quinta-feira, 17 de agosto de 2023

Mapão conquista e início colonização América portuguesa

* A importância do pau-brasil para o início da exploração portuguesa no novo mundo;

* Tipo de mão de obra era utilizado no início da exploração portuguesa na América (fase pré-colonial);

* O que foi o monopólio real (exclusivo comercial);

* O que é escambo;

* No projeto de exploração português, como os indígenas participavam na extração do pau-brasil?

* O que eram as feitorias? A sua principal função era:

* O que eram as expedições guarda-costas? Qual era a sua principal função no contexto da colonização portuguesa na América?

* A partir de 1530 a Coroa portuguesa precisou tomar medidas para não perder sua colônia americana. A ideia era estimular a fixação de portugueses, explorando uma atividade econômica que gerasse lucros e ao mesmo tempo garantisse a defesa da colônia. Qual solução foi encontrada pelos exploradores?

* Quais fatores favoreceram o cultivo da cana-de-açúcar na América portuguesa?

* Quem foi Martim Afonso de Souza?

* O que eram as capitanias hereditárias?

*Quem eram os capitães donatários?

* Por que Portugal implantou o sistema de capitanias hereditárias na América Portuguesa?

* O que eram as sesmarias?

*Quem eram os sesmeiros?

* Carta foral era

* O sistema de capitanias fracassou na tarefa de estimular a colonização, por quais motivos?

*Na América portuguesa, quais foram as duas únicas capitanias hereditária prosperaram? O sucesso se deu por qual motivo?

* Dentro do contexto do início da colonização da América portuguesa, quem eram os homens-bons?

* Enquanto a administração de toda a América portuguesa ficava sob a responsabilidade do governo-geral, a administração das vilas e cidades era incumbência das câmaras municipais. Quais eram as principais funções das câmaras municipais?

* O que foi o Governo Geral?

* O que fazia o governador geral?


quarta-feira, 16 de agosto de 2023

Mapão Guerra Fria

 Mapão (orientações de estudo) Guerra Fria 1945 -1991


Guerra Fria

Em relação ao assunto Guerra Fria, o domínio dos tópicos abaixo é de extrema importância para a realização de uma ótima avaliação.

* O que foi a Guerra Fria?

* Definição de Doutrina Truman;

* Plano Marshall - O que foi e o que determinava?

* OTAN - O que é? Qual é o seu principal objetivo?

* O que foi o macarthismo? Qual era o seu foco?

* Definição Comecon;

* O que foi a Cominform?

* O que foi o Pacto de Varsóvia? Qual era o seu objetivo?

* O que é significa uma economia planificada?

* Movimento dos Países Não Alinhados;

* No contexto da Guerra Fria, como se deu  a corrida tecnológica e espacial envolvendo os EUA e a URSS?

* Sobre a corrida espacial e armamentista, durante a Guerra Fria, indique exemplos ocorridos:

* Sputnik I e Sputnik II - O que foi? Qual legado?

* Laika e Iuri Gagarin - Quais foram os seus feitos no contexto da corrida espacial?

* No contexto da corrida espacial ao longo da Guerra Fria, o que foi o Programa Apollo?

* A “Guerra Fria” foi a expressão utilizada para caracterizar um tipo de política externa decorrente da:

* O que foram as Conferências de Ialta?

* Como a Alemanha foi impactada com a Guerra Fria?

* Em setembro de 1949 foi criada a República Federal da Alemanha (RFA) - Como ela era composta?

* Em outubro de 1949 foi criada a República Democrática Alemã (RDA) - Como ela era composta?

* Como a Guerra Fria influenciou o esporte?

* O que era o Muro de Berlim? Qual era o seu objetivo?

* Por que as Olimpíadas de Melbourne, em 1956 e Olimpíadas de Moscou de 1980 foram polemicas?


Consultar aula 01 Guerra Fria

Guerra Fria - A configuração geopolítica no mundo bipolar e as origens do conflito

https://historiaecio.blogspot.com/2022/12/guerra-fria-configuracao-geopolitica-no.html


Consultar aula 02 Guerra Fria

Guerra Fria - Corrida armamentista, espacial e esportiva entre EUA e URSS

https://historiaecio.blogspot.com/2022/12/guerra-fria-corrida-armamentista.html




quarta-feira, 9 de agosto de 2023

Povos nativos

Os povos nativos (Povos pré-cabralinos)


Os povos de Pindorama


Os portugueses não foram os primeiros habitantes das terras que viriam a ser chamadas de Brasil. Quando aqui chegaram, em 1500, encontraram povos com cultura, costumes, organização social e línguas totalmente diferentes das que conheciam na Europa, na África e no Oriente.


Calcula-se que, na época da chegada dos portugueses, entre 3 milhões e 5 milhões de nativos habitavam o território brasileiro, distribuídos em mais de mil povos que falavam aproximadamente 1.300 línguas. Cada um desses povos possuía seus rituais, crenças, mitos, línguas, formas de trabalho e organização social.


