domingo, 15 de outubro de 2023

Império romano (parte 01) Início e suas principais características

Império romano (27 a.C. - 476 d.C) - Aula 01 (Início e suas principais características).


3º período da história antiga de Roma (1º Monarquia romana e 2º República romana).

O Império Romano é considerado o maior civilização da história ocidental. Durou cinco séculos: começou em 27 a.C. e terminou em 476 d.C.

Estendia-se do Rio Reno para o Egito, chegava à Grã-Bretanha e à Ásia Menor. Assim, estabelecia uma conexão com a Europa, a Ásia e África.

No sistema político de império, o poder político estava concentrado na figura do imperador. O Império Romano começou com Otaviano Augusto e terminou com Constantino XI. O Senado servia para apoiar o poder político do imperador.


O império sucedeu à República Romana. Com o novo sistema, Roma, que era uma cidade-estado, passou a ser governada pelo imperador.


Foi em seu início que o império conquistou a maior parte do poder. Até 117 d.C., ao menos 6 milhões de quilômetros quadrados estavam sob o domínio do império romano.

Sob o domínio do Império Romano viviam entre 50 e 60 milhões de habitantes. Roma, nessa fase, foi habitada por 1 milhão de habitantes.

Entre os pontos fundamentais para o sucesso do império estava o exército, que era profissional e atuava como uma legião. Sob o comando de astutos generais, Roma expandiu o poderio ao Mediterrâneo.


Características do império romano

Essencialmente comercial;

Escravizava os povos conquistados;

O controle das províncias era feito por Roma;

Politeísta;

O governante tinha cargo vitalício;

A extensão territorial era obtida por conquistas ou golpes militares.


Surgimento do Império Romano

Uma das estórias sobre a fundação de Roma é a célebre lenda dos irmãos gêmeos, Rômulo e Remo, que viveram em 753 a.C.

Segundo historiadores, Roma surgiu a partir de um grupamento de pastores que viviam às margens do Rio Tigre. É essa a região geográfica que corresponde hoje à Itália.

No decorrer do século VI a.C., Roma ficou sob a direção dos etruscos, de origens gregas. A liberdade foi conquistada gradualmente, quando se transformou numa cidade-estado onde a forma de poder exercida era a monarquia.

Com as constantes desavenças entre os reis, os romanos experimentaram a república, entre 509 a.C. e 30 a.C. Nesta época, Roma passou a exercer forte poder colonial, político e militar.


Triunviratos

O governo de Roma ainda ficou fortalecido por uma estratégia de gestão que passou à história como triunviratos.

O triunvirato é a gestão formada por três integrantes. A formação do primeiro deles em Roma ocorreu em 59 a.C. e contava com Júlio César, Pompeu e Marco Crasso.

Em certo momento, os três entraram em guerra e César os venceu. Júlio César tornou-se o primeiro governante individual de Roma.

O segundo triunvirato foi formado por Octávio, Lépido e Marco Antônio, também terminou com uma guerra civil em 31 a.C. Otávio venceu e passou a governar Roma.

É nesse ponto que surge o Império Romano, em 27 a.C. e que vai até 476 d.C. Também é considerada a fase de maior prosperidade e expansão do império, na chamada dinastia Júlio-Claudiana.


O governo de Augusto e a pax romana

O imperador Otávio Augusto (também conhecido como César Augusto) governou os territórios romanos durante cerca de 40 anos, concentrando todos os poderes em suas mãos. As instituições republicanas de Roma continuaram existindo, mas o imperador tinha o poder de vetar leis, nomear os magistrados e comandar o exército.

A habilidade administrativa de Augusto inaugurou o período conhecido como pax romana (paz romana), que se estendeu até o final do século II. As guerras de conquista não foram interrompidas nesses anos, mas o principal objetivo dos imperadores romanos foi a proteção das fronteiras e a repressão das revoltas populares.

Uma complexa rede de estradas pavimentadas se expandiu pelo império para facilitar a circulação de correspondências, produtos e soldados. A Península Itálica, centro do império, enriqueceu ao receber mão de obra e matérias-primas das províncias e exportar para elas vinhos, azeite, cerâmicas, objetos de metal e outros artigos.

Os sucessores de Augusto, procurando associar a riqueza de Roma à sua própria imagem, embelezavam a cidade com praças, aquedutos e arcos do triunfo. Estes últimos eram monumentos construídos para celebrar uma vitória, geralmente militar, e homenagear o general que a comandou. 

Além disso, o Fórum, centro da vida pública romana, ganhou novos edifícios, e os mais antigos foram remodelados.


Os centros de lazer

Os imperadores romanos também se preocuparam em mandar construir diversas áreas de lazer para a população, como termas, circos e anfiteatros. As atividades realizadas nesses locais eram gratuitas, e na entrada era distribuído pão ao povo. Essa política, conhecida como “pão e circo” e que tem raízes na república romana, visava oferecer alimento e diversão às camadas populares a fim de acalmar seus ânimos e tentar diminuir as revoltas. 

Nos circos e anfiteatros, eram realizados diferentes espetáculos de entretenimento. Destacavam-se as corridas de quadrigas e as lutas de gladiadores, que eram geralmente escravos. Os patrícios patrocinavam os eventos, em busca de popularidade e ostentação de sua riqueza. Muitos plebeus e escravos preenchiam as plateias dos anfiteatros para torcer pelos lutadores.

O espetáculo se iniciava com o desfile dos gladiadores, que entravam na arena saudando o imperador; em seguida, travava-se o combate. A “luta boa” era a que se encerrava com a morte de um gladiador. Terminado o confronto, os escravos arrastavam os corpos com ganchos e trocavam a areia ensanguentada por areia limpa.

O maior local de espetáculos era o Anfiteatro Flaviano, mais conhecido como Coliseu, construído em Roma entre 72 e 80 d.C. As arquibancadas do edifício estavam divididas conforme a posição social do indivíduo: o primeiro andar era reservado ao imperador, aos senadores e aos cônsules; o segundo acomodava a aristocracia rural; restava para o povo as fileiras do alto. Havia, ainda, uma área exclusiva para mulheres, localizada no topo.


A romanização cultural

A cultura romana se estendeu por várias regiões. Em geral, o governante romano de cada província procurava organizá-la espelhando-se nas instituições, no ensino, na arquitetura e nas artes de Roma. Veja alguns exemplos.

Língua latina. Os romanos criaram escolas nas províncias para os filhos das elites locais, onde aprendiam latim, gramática, retórica, cálculo e política. O latim vulgar, falado pelos colonos e soldados nas províncias, misturou-se às línguas das populações dominadas, o que deu origem às línguas neolatinas: francês, português, espanhol, italiano etc.

Instituições romanas. Os governantes estabeleciam nas províncias instituições similares às romanas (magistrados, assembleias, Senado, exército, sistema de impostos, legislação), o que explica o fato de essas instituições terem se espalhado por todo o mundo ocidental.

Arquitetura. Inspirada nos modelos grego e etrusco, a arquitetura romana ficou famosa pela grandiosidade de seus templos, anfiteatros, aquedutos, pontes e estradas. Seu estilo expandiu-se pelos territórios conquistados e ainda hoje está presente em muitas construções do Ocidente.

