domingo, 17 de dezembro de 2023

Google forms - Revolução Industrial (Primeira Revolução Industrial)

 Google form Primeira Revolução Industrial 


A Revolução Industrial foi o período de grande desenvolvimento tecnológico que teve início na Inglaterra a partir da segunda metade do século XVIII e que se espalhou pelo mundo, causando grandes transformações. Ela garantiu o surgimento da indústria e consolidou o processo de formação do capitalismo.


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sábado, 16 de dezembro de 2023

Trabalhadores na sociedade industrial

Os trabalhadores na sociedade industrial


O trabalho no sistema fabril

A concentração dos trabalhadores num mesmo espaço, a divisão de tarefas, o fim da autonomia do artesão e o surgimento do patrão foram as mudanças fundamentais que marcaram o surgimento das fábricas. 


Com a mecanização, o trabalhador passou de produtor a operador de máquinas, pois dominava apenas uma etapa do sistema de produção e não todo o processo. Cada vez mais o ritmo da vida e do trabalho deixou de ser determinado pelo ritmo da natureza e do corpo e passou a acompanhar o tempo da máquina.


“[...] todo operário tinha que aprender a trabalhar de uma maneira adequada à indústria, ou seja, num ritmo regular de trabalho diário ininterrupto, o que é inteiramente diferente dos altos e baixos provocados pelas diferentes estações no trabalho agrícola ou da intermitência autocontrolada do artesão independente. A mão de obra tinha também que aprender a responder aos incentivos monetários.”


HOBSBAWN, Eric. A era das revoluções (1789-1848).

São Paulo: Paz e Terra, 1991. p. 66.


As máquinas contribuíram decisivamente para criar um novo conjunto de valores e uma nova mentalidade, sobretudo nas cidades, onde as fábricas se concentravam. O mercado se tornou mais impessoal, pois os trabalhadores não conheciam mais os consumidores dos produtos que eles fabricavam. 


Na sociedade urbano-industrial, as pessoas passaram a depender da tecnologia, e a eficiência passou a ser medida pelo menor tempo gasto na produção. Em outras palavras, o tempo passou a valer dinheiro. Nesse contexto, o relógio ganhou grande importância nas fábricas e na vida das pessoas. 



Frank & Ernest, tirinha de Tom Thaves, 1996.


A ditadura do relógio

Uma das mudanças de hábito mais significativas que a fábrica trouxe foi o controle do tempo. Diferentemente das áreas rurais, onde a medição do tempo estava relacionada aos ciclos da natureza e às tarefas diárias no campo, nas cidades havia a disciplina do relógio.


Os relógios já existiam antes da Revolução Industrial, mas foi a necessidade de sincronizar o trabalho das fábricas que ampliou seu uso e fabricação. Com o relógio, foi possível disciplinar o horário de entrada e saída dos trabalhadores, o horário de almoço e o tempo gasto para realizar as tarefas da produção. Dentro da fábrica, os vigilantes e supervisores garantiam que os trabalhadores respeitassem os horários. Os patrões também instituíam prêmios para os operários mais disciplinados e multas para os descumpridores de horários e de outras normas.


“‘[...] na realidade não havia horas regulares: os mestres e os gerentes faziam conosco o que desejavam. Os relógios nas fábricas eram frequentemente adiantados de manhã e atrasados à noite; em vez de serem instrumentos para medir o tempo, eram usados como disfarces para encobrir o engano e a opressão [...].’” 


Capítulos na vida de um garoto da fábrica de Dundee, na Escócia [1887].

In: THOMPSON, E. P. Costumes em comum: estudos sobre a cultura popular tradicional. São Paulo: Companhia das Letras, 2008. p. 294. 


Fora da fábrica também se desenvolveu a valorização do tempo dedicado ao trabalho e à produção.

O “tempo útil”, o tempo que rende dinheiro, ajudava a constituir uma nova moral e justificava a perseguição policial aos desocupados. 



Vista da Rua Fleet, em Londres, pintura de Samuel Scott, século XVIII. Repare no grande relógio da Igreja de St. Dunstan. Com as novas relações geradas pela Revolução Industrial, o relógio tornou-se um importante instrumento de controle do tempo.


As mulheres trabalhadoras

A exploração do trabalho dos operários tornou-se fonte de enormes lucros para os empresários. Em geral, a jornada diária era de quinze horas, e os salários eram baixíssimos. Além disso, acidentes de trabalho e doenças decorrentes das condições insalubres das fábricas ocorriam com frequência.


No caso das mulheres, a situação era pior. Antes da Revolução Industrial, as trabalhadoras do meio urbano geralmente combinavam, no espaço doméstico, as tarefas de casa com o trabalho de fiação, tecelagem e bordado, ou seja, atividades relacionadas ao artesanato têxtil, consideradas tipicamente femininas. 


A partir do século XIX, especialmente na Inglaterra, as mulheres operárias passaram a trabalhar fora de casa, nas fábricas, onde permaneciam por longos períodos, visando complementar a renda familiar. Mas, como legalmente elas viviam sob a tutela de seus pais ou maridos, seu salário não era visto como essencial para a família. Logo, os industriais usavam essa situação para pagar salários inferiores às mulheres, ainda que elas executassem as mesmas tarefas que os homens. 


Além disso, os patrões alegavam que as mulheres não tinham conhecimento técnico para supervisionar o serviço, e, assim, delegavam a elas apenas tarefas relacionadas diretamente à produção, que tinham baixa remuneração. O baixo custo e a imagem que se tinha das mulheres como pessoas dóceis e submissas levaram os empresários a contratar cada vez mais a mão de obra feminina. 


O ingresso das mulheres nas fábricas dividiu opiniões e criou problemas para elas. O político francês Jules Simon, por exemplo, em 1860 afirmou: “uma mulher que se torna trabalhadora deixa de ser mulher”. Declarações como essa mostram as dificuldades enfrentadas pelas mulheres operárias: no ambiente de trabalho, elas sofriam com as longas jornadas, as condições insalubres, a violência dos supervisores e os baixos salários; fora dele, tinham a obrigação de assumir as tarefas domésticas e o cuidado com os filhos, papéis que a sociedade da época reservava às mulheres.



Ilustração de 1850 que mostra mulheres trabalhando em uma indústria de tecidos de algodão.


O trabalho infantil

Com o objetivo de aumentar seus lucros, os empresários do século XIX empregavam uma grande quantidade de crianças, que eram remuneradas com salários muito mais baixos do que aqueles pagos aos adultos. Empregadas por volta dos 7 anos de idade nas fábricas e nas minas, as crianças tinham de aturar um trabalho monótono e cansativo e recebiam um salário correspondente, em média, à quinta parte do que era pago aos adultos. A princípio, apenas as crianças que viviam nos orfanatos ingleses eram recrutadas para trabalhar como aprendizes. Com o passar do tempo, aquelas que viviam com a família seguiram o mesmo caminho, buscando empregos nas fábricas para complementar a renda familiar. 

Castigos contra as crianças
O longo e extenuante trabalho nas tecelagens inglesas deixava as crianças muito cansadas e sonolentas. Quando diminuíam a velocidade de suas tarefas, elas recebiam socos e outros tipos de castigo para se manterem acordadas. 

Em algumas fábricas, por exemplo, os supervisores as mergulhavam em cisternas, de cabeça para baixo, para que não adormecessem. Também havia castigos para as crianças que chegassem atrasadas ou que conversassem durante as atividades. Aquelas que fugissem eram presas e fichadas na polícia. 