As línguas mais faladas pelos indígenas do Brasil podem ser agrupadas em dois troncos linguísticos, Tupi e Macro-Jê, compostos de diversas famílias linguísticas. Além delas, há várias famílias linguísticas cujas semelhanças não são suficientes para formar um tronco linguístico, como Aruaque e Caraíba.


Por estarem distribuídos ao longo da costa brasileira, os povos Tupi foram os que mais contato tiveram com os portugueses. Eles chamavam o Brasil de Pindorama, que na sua língua significa “terra das palmeiras”.


Os povos indígenas no Brasil em 1500 


CATHERINE A. SCOTTON



Fonte: Atlas histórico escolar. Rio de Janeiro: FAE, 1991. p. 12.


Formas de organização social


Os Tupi, em geral, andavam nus, com pinturas pelo corpo e adornos feitos de penas. Praticavam a agricultura de subsistência, cultivando mandioca, milho, inhame, abóbora, batata-doce, entre outros alimentos. Coletavam frutos, caçavam e pescavam. Com troncos de árvores, ossos, fibras vegetais, barro e madeira, confeccionavam diferentes artigos, como canoas, arcos e flechas, redes, cestos, vasos e urnas funerárias.


Os Tupi e a maior parte dos povos indígenas que habitavam o Brasil na época da chegada dos portugueses viviam em aldeias. As moradias podiam estar organizadas em um círculo ou em fileiras. Porém, em algumas aldeias, havia apenas uma grande casa comum.


As aldeias estabeleciam entre si laços de solidariedade. Entretanto, havia guerras constantes entre povos diferentes. Muitas vezes, os conflitos ocorriam quando um povo queria afirmar sua superioridade sobre outro grupo.


Além disso, os indígenas não tinham um Estado organizado. Entre os Tupi, por exemplo, não existia um poder centralizado, exercido por um rei ou alguém com autoridade para dar ordens aos demais. Reunidos numa espécie de conselho, os líderes, chamados principais, decidiam em conjunto o destino da aldeia. Os primeiros a serem ouvidos eram os membros mais corajosos.


THEODORE DE BRY - ARQUIVO HISTÓRICO DA MARINHA FRANCESA, VINCENNES


Índio ou indígena?


O termo “índio” originalmente expressava uma visão preconceituosa por parte do conquistador. Ao longo do tempo, porém, ele foi ressignificado. Hoje, documentos oficiais, entidades indígenas e estudiosos utilizam esse termo para se referir aos povos nativos do Brasil e seus descendentes, com seus diferentes modos de vida e identidade cultural. Nesse aspecto, podemos considerar que o termo perdeu o sentido pejorativo. Contudo, o escritor indígena Daniel Munduruku apresenta outro ponto de vista.


“Sempre que posso tenho falado sobre os equívocos que cercam a palavra ‘índio’. Faço uma provocação e tenho certeza [de] que muitas pessoas, especialmente professores, ficam com a ‘pulga atrás da orelha’. Sempre que isso acontece alcanço meu objetivo. A inquietação é já um princípio de mudança. Ficar incomodado com os saberes engessados em nossa mente ao longo dos séculos é uma atitude sábia de quem se percebe parte do todo [...].


[...] [o termo índio] não é uma definição, é um apelido, e apelido é o que se dá para quem parece ser diferente de nós ou ter alguma deficiência que achamos que não temos. Por este caminho veremos que não há conceitos relativos ao termo ‘índio’, apenas preconceito: selvagem, atrasado, preguiçoso, canibal [...] são alguns deles. [...]


Por outro lado, o termo ‘indígena’ significa ‘aquele que pertence ao lugar’, ‘originário’, ‘original do lugar’. Pode-se notar, assim, que é muito mais interessante reportar-se a alguém que vem de um povo ancestral pelo termo ‘indígena’ que ‘índio’.”


MUNDURUKU, Daniel. Três reflexões sobre os povos indígenas e a lei 11.645/08. Disponível em <http://mod.lk/2zmnv>. Acesso em 2 mar. 2020.


Trabalho e religiosidade


O trabalho nas aldeias era dividido conforme o sexo e a idade. Em geral, as mulheres plantavam e cuidavam da colheita; fabricavam farinhas, especialmente de mandioca, fiavam e teciam, além de cuidarem das crianças. Os homens eram responsáveis pela caça, pesca, construção de moradias, fabricação de canoas e armas e pelo corte da lenha. Também derrubavam, queimavam e limpavam a mata, preparando-a para o plantio. Os idosos tinham papel fundamental na educação das crianças e na transmissão da cultura para as gerações mais jovens.


Cada povo indígena possuía crenças e rituais religiosos próprios. Entretanto, todos acreditavam nas forças da natureza e nos espíritos dos antepassados, para os quais realizavam cerimônias e festas. O responsável por ensinar os rituais e transmitir as tradições religiosas era o pajé.


A guerra e o ritual antropofágico


A guerra era um valor central da cultura Tupi e servia, principalmente, para vingar parentes mortos pelo inimigo. Associado à guerra estava o ritual da antropofagia, quando o inimigo capturado no conflito era morto e devorado em uma grande festa.