Os povos conquistados, porém, não ficaram passivos à dominação cultural romana. Por meio da resistência e da negociação, eles mantiveram costumes da sua cultura, a exemplo do monoteísmo do povo judeu e do culto à corça dos iberos. E, quando incorporaram costumes e instituições romanos, fizeram à sua própria maneira, adaptando-os à realidade local.

Além disso, os romanos também absorveram elementos culturais dos povos dominados, como o culto às divindades gregas, que receberam novos nomes, e aos deuses egípcios Ísis e Osíris.


O calendário juliano

Você sabia que as palavras que usamos para nomear os dias da semana, os meses do ano e o próprio calendário são originárias do latim e da cultura romana antiga?

O calendário romano mais antigo foi elaborado ainda na época monárquica. Mas ele não era muito preciso, pois apresentava um descompasso com o ano solar, que tem como base o movimento de translação da Terra. Com o passar dos anos, essa diferença foi se acumulando. Assim, as datas dos festivais religiosos, as estações do ano, o início do plantio e da colheita, por exemplo, passaram a não coincidir mais com o calendário romano, causando uma grande confusão na vida cotidiana das pessoas.

Quando o general Júlio César se tornou ditador (século I a.C.), ele decidiu reformar o calendário. Para dirigir essa tarefa, César convidou o astrônomo Sosígenes, da cidade de Alexandria.

O calendário juliano entrou em vigor em 45 a.C. O ano passou a ter 365 dias e seis horas e foi dividido em 12 meses, com 31 e 30 dias intercalados, à exceção de fevereiro, que tinha 29 dias. Para o novo calendário coincidir com o ano solar, acrescentou-se, a cada quatro anos, um dia ao mês de fevereiro. Surgiu assim o ano bissexto.

Mais tarde, sob César Augusto, o oitavo mês foi renomeado de agosto em sua homenagem, e passou de 30 para 31 dias. O dia adicionado ao mês de agosto foi retirado de fevereiro, que passou a ter 28 dias.


Foto do quadro - Aula 01


Foto do quadro - Aula 02

sexta-feira, 6 de outubro de 2023

Inglaterra na liderança da economia europeia (inovações na agricultura e os ingleses no tráfico negreiro)

 A Inglaterra na liderança da economia mundial


O poderio da Inglaterra


As viagens marítimas europeias tiveram como resultado a conquista e a colonização do continente americano e a formação de uma rede de comércio que integrou diferentes regiões do planeta em um mercado mundial. A Inglaterra foi um dos reinos europeus que mais se beneficiaram da expansão comercial ocorrida com as viagens atlânticas.


No reinado de Elizabeth I, vimos que os ingleses conquistaram possessões na América e na África, que foram essenciais para a obtenção de matérias-primas e a expansão de seu mercado consumidor. As embarcações inglesas também atuavam no tráfico atlântico de escravizados, que ligava o continente africano à América, gerando lucros significativos para os comerciantes britânicos.


A economia inglesa também foi impulsionada pelos Atos de Navegação, aprovados no governo republicano de Oliver Cromwell, lei que fortaleceu a marinha mercante do país e ajudou a fazer da Inglaterra a maior potência naval do mundo. Além disso, a burguesia consolidou seu poder na política inglesa após as revoluções do século XVII, transformando seus interesses nos principais objetivos do governo inglês: a busca do lucro e o estímulo ao desenvolvimento econômico.


Inovações agrícolas


As transformações nas áreas rurais também impulsionaram o crescimento econômico da Inglaterra. A política dos cercamentos promoveu a expulsão dos camponeses das antigas terras comunais e a migração de grande parte deles para as cidades. Com isso, surgiu nos centros urbanos um grande contingente de mão de obra disponível e barata, que seria, futuramente, usada nas nascentes fábricas inglesas. 


Além disso, os novos proprietários das terras cercadas, visando produzir para um grande mercado, promoveram a modernização da agricultura inglesa. A difusão do sistema trienal de cultivos, por exemplo, permitiu disponibilizar mais alimentos para as ovelhas. Elas forneciam o adubo natural para manter a fertilidade do solo. Outras inovações foram o confinamento do gado, que resultou no aumento de peso do animal, e a aração profunda, que deixava o solo mais bem preparado para o cultivo. 


Essas mudanças possibilitaram o aumento da produção agrícola, necessário para alimentar uma população em constante crescimento, sobretudo nas cidades. Elas também contribuíram para que a Inglaterra conquistasse o comércio mundial, impulsionasse sua primitiva indústria de algodão e promovesse a mecanização da produção têxtil.


Ingleses no tráfico negreiro


A Inglaterra teve uma ampla participação no tráfico negreiro transatlântico, tendo atuado nele tanto de maneira direta como indireta. Além de transportar africanos escravizados em embarcações britânicas, a potência explorava trabalhadores escravizados em suas colônias americanas, abastecia traficantes de outros países com produtos utilizados no escambo de cativos na África e financiava expedições escravistas.


Até 1807, quando o Parlamento britânico proibiu o tráfico negreiro, os ingleses atuaram no tráfico atlântico de escravizados por meio do sistema triangular. Nesse esquema, comerciantes britânicos trocavam na África Ocidental produtos manufaturados, principalmente tecidos de algodão, por escravos. Depois, transportavam esses escravos para as colônias britânicas na América, sobretudo a Jamaica e o sul das treze colônias, onde eram comercializados.


Depois de 1807, a participação dos ingleses no tráfico negreiro continuou de forma indireta, mas não menos lucrativa. Eles se transformaram nos principais fornecedores de artigos industrializados para o escambo de escravizados na África. Armas de fogo e tecidos de algodão eram os artigos mais cobiçados. Casas comerciais britânicas estavam espalhadas pelos principais pontos de desembarque de escravos na América para facilitar as transações comerciais entre britânicos e traficantes europeus, estadunidenses e brasileiros.


Súditos britânicos também financiavam viagens de navios negreiros de outros países; ricos empresários tinham ações em companhias de mineração em Cuba e no Brasil que empregavam trabalhadores escravizados; companhias inglesas forneciam algemas, armas de fogo e pólvora utilizadas pelos traficantes nas arriscadas viagens escravistas pelo Atlântico. Documentos da época fazem referência às boas relações dos comerciantes britânicos com traficantes de escravizados do Rio de Janeiro e da Bahia. 


O amplo envolvimento do capital britânico no tráfico transatlântico era frequentemente denunciado por sociedades antiescravistas inglesas, que cobravam da Coroa e do Parlamento medidas efetivas para punir os envolvidos. Autoridades e traficantes dos Estados Unidos e do Brasil também se queixavam do governo britânico, que perseguia e capturava embarcações escravistas de outros países, mas tolerava a participação dos seus súditos no comércio de africanos escravizados. Os interesses econômicos ingleses pareciam se sobrepor às questões humanitárias.



quarta-feira, 4 de outubro de 2023

Revoluções Inglesas do século XVII (Revolução Puritana e Revolução Gloriosa)

Revoluções Inglesas do século XVII 


Revoluções Inglesas (Revolução Puritana e Revolução Gloriosa)


A era da dinastia Tudor

A dinastia Tudor governou a Inglaterra do final do século XV até o início do século XVII. Nesse período, a Inglaterra passou por grande desenvolvimento econômico e transformações políticas. Mesmo com um Parlamento atuante, os reis dessa dinastia conseguiram fazer alianças e impor suas decisões a todas as camadas sociais e grupos religiosos do país. Com eles, a autoridade da Coroa ganhou força, e a Inglaterra tornou-se uma potência comercial e marítima.