As denúncias sobre os maus-tratos sofridos pelas crianças nas fábricas e minas da Inglaterra obrigaram o Parlamento britânico a criar uma comissão para investigar a exploração do trabalho infantil no país. A ação foi o primeiro passo para a progressiva regulamentação do trabalho infantil pelas autoridades inglesas.


O trabalho infantil na atualidade

Atualmente, diversas organizações governamentais e não governamentais dedicam-se a combater a exploração do trabalho infantil. Segundo dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT), esse problema vem diminuindo no Brasil e no mundo desde o ano 2000. Apesar disso, segundo a OIT, cerca de 152 milhões de crianças trabalhavam no mundo em 2016, a maior parte delas nos países da América Latina, da África e do Sudeste Asiático. No Brasil, apesar da redução do trabalho infantil, cerca de 2,7 milhões de crianças e adolescentes trabalhavam naquele ano.



Crianças mineradoras nos Estados Unidos, 1899.  
O trabalho infantil se repetiu nos países que se industrializaram no século XIX,  como Bélgica e Estados Unidos.


As moradias dos trabalhadores

Nas cidades industriais inglesas, a população operária comprimia-se em bairros de ruas estreitas, sinuosas e sujas, repletas de pessoas desempregadas, prostituídas ou em situação de rua. Relatos da época destacam o aspecto esfumaçado dos bairros operários, o cheiro nauseante de sujeira e alimentos estragados e a miséria que tomava conta das ruas.

A maior parte das moradias operárias se localizava próximo às fábricas e era construída por ordens dos próprios empregadores, que as alugavam aos trabalhadores.

As casas, geralmente de dois andares e geminadas, abrigavam um grande número de pessoas. O quarto ficava no piso superior, onde todos se amontoavam para dormir. No andar de baixo havia uma cozinha.

Os banheiros eram fossas, pois não existia rede de esgoto. Eles ficavam fora da casa e exalavam um cheiro horrível. Em alguns bairros, havia um serviço de limpeza de fossas, cujos resíduos eram vendidos como esterco aos agricultores. Em outros bairros, os detritos eram jogados na própria rua.

A água, por sua vez, era fornecida em bicas, poços e fontes públicas espalhadas pela cidade. Era muito comum a formação de longas filas para obter um balde do precioso líquido.

Em razão dessas péssimas condições, diversas doenças, como a cólera e a tuberculose, atingiam com frequência os trabalhadores e suas famílias. A situação de miséria em que viviam os operários das fábricas inglesas do século XIX foram descritas pelo filósofo alemão Friedrich Engels (1820-1895).

Quanto às grandes massas da classe operária, o estado de miséria e incerteza em que vivem agora é tão duro quanto antes — ou mesmo pior. O East End de Londres é um pântano cada vez mais extenso de miséria e desespero irremediável, de fome nos períodos de desemprego e de desagregação física e moral, nas épocas de trabalho.”

ENGELS, Friedrich [1885]. In: MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. Obras escolhidas. São Paulo: Alfa-Omega, s/d. v. 3. p. 220.



Moradores de área pobre do bairro de Kensington, em Londres, Reino Unido, c. 1895. Muitos moradores dessa região eram irlandeses que fugiam da fome em seu país natal  e viviam de trabalhos temporários na capital britânica.


Uma nova divisão social

 O sucesso econômico do sistema de fábricas não apenas elevou a produtividade e disponibilizou para o consumo artigos novos e mais baratos; ele transformou a vida humana. Talvez uma das mudanças mais importantes produzidas pela grande indústria tenha sido a configuração de uma nova sociedade, com a consolidação de duas classes sociais antagônicas: a burguesia e o proletariado.

 Burguesia. Classe social constituída dos proprietários das fábricas, das máquinas, dos bancos, do comércio, das redes de transporte e das empresas agrícolas. A origem do termo é o burgo, aglomerado urbano da Idade Média onde os habitantes se dedicavam ao comércio e ao artesanato. A partir do século XVIII, a burguesia impôs cada vez mais seu domínio sobre a sociedade. 
Proletariado. Classe social composta pelo operariado, que vive do salário que recebe. Como não tem meios para sobreviver por conta própria, ele vende sua força de trabalho para o capitalista em troca de um salário. O salário, porém, paga apenas uma parte do tempo de trabalho do operário nas fábricas. O restante é apropriado pelo capitalista, membro da burguesia.
Com baixíssimos salários, jornadas de trabalho extenuantes e ausência de direitos trabalhistas, o operariado inglês, ao longo do século XIX, construiu formas de organização e mobilização coletivas visando melhorar suas condições de trabalho e de vida. Assim, da mesma forma que a Inglaterra foi pioneira na Revolução Industrial, ela também foi o cenário das primeiras lutas do movimento operário. 





Litografia de Arthur Fitzwilliam Tait que mostra vista de uma cidade operária inglesa, 1845.


A organização da classe operária

Uma das primeiras formas de resistência ao sistema fabril foi a ação dos quebradores de máquinas. Alguns desses grupos se tornaram bastante conhecidos, como os da região de Lancashire, que atuaram entre 1778 e 1780, e os ludistas, que surgiram no princípio da década de 1810. 

Os quebradores lutavam contra as longas jornadas e as péssimas condições de trabalho, bem como defendiam a criação de leis trabalhistas e o fim das dispensas arbitrárias. Eles invadiam as fábricas, em geral à noite, e destruíam as máquinas. Esses trabalhadores foram reprimidos com violência, e alguns dos líderes acabaram presos, julgados e executados. 

Alguns historiadores consideram que os ludistas eram corajosos, mas ingênuos, pois atribuíam a origem de seus problemas às máquinas, e não aos proprietários delas. Para esses autores, os quebradores de máquinas não conseguiam perceber a mudança profunda na produção capitalista industrial e nas novas estratégias de dominação de classe. 

Pesquisas mais recentes, no entanto, tendem a associar os ludistas a uma reação radical e consciente contra o sistema fabril. Segundo essa nova perspectiva, a principal intenção dos ludistas era mostrar que a fábrica não era a única nem a melhor forma de organização do trabalho e da vida.

A fundação dos primeiros sindicatos
Com o fracasso do ludismo, o movimento operário britânico passou a discutir a necessidade de criar associações de operários, capazes de organizar a luta pela conquista de direitos de forma mais eficiente.
As primeiras associações operárias britânicas foram criadas no final do século XVIII, como a de sapateiros de Londres e a de tecelões de Glasgow, na Escócia.
Elas funcionavam na clandestinidade, pois os operários temiam a repressão policial e as demissões no trabalho. Em 1799, as associações foram formalmente proibidas, e seus dirigentes, presos. 

Em 1824, após muita pressão dos trabalhadores, o Parlamento britânico aprovou uma lei permitindo o direito de associação da classe operária. Formaram-se então as trade unions, ou sindicatos, como essas associações passaram a ser conhecidas.  

As trade unions organizavam os operários para lutar por redução da jornada de trabalho, aumento salarial, limitação do trabalho infantil, entre outras reivindicações. Com a nova lei, houve uma explosão de associações operárias em toda a Inglaterra, concentradas principalmente na indústria têxtil e na atividade siderúrgica. 