Primeiro, o prisioneiro era levado à aldeia, onde podia integrar-se à rotina do lugar. Ele devia ser bem tratado e alimentado por uma mulher, que lhe era cedida como companheira temporária. Chegado o grande dia, os Tupi realizavam danças e cantos rituais, além de um grande banquete. Só então o inimigo era morto. Seus membros eram cortados, cozidos e divididos entre os indígenas da aldeia.


Ser devorado em um ritual antropofágico era um destino digno na vida de um guerreiro. Isso porque, para os Tupi, os mortos em guerra iam para uma espécie de Paraíso, onde estavam seus ancestrais. Aqueles que comiam a carne do inimigo acreditavam que, assim, incorporariam a força, a coragem e o espírito do valente guerreiro.


THEODORE DE BRY - ARQUIVO HISTÓRICO DA MARINHA FRANCESA, VINCENNES



Cena de canibalismo, gravura colorizada de Theodore de Bry, 1592.


O contato com o “outro”

O que os indígenas teriam pensado quando avistaram as caravelas de Cabral? Quais foram suas impressões ao ver homens barbados, vestidos, vindos do mar em embarcações muito diferentes das canoas que conheciam?


Os povos indígenas não deixaram registros sobre o encontro entre eles e os portugueses. Contudo, podemos imaginar que as diferenças culturais causaram grande estranhamento nos nativos.


Os relatos dos portugueses sobre os primeiros contatos com os indígenas mostram que o espanto foi grande entre os europeus.


Veja como Pero Vaz de Caminha, escrivão oficial da expedição de Cabral, descreveu o primeiro encontro com os indígenas:


“A feição deles é parda, um tanto avermelhada, com bons rostos e bons narizes, benfeitos. Andam nus, sem nenhuma cobertura. Não fazem o menor caso de encobrir ou de mostrar suas vergonhas, e nisso têm tanta inocência como em mostrar o rosto. […]


[Os indígenas] Entraram [na caravela]. Mas não fizeram nenhum gesto de cortesia, nem sinal de querer falar ao capitão ou a alguém. […]


Deram-lhes comida: pão e peixe cozido, doces, bolos, mel e figos passados. Não quiseram comer quase nada disso e, se alguma coisa provavam, logo a cuspiam [...].”


TUFANO, Douglas. A carta de Pero Vaz de Caminha: comentada e ilustrada. São Paulo: Moderna, 1999. p. 31-33.


Outro registro do primeiro encontro entre portugueses e indígenas é a Relação do piloto anônimo, espécie de diário não oficial da expedição cabralina. Veja como ele descreveu um dos momentos do contato com os nativos:


“Naquele mesmo dia que era a oitava da Páscoa, a 26 de abril, determinou o capitão-mor ouvir missa, e mandou levantar um altar, e todos os da dita armada foram ouvir missa e sermão, onde se juntaram muitos daqueles homens bailando e cantando com as suas buzinas. [...]. E depois, tendo o capitão jantado, voltou à terra a gente da dita armada, para se distraírem e divertirem com os homens da terra. E começaram a tratar com os da armada, e davam dos seus arcos e flechas em troca de guisos, e folhas de papel e peças de pano. E todo aquele dia se divertiram com eles.”


Relação do piloto anônimo [1501]. Portal Domínio Público. Disponível em <http://mod.lk/gjepd>. Acesso em 2 mar. 2020.


Note que o relato do piloto anônimo descreve o primeiro contato entre indígenas e portugueses como pacífico e alegre.


Do estranhamento à negação


Os dois relatos que você leu sobre o encontro entre portugueses e indígenas mostram que o estranhamento foi recíproco, como acontece com qualquer indivíduo que se vê diante de uma realidade inteiramente nova. Esse primeiro momento foi também de encantamento com o diferente, de curiosidade em conhecer o novo e de trocas de presentes.


No entanto, à medida que os portugueses foram conhecendo os costumes nativos, o estranhamento se transformou em negação e repulsa, especialmente em relação aos rituais de antropofagia. Assim, partindo de uma visão eurocêntrica, eles classificaram os nativos como seres inferiores e selvagens, sem cultura, leis e religião, e que deviam ser “civilizados”. Com essa visão, os portugueses procurariam justificar as guerras e a escravização dos indígenas. Também se investiriam da tarefa de “salvá-los da vida em pecado” por meio da catequização, isto é, a adequação dos nativos ao mundo cristão.


REPRODUÇÃO AUTORIZADA POR JOÃO CANDIDO PORTINARI/IMAGEM CEDIDA PELO PROJETO PORTINARI - MUSEU NACIONAL DE BELAS ARTES, RIO DE JANEIRO


Foto do quadro - Exercícios povos nativos


domingo, 16 de julho de 2023

quarta-feira, 5 de julho de 2023

Crise da república romana ao início do Império Romano

Crise da República romana ao início do Império Romano.