Os principais governantes da dinastia Tudor foram Henrique VIII (1491-1547) e sua filha Elizabeth I (1533-1603). Henrique VIII assumiu o trono em 1509 e teve papel importante ao romper com a Igreja Católica. Em 1534, ele fez o Parlamento votar o Ato de Supremacia, que o proclamou chefe supremo da Igreja inglesa, conhecida como Igreja Anglicana. Os bens da Igreja Católica na Inglaterra foram confiscados pela Coroa e vendidos a nobres e burgueses do reino.


O governo da rainha Elizabeth I

Com a rainha Elizabeth I, o absolutismo inglês chegou ao auge. Seguindo os passos do pai, ela conseguiu fortalecer a autoridade real. Controlou a disputa política e religiosa entre católicos e protestantes, estabeleceu boas relações com o Parlamento e conseguiu fazer da Igreja Anglicana uma igreja nacional, o que reforçou a unidade do país.


Para superar as dificuldades econômicas em que a Inglaterra se encontrava, Elizabeth I também procurou desenvolver o comércio e a indústria naval. Seguindo a lógica da política mercantilista, ela estimulou a produção de manufaturas, com o objetivo de diminuir as exportações. Além disso, fez da navegação a base do forte crescimento econômico de seu reinado, por meio da conquista de colônias e da pirataria. 


Após derrotar a Invencível Armada espanhola, em 1588, a Inglaterra tornou-se a maior potência marítima do mundo. Assim, os ingleses conquistaram valiosas colônias ultramarinas na América e na África, das quais obtinham matérias-primas. Essas regiões também eram as principais consumidoras dos produtos manufaturados ingleses, principalmente tecidos.


A expansão marítima inglesa favoreceu a grande burguesia, que acumulou fortunas com a exploração comercial e a pirataria. Os grandes burgueses também foram beneficiados pela concessão de monopólios, que lhes dava o direito exclusivo de fabricar ou comercializar determinados produtos.


Foi também durante o governo de Elizabeth I que houve um expressivo crescimento populacional e o aumento das desigualdades entre ricos e pobres, com um número cada vez maior de soldados feridos, trabalhadores têxteis sem ocupação e lavradores sem-terra (veja o boxe da página seguinte). O aumento do preço dos alimentos e uma série de colheitas ruins provocaram fome entre os mais pobres. Diante desse quadro, entre 1572 e 1601 foram aprovadas leis e taxas com a finalidade de angariar fundos para socorrer a população miserável e fornecer materiais como ferro, lã e linho para que os desempregados pudessem trabalhar.


A prosperidade da Era Tudor

Os reis da dinastia Tudor conseguiram governar de forma absoluta graças à prosperidade econômica da Inglaterra. O desenvolvimento das manufaturas, a política mercantilista e a pirataria realizada sobre os navios estrangeiros enriqueceram mercadores, donos de manufaturas e prestadores de serviços. Esses burgueses ricos apoiavam a monarquia, que em troca os beneficiava com a concessão de monopólios comerciais geradores de altos lucros.


No período Tudor surgiu também uma camada de proprietários rurais conhecida como gentry. Oriundos da pequena nobreza, esses novos proprietários entraram em cena com a aquisição de terras confiscadas da Igreja Católica pelo rei Henrique VIII. Ao contrário da grande aristocracia de sangue, de origem feudal, a gentry tinha uma mentalidade capitalista, visando produzir para os mercados interno e externo. Com essa perspectiva, as terras dessa nova nobreza foram destinadas principalmente à criação de ovelhas, que forneceriam lã para as manufaturas de tecidos.


A grandeza econômica da Era Tudor foi favorecida ainda pela habilidade com que seus reis negociaram com o Parlamento. A monarquia inglesa não só deixou de ser alvo de ataques como também recebeu relativo apoio dessa instituição, que representava diferentes setores da sociedade inglesa.


A prática dos cercamentos

Na Inglaterra do século XVI, além das propriedades particulares, havia as chamadas terras comunais. Embora pertencessem a um senhor, essas terras eram utilizadas de maneira coletiva por pessoas mais pobres, que lá pastoreavam animais, pescavam e obtinham lenha.


A partir do século XVI, as terras comunais passaram a ser cercadas por particulares, interessados principalmente em ampliar a criação de ovelhas, que fornecia a matéria-prima essencial para o próspero comércio de tecidos. Propriedades desse tipo espalharam-se pelo território inglês a partir do século XVIII, quando o governo acelerou a política de cercamentos, como ficou conhecida essa prática. 


Os cercamentos causaram um forte impacto social no país. A maior parte dos camponeses, expulsos das terras, passou a vagar sem rumo pelas estradas e florestas ou migrou para as cidades em busca de trabalho. 


A dinastia Stuart

A morte da rainha Elizabeth I, em 1603, encerrou a dinastia Tudor. Sem herdeiros diretos, o trono inglês foi assumido por um primo da monarca, Jaime VI da Escócia. Membro da família Stuart, ele assumiu o trono da Inglaterra como Jaime I, iniciando assim uma nova dinastia.


Jaime I reinou de maneira absolutista, segundo a teoria francesa do direito divino dos reis, colocando-se como um representante de Deus. Durante seu governo, adotou medidas religiosas, econômicas e políticas que desagradaram boa parte da população e geraram diversas crises entre a Coroa e o Parlamento.


Os conflitos da Era Stuart

Os conflitos políticos e sociais que levariam à revolução na Inglaterra também tinham uma face religiosa. Em geral, os novos burgueses e os membros da gentry eram puritanos ou presbiterianos, que não tinham os benefícios dos monopólios reais concedidos aos anglicanos. Descontentes com os privilégios das companhias de comércio protegidas pela Coroa, os novos burgueses passaram a defender um governo menos autoritário e que interferisse menos na economia. 


O primeiro conflito importante enfrentado pelo rei Jaime I foi a chamada Conspiração da Pólvora, em 1605. Planejado por um grupo de católicos também descontentes com a distribuição de privilégios, o movimento tinha como objetivo provocar a morte do rei por meio da explosão de barris de pólvora escondidos embaixo do Parlamento. A conspiração foi descoberta e todos os envolvidos foram mortos.


Jaime I também enfrentou agitações e revoltas de camponeses que haviam perdido suas terras com os cercamentos e estavam famintos e sem trabalho. Além disso, o monarca criou atritos com o Parlamento ao tentar aumentar o valor dos impostos e criar novas taxas. 


A Revolução Puritana

Após a morte de Jaime I, em 1625, seu filho Carlos I assumiu o trono da Inglaterra. Ele restabeleceu a cobrança de impostos navais sobre as cidades costeiras e impôs aos presbiterianos da Escócia as regras da Igreja Anglicana. O autoritarismo do novo governante agravou os conflitos entre a Coroa e o Parlamento. 


