entre essas potências caracterizou todo o século XVIII, com destaque para a disputa entre França e Inglaterra. Enquanto os ingleses conquistavam vantagens no mundo ultramarino, os franceses exerciam influência sobre outras monarquias europeias, como a Espanha.


Enquanto foi possível, os reis lusos se mantiveram neutros diante desses conflitos. A fragilidade da economia portuguesa, no entanto, restringia a capacidade do governo português de resistir por muito tempo às pressões externas.


Assim, pressionados desde a metade do século XVII, os portugueses vinham se aproximando da Inglaterra e assinando tratados comerciais que beneficiavam a nação britânica.


A batalha da baía de Vigo, em 12 de outubro de 1702, pintura de Ludolf Bakhuysen representando o combate entre as esquadras anglo-holandesa e hispano-francesa durante a Guerra de Sucessão Espanhola.


Tentativas de superação da crise


A dependência da economia portuguesa se aprofundou com a assinatura do Tratado de Methuen, em 1703. O acordo estabelecia o fim de qualquer restrição à entrada de vinhos portugueses na Inglaterra e de tecidos ingleses em Portugal. Em outras palavras, o tratado abria o mercado português à entrada de tecidos ingleses e o mercado inglês à entrada de vinhos portugueses.

O Tratado de Methuen, no entanto, foi prejudicial para a economia portuguesa porque o volume de tecidos importados por Portugal era muito superior à quantidade de vinhos importada pela Inglaterra. O resultado dos vários tratados desiguais firmados entre os dois países foi o crescente déficit comercial do reino português.

A partir da segunda metade do século XVIII, com a progressiva queda na produção aurífera em Minas Gerais, a crise econômica portuguesa agravou-se mais ainda. Diante disso, algumas medidas foram tomadas visando gerar mais recursos para o reino e superar a crise. Essa tarefa ficou a cargo de Sebastião José de Carvalho e Melo, o marquês de Pombal, ministro de Estado da Guerra e dos Negócios Estrangeiros do rei D. José I.

A administração pombalina

Diante da fragilidade econômica de Portugal, a exploração de ouro na região das Minas Gerais e o aumento do controle do comércio colonial assumiram um papel estratégico.

Na visão de Pombal, o crescimento das indústrias, do comércio e da produção agrícola de Portugal decorreria da exploração da colônia, do aumento da arrecadação fiscal e do combate ao contrabando. Para isso, o ministro tomou várias medidas visando reforçar o controle sobre a colônia portuguesa na América. Veja algumas delas a seguir.

* Em 1751, foram criadas as Casas de Inspeção do Tabaco e do Açúcar para solucionar dificuldades na exportação desses produtos.

* Com a finalidade de reforçar o monopólio comercial português, foram criadas a Companhia Geral do Grão-Pará e Maranhão (1755) e a Companhia Geral de Pernambuco e Paraíba (1759).

* Para consolidar o domínio português das fronteiras do norte e do sul da América portuguesa, Pombal propôs integrar os indígenas à sociedade colonial. Para isso, determinou a obrigatoriedade do uso da língua portuguesa, incentivou os casamentos entre colonos e nativos (1755) e proibiu que estes fossem escravizados (1758), medida que impulsionou o lucrativo tráfico de africanos escravizados.

Retrato de Sebastião José de Carvalho e Melo, o marquês de Pombal, pintura de autoria desconhecida, século XVIII.


Além disso, em 1759, com o intuito de reforçar a centralização político-administrativa, os jesuítas foram expulsos de Portugal e de todos os seus domínios coloniais. Dois anos depois, Pombal criou o Real Erário com as tarefas de garantir a cobrança do quinto na América portuguesa e combater a sonegação e o contrabando. Em 1763, transferiu a sede do governo do Brasil de Salvador para o Rio de Janeiro, aproximando o centro político da colônia das áreas mineradoras.


As medidas pombalinas sobre a América portuguesa também visavam arrecadar recursos para cobrir os gastos com a reforma de Lisboa. Isso porque a capital metropolitana havia sido atingida por um grande terremoto, em 1755, que a destruiu quase por completo. O marquês de Pombal, defensor das ideias da Ilustração, encarregou-se de contratar engenheiros para reconstruir e remodelar a cidade.


As medidas pombalinas, contudo, não foram suficientes para impedir a crise do domínio colonial português na América, que expressava, mais que a fragilidade portuguesa, a falência do Antigo Regime. A independência dos Estados Unidos (1776), os interesses das indústrias inglesas em conquistar o mercado das colônias e a insatisfação das elites de algumas capitanias com a exploração colonial apontavam para o fim da dominação portuguesa no Brasil. As conjurações Mineira e Baiana, no fim do século XVIII, mostrariam que o colapso do mercantilismo e do antigo sistema colonial era um movimento que os reinos ibéricos já não conseguiam deter.


Ilustração do século XIX representando o terremoto que causou a destruição de grande parte de Lisboa em 1755.



Foto quadro - O Brasil e a crise do antigo sistema colonial.


Exercícios pontuados

01 - Como estava a situação de Portugal, no contexto internacional, ao longo do século XVIII?


02 - A rivalidade entre essas potências caracterizou todo o século XVIII, com destaque para a disputa entre França e Inglaterra. Fale um pouco sobre a rivalidade entre esses pois países:


03 -  Nesse contexto de rivalidade entre Inglaterra e França, qual foi a postura portuguesa?


04 - O que pregava o Tratado de Methuen de 1703?


05 - Por que o Tratado de Methuen (1703) foi prejudicial para Portugal?


06 - O que a progressiva queda na produção aurífera em Minas Gerais gerou para Portugal?


07 - Quem foi  Sebastião José de Carvalho e Melo (o marquês de Pombal? O que ele fez para tirar Portugal da crise?


08 - Para sair da crise, quais eram as principais metas do marquês de Pombal para fortalecer a economia portuguesa?


09 - O que era o Real Erário português? Qual era a sua principal função?


10 - As medidas pombalinas sobre a América portuguesa também visavam: 


11 - As medidas pombalinas sobre a América portuguesa deram certos? Justifique a sua resposta:


12 - Cite 03 fatores que apontam para o fim da dominação portuguesa no Brasil já no século XVIII:


Próxima aula

Conjuração Mineira

https://historiaecio.blogspot.com/2023/08/conjuracao-mineira.html

República Velha (1889 - 1930) República de Espada (1889 - 1894) e República do Café com Leite (1894 - 1930)

A República Velha (1889-1930): Das Espadas ao Café com Leite O que é uma República?  República, do latim "res publica"...