 A crise da república romana
 


Homens livres e escravos pesando pães para os magistrados da república romana, detalhe de relevo romano de 50 a.C. encontrado no túmulo do padeiro Marco Virgílio Eurísace, em Roma. Eurísace foi um ex-escravo que conseguiu ascender socialmente e tornar-se padeiro, fornecendo pães para o Estado romano.


A república romana entrou em crise a partir do século II a.C. As principais causas dessa crise foram o acesso desigual às terras conquistadas e o empobrecimento do camponês, principal combatente nas guerras de conquista. Os projetos de reforma agrária dos irmãos Tibério e Caio Graco despertaram a forte reação dos grandes proprietários de terras, que dominavam o Senado.


O que abordava as reformas dos irmãos Graco?


As mudanças propostas por Tibério Graco em Roma diante dos problemas que as conquistas territoriais estabeleceia uma ampla reforma agrária, que limitava o tamanho das propriedades rurais e distribuía terras aos camponeses pobres, que lutavam nas guerras.


A aristocrata não queria uma república para todos.


 A reação dos senadores demonstrava que a elite aristocrática de Roma, a qual representavam, não estava disposta a transformar a res publica em um regime político popular. 


Falta de representação, dificuldades e revoltas.


 A elite senatorial derrotou os irmãos Graco, mas não conseguiu evitar as agitações populares, que se espalharam pelas cidades romanas. Nos territórios conquistados, escravos e camponeses pobres levantaram-se contra as elites dirigentes, em revoltas que foram violentamente reprimidas pelas tropas romanas. 


Aristocracia romana dividida (optimates x populares)


A própria elite aristocrática encontrava-se dividida: de um lado estavam os optimates, representando os grandes proprietários; de outro, os populares, que defendiam algumas reformas para controlar as tensões sociais. 


Polarização - Facções disputando o poder e intensificando a crise.


 A crise política se aprofundou no século I a.C., com chefes militares das duas facções em disputa pelo controle do Senado. A revolta dos iberos, na Hispânia, apoiada pelo grupo dos populares, durou oito anos e foi uma das mais sangrentas da república. Ao mesmo tempo, povos aliados na Península Itálica rebelaram-se contra Roma, situação que só foi controlada em 49 a.C., quando o governo concedeu a cidadania a todos os homens livres da península. 


As guerras de conquista e o fortalecimento do Exército e dos generais.


Por outro lado, o exército romano se fortalecia cada vez mais com as constantes guerras de conquista. Até o século II a.C., ele era formado de camponeses e trabalhadores rurais convocados para combater nas guerras. Depois disso, o exército se profissionalizou: os soldados passaram a se alistar de maneira voluntária e a receber salário. Esses novos combatentes eram mais ligados aos seus generais, pois deles recebiam terras, escravos e objetos saqueados. 


O primeiro Triunvirato romano (3 generais no poder)


Diante da crise social e do prestígio do exército, líderes militares começaram a ganhar mais poder político. O general Júlio César, muito habilidoso, soube manipular a situação para formar o Primeiro Triunvirato, em 60 a.C. Com essa aliança militar, César e outros dois generais romanos (Pompeu e Crasso) comprometiam-se a se auxiliar mutuamente para controlar o poder em Roma e nos territórios conquistados.


Morte de Crasso e a guerra civil entre Júlio Cesar e Pompeu


Com a morte de Crasso, o Triunvirato chegou ao fim. A disputa pelo poder transformou-se então em verdadeira guerra civil, que resultou na vitória de César sobre Pompeu. Fortalecido pelo sucesso na campanha da Gália, Júlio César foi declarado ditador pelo Senado. No governo, ele reformou a administração pública e atendeu a várias demandas sociais.


Vitória de Júlio César, concentração de poder e o seu assassinato.


O crescente poder de Júlio César preocupava a elite senatorial, que decidiu derrubá-lo. Em 44 a.C., ao entrar no Senado, César foi morto em uma conspiração. Após sua morte, formou-se o Segundo Triunvirato, composto pelos generais Marco Antônio, Otávio e Lépido, todos seguidores de César. Depois de uma luta sangrenta entre os exércitos desses generais, Otávio venceu Marco Antônio. De volta à capital, Otávio foi declarado, pelo Senado, imperador de Roma, em 27 a.C. A república romana chegava ao fim.



Júlio César, Ato III, Cena I: O Assassinato, pintura de William Holmes, 1888. A obra representa o momento da peça de William Shakespeare, Júlio César (c. 1600), em que o ditador é vítima de algozes no Senado. 


 O governo de Augusto e a pax romana 


O imperador Otávio Augusto (também conhecido como César Augusto) governou os territórios romanos durante cerca de 40 anos, concentrando todos os poderes em suas mãos. As instituições republicanas de Roma continuaram existindo, mas o imperador tinha o poder de vetar leis, nomear os magistrados e comandar o exército. 