Em 1642, o rei mandou invadir o Parlamento, provocando uma guerra civil no país. Do lado do rei estava a alta nobreza, católica e anglicana. Ao lado do Parlamento, se colocaram os pequenos proprietários de terra, a pequena nobreza rural (gentry), a nova burguesia mercantil e os donos de manufaturas, a maior parte presbiterianos. Eles eram apoiados ainda pelos grupos mais radicais, formados pelos setores excluídos da sociedade, que lutavam por democracia política, pela organização dos pobres em comunidades coletivas, pelo direito dos camponeses à terra e pela liberdade religiosa. 


Após sete anos de conflito, o exército do Parlamento, comandado pelo puritano Oliver Cromwell, prendeu, julgou e executou Carlos I. A vitória de Cromwell inaugurou a República Puritana. Ele eliminou taxações excessivas, sufocou revoltas internas e aprovou, em 1651, os Atos de Navegação, determinando que as mercadorias negociadas com a Inglaterra só poderiam ser transportadas em navios ingleses ou de países produtores. 


Inicialmente aclamado, Cromwell logo se tornou um ditador e passou a receber críticas até mesmo entre seus apoiadores puritanos. Após sua morte, em 1658, o caminho foi aberto para a restauração monárquica.


Um novo exército (New Model Army)

O exército liderado por Oliver Cromwell ficou conhecido como Exército de Novo Tipo, pois apresentava uma configuração distinta da do exército da Coroa: seus membros, voluntários, eram em sua maior parte pequenos e médios proprietários rurais e comerciantes. Além disso, os soldados eram promovidos de acordo com seus méritos pessoais, independentemente de sua origem, e tinham liberdade para discutir e refletir sobre suas ações.


A Revolução Gloriosa

Em 1660, com Carlos II, a dinastia Stuart voltou ao poder. Simpático à Igreja de Roma, o rei acabou com as leis que restringiam a atuação dos católicos. 


Jaime II, seu irmão e sucessor, tentou restaurar o poder do catolicismo na Inglaterra. As reações dos anglicanos e dos puritanos foram intensas. Em 1688, o Parlamento, apoiado por comerciantes, financistas e proprietários rurais, depôs Jaime II e colocou no trono sua filha Maria e o marido dela, o holandês Guilherme de Orange, ambos protestantes. Esse episódio ficou conhecido como Revolução Gloriosa. 


Em 1689, o poder do Parlamento foi consolidado pela Carta de Direitos (Bill of Rights). Leia a seguir um trecho do documento.


“Considerando que tendo Jaime II abdicado e estando o trono vacante, Sua Alteza, o Príncipe de Orange, ordenou a eleição de deputados para o Parlamento; estes agora reunidos como representantes totais e livres desta nação, declaram: 


01 - Que o pretenso poder de suspender as leis, ou a execução das leis, pela autoridade régia, sem o consentimento do Parlamento, é ilegal. […]

02 - Que o direito de cobrar impostos para o uso da Coroa, com o pretexto de privilégio, sem outorga do Parlamento, é ilegal.

03 - Que é direito dos súditos apelar para o Rei e que todos os obstáculos que lhe forem colocados são ilegais.

04 - Que o recrutamento e manutenção de um exército, em tempo de paz, é ilegal sem o consentimento do Parlamento. […]

05 - Que a eleição dos membros do Parlamento deve ser livre.

06 - Que a liberdade de palavra nos debates e atas do Parlamento não deve ser questionada em nenhuma corte ou lugar fora do Parlamento.”

Bill of Rights (1689). In: Coletânea de documentos históricos para o 1o grau: 5a a 8a séries. São Paulo: Secretaria de Educação/Cenp, 1980. p. 84.


As Revoluções Inglesas, em síntese, resultaram de uma aliança entre a burguesia urbana e a nobreza capitalista rural, a gentry, unidas em torno do Parlamento. Ao assumir o controle do Estado inglês, esses grupos eliminaram as restrições mercantilistas e as barreiras ao avanço dos cercamentos e criaram as condições para o desenvolvimento acelerado do capitalismo na Inglaterra, tanto no campo quanto nas cidades. 



Revoluções Inglesas - Mapa mental


Avaliação sobre esse assunto (Revoluções Inglesas)

https://forms.gle/5KbRHmDtbhEGCzFPA


Próxima aula - A Inglaterra na liderança da economia europeia

https://historiaecio.blogspot.com/2023/10/inglaterra-na-lideranca-da-economia.html

terça-feira, 3 de outubro de 2023

Valores iluministas no mundo contemporâneo

Os valores iluministas no mundo contemporâneo 


Estado laico e organizado em três poderes

A organização política da maior parte dos países atuais mostra o alcance e a capacidade de sobrevivência do pensamento iluminista. Mesmo constantemente renovadas e adaptadas à realidade de cada país, as ideias iluministas forneceram as bases para a organização das democracias contemporâneas.

O Brasil é um bom exemplo. Segundo a Constituição de 1988, o Estado brasileiro está organizado em três poderes, autônomos e complementares: o Poder Executivo (exercido pelo presidente da república, auxiliado por seus ministros); o Poder Legislativo (exercido pelo Congresso Nacional) e o Poder Judiciário (composto pelo Supremo Tribunal Federal e outros órgãos). 


Como vimos, a separação do Estado em três poderes independentes tem origem na teoria de Montesquieu. Em sua obra O espírito das leis (1748), ele propôs um sistema de poder tripartite, em que cada poder, atuando de forma independente, conteria os abusos eventualmente cometidos pelos demais. 


Além de organizado em três poderes, o Brasil é, oficialmente, um Estado laico. Isso significa que, em tese, nenhuma religião deve interferir nas decisões do governo, dos parlamentares ou do judiciário no país. A Constituição brasileira também garante a liberdade de culto aos brasileiros e a obrigação do Estado de proteger as diferentes práticas religiosas no nosso território.


A separação entre Estado e religião e o princípio da liberdade religiosa também têm sua raiz na filosofia da ilustração. Para os iluministas, a razão e não a religião deveria orientar a vida em sociedade. Porém, toda pessoa deveria ser livre para professar sua crença religiosa. Ou seja, eles combatiam a interferência da Igreja na vida pública com o mesmo vigor com que defendiam a liberdade religiosa do indivíduo.


A educação iluminista no mundo atual

Espírito investigativo, elaboração de hipóteses, análise crítica e classificação fazem parte de um conjunto de habilidades necessárias para produzir um conhecimento científico. O desenvolvimento dessas habilidades é um dos principais objetivos das escolas atuais. Isso significa que o ensino praticado na maior parte do mundo tem como referência o método e as teorias científicas.

A defesa de um ensino ministrado em bases científicas, livre da interferência de crenças e dogmas religiosos, foi outra importante elaboração teórica dos iluministas. Segundo eles, a experimentação, a observação e a linguagem matemática deveriam ser aplicadas ao ensino, à política, à economia, ao direito, enfim, a todas as áreas do saber humano. 

Com um currículo orientado pela razão e pela ciência, o ensino, mantido pelo Estado, seria capaz de libertar o homem das superstições e de promover a equidade entre os indivíduos. Como estudamos, as ideias do marquês de Condorcet sintetizam o modelo de ensino defendido pelos iluministas: uma instrução em que a diferença de talentos supere a diferença de riqueza.