O neoludismo

No final do século XX, surgiu um movimento filosófico denominado neoludismo. Inspirado nos ludistas da Inglaterra do início da industrialização, ele defende a resistência pacífica contra os avanços tecnológicos e o consumismo, pregando o retorno à vida primitiva, simples e integrada à natureza. Segundo os neoludistas, as contínuas inovações tecnológicas estimulam as guerras, desumanizam a nossa espécie e destroem o meio ambiente.



Charge de Mark Lynch que critica os avanços tecnológicos, 2016.


O movimento cartista

O cartismo nasceu em Londres, em 1838, e logo adquiriu caráter nacional. O movimento começou quando uma associação de trabalhadores enviou ao Parlamento inglês a Carta do Povo, um documento reivindicando o voto secreto, o sufrágio universal masculino,
o direito dos operários a candidatar-se às cadeiras do Parlamento, entre outras pautas. 

A petição recebeu mais de 1 milhão de assinaturas de trabalhadores. A recusa do Parlamento em aprovar a carta, porém, desencadeou uma onda de greves, manifestações e prisões. Em novembro de 1839, uma marcha de mineiros e ferreiros em Newport, no País de Gales, em apoio ao movimento cartista, foi recebida a tiros pela polícia, causando a morte de 22 trabalhadores. 

Por volta de 1840, o movimento apresentou outra petição, bem mais radical que a primeira. Além das reivindicações iniciais, o documento exigia aumento de salário e redução da jornada de trabalho. A nova petição recebeu cerca de 3,3 milhões de assinaturas, mais da metade da população masculina inglesa da época. 

Aos poucos, as lutas operárias surtiram efeito. As leis trabalhistas do século XIX e início do século XX melhoraram as condições de trabalho nas fábricas e minas inglesas, além de fortalecer as lutas dos trabalhadores de outros países. 



Mosaico em homenagem à marcha do movimento cartista em Newport, no País de Gales. Foto de 2012.


Próxima aula

Desdobramentos culturais, econômicos e ambientais da industrialização

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sexta-feira, 15 de dezembro de 2023

Revolução Industrial (Primeira Revolução Industrial)

A Revolução Industrial (1ª Revolução Industrial)



A Revolução Industrial foi a transição para novos processos de fabricação na Grã-Bretanha, Europa continental e Estados Unidos, no período de cerca de 1760 a algum momento entre 1820 e 1840. Essa transição incluiu a passagem de métodos de produção manual para máquinas, novos processos de fabricação de produtos químicos e produção de ferro, o uso crescente de energia a vapor e hidráulica, o desenvolvimento de máquinas-ferramentas e a ascensão do sistema fabril mecanizado.


A mecanização da produção

Na segunda metade do século XVIII, com a Revolução Industrial, a manufatura começou a ser substituída pela maquinofatura. Contínuos inventos no setor de fiação permitiram que as novas máquinas, operadas por poucos trabalhadores, aumentassem a velocidade e a precisão da produção. A tarefa do trabalhador era alimentar a máquina, controlar sua velocidade e zelar por sua manutenção.


Definição de maquinofatura


O setor têxtil foi pioneiro na industrialização. O fato de a produção artesanal têxtil ser uma das mais antigas, remontando às primeiras civilizações do Oriente Próximo, possibilitou que várias inovações fossem feitas no setor ao longo dos anos, tanto no Oriente quanto no Ocidente. As viagens e transações comerciais muitas vezes permitiam que inovações técnicas dos dois lados fossem compartilhadas e difundidas. 



Setor têxtil na Primeira Revolução Industrial (1760 - 1840).


Um exemplo desse intercâmbio de conhecimentos é o tear de fitas, trazido do Oriente e aperfeiçoado no Ocidente. Ele permitia tecer várias fitas ao mesmo tempo, com o emprego de um único operário.


Gravura de 1834 representando máquinas de impressão de tecido acionadas por correias e eixos movidos por motores a vapor.


Inovações como essas elevaram a produtividade do setor têxtil e muitas vezes causaram revoltas entre os tecelões, que temiam ficar sem trabalho.



O ludismo foi um movimento de trabalhadores que se uniram e revoltaram-se contra as máquinas no princípio da Revolução Industrial. A ação organizada dos ludistas consistia em invadir uma indústria têxtil e promover a destruição das máquinas que produziam as mercadorias.


“Foi alguma coisa bem dramática o uso desse tear: temerosas do desemprego entre os tecelões, as autoridades de Dantzig [Gdansk, na Polônia], cidade do inventor, suprimiram o invento e estrangularam o autor. Isso aconteceu em 1579. E não foi o único caso. Muitos inventores ou inovadores foram perseguidos até com a morte para não afetarem a ordem estabelecida.”Inovações como essas elevaram a produtividade do setor têxtil e muitas vezes causaram revoltas entre os tecelões, que temiam ficar sem trabalho.


CANÊDO, Letícia Bicalho. A Revolução Industrial: tradição e ruptura – adaptação

da economia e da sociedade rumo a um mundo industrializado. 2. ed. São Paulo: 

Atual; Campinas (SP): Editora da Unicamp, 1986. p. 16. (Coleção Discutindo a história)


Outra razão que explica o pioneirismo do setor têxtil na industrialização foi o interesse dos fabricantes em investir em inovações tecnológicas na produção, sem muitos custos. A Inglaterra já dominava o comércio mundial de tecidos manufaturados de algodão, que tinha dois fortes mercados: o tráfico de escravizados na África, principalmente, e as colônias europeias na América. 


Antes de surgirem as primeiras fábricas, os tecidos de algodão comercializados pelos ingleses eram comprados principalmente na Índia, onde a Companhia Britânica das Índias Orientais exercia grande influência econômica, política e militar. Além de vender tecidos a baixo custo para os mercadores ingleses, a Índia* forneceu o algodão, matéria-prima que abasteceu as manufaturas e as primeiras fábricas têxteis criadas na Inglaterra.


* Índia: refere-se à Índia britânica (atuais Índia, Bangladesh, Paquistão e Mianmar), que se tornou área de influência do Império Britânico no século XVII e possessão colonial da Coroa inglesa em 1857.


Resumindo, a conjunção de experiência no setor, matéria-prima, capitais, mão de obra barata vinda dos campos, vasto mercado e leis que estimulavam a livre iniciativa possibilitaram que a Inglaterra desse o grande salto na produção de tecidos. Assim, foi criado o sistema fabril, ou seja, a indústria moderna. Reunindo máquinas operadas por trabalhadores, a fábrica era capaz de multiplicar a quantidade de artigos produzidos a um custo muito baixo.



Trabalhadores carregando um fardo de algodão, ilustração da obra Paisagens e costumes de Bombaim, 1810-1811. A introdução das manufaturas de algodão na Índia britânica levou a produção artesanal de tecidos local à ruína.


Os inventos da Revolução Industrial

A madeira era o material básico empregado na fabricação das primeiras máquinas têxteis, que eram colocadas em movimento principalmente pela energia hidráulica. A dependência em relação à força da água levava muitos proprietários a instalar suas indústrias à margem dos rios.


Por que então o aperfeiçoamento da máquina a vapor por James Watt, em 1769, foi adotado como marco da Revolução Industrial? A importância da máquina a vapor nesse momento foi fornecer a força necessária para bombear a água das minas de carvão e extrair um mineral de melhor qualidade. O carvão foi o combustível que permitiu desenvolver a metalurgia do ferro. 