 A habilidade administrativa de Augusto inaugurou o período conhecido como pax romana (paz romana), que se estendeu até o final do século II. As guerras de conquista não foram interrompidas nesses anos (veja o mapa abaixo), mas o principal objetivo dos imperadores romanos foi a proteção das fronteiras e a repressão das revoltas populares. 


 Uma complexa rede de estradas pavimentadas se expandiu pelo império para facilitar a circulação de correspondências, produtos e soldados. A Península Itálica, centro do império, enriqueceu ao receber mão de obra e matérias-primas das províncias e exportar para elas vinhos, azeite, cerâmicas, objetos de metal e outros artigos. 


 Os sucessores de Augusto, procurando associar a riqueza de Roma à sua própria imagem, embelezavam a cidade com praças, aquedutos e arcos do triunfo. Estes últimos eram monumentos construídos para celebrar uma vitória, geralmente militar, e homenagear o general que a comandou. A Antiguidade Clássica Antiguidade Clássica é o período da história europeia que se estende do século VIII a.C. ao V d.C. e corresponde às civilizações grega e romana. O termo foi criado por pensadores dos séculos XV e XVI que viam a cultura greco-romana como a fundadora do mundo ocidental e um modelo a ser seguido no campo das artes, das ciências, da literatura e da educação. 

Além disso, o Fórum, centro da vida pública romana, ganhou novos edifícios, e os mais antigos foram remodelados. O Império Romano em sua máxima extensão (século II).



Fonte: Atlas of World History: concise edition. Nova York: Oxford University, 2007. p. 54-55. 


Os centros de lazer


Os imperadores romanos também se preocuparam em mandar construir diversas áreas de lazer para a população, como termas, circos e anfiteatros. As atividades realizadas nesses locais eram gratuitas, e na entrada era distribuído pão ao povo. Essa política, conhecida como “pão e circo” e que tem raízes na república romana, visava oferecer alimento e diversão às camadas populares a fim de acalmar seus ânimos e tentar diminuir as revoltas. 


 Nos circos e anfiteatros, eram realizados diferentes espetáculos de entretenimento. Destacavam-se as corridas de quadrigas e as lutas de gladiadores, que eram geralmente escravos. Os patrícios patrocinavam os eventos, em busca de popularidade e ostentação de sua riqueza. Muitos plebeus e escravos preenchiam as plateias dos anfiteatros para torcer pelos lutadores. 


O espetáculo se iniciava com o desfile dos gladiadores, que entravam na arena saudando o imperador; em seguida, travava-se o combate. A “luta boa” era a que se encerrava com a morte de um gladiador. Terminado o confronto, os escravos arrastavam os corpos com ganchos e trocavam a areia ensanguentada por areia limpa. 


O maior local de espetáculos era o Anfiteatro Flaviano, mais conhecido como Coliseu, construído em Roma entre 72 e 80 d.C. As arquibancadas do edifício estavam divididas conforme a posição social do indivíduo: o primeiro andar era reservado ao imperador, aos senadores e aos cônsules; o segundo acomodava a aristocracia rural; restava para o povo as fileiras do alto. Havia, ainda, uma área exclusiva para mulheres, localizada no topo. 


A romanização cultural 

A cultura romana se estendeu por várias regiões. Em geral, o governante romano de cada província procurava organizá-la espelhando-se nas instituições, no ensino, na arquitetura e nas artes de Roma. Veja alguns exemplos. 

 * Língua latina. Os romanos criaram escolas nas províncias para os filhos das elites locais, onde aprendiam latim, gramática, retórica, cálculo e política. O latim vulgar, falado pelos colonos e soldados nas províncias, misturou-se às línguas das populações dominadas, o que deu origem às línguas neolatinas: francês, português, espanhol, italiano etc. 

 * Instituições romanas. Os governantes estabeleciam nas províncias instituições similares às romanas (magistrados, assembleias, Senado, exército, sistema de impostos, legislação), o que explica o fato de essas instituições terem se espalhado por todo o mundo ocidental. 

 * Arquitetura. Inspirada nos modelos grego e etrusco, a arquitetura romana ficou famosa pela grandiosidade de seus templos, anfiteatros, aquedutos, pontes e estradas. Seu estilo expandiu-se pelos territórios conquistados e ainda hoje está presente em muitas construções do Ocidente. 

Os povos conquistados, porém, não ficaram passivos à dominação cultural romana. Por meio da resistência e da negociação, eles mantiveram costumes da sua cultura, a exemplo do monoteísmo do povo judeu e do culto à corça dos iberos. E, quando incorporaram costumes e instituições romanos, fizeram à sua própria maneira, adaptando-os à realidade local. 

 Além disso, os romanos também absorveram elementos culturais dos povos dominados, como o culto às divindades gregas, que receberam novos nomes, e aos deuses egípcios Ísis e Osíris. 

Os arcos romanos: uma inovação tecnológica 

Os romanos, inspirados em técnicas etruscas, construíram aquedutos para levar água limpa a residências, banhos públicos, jardins e outras áreas urbanas. O mais antigo deles data do século IV a.C. (Aqua Appia).