O relatório de Condorcet

O marquês de Condorcet, nomeado presidente do Comitê de Instrução Pública na primeira fase da grande revolução na França, apresentou seu projeto de educação à Assembleia Legislativa em abril de 1792. Conheça um trecho desse documento.

“Oferecer a todos os indivíduos da espécie humana os meios (condições) de prover suas necessidades, de assegurar seu bem-estar, de conhecer e de exercer todos os seus direitos, de entender e de cumprir seus deveres. Assegurar a cada um deles a facilidade de aperfeiçoar seu engenho (habilidade), de se tornar capaz das funções sociais às quais ele tem o direito de ser chamado, de desenvolver toda a extensão de talentos (capacidade) que ele recebeu da natureza; e assim estabelecer, entre os cidadãos, uma igualdade de fato, e tornar real a igualdade política reconhecida pela lei. 

Esse deve ser o primeiro objetivo de uma instrução nacional e, sob esse ponto de vista, ela é, para o poder público, um dever de justiça.” 

Rapport de Condorcet [Relatório de Condorcet – 1792]. Disponível em <http://mod.lk/tabhh>. Acesso em 9 jan. 2020.


Os passos do privilégio

Disponível em <http://mod.lk/mwlw2>. Acesso em 16 jul. 2020.

É comum ouvirmos falar que aqueles que mais se esforçam são os que, por mérito pessoal, serão bem-sucedidos no futuro. Mas será que todos têm acesso às mesmas oportunidades? Assista ao vídeo que discute essa questão.


O triunfo da razão e da ciência

Nos últimos séculos, desde a Revolução Industrial na Inglaterra, tecnologias como as da máquina a vapor, ferrovias, automóveis, aviões, antibióticos, vacinas, computadores, internet, drones, entre muitas outras, promoveram grandes transformações nos transportes, nas comunicações, na agricultura, na geração de energia, na qualidade de vida e em várias outras áreas. 

A tecnologia, contudo, não surgiu com a Revolução Industrial. Conhecimentos que resultam do aproveitamento de recursos naturais para facilitar a vida humana existem desde os tempos primitivos. Quando nossos ancestrais criaram instrumentos de pedra para abater animais, dominaram o fogo, domesticaram as primeiras plantas e animais, fabricaram os primeiros objetos de cerâmica ou inventaram a roda estavam desenvolvendo tecnologias para vencer as dificuldades diárias e conseguir sobreviver. 

Porém, foi apenas a partir do século XVIII, com a Revolução Industrial, que o desenvolvimento científico e tecnológico conquistou um lugar central nas pesquisas feitas em países do Ocidente. Como defendiam os iluministas, o conhecimento científico passou a ser utilizado para controlar a natureza a serviço do homem. Pensavam eles que a razão seria capaz de libertá-lo das superstições e das barreiras impostas pela natureza e de promover a felicidade de toda a espécie. 

De fato, quando olhamos à nossa volta, a capacidade humana de manipular a natureza por meio da ciência e da técnica parece não ter fim. O represamento da água dos rios para a construção de hidrelétricas; a aerodinâmica das asas de um avião, que lhe permite vencer a força da gravidade; antibióticos que combatem micro-organismos causadores de infecções; túneis ferroviários submersos ligando territórios separados pelo mar; e o uso do Sol e do vento como fonte geradora de energia são apenas alguns exemplos. As novidades tecnológicas nos surpreendem a cada dia.


O sentido e o preço do progresso

Iluministas como o marquês de Condorcet viam a história da humanidade como uma linha de progresso contínuo. Ela teria começado nos tempos primitivos, conhecido depois uma fase de aperfeiçoamento com os povos do Crescente Fértil, vivido o esplendor da cultura greco-romana, retrocedido na Idade Média e retomado o caminho do progresso na era da ilustração.

O desenvolvimento da ciência e da tecnologia estariam assim cumprindo seu papel histórico de guiar a humanidade pelo caminho da razão a um mundo evoluído, livre e equilibrado. Mais tarde, principalmente a partir do século XX, várias críticas foram feitas a essa visão triunfalista a respeito do potencial da razão e da crença no progresso. Vamos apresentar três delas.

Primeiro, historiadores e pesquisadores de outras disciplinas deixaram de ver a história como uma linha contínua que conduziria a humanidade ao mesmo ponto, a era das luzes. Para eles, a história humana é marcada por rupturas, mudanças, continuidades, idas e vindas. Revoluções, guerras, crescimento de grupos neonazistas na Europa, novidades tecnológicas convivendo com antigos inventos e tradições (internet e rádio, e-book e livro impresso, produção artesanal e produção industrial, entre outros exemplos) mostram que vários caminhos podem ser percorridos, e não há como determinar o que acontece ao longo de cada um deles.

A segunda crítica feita à ideia de progresso dos iluministas é o fato de ela ter como referência a história da Europa. Assim, ao adotar como modelo as conquistas científicas e tecnológicas dos países europeus, as sociedades tradicionais eram vistas como atrasadas ou selvagens. No pensamento iluminista europeu, a tradição oral, mítica e não científica dos povos indígenas da América ou das comunidades africanas era uma marca do seu atraso. Essas ideias, já defendidas pelos intelectuais do Renascimento, ganharam força a partir do iluminismo. 

A terceira crítica ao iluminismo está relacionada aos valores da sociedade industrial que ele ajudou a construir. Ao exaltar o poder da razão e da ciência de explorar a natureza em benefício do ser humano, o objetivo deixou de ser o conhecimento em si. O prazer em conhecer, conviver e aprender com a natureza perdeu sua importância. O que importava agora era conhecê-la e submetê-la aos interesses do progresso econômico e tecnológico. O ser humano, nessa visão, já não era parte da natureza, mas senhor dela.


Saberes tradicionais 

A ciência moderna é uma forma importante de conhecimento, porém não é a única. Desde os tempos mais antigos, diversas sociedades têm construído saberes observando e aprendendo com a natureza. Esse é o caso das comunidades indígenas no Brasil, que conhecem profundamente o ambiente onde vivem: espécies vegetais e animais, suas propriedades específicas, hábitat e ciclos de reprodução. Mas os indígenas e outros povos tradicionais não veem a natureza como um objeto que pode ser explorado e destruído em benefício do ser humano. Por essa razão, as atividades que eles praticam causam poucos impactos à natureza.

“Hoje em dia ninguém questiona o valor geral das intervenções no real propiciadas pela ciência moderna por meio de sua produtividade tecnológica. Mas isso não deve nos impedir de reconhecer intervenções propiciadas por outras formas de conhecimento. [...] há outros modos de intervenção no real que hoje nos são valiosos e para os quais a ciência moderna em nada contribuiu. É o caso, por exemplo, da preservação da biodiversidade possibilitada por formas de conhecimento camponesas e indígenas, que se encontram ameaçadas justamente pela crescente intervenção da ciência moderna. E não deveria nos impressionar a riqueza dos conhecimentos que lograram preservar modos de vida, universos simbólicos e informações vitais para a sobrevivência em ambientes hostis com base exclusivamente na tradição oral?”