James Watt (1736-1819) foi um engenheiro mecânico e matemático escocês. Aperfeiçoou a máquina a vapor inaugurando “a era do vapor na Revolução Industrial na Inglaterra”. Seu nome foi dado à unidade de potência de energia – “watt”.


As contínuas inovações na máquina a vapor e na fundição do ferro promoveram a grande mudança tecnológica da Revolução Industrial: a obtenção de um ferro barato que pôde substituir a madeira e ser utilizado na fabricação de máquinas, pontes, navios e ferrovias.



Fundição de ferro com custo menor auxiliou na expansão da Revolução Industrial na Inglaterra.


Veja os principais inventos que permitiram a mecanização da produção têxtil, que foi a primeira indústria moderna.


- Lançadeira volante (1735). Inventada por John Kay, a máquina permitia fabricar tecidos largos em menos tempo e com reduzida mão de obra.


Lançadeira volante e Spnning jenny


- Spinning jenny (1764). Invento de James Hargreaves que consistia em uma roda de fiar na qual o artesão controlava oito fusos de uma vez, podendo chegar a oitenta fusos.

- Water-frame (1769). Patenteado por Richard Arkwright, o invento usava a água como força motriz para produzir fios mais grossos, permitindo a fabricação de tecidos puros de algodão.



Water-frame (1769)


- Mule-jenny (1779). Inventada por Samuel Crompton, a máquina cruzava a tecnologia da jenny com a da water-frame, fabricando um fio fino e resistente, que podia ser utilizado na produção de tecidos de algodão, musselinas* e de vários outros materiais.



Mule-jenny (1779)


*Musselina: tecido fino, delicado e transparente de fibra de algodão, muito usado na confecção de vestidos.



Musselina


Muitas técnicas aplicadas na criação dessas máquinas resultaram de estudos anteriores à Revolução Industrial. A grande contribuição desses inventores foi reunir conhecimentos já existentes e aperfeiçoá-los com uma finalidade prática: a fabricação de máquinas que aumentavam de maneira espetacular a velocidade da produção. A concentração dos trabalhadores na fábrica, submetidos à rígida disciplina, permitiu baratear ainda mais os custos de produção e elevar os lucros dos proprietários. 



Litografia de 1836 que mostra o uso da spinning jenny em uma fábrica de algodão inglesa. Repare que há apenas quatro trabalhadores controlando diversos fusos.


As máquinas na Revolução Industrial

Ao longo dos séculos XVIII e XIX, inúmeras máquinas foram inventadas para automatizar processos produtivos já existentes, como a fiação e a tecelagem. O grande salto para a produção em larga escala ocorreu quando essas máquinas passaram a ser movimentadas por alguma força motriz não humana, e isso ocorreu em espaços que passaram a ser chamados fábricas.


As primeiras fábricas

Construídas na década de 1770, na Inglaterra, as primeiras fábricas aproveitavam o movimento da água dos rios para mover máquinas têxteis, permitindo a produção de fios e tecidos em um ritmo mais veloz do que nas manufaturas.


INFOGRAFIA: WILLIAM TACIRO, MAURO BROSSO E MARIO KANNO


A passagem para o vapor


Por séculos, inventores tentaram usar o vapor como fonte de energia. No século XVIII, uma sucessão de inovações técnicas permitiu aperfeiçoar os motores a vapor. A máquina a vapor inventada em 1769 pelo engenheiro escocês James Watt foi, por sua eficiência, revolucionária.



Fonte: BRIDGMAN, Roger. 1000 inventions & discoveries. Londres: DK, 2002.


A máquina de Watt, aperfeiçoada mais tarde com outros inventos, foi empregada como força motriz nas minas de carvão, nas fábricas e nos transportes.


Como a Revolução Industrial impactou a organização do trabalho e a vida social do trabalhador?


A Revolução Industrial, iniciada na Inglaterra no final do século XVIII, provocou profundas mudanças na organização do trabalho e na vida dos operários nas cidades industriais. Com a introdução das máquinas e do sistema fabril, o modelo de produção artesanal foi substituído pela produção mecanizada, caracterizada pela divisão do trabalho, aumento da produtividade e redução dos custos.


No entanto, essas transformações tiveram impactos sociais significativos:


1. Organização do trabalho


Divisão e especialização: Os trabalhadores passaram a desempenhar tarefas repetitivas e específicas, perdendo a autonomia sobre o processo produtivo.


Jornadas exaustivas: Eram comuns jornadas de 12 a 16 horas diárias, inclusive para mulheres e crianças.


Trabalho infantil: Crianças eram amplamente empregadas, muitas vezes em condições perigosas, devido ao baixo custo da mão de obra.


Disciplina rígida: Havia controle intenso do tempo, ritmo e comportamento dos trabalhadores, com punições para atrasos ou falhas.



2. Condições de vida


Urbanização acelerada: O êxodo rural levou milhares de pessoas às cidades industriais, resultando em crescimento desordenado.


Habitações precárias: Os bairros operários surgiram com condições insalubres, sem saneamento básico adequado.


Problemas de saúde: A poluição, a superlotação e a má alimentação provocavam epidemias e alta mortalidade.


Baixos salários: Apesar do aumento da produção, a maior parte dos lucros ficava com os donos das fábricas, enquanto os operários recebiam remunerações mínimas.


3. Consequências sociais


Surgimento do proletariado industrial: Uma nova classe social composta pelos trabalhadores das fábricas.


Conflitos e movimentos sociais: A exploração deu origem a movimentos como o ludismo (quebra de máquinas), cartismo (reivindicação de direitos políticos) e a formação dos primeiros sindicatos.


Desigualdade social: O crescimento econômico beneficiou principalmente a burguesia industrial, ampliando a distância entre ricos e pobres.


Como a Revolução Industrial impactou o espaço geográfico?


A Primeira Revolução Industrial (século XVIII – início do XIX) provocou profundas transformações no campo e, principalmente, nas cidades, dando origem a um processo intenso de urbanização. Esse fenômeno ocorreu devido à combinação de fatores econômicos, tecnológicos e sociais que alteraram a forma de viver e trabalhar.


1. Como ocorreu a urbanização


Êxodo rural: Com o avanço da mecanização no campo — como o uso de novas máquinas agrícolas — muitos camponeses perderam seus empregos e migraram para as cidades em busca de trabalho nas fábricas.


Crescimento das cidades industriais: Regiões com maior concentração de indústrias, como Manchester e Londres, na Inglaterra, passaram a receber grandes fluxos populacionais.


Transformação do espaço urbano: As cidades se expandiram rapidamente para abrigar os novos operários, mas sem planejamento adequado.


2. Principais consequências da urbanização


a) Condições de vida


Habitações precárias: O aumento rápido da população resultou em bairros superlotados e insalubres, conhecidos como cortiços.


Falta de saneamento básico: A ausência de infraestrutura favoreceu a proliferação de doenças e epidemias.


Aumento da criminalidade: A pobreza extrema e a falta de políticas públicas contribuíram para altos índices de violência.


b) Mudanças sociais


Surgimento do proletariado urbano: Uma nova classe social formada pelos trabalhadores das fábricas, submetidos a longas jornadas e baixos salários.


Ampliação das desigualdades: Enquanto a burguesia industrial acumulava riqueza, a maioria da população operária vivia em condições precárias.