A principal característica desses aquedutos é a utilização do arco, aperfeiçoado pelos romanos e amplamente utilizado como elemento de sistemas estruturais nas construções. O arco permite distribuir melhor o peso da construção e elevar a água para que ela atinja as áreas mais altas.


Os aquedutos foram uma importante inovação para solucionar o problema do abastecimento de água durante séculos. Com o tempo, eles foram substituídos por sistemas mais modernos de distribuição de água. Porém, permanecem como marcos de memória, e seu uso atende a outras finalidades, como o turismo ou o transporte.




Arcos da Lapa, na cidade do Rio de Janeiro (RJ). Foto de 2016. Os Arcos da Lapa (ou Aqueduto da Carioca) foram inaugurados em 1750 para levar água do Rio Carioca para a cidade do Rio de Janeiro, como faziam os aquedutos romanos na Antiguidade. Desde 1896 eles têm sido utilizados como viaduto para o bonde que liga o bairro de Santa Teresa ao centro. 


O calendário juliano 

Você sabia que as palavras que usamos para nomear os dias da semana, os meses do ano e o próprio calendário são originárias do latim e da cultura romana antiga? 

O calendário romano mais antigo foi elaborado ainda na época monárquica. Mas ele não era muito preciso, pois apresentava um descompasso com o ano solar, que tem como base o movimento de translação da Terra. Com o passar dos anos, essa diferença foi se acumulando. Assim, as datas dos festivais religiosos, as estações do ano, o início do plantio e da colheita, por exemplo, passaram a não coincidir mais com o calendário romano, causando uma grande confusão na vida cotidiana das pessoas. 

Quando o general Júlio César se tornou ditador (século I a.C.), ele decidiu reformar o calendário. Para dirigir essa tarefa, César convidou o astrônomo Sosígenes, da cidade de Alexandria. 

O calendário juliano entrou em vigor em 45 a.C. O ano passou a ter 365 dias e seis horas e foi dividido em 12 meses, com 31 e 30 dias intercalados, à exceção de fevereiro, que tinha 29 dias. Para o novo calendário coincidir com o ano solar, acrescentou-se, a cada quatro anos, um dia ao mês de fevereiro. Surgiu assim o ano bissexto. 

Mais tarde, sob César Augusto, o oitavo mês foi renomeado de agosto em sua homenagem, e passou de 30 para 31 dias. O dia adicionado ao mês de agosto foi retirado de fevereiro, que passou a ter 28 dias.




Mosaico do século III representando o mês de novembro, localizado na antiga colônia romana de Thysdrus, no norte da atual Tunísia.


Aula 01 - República romana em crise (Do fracasso das reformas dos irmãos Graco ao Primeiro Triunvirato).



Exercícios

01- 

02 - 

03 - 

04 - 

05 - 

06 - 

07 - 

08 - 

09 - 

10 - 

Próxima aula
Tema: O povo hebreu e a dominação romana

quinta-feira, 29 de junho de 2023

Expansão e crise social na república romana

 A expansão romana (Roma parte 02)


Durante a república, os romanos levaram adiante um projeto de expansão territorial por toda a Península Itálica. Por meio da violência ou de acordos políticos, eles conseguiram dominar os diferentes povos que habitavam a região.


As guerras travadas com os povos vizinhos garantiram aos romanos terras para a agricultura, o controle de rotas comerciais, soldados para o exército e novas fontes de renda, pois os territórios conquistados eram obrigados a pagar tributos.


À medida que os plebeus enriquecidos ou membros das elites conquistadas pelos romanos conseguiam participar do Senado e chegar ao Consulado, eles eram admitidos na nobilitas, o conjunto de famílias nobres (patrícias e plebeias) que dominavam a política romana. Surgia, assim, uma nova aristocracia romana, reunindo as antigas famílias patrícias e os novos ricos, nascidos em Roma ou vindos de outras regiões da Itália.



Ruínas romanas na cidade antiga de Jerash, na atual Jordânia. Foto de 2012. Jerash teve um grande desenvolvimento a partir da ocupação romana, no século I a.C., tornando-se um importante centro comercial.


A conquista do Mediterrâneo


No século III a.C., Roma era o centro de uma poderosa confederação de povos e cidades itálicas e gregas. Mas o contínuo avanço dos romanos em direção ao sul da Península Itálica esbarrou em um adversário muito poderoso, a cidade de Cartago, situada no norte da África.


Cartago foi fundada pelos fenícios no século IX a.C. perto de onde está hoje a cidade de Túnis, capital da Tunísia. Logo se tornou uma potência comercial marítima, fundando colônias nas ilhas de Sardenha, Sicília e Córsega, na Península Ibérica e na costa africana do Mediterrâneo.


A disputa pelas rotas comerciais no Mediterrâneo levou Roma e Cartago à guerra. Os cartagineses eram chamados de puni pelos romanos. Por isso, as longas batalhas pelo domínio de Cartago e suas colônias receberam o nome de Guerras Púnicas. As batalhas tiveram início em 264 a.C. e chegaram ao fim apenas em 146 a.C., quando os romanos conquistaram Cartago e a transformaram em província de Roma.