SANTOS, Boaventura de Sousa. Para além do pensamento abissal: das linhas globais a uma ecologia de saberes. São Paulo: Novos estudos Cebrap, 2007. Disponível em <http://mod.lk/chmlr>. Acesso em 9 jan. 2020.

segunda-feira, 2 de outubro de 2023

domingo, 1 de outubro de 2023

segunda-feira, 25 de setembro de 2023

O Antigo Regime em crise na Europa - O século das luzes: o iluminismo

O Antigo Regime em crise na Europa - O século das luzes: o iluminismo

A sociedade europeia do Antigo Regime

Na Europa moderna, práticas e costumes feudais conviviam com mudanças profundas na sociedade. Por isso, é comum identificar a época moderna como um período de transição entre a Idade Média e o mundo que surgiu das revoluções burguesas dos séculos XVII e XVIII.


A sociedade europeia desse período, conhecida como Antigo Regime, era hierarquizada e estamental. O clero e a nobreza formavam os estamentos dominantes. Eles eram grandes proprietários de terra e estavam isentos de muitos impostos. O restante da população era formado de camponeses, trabalhadores urbanos e burgueses, que pagavam altos impostos para sustentar o luxo das cortes. Entre os burgueses, havia desde artesãos e pequenos lojistas até banqueiros e proprietários de grandes manufaturas.


A origem de cada indivíduo determinava sua posição na sociedade e seus privilégios. Um nobre nascia com privilégios herdados da família, enquanto um artesão ou um lojista tinha muita dificuldade de enriquecer e conquistar prestígio social. Apesar disso, muitos burgueses enriquecidos conseguiam comprar títulos de nobreza, o que lhes conferia distinção em relação aos demais.


Politicamente, a característica que marcou a Euro- pa moderna foi a centralização do poder na figura do rei. Na França, por exemplo, o fortalecimento do poder real consolidou-se com o absolutismo, regime em que o poder de governar, elaborar leis e fiscalizar o seu cumprimento concentrava-se nas mãos do rei. Na Inglaterra, a tentativa de instaurar um poder absoluto foi uma das principais razões da revolução que eclodiu em 1640.



Nobres franceses representados em gravura de Henri Bonnart, século XVII. Pintor e gravurista francês, Bonnart dedicou-se a retratar os costumes e a vida social da corte francesa do Antigo Regime.


O pensamento iluminista


As reações à sociedade do Antigo Regime aconteceram no campo das ideias e no campo da ação revolucionária. No primeiro caso, os agentes históricos eram pensadores de várias áreas do conhecimento, principalmente filósofos, que faziam parte de um movimento intelectual conhecido como iluminismo ou ilustração.


Apesar das diferenças entre os pensadores iluministas, eles partilhavam pontos em comum: a valorização da razão como principal instrumento do ser humano para compreender a realidade e orientar a vida em sociedade; a crítica ao fanatismo religioso, ao poder da Igreja e aos privilégios da nobreza; e a defesa da liberdade religiosa e das liberdades em geral. Os iluministas pregavam que só era possível conhecer a realidade por meio da investigação, da experimentação e da observação dos resultados das experiências.


Os pensadores iluministas também defendiam que os homens, em seu estado de natureza, deveriam ser livres e iguais. Por essa razão, eles condenavam os privilégios determinados pela condição de nascimento ou familiar, uma das características do Antigo Regime. Porém, os iluministas não tinham a mesma visão sobre a desigualdade entre aqueles que enriqueciam e adquiriam propriedades e aqueles que se mantinham pobres.


O inglês John Locke, por exemplo, defendia que o homem tem o direito de ser livre para prosperar por meio do seu trabalho. O franco-suíço Jean-Jacques Rousseau, com outra visão, afirmava que a desigualdade era fruto do direito à propriedade, que teria sido a origem de todas as guerras, crimes e misérias da história humana. Não vendo como recuperar a igualdade natural perdida, Rousseau propunha a criação de meios para tornar a existência humana mais suportável.


No campo da ação revolucionária, o primeiro choque que abalou as bases do Antigo Regime aconteceu com as Revoluções Inglesas do século XVII. O resultado foi a vitória do Parlamento sobre o absolutismo real, o fim das restrições à liberdade econômica e a instauração da tolerância religiosa. Mas foi na França do século XVIII que o iluminismo atingiu o seu auge. As ideias da ilustração inspiraram os revolucionários de 1789 e se difundiram por outros países e continentes, influenciando a política, a economia, a educação, a cultura e a arte do mundo ocidental.



Gravura do século XVIII representando o filósofo iluminista Voltaire sentado à sua mesa. O termo “iluminismo” originou-se da ideia de que a Europa viveu um longo período de trevas, a Idade Média, resultado do controle da Igreja sobre a cultura e a sociedade. Na visão dos iluministas, só a razão poderia colocar a história humana no caminho da luz


A razão como guia do ser humano


Na visão iluminista, a razão era a única ferramenta de que o ser humano dispunha para compreender e transformar o mundo. Isso significa que, em vez de guiar-se pelas superstições e crenças místicas, os indivíduos deveriam orientar suas vidas de acordo com as ferramentas da ciência. 


Conheça, a seguir, alguns dos principais pensadores iluministas e as ideias que eles defendiam.


John Locke (1632-1704). O filósofo inglês defendia que a liberdade, a felicidade e a propriedade são direitos naturais do homem. Visando proteger esses direitos, os indivíduos estabeleceram um pacto com um corpo político que está acima deles. Em outras palavras, eles aceitaram transferir parte da sua liberdade aos governos, que têm a força coercitiva, em troca de segurança. Os governantes, porém, poderiam ser destituídos caso não correspondessem aos interesses coletivos.

 Charles-Louis de Secondat (1689-1755). O barão de Montesquieu, como ficou conhecido, defendia a liberdade dos indivíduos, que seria assegurada por um conjunto de leis, e a criação de três poderes: o Executivo, o Legislativo e o Judiciário. O primeiro seria responsável pela administração pública, enquanto o segundo criaria as leis e o terceiro teria o poder de julgar os conflitos e aplicar as punições. Segundo ele, essa tripartição coibiria o abuso de poder por parte dos governantes e permitiria maior equilíbrio entre as esferas de poder. Dessa forma, a separação dos poderes impediria o surgimento de regimes despóticos, como o absolutista.

François-Marie Arouet (1694-1778). Conhecido como Voltaire, o filósofo francês criticou em suas obras o absolutismo monárquico, o fanatismo religioso e a Igreja Católica. O autor foi um defensor incansável da liberdade política e da razão como meio de livrar o povo da superstição e da ignorância. Apesar de suas ideias, que o levaram a se exilar na Inglaterra, Voltaire se posicionava a favor da monarquia; não da absolutista, mas sim de um governo monárquico orientado pelos ideais iluministas.

Jean-Jacques Rousseau (1712-1778). Iluminista radical, afirmava que todo governo deveria subordinar-se à vontade soberana do povo, pois o poder pertence ao povo. Também acreditava que o ser humano, naturalmente bom, foi desvirtuado pela sociedade. Um dos caminhos para libertar os homens dos vícios sociais seria a educação. A criança deveria ser educada com liberdade, de acordo com sua própria natureza, para tornar-se um adulto bom.

Na obra Emílio, ou Da educação, uma espécie de romance pedagógico, Rousseau desenvolve sua visão a respeito do papel da educação no desenvolvimento do indivíduo. Segundo ele, crianças educadas com liberdade e constantemente estimuladas com perguntas crescem felizes, boas e capazes de questionar o mundo. 