Movimentos trabalhistas: A precarização da vida nas cidades impulsionou revoltas e a organização dos primeiros sindicatos.


c) Impactos ambientais


Poluição: O uso intensivo de carvão e a concentração de fábricas causaram poluição do ar e dos rios.


Degradação urbana: O crescimento desordenado gerou problemas estruturais que persistiram por décadas.


Resumo


A urbanização durante a Primeira Revolução Industrial foi rápida, intensa e desordenada. Se, por um lado, trouxe oportunidades de emprego e dinamizou a economia, por outro, gerou péssimas condições de vida, desigualdade social, problemas ambientais e conflitos trabalhistas.


A relação entre a Revolução Industrial e o Capitalismo 


A Primeira Revolução Industrial (século XVIII – início do XIX) está diretamente ligada ao surgimento do capitalismo industrial, um novo modelo econômico que transformou profundamente a forma de produzir, consumir e distribuir riquezas no mundo.


1. Relação entre a Revolução Industrial e o capitalismo industrial


Antes da Revolução Industrial, predominava o capitalismo comercial, marcado pelo lucro obtido principalmente nas trocas marítimas, no comércio de especiarias, metais preciosos e escravos. Com o advento da Revolução Industrial, esse modelo evoluiu para o capitalismo industrial, caracterizado por:


Produção mecanizada em larga escala → substituiu o trabalho artesanal.


Investimento em tecnologia e máquinas → o capital passou a ser aplicado na indústria, não apenas no comércio.


Formação da burguesia industrial → empresários e donos de fábricas que passaram a controlar os meios de produção.


Surgimento do proletariado urbano → trabalhadores assalariados que vendiam sua força de trabalho.


2. Alterações na economia mundial


A Revolução Industrial ampliou a interdependência entre as nações e reorganizou as relações econômicas globais:


a) Crescimento da produção e do consumo


A produção de bens aumentou de forma inédita, tornando produtos antes caros mais acessíveis.


O surgimento do mercado de massas estimulou novas formas de consumo.


b) Expansão do comércio internacional


Países industrializados passaram a exportar produtos manufaturados e a importar matérias-primas baratas.


Criou-se uma relação de dependência entre países industrializados (centro) e não industrializados (periferia).


c) Desenvolvimento do sistema financeiro


Bancos, bolsas de valores e companhias de investimento cresceram para sustentar a industrialização.


O crédito e os empréstimos tornaram-se essenciais para financiar fábricas e novas tecnologias.


d) Imperialismo e colonização


As potências industriais buscaram mercados consumidores e fontes de matéria-prima em outras regiões, intensificando a colonização na África e na Ásia.


Resumo


A Primeira Revolução Industrial deu origem ao capitalismo industrial, que transformou a economia mundial ao:


Aumentar a produção e o consumo;


Intensificar o comércio global;


Consolidar a supremacia dos países industrializados;


Gerar novas desigualdades econômicas e sociais.


Vivemos a Quarta Revolução Industrial?

Segundo alguns economistas, o mundo vive hoje a Quarta Revolução Industrial. Integrando tecnologias digitais, físicas e biológicas, ela afetará, na visão deles, a vida de todas as pessoas.


“Há três razões pelas quais as transformações atuais não representam uma extensão da Terceira Revolução Industrial, mas a chegada de uma diferente: a velocidade, o alcance e o impacto nos sistemas. [...]


Também chamada de 4.0, a revolução acontece após três processos históricos transformadores. A primeira marcou o ritmo da produção manual à mecanizada, entre 1760 e 1830. A segunda, por volta de 1850, trouxe a eletricidade e permitiu a manufatura em massa. E a terceira aconteceu em meados do século XX, com a chegada da eletrônica, da tecnologia da informação e das telecomunicações.


Agora, a quarta mudança traz consigo uma tendência à automatização total das fábricas [...]. O que vem por aí, dizem os teóricos, é uma ‘fábrica inteligente’. Verdadeiramente inteligente. O princípio básico é que as empresas poderão criar redes inteligentes que poderão controlar a si mesmas. [...]


[A] parte mais controversa da quarta revolução [é que] ela pode acabar com 5 milhões de vagas de trabalho nos quinze países mais industrializados do mundo.”


PERASSO, Valeria. O que é a 4a Revolução Industrial e como

ela deve afetar nossas vidas. BBC Brasil, 22 out. 2016.

Disponível em <http://mod.lk/ym7jd>. Acesso em 16 jan. 2020.


JOHN THYS/AFP


Estude a Segunda Revolução Industrial

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Jovem conversa com o robô Pepper, que será usado nos centros hospitalares de Líège, na Bélgica, para recepcionar e informar os pacientes. Foto de 2016. Dispositivos que executam tarefas humanas representam uma das novas tecnologias em desenvolvimento no mundo contemporâneo.



Atividade pontuada 

1. Explique por que a Inglaterra foi o país pioneiro na Primeira Revolução Industrial, destacando pelo menos três fatores que favoreceram esse processo.

2. Descreva o papel das inovações tecnológicas, como a máquina a vapor, no desenvolvimento da Primeira Revolução Industrial.

3. Analise como a Revolução Industrial impactou a organização do trabalho e a vida dos operários nas cidades industriais.

4. Diferencie o sistema de manufatura do sistema fabril, explicando as mudanças que ocorreram na produção de bens.

5. A Primeira Revolução Industrial provocou mudanças no campo e na cidade. Explique de que forma ocorreu a urbanização e quais foram suas principais consequências.

6. Relacione a Primeira Revolução Industrial ao surgimento do capitalismo industrial e explique como isso alterou a economia mundial.

7. Comente os impactos ambientais causados pela Primeira Revolução Industrial e como eles estão relacionados ao uso de combustíveis fósseis.

8. Explique o surgimento dos movimentos trabalhistas no século XIX, como o ludismo e o cartismo, e suas principais reivindicações.


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Parte II – Questões de Múltipla Escolha 

9. A Primeira Revolução Industrial teve início no século XVIII, principalmente na Inglaterra. Um dos fatores determinantes para esse processo foi:
a) A ausência de reservas de carvão mineral
b) O atraso tecnológico inglês
c) A abundância de matérias-primas e fontes de energia
d) A escassez de mão de obra
e) O isolamento comercial da Inglaterra


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10. Qual foi a principal fonte de energia utilizada durante a Primeira Revolução Industrial?
a) Energia elétrica
b) Energia nuclear
c) Carvão mineral
d) Petróleo
e) Gás natural


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11. Sobre as transformações sociais ocorridas no período, é correto afirmar que:
a) O êxodo rural diminuiu consideravelmente
b) A burguesia perdeu espaço para a aristocracia
c) A urbanização e a formação do proletariado industrial foram intensas
d) As condições de trabalho melhoraram drasticamente
e) O trabalho infantil foi abolido imediatamente


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12. Entre as invenções tecnológicas do período, qual delas está corretamente associada ao seu inventor?
a) Spinning Jenny – James Watt
b) Tear Mecânico – James Hargreaves
c) Locomotiva a vapor – George Stephenson
d) Máquina de fiar hidráulica – Thomas Edison
e) Motor a combustão interna – Richard Arkwright


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13. A Primeira Revolução Industrial provocou mudanças significativas na economia e sociedade. Um exemplo correto é:
a) A substituição do capitalismo pelo socialismo
b) O fortalecimento do sistema feudal
c) O crescimento da produção em larga escala e do consumo
d) A redução das trocas comerciais entre os países
e) O declínio da burguesia industrial