No mesmo período das guerras contra Cartago, os exércitos romanos avançaram em direção ao Mediterrâneo Oriental e dominaram o Egito, a Síria, a Macedônia, a Grécia, a Ásia Menor e a Judeia. No século I a.C., Roma já controlava a maior parte das terras que circundavam o Mar Mediterrâneo.


As conquistas de Roma (201-31 a.C.)

 


Fonte: DUBY, Georges. Atlas histórico mundial. Barcelona: Larousse, 2010. p. 46; David Rumsey Map Collection. Disponível em <http://mod.lk/faxuq>. Acesso em 5 fev. 2020.


Mudanças geradas pela expansão romana


A expansão territorial transformou profundamente a cidade de Roma. Os espólios de guerra e os tributos pagos pelos povos vencidos enriqueceram a cidade, que erguia novas construções, como templos e aquedutos, e recebia cada vez mais pessoas e produtos de todos os municípios e províncias.


As conquistas possibilitaram ainda a formação de um novo grupo social: os cavaleiros. Eram plebeus afortunados que enriqueceram com a cobrança de impostos e a exploração econômica das áreas conquistadas. Quando uma cadeira no Senado vagava, era preenchida por um cavaleiro, que se tornava um “homem novo”. O conflito entre cavaleiros e patrícios pelo controle do Senado marcou os dois últimos séculos da república.


A obtenção de terras e de escravos, capturados entre os povos conquistados, levou ao surgimento de grandes propriedades escravistas, que produziam principalmente vinho e azeite. As pequenas propriedades camponesas, contudo, continuaram produzindo cereais e outros alimentos de subsistência.


A maior parte dos prisioneiros de guerra escravizados, no entanto, se concentrou nas cidades romanas, onde trabalhavam nas tarefas domésticas, em oficinas como artesãos ou lutavam nas arenas como gladiadores. Alguns escravos mantinham negócios próprios, pagando uma renda ao seu senhor. Outros, por serem mais letrados, eram recrutados para atuar como professores de crianças romanas.


Os escravos podiam ser vendidos, alugados e até mesmo mortos pelos próprios donos. No entanto, também podiam acumular riquezas e comprar sua liberdade. Quando libertos, permaneciam ligados aos antigos donos, recebendo proteção em troca de certas obrigações. Além disso, diferentemente do que acontecia na Grécia, em Roma os libertos podiam se tornar cidadãos.



Detalhe de um relevo romano representando o interior de um comércio de almofadas, século II. Na imagem, foram representados o proprietário do estabelecimento, compradores e escravos.


Rebeliões escravas


Como fizeram os plebeus no início da república, os escravos também promoveram várias revoltas no mundo romano. As primeiras ocorreram na Sicília, entre 136 a.C. e 132 a.C., e foram violentamente reprimidas. Novas revoltas eclodiram na pequena ilha entre 104 a.C. e 101 a.C. Nesse período, milhares de escravos organizaram exércitos para lutar contra as forças romanas, além de formar pequenas comunidades de escravos fugidos para preparar a resistência.


A mais famosa das revoltas escravas ocorreu em 73 a.C., em Cápua, no sul da Península Itálica. Segundo relatos da época, a revolta foi liderada por Espártaco, um escravo gladiador. Os gladiadores podiam ser escravos, prisioneiros de guerra condenados à morte ou criminosos. Eles lutavam nas arenas romanas, entre si ou com animais, por vezes até a morte. A grande habilidade de alguns gladiadores fazia com que se tornassem ídolos na sociedade romana: seus nomes eram escritos nos muros das cidades, e poemas eram feitos em sua homenagem. Os gladiadores tinham, portanto, um enorme prestígio social.


A princípio, apenas gladiadores participaram da rebelião liderada por Espártaco. Porém, aos poucos, o movimento ganhou a adesão de outros escravos, além de plebeus pobres e desempregados. Após mais de dois anos de combates, os rebeldes foram vencidos pelas forças romanas. Espártaco foi morto, e os cerca de 6 mil sobreviventes foram crucificados. Apesar da derrota, a revolta destacou-se pela duração e pelo número de pessoas que conseguiu mobilizar.


Dica de filme para assistir dentro do contexto histórico estudado:


Nome do filme: Spartacus


Direção: Stanley Kubrick 


País: Estados Unidos


Ano: 1960 


Duração: 184 min


O filme é uma narrativa ficcional criada a partir de relatos de historiadores gregos e romanos sobre a revolta de escravos liderada por Espártaco.


Depois de treinar em uma escola de gladiadores, Espártaco lidera uma fuga que logo se transforma em uma rebelião, mobilizando grande número de pessoas contra o governo romano.



Cena do filme Spartacus, do diretor Stanley Kubrick, 1960.