“Amai a infância; favorecei suas brincadeiras, seus prazeres, seu amável instinto. Quem de vós não teve alguma vez saudade dessa época em que o riso está sempre nos lábios, e a alma está sempre em paz? Por que quereis retirar desses pequenos inocentes o gozo de um tempo tão duro que lhes foge, e de um bem tão precioso, de que não poderiam abusar? Por que quereis encher de amargura e de dores esses primeiros anos tão velozes, que não mais voltarão para eles, assim como não voltarão para nós? [...] fazei com que, a qualquer hora que Deus os chamar, não morram sem ter saboreado a vida.”


ROUSSEAU, Jean-Jacques. Emílio, ou Da educação. In: SOËTARD, Michel (Org.). Jean-Jacques Rousseau. Brasília: MEC; Recife: Fundação Joaquim Nabuco/Massangana, 2010. p. 54-55. (Coleção Educadores)



Da esquerda para a direita, caricaturas atuais dos filósofos iluministas John Locke, Montesquieu, Voltaire e Jean-Jacques Rousseau.


A Enciclopédia


A preocupação dos iluministas em divulgar o conhecimento formalizado pela ciência levou o filósofo Denis Diderot (1713-1784) e o matemático Jean D’Alembert (1717-1783), ambos franceses, a organizar a Enciclopédia. Por essa razão, os iluministas também ficaram conhecidos como enciclopedistas. 


A Enciclopédia foi produzida por diversos intelectuais, editores, resenhistas e ilustradores. Nela pretendia-se resumir todo o conhecimento ocidental existente até aquele momento, expor os avanços técnicos e científicos do século XVIII e reagir a determinadas imposições religiosas, tratadas, na obra, como superstições.



Tirinha de Armandinho, do cartunista Alexandre Beck, 2017.


Atitude historiadora 


A autoridade política na Enciclopédia


Leia a seguir um trecho do verbete “autoridade política”, que integra a Enciclopédia, publicada na França entre 1751 e 1780.


“Nenhum homem recebeu da natureza o direito de comandar os outros. A liberdade é um presente do céu, e cada indivíduo da mesma espécie tem o direito de usufruir dela tão logo tenha o uso da razão. Se a natureza estabeleceu alguma autoridade é a do poder paterno [...]. Se examinarmos bem, veremos que a autoridade política tem origem em uma destas duas fontes: a força e a violência daquele que dela se apoderou ou o consentimento daqueles que a ela se submeteram através de um contrato, celebrado ou suposto, entre estes e aquele a quem concederam o poder.


O poder adquirido pela violência não é senão usurpação, e só dura enquanto a força daquele que comanda for maior do que a daqueles que obedecem. [...]


O poder que vem do consentimento dos povos supõe necessariamente condições que tornem seu uso legítimo, útil à sociedade, vantajoso para a república, e que o fixem e restrinjam dentro de certos limites. Pois o homem não pode nem deve dar-se inteiramente e sem reserva a um outro homem, já que tem um mestre superior que está acima de tudo, a quem pertence inteira e exclusivamente. Trata-se de Deus [...]. Ele permite, para o bem comum e para a manutenção da sociedade, que os homens estabeleçam entre si uma ordem de subordinação e que obedeçam a um deles. Mas quer que isto seja feito por razão e com medida, e não de maneira cega e sem reserva, a fim de que a criatura não se atribua impropriamente direitos do criador.” 


DIDEROT, Denis. Autoridade política (verbete). In: D’ALEMBERT, Jean le Rond; DIDEROT, Denis (Orgs.). Enciclopédia, ou Dicionário razoado das ciências, das artes e dos ofícios. São Paulo: Unesp, 2015. v. 4. p. 38. 




Luzes na educação


Críticos da influência política e cultural da Igreja, muitos iluministas eram contrários ao ensino religioso e à administração das escolas por instituições religiosas. Pensadores do período, como o filósofo e matemático francês marquês de Condorcet (1743-1794), defendiam que a educação elementar deveria ser obrigatória, dirigida pelo Estado e gratuita para todos. Propunham uma educação laica, com um currículo escolar independente de qualquer crença religiosa e orientado para o estudo das ciências, dos ofícios e das técnicas. 


Esses princípios educacionais foram implantados na Europa ao longo dos séculos XVIII e XIX. Contudo, apesar de o iluminismo defender a extensão do ensino a todos os cidadãos, prevaleceu a divisão entre uma escola voltada para os burgueses e outra voltada para o povo. 



Escola de ensino mútuo, gravura francesa do século XIX.


O liberalismo econômico


No campo da economia, destacou-se o pensador escocês Adam Smith (1723-1790). Sua obra Investigação sobre a natureza e as causas da riqueza das nações, publicada em 1776, tornou-se a base do liberalismo econômico. 


Criticando os fundamentos do mercantilismo, Smith defendia a livre-iniciativa individual e o fim da intervenção estatal na economia, política que era adotada pelos reinos mercantilistas. Sem o controle do Estado, o mercado se autorregularia, orientado pela lei da oferta e da procura. 


O despotismo esclarecido


Inspirados pelas correntes de pensamento liberais e ilustradas, diversos monarcas europeus procuraram, na segunda metade do século XVIII, modernizar seus Estados. Entretanto, isso não significava maior liberdade e participação política do povo. O objetivo era promover reformas que tornassem a administração do reino mais eficiente e, ao mesmo tempo, preservassem a ordem social e o absolutismo monárquico. 


Esses reis ficaram conhecidos como déspotas esclarecidos. Entre eles estão a rainha Catarina II, da Rússia, e os reis José I, de Portugal, Frederico II, da Prússia, José II, da Áustria, e Carlos III, da Espanha. 


Carlos III, por exemplo, buscou aproximar seu reino das transformações modernizadoras em curso em outras partes da Europa. Ele empenhou-se em estreitar o controle administrativo e fiscal sobre as colônias espanholas na América, expulsando os jesuítas desses territórios, instituindo novos impostos e criando o Vice-Reino da Prata. Com isso, pretendia criar condições para dinamizar a dependente economia espanhola. 


Outra crítica de Smith ao mercantilismo era a crença de que os metais preciosos simbolizavam a riqueza dos Estados. Em lugar de ouro acumulado, ele acreditava que a verdadeira fonte geradora de riqueza de uma nação era a capacidade de produzir e comercializar mercadorias agrícolas e manufaturadas. 


Em um período de crescimento econômico na Europa, as ideias de Adam Smith se difundiram facilmente entre a burguesia, que via a oportunidade de prosperar com a liberdade de produção e de comércio.

sexta-feira, 15 de setembro de 2023

Rebeliões na colônia (Revoltas coloniais nativistas)

 Rebeliões na colônia


A reação colonial

As reformas realizadas pela Coroa portuguesa visando garantir o monopólio e os lucros com o comércio colonial afetaram diretamente a vida dos colonos na América. A política mercantilista, dessa forma, não gerava conflitos apenas entre as potências europeias; ela também passou a se chocar com os interesses das elites coloniais. O descontentamento com o exclusivo metropolitano, somado aos conflitos de interesses entre as elites coloniais, contribuiu para a eclosão de várias revoltas na colônia.