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14. Assinale a alternativa que não corresponde a uma consequência da Primeira Revolução Industrial:
a) Aumento da produção de bens
b) Intensificação da poluição ambiental
c) Melhoria imediata das condições de trabalho
d) Crescimento da urbanização
e) Formação do proletariado urbano


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15. Sobre os movimentos trabalhistas do século XIX, é correto afirmar que:
a) O ludismo defendia a destruição de máquinas por acreditarem que elas eram responsáveis pelo desemprego
b) O cartismo rejeitava qualquer tipo de participação política
c) Os sindicatos foram proibidos definitivamente após 1830
d) O movimento operário não possuía relação com as más condições de trabalho
e) O socialismo surgiu antes da Revolução Industrial


Próxima aula
Os trabalhadores na sociedade industrial

Avaliação Revolução Industrial (Aula 01 e Aula 020




quinta-feira, 14 de dezembro de 2023

Estados Unidos no século XIX

Os Estados Unidos no século XIX




Um país dividido pela escravidão

Até meados do século XVIII, o arroz e o tabaco dominavam a agricultura do sul dos Estados Unidos. Com o surgimento de fábricas têxteis na Inglaterra, a produção de algodão foi estimulada e os estadunidenses passaram a exportar esse produto para abastecer as indústrias inglesas. Assim, no início do século XIX, as plantações de algodão já eram hegemônicas na paisagem sulista.


A grande demanda pela matéria-prima exigia o uso de muita mão de obra, composta basicamente de africanos escravizados. Mesmo com a proibição do tráfico negreiro nos Estados Unidos, em 1808, as fazendas sulistas continuaram a ser abastecidas pelo tráfico ilegal de cativos. Em 1860, a população escravizada, que chegava a quase 4 milhões, representava um terço da população dos estados do sul.


Na segunda metade do século XIX, a manutenção da escravidão nos Estados Unidos gerava grande polêmica e dividia o país. Enquanto os estados do sul eram favoráveis à escravidão, os estados do norte, com uma indústria em franca expansão e a produção rural organizada em pequenas propriedades, defendiam o trabalho livre e assalariado. Apesar dessas diferenças, tanto no sul quanto no norte prevalecia a ideia de que o homem branco fazia parte de uma “raça” superior à do negro africano.


O libertador

Em 1830, o estudante William Garrison (1805-1879) fundou, em Nova York, o jornal The Liberator, que pregava o fim imediato da escravidão nos Estados Unidos. A maioria dos leitores, a princípio, era formada de negros alfabetizados pelas igrejas protestantes. Os próprios negros garantiam a sobrevivência do jornal. Aos poucos, outros pregadores abolicionistas, incluindo brancos, se interessaram em manter o periódico.


Ilustração do jornal The Liberator, 1900, sugerindo, de forma crítica, que apenas Cristo poria fim à escravidão no país.


A caminho da guerra civil

A questão escravista dominou as discussões sobre a integração das novas terras do oeste dos Estados Unidos e foi um dos principais motivos para a eclosão de uma guerra civil no país.


Os fazendeiros do sul pretendiam expandir suas grandes propriedades em direção ao oeste, ampliando o uso da mão de obra escrava. Os estados do norte, ao contrário, queriam impedir o avanço da escravidão e desejavam que, nessas novas terras, a pequena propriedade familiar predominasse. No entanto, decretar o fim do trabalho cativo interferiria na soberania dos estados sulistas.


Para agravar a discussão, as elites políticas e econômicas do norte, interessadas em estimular sua crescente indústria, defendiam o aumento das tarifas alfandegárias para se proteger da concorrência dos produtos importados e criar um poderoso mercado interno. O sul, por sua vez, queria manter as tarifas de importação baixas para adquirir produtos estrangeiros mais baratos.


O ápice da crise entre as duas regiões veio com as eleições de 1860, quando o nortista Abraham Lincoln foi eleito presidente do país. Apesar de ser antiescravista, Lincoln não era um abolicionista declarado. Republicano moderado, ele propunha manter a escravidão nos estados em que ela já era praticada e, ao mesmo tempo, prometia combater qualquer movimento separatista, projeto cada vez mais alimentado pela elite sulista.



Político norte-americano que serviu como o 16° presidente dos Estados Unidos, posto que ocupou de 4 de março de 1861 até seu assassinato em 15 de abril de 1865. Lincoln liderou o país de forma bem-sucedida durante sua maior crise interna, a Guerra Civil Americana, preservando a integridade territorial do país, abolindo a escravidão e fortalecendo o governo nacional.


O discurso ambíguo de Lincoln deixou o sul ainda mais insatisfeito. Em resposta, o estado da Carolina do Sul decidiu separar-se dos Estados Unidos. Dez estados seguiram o exemplo e, em fevereiro de 1861, fundaram um novo país: os Estados Confederados da América.




Um país dividido - Organizados sob o nome de Estados Confederados da América, a Geórgia, o Alabama, a Flórida, o Mississípi, a Luisiana, o Texas e a Carolina do Sul constituem uma república à parte. Adotam uma nova constituição e nomeiam Jefferson Davis como presidente provisório.



Estados Confederados da América - ECA



Gravura do século XIX que representa negros escravizados sendo vendidos no estado sulista da Louisiana, Estados Unidos.


A guerra e o fim da escravidão


A Guerra Civil Americana, também conhecida como Guerra de Secessão ou Guerra Civil dos Estados Unidos, foi uma guerra civil travada nos Estados Unidos de 1861 a 1865, entre a União e os Confederados. Sua causa principal foi a longa controvérsia sobre a escravização dos negros.


A formação dos Estados Confederados da América foi o estopim para a eclosão da Guerra Civil Americana ou Guerra de Secessão (1861-1865). O conflito colocou em lados opostos o exército da União, representado pelos estados do norte e vários estados do oeste, e o exército confederado. Apesar de o sul contar com militares experientes, o norte tinha um número superior de soldados, recursos de comunicação mais sofisticados e, sobretudo, um desenvolvimento industrial que lhe garantiu estar sempre mais bem armado e abastecido.


Além disso, a liderança política do presidente Lincoln foi muito importante para o desfecho do conflito. Durante a guerra, ele proibiu a entrada de mercadorias de primeira necessidade nos estados do sul, obrigando muitos soldados confederados a desertarem, e decretou a Lei do Confisco, que autorizava a apreensão de todos os bens dos confederados, incluindo os escravizados que caíssem em mãos da União.


Aos olhos dos escravizados, essas medidas tornaram-se uma grande oportunidade para conquistar a liberdade. Dessa forma, quando o exército da União invadia uma área sulista, muitos cativos promoviam fugas coletivas.


Nesse contexto, Lincoln criou condições favoráveis para vencer a guerra. Diante da pressão de setores abolicionistas e com o objetivo de ganhar popularidade, o presidente decretou o fim da escravidão em todos os estados em janeiro de 1863. Enfraquecido e sem recursos, o sul se rendeu em 1865.


Rendição dos confederados


A Guerra Civil Americana é considerada a primeira guerra moderna por duas razões: nela foram utilizados pela primeira vez navios encouraçados e armas de técnica avançada, como fuzis e revólveres; a luta teve caráter geral, voltando-se não apenas para aniquilar o exército adversário, mas também para destruir todos os recursos e comunicações do inimigo. Com 600 mil mortos, esse foi o conflito com o maior número de vítimas na história do continente.



Artilheiros do exército da União e da artilharia pesada de Nova York posicionados em uma fortificação na Virgínia, instalada para defender Washington, a capital. Foto de 1862. Entre as armas usadas pelo exército, estavam os canhões, que eram abastecidos com diferentes tipos de projéteis (localizados ao lado do soldado sentado).


Segregação racial


Segregação racial é a exclusão política, social, econômica e geográfica baseada na etnia. Esse tipo de exclusão causa sérios problemas de desigualdade social. Ouça o texto abaixo! A segregação racial consiste na separação de determinado grupo social por conta de suas características físicas, seu fenótipo.


A abolição da escravidão e a vitória da União, antiescravista, na Guerra Civil Americana não garantiram aos negros do país a conquista da cidadania.


Definição de cidadania


Os ex-escravizados dependiam do acesso à educação, da aquisição de terras e do direito ao voto para conseguir atuar como cidadãos. Porém, os democratas, muito fortes no sul, lutavam contra esses direitos; e os republicanos moderados, que estavam no governo do país, pensavam que o fim da escravidão já tinha sido suficiente. Prevalecia em todo o país a ideia de que a “raça negra” era inferior.


Exemplo de segregação racial nos Estados Unidos.


Os Estados Unidos, especialmente o sul do país, tornaram-se cada vez mais segregacionistas. Negros e brancos não podiam conviver em espaços públicos, a não ser nos locais de trabalho. A política de segregação chegou ao extremo na década de 1870, quando alguns estados da federação aprovaram as Leis Jim Crow, proibindo, por exemplo, que negros e brancos frequentassem os mesmos restaurantes, estações de trem, escolas, barbearias, banheiros, entre outros espaços públicos. Essas leis só foram revogadas na década de 1960.



As chamadas leis Jim Crow, em vigor desde a reconstrução pós-Guerra Civil, exigiam a separação das raças nos ônibus, restaurantes e locais públicos no sul dos EUA. A segregação racial legalmente sancionada excluía os negros de vários trabalhos e e impedia de morar em certos bairros no norte.

Um exemplo da intolerância racial nos Estados Unidos foi a fundação, em dezembro de 1865, da Ku Klux Klan (KKK), associação secreta criada por veteranos do exército confederado insatisfeitos com os rumos do país e, principalmente, com o fim da escravidão.



Ku Klux Klan (também conhecida como KKK ou simplesmente "o Klan") é o nome de três movimentos distintos dos Estados Unidos, passados e atuais, que defendem correntes reacionárias e extremistas, tais como a supremacia branca, o nacionalismo branco, a anti-imigração e, especialmente em iterações posteriores, o nordicismo, o anticatolicismo e o antissemitismo, historicamente expressos através do terrorismo voltado a grupos ou indivíduos aos quais eles se opõem. Todos os três movimentos têm clamado pela "purificação" da sociedade estadunidense e todos são considerados organizações de extrema-direita.

Racista e terrorista, a KKK pregava a supremacia branca e colocava-se como a defensora da moral cristã e da ordem social dominada pelos brancos. Seus membros promoviam atentados contra a população negra, além de atacar judeus, chineses, brancos que apoiavam os direitos dos negros e outros grupos considerados inferiores pela organização. Por promover linchamentos e assassinatos, a organização foi declarada terrorista e banida do país.



Parada da Ku Klux Klan em Washington DC, nos Estados Unidos, em 1926. Mesmo proibida, a KKK continuou crescendo no país até a Segunda Guerra Mundial, com a conivência de muitas autoridades e empresários.


A expansão territorial dos Estados Unidos


Expansão do território dos EUA


A expansão dos Estados Unidos para além do território original das treze colônias começou ao final da guerra de independência, quando o país adquiriu da Grã-Bretanha uma grande faixa de terra a oeste dos Montes Apalaches. No início do século XIX, o território estadunidense se ampliou com a anexação da Louisiana, comprada da França, e da Flórida, comprada da Espanha.


A contínua expansão dos Estados Unidos em direção ao oeste logo atingiu a fronteira com o México. Independente desde 1821, o México tinha um extenso território, grande parte dele habitado por povos indígenas. Na década de 1820, interessado em impedir o avanço de grupos indígenas nas terras do Texas, o governo mexicano autorizou a fixação de colonos estadunidenses na região.


A colônia do Texas cresceu e prosperou. Porém, na década de 1830, o governo mexicano tomou medidas para estabelecer um regime centralista no país, revogando a autonomia dessa região. A medida incitou os colonos do Texas a se rebelar. Com o apoio de tropas mercenárias dos Estados Unidos, eles conquistaram a independência em 1836 e proclamaram a república. O presidente mexicano, detido, foi obrigado a reconhecer a independência do Texas.


Os colonos americanos não aceitavam obedecer a algumas determinações do governo mexicano, tais como libertação dos escravos, conversão ao catolicismo e pagamento de determinados impostos. Esses atritos levaram os colonos a organizarem-se contra o governo mexicano e pela independência do Texas.


A contínua expansão do território dos Estados Unidos e a independência do Texas, conduzida por colonos, contribuíram para a difusão, no país, de uma ideologia que afirmava que os estadunidenses eram o povo eleito por Deus para expandir seu domínio em direção às terras do oeste. Essa ideologia foi formalizada pela primeira vez em um artigo assinado pelo jornalista John O’Sullivan, em 1845, no qual ele empregava o termo Destino Manifesto para defender a anexação do Texas como direito legítimo dos Estados Unidos.



Destino Manifesto foi a crença dos americanos de que deveriam expandir o território das Treze Colônias para o oeste com o intuito de levar a civilização para outras regiões. Por meio do Destino Manifesto, os americanos iniciaram caravanas para ocupar o oeste da América.

Para os mexicanos, contudo, o Texas pertencia ao México. As tensões entre os dois países se agravaram em 1845, quando um plebiscito no Texas aprovou sua incorporação aos Estados Unidos. Em seguida, um destacamento do exército estadunidense ocupou uma área do Texas que ia além dos limites definidos em 1836. Esse acontecimento foi o ápice para que o México declarasse guerra aos Estados Unidos, em março de 1846. O conflito foi marcado por sucessivas vitórias estadunidenses. Em 1847, a Cidade do México foi ocupada.


A Guerra Mexicano–Americana, também conhecida como Guerra Estados Unidos-México ou Guerra México/EUA, foi o primeiro grande conflito impulsionado pelas ideias do Destino Manifesto, ou seja, a crença de que os Estados Unidos tinham o direito, dado por Deus, de expandir suas fronteiras por toda a América, civilizando-a. O conflito se deu entre Estados Unidos e México, entre 1846 e 1848, e teve enormes consequências para o futuro das nações envolvidas. Com a intervenção, os Estados Unidos ampliaram o seu território em cerca de um quarto (25%), enquanto México perdeu aproximadamente metade do seu (50%)


Com o tratado que pôs fim à guerra, o México cedeu aos Estados Unidos os territórios de Nevada, Utah, Novo México, Arizona, o oeste do Colorado e a Alta Califórnia, onde, até hoje, as principais cidades possuem nomes espanhóis: Los Angeles, San Francisco, San Diego e Sacramento. Com a vitória sobre o México e a negociação com os britânicos sobre o Óregon, em 1846, os Estados Unidos completaram os limites continentais de seu território.