A Revolta de Beckman (1684-1685) 

A falta de mão de obra tornou-se um problema para os colonos do Maranhão. Eles não podiam escravizar os indígenas, prática combatida pelos jesuítas e proibida em 1680, tampouco tinham acesso a africanos escravizados. A crise se agravou quando a Companhia de Comércio do Estado do Maranhão descumpriu o acordo de garantir o abastecimento de africanos escravizados na região.

A revolta eclodiu em 1684, liderada pelos irmãos e senhores de engenho Manuel e Thomas Beckman, com o apoio dos proprietários de terra. Os revoltosos ocuparam o depósito da Companhia de Comércio do Estado do Maranhão, prenderam os jesuítas, depuseram o governador e apoiaram Manuel Beckman como chefe do novo governo. 

O movimento, no entanto, foi sufocado pelas forças da Coroa. Em novembro de 1685, o líder Manuel Beckman e seu parceiro Jorge Sampaio foram executados, e os outros envolvidos, presos ou condenados ao degredo.


Beckman refugiado nos sertões do Alto Mearim, pintura de Antônio Parreiras, 1936.

A Guerra dos Mascates (1710-1711) 

No início do século XVIII, Recife não tinha a condição de vila, mesmo sendo importante centro econômico da capitania de Pernambuco. Assim, sua população e os negócios que ali aconteciam estavam submetidos às decisões tomadas pelas autoridades de Olinda.

Insatisfeitos com a situação, os comerciantes de Recife, chamados pejorativamente de mascates, começaram a exigir participação no governo da capitania. Em 1710, por ordem régia, Recife foi elevado à categoria de vila. Contra essa medida, os senhores de engenho de Olinda proclamaram uma revolta armada e marcharam em direção a Recife.

Após alguns enfrentamentos, os mascates venceram com o apoio das tropas da Coroa. Além de manter a condição de vila, Recife transformou-se em sede da capitania de Pernambuco, em 1711.

No século XIX, o conflito entre a aristocracia agrária de Olinda e os comerciantes de Recife foi escolhido como tema do livro Guerra dos mascates, do escritor José de Alencar, publicado em 1873. O nome da revolta, portanto, foi criado por ele.


Vista da Cidade Maurícia e do Recife, pintura de Frans Post, 1653.

 A Revolta do Maneta (1711) 

A cobrança de taxas foi a motivação central para a Revolta do Maneta, ocorrida em Salvador, em 1711. Disputas envolvendo França e Inglaterra na Europa levaram os franceses a atacar Portugal, principal aliado dos ingleses, invadindo sua colônia americana. O local escolhido foi o Rio de Janeiro, aonde os franceses chegaram com cerca de 4 mil homens, várias naus e centenas de canhões. Para não atacar a cidade, exigiram uma quantia exorbitante em dinheiro, caixas de açúcar e bois.

Alegando ter sido prejudicada, a Coroa decidiu transferir para os colonos os custos do conflito, aumentando os impostos sobre o comércio do sal e sobre a compra de africanos escravizados. Indignados com a medida, populares de Salvador, sob a liderança do comerciante João Figueiredo da Costa, conhecido como Maneta, iniciaram o levante. Os revoltosos conseguiram a suspensão temporária dos tributos pagos à Coroa, além da redução do preço do sal. No entanto, as principais lideranças foram punidas com açoite e confisco dos bens.

Impressões Rebeldes

Acesso em 3 abr. 2020.
Esse site, desenvolvido pela Universidade Federal Fluminense (UFF), apresenta documentos textuais e visuais a respeito dos movimentos de contestação na história do Brasil.

Os quilombos e a resistência escrava 

A Guerra dos Mascates, a Revolta de Beckman e a Revolta do Maneta tiveram motivações locais ou circunstanciais. Elas expressaram a insatisfação dos colonos com aspectos da administração metropolitana, mas não foram motivadas por um sentimento nacionalista, de libertação do Brasil da opressão colonial, pois esse sentimento nem sequer existia no período.

Contudo, não apenas setores das elites promoveram revoltas na América portuguesa daquele período. Trabalhadores escravizados também desenvolveram meios de se rebelar contra o cativeiro. Além da recusa ao trabalho, da indolência, da ameaça direta à vida do senhor e de sua família, entre outras formas de revolta individuais, os escravizados de origem africana recriaram no Brasil uma estratégia de resistência coletiva que se transformou no maior símbolo da luta contra a escravidão: os quilombos.

Quilombos, ou mocambos, eram aldeias formadas principalmente por escravizados fugidos, que ali procuravam viver de acordo com as formas de organização política e as tradições culturais trazidas da África. Essas comunidades foram criadas em diferentes momentos da história colonial e imperial do Brasil e se espalharam por todo o território.

 Quilombos no Brasil (séculos XVII ao XIX)  


Fonte: Brasil 500 anos: atlas histórico. São Paulo: Três, 1998. p. 21.

Palmares: um Estado africano no Brasil

O maior e mais duradouro dos quilombos construídos no Brasil foi o de Palmares. Também chamado de União dos Palmares, esse imenso quilombo era formado por um conjunto de mocambos erguidos ao longo da Serra da Barriga, em terras do atual estado de Alagoas, que na ocasião faziam parte da capitania de Pernambuco. O maior deles, considerado a sede dos Palmares, era o mocambo do Macaco.

Não se sabe ao certo quando se formou o Quilombo dos Palmares. O que se pode afirmar é que, durante a União Ibérica (1580-1640) e as invasões holandesas (1624-1654), as guerras pelo controle do Nordeste açucareiro facilitaram a fuga de muitos escravizados das propriedades açucareiras. É provável que esses cativos tenham se unido a integrantes de pequenos quilombos formados anteriormente e se instalado na Serra da Barriga, onde fundaram o Quilombo dos Palmares.


Ilustração atual representando a vida dos moradores do Quilombo dos Palmares.

Palmares tinha uma economia diversificada. Os palmarinos cultivavam milho, mandioca, feijão, batata-doce, cana-de-açúcar, banana e criavam animais. Também praticavam o comércio com populações indígenas, trocando produtos e conhecimentos técnicos, o que lhes permitiu aprimorar a pesca e a produção artesanal. Em seu auge, por volta de 1650, Palmares reunia cerca de 15 mil pessoas, entre escravos, libertos, indígenas e brancos acusados de algum crime, distribuídos por cerca de dez mocambos.

Após a expulsão dos holandeses, o governo português direcionou seus esforços à luta para destruir Palmares. A partir de 1674, várias expedições militares foram enviadas para combater os quilombolas, que resistiam sob a liderança de Ganga Zumba. Como a guerra se prolongava, o governador de Pernambuco decidiu contratar os serviços do bandeirante paulista Domingos Jorge Velho para derrotar o quilombo. Em 1694, as forças do bandeirante venceram a resistência e destruíram completamente Palmares. No dia 20 de novembro do ano seguinte, Zumbi, último líder do quilombo, foi morto e teve sua cabeça exposta em uma praça pública de Recife.

Próxima aula:

O Antigo Regime em crise na Europa - O século das luzes: o iluminismo

República Velha (1889 - 1930) República de Espada (1889 - 1894) e República do Café com Leite (1894 - 1930)

A República Velha (1889-1930): Das Espadas ao Café com Leite O que é uma República?  República, do latim "res publica"...