A formação dos Estados Unidos (século XIX)

Fonte: National Atlas of the United States. Disponível em <http://mod.lk/y5opv>. Acesso em 17 jul. 2018.


O massacre indígena


Em 1864, uma batalha entre militares americanos e nativos resultou em um ataque cruel — que vitimou, em maioria, mulheres e crianças https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/na-calada-da-noite-o-esquecido-massacre-de-indios-de-sand-creek.phtml

Desde o início do século XIX, vários grupos indígenas haviam se deslocado de suas terras originais em direção ao oeste dos Estados Unidos, pressionados pelas constantes invasões de suas terras, ora por agentes do Estado, ora por exploradores e agricultores.


Em maio de 1830, o então presidente Andrew Jackson sancionou o Ato de Remoção Indígena (Indian Removal Act). A lei autorizava o governo dos Estados Unidos a remover os povos indígenas de suas terras originais, obrigando-os a se estabelecer em reservas indígenas criadas em regiões muito distantes da costa leste, a oeste do Rio Mississípi.


O Indian Removal Act foi assinado em lei em 28 de maio de 1830, pelo presidente dos Estados Unidos, Andrew Jackson. A lei autorizou o presidente a negociar com tribos nativas americanas do sul para sua remoção para território federal a oeste do rio Mississippi em troca do assentamento branco de suas terras ancestrais.

Os indígenas resistiram à decisão do governo estadunidense com as armas que possuíam e lutaram na Justiça para reivindicar o direito às suas terras ancestrais, mas não obtiveram sucesso.


Nesse deslocamento forçado, os indígenas cruzaram a pé uma distância de mais de 1.500 quilômetros. Essa experiência dramática foi marcada por resistência, fome, sofrimento e morte, processo traumático que os cherokees traduziram na expressão The Trail of Tears (A Trilha das Lágrimas), ainda viva na memória coletiva. A situação dos povos indígenas, no entanto, se tornaria ainda mais difícil com a expansão para o este. 


O Caminho das Lágrimas foi o nome dado pelos nativos às viagens de recolocações e migrações forçadas, impostas pelo governo dos Estados Unidos da América aos diversos povos indígenas que seriam reunidos no chamado "Território Indígena", consoante à política de remoção indígena. 

Ao terminar o século XIX, em relação à dimensão territorial das treze colônias, os Estados Unidos contavam com um território onze vezes maior. Passou também por um intenso crescimento demográfico, em razão principalmente da imigração de europeus: de 5 milhões de habitantes, em 1780, para 23 milhões, em 1850. 


Veja a aula Segunda Revolução Industrial (parte da migrações ultramarinas) 

https://historiaecio.blogspot.com/2023/12/segunda-revolucao-industrial.html

Analise os fatores que incentivaram a ida de europeus para os EUA ao longo do século XIX.


Visando promover a ocupação do oeste, em 1862 o Congresso dos Estados Unidos promulgou o Homestead Act. Por meio desta lei, o governo concedia um lote de terra para qualquer família ou cidadão maior de 21 anos que estivesse disposto a migrar para a região e cultivar as terras recebidas durante um prazo mínimo de cinco anos. 



A Lei da Propriedade Rural foi uma lei federal americana criada pelo presidente Abraham Lincoln no dia 20 de maio de 1862. Para atrair imigrantes, o governo federal dos EUA decretou, em 1862, o Homestead Act, que definia a posse de uma propriedade com 160 acres a quem a cultivasse por cinco anos.

Nesse processo, no entanto, princípios consagrados pela Revolução Americana, como a liberdade e a igualdade dos homens perante a lei, foram colocados de lado. De forma bastante violenta, muitas terras habitadas pelas populações indígenas foram tomadas, levando à dizimação da maioria desses povos.



Indígenas hopi na aldeia Oraibi, estado do Arizona (EUA), em foto de 1903. Fundada por volta de 1100, a aldeia Oraibi, segundo os arqueólogos, é uma das mais antigas povoações indígenas habitadas continuamente nos Estados Unidos.


A política imperialista dos Estados Unidos

Influencia e dominação estadunidense 


“A América para os americanos”. Esse conhecido lema sintetiza as ideias da Doutrina Monroe, lançada em 1823 em um discurso proferido pelo então presidente dos Estados Unidos James Monroe. As ideias dessa doutrina foram elaboradas durante a Restauração conservadora na Europa, que se seguiu à queda de Napoleão e à realização do Congresso de Viena.


A ideologia da doutrina estava baseada em três princípios básicos: a impossibilidade de criação de novas colônias ao longo do continente, intolerância à interferência de nações europeias em questões internas e a não participação norte-americana em conflitos envolvendo países europeus.

A Doutrina Monroe expressava, por um lado, uma política defensiva dos Estados Unidos diante de qualquer tentativa das potências europeias de recolonizar o país. Por outro lado, essa doutrina já continha, de forma embrionária, a ideia de que os Estados Unidos tinham o direito de conquistar as terras indígenas e de impor sua influência sobre os povos latino-americanos.



Doutrina Monroe 01 - Expansão territorial dos EUA conquistando as terras dos povos nativos.



Doutrina Monroe 02 - Influenciar e dominar outros territórios ao longo do continente americano. "América para estadunidenses".


A justificativa teórica para esse direito foi encontrada na religião, com a ideologia do Destino Manifesto. Sob a influência da teoria calvinista da predestinação, os estadunidenses se apresentavam como o povo eleito de Deus para levar a civilização e o cristianismo protestante aos povos indígenas e católicos da América.


Bad Religion - American Jesus (Legendado)

https://www.youtube.com/watch?v=7AikVQiwPls


Assim, com motivações econômicas e justificativas religiosas, a expansão territorial dos Estados Unidos continuou após a conquista dos territórios mexicanos. Ela só foi interrompida durante a Guerra de Secessão; mas, terminado o conflito, foi logo retomada e impulsionada.


Em 1867, os Estados Unidos compraram o Alasca da Rússia. Em 1898, anexaram o Havaí e se envolveram na guerra pela independência de Cuba. O objetivo era impedir que a Grã-Bretanha, com o fim do Império Espanhol na América, ampliasse seu poder na região. Vencida, a Espanha reconheceu a independência de Cuba e entregou as Filipinas e Porto Rico aos Estados Unidos. Cuba se tornou uma espécie de protetorado estadunidense.



EUA expandindo seus territórios e sua influência sobre a América Latina


No início do século XX, a Doutrina Monroe foi reformulada com a declaração do corolário Roosevelt. O nome surgiu de uma mensagem do presidente Theodore Roosevelt ao Congresso dos Estados Unidos, em 1904, em que defendia o direito de o país promover intervenções armadas nos países da América Latina em nome da civilização, da estabilidade e da ordem.



Charge de Louis Darlymple, de 1905, que satiriza a política dos Estados Unidos em relação à América Latina. No centro, o presidente Theodore Roosevelt segura um grande porrete.


Próxima Aula

A Primeira Guerra Mundial (parte 01)

Primeira Guerra Mundial 1914 - 1918 (antecedentes e os conflitos da Frente Ocidental)

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República Velha (1889 - 1930) República de Espada (1889 - 1894) e República do Café com Leite (1894 - 1930)

A República Velha (1889-1930): Das Espadas ao Café com Leite O que é uma República?  República, do latim "res publica"...