A crise social romana


As conquistas territoriais possibilitaram o acúmulo de muitas riquezas em Roma, mas também resultaram no aumento do número de pobres. Como a oferta de escravos era grande nas cidades romanas e nas propriedades agrícolas da Península Itálica e da Sicília, o número de plebeus desempregados cresceu. Nas cidades, um ambiente caótico de criminalidade, fome e doenças revelava a outra face da prosperidade romana.


Somente os patrícios e alguns plebeus enriqueceram com a expansão territorial romana. Os dois grupos tinham acesso às terras conquistadas (ager publicus) e controlavam os tributos cobrados nas novas áreas. Assim, a concentração de terras pela aristocracia ganhou grande impulso.


Os pequenos agricultores, ao contrário, ficavam cada vez mais pobres, pois, ao retornar das guerras de conquista, encontravam suas propriedades ocupadas. Dessa forma, muitos camponeses se deslocavam para as cidades à procura de trabalho. Mas, como vimos, eles acabavam desempregados devido à grande oferta de mão de obra escrava.


Assim, a república romana, apesar de ter conquistado glória, foi incapaz de resolver os problemas sociais que atingiam as camadas mais pobres e os grupos em ascensão, como mostra o texto a seguir.


“Na república, era o pequeno proprietário de terra quem fornecia os soldados para o exército […]; a legião era composta pelo cidadão romano, de condição livre, o mesmo que participava das assembleias que elegiam os magistrados e votavam leis. 


À medida que ocorreu a proletarização desta camada de cidadãos, tornou-se mais difícil recrutar as legiões, pois havia um requisito censitário mínimo, que não era mais atingido pelos cidadãos empobrecidos com as contínuas guerras. 


Situação paradoxal: o Estado romano nunca fora tão rico; o êxito das guerras vitoriosas proporcionava um impressionante afluxo de riquezas e escravos provenientes do butim. O Senado romano controlava o Mediterrâneo […]. Apesar disso, um número crescente de cidadãos sem terras se acumulava nas cidades, sobretudo em Roma, vivendo em condições precárias. O conflito social na fase final da república centrou-se na questão agrária, que afligia principalmente a plebe rural.”


CORASSIN, Maria Luiza. A stásis: o conflito na república romana. Hypnos, ano 7, n. 9, 2o sem. 2002, São Paulo. p. 77.



Questão da terra, charge de Angeli, 2008.


Explore e reflita


01 - A charge aborda um problema brasileiro da atualidade. Que problema é esse? 

02 - De que maneira a charge pode ser relacionada à crise da república romana?


 As reformas dos irmãos Graco


Diante desse cenário de crise, Tibério Graco, eleito tribuno da plebe em 133 a.C., propôs várias mudanças. Uma delas estabelecia uma ampla reforma agrária, que limitava o tamanho das propriedades rurais e distribuía terras aos camponeses pobres que lutavam nas guerras. Apesar de aprovada pelo Senado, a proposta teve forte resistência das elites. Assim, em uma rebelião liderada pelos patrícios, Tibério foi assassinado.


Dez anos depois, as ideias de Tibério sobre a reforma agrária foram retomadas por seu irmão, Caio Graco, eleito tribuno da plebe. Além de defender a distribuição de terras para a população pobre, Caio Graco propôs estender a cidadania romana aos povos aliados da Península Itálica. A resistência às propostas de Caio Graco foi geral. Temendo ser assassinado por seus inimigos, ele determinou que um escravo o matasse.


No final do século I a.C., o mundo romano mergulhou em uma profunda crise social, que contribuiu para o fim da república.



Miniatura representando os irmãos Graco, publicada em uma edição da obra Vidas paralelas, de Plutarco, século XV.


Próxima aula

O Império Romano


segunda-feira, 26 de junho de 2023

Roma: da monarquia à república

Roma: da monarquia à república (Roma parte 01)



Roma - origem,  a monarquia e a república.


Antes de iniciarmos o estudo, clique no link abaixo e veja o vídeo.

https://youtu.be/SfoAgpJwF5g?si=KLVKIbtRYslwm0Sj


As origens de Roma


1ª explicação - Fundação devido as ondas migratórias (povos itálicos).

2ª explicação - Lenda da fundação de Rômulo e Remo.


As ondas migratórias que fundaram Roma


Na mesma época em que os gregos colonizavam terras na costa do Mediterrâneo e do Mar Negro, povos latinos fundavam, na Península Itálica, a cidade de Roma.


> Povos itálicos = Latinos (se fixaram no centro), samnitas (fixação no sul da Península Itálica), sabinos (centro norte) entre outros.



Os grupos de origem indo-européia teriam chegado à Itália por volta de 2200 a.C., tendo os povos denominados itálicos ou italiotas ocupado o centro-sul da península, e os séculos, a Sicília. Os dois principais subgrupos dos itálicos eram os samnitas e os latinos.


O povoamento da Península Itálica resultou de várias ondas migratórias. A principal delas foi a dos povos itálicos, que começaram a entrar no território por volta de 2200 a.C. Entre esses povos se destacavam os latinos, que se fixaram no centro da península, e os samnitas, que se estabeleceram mais ao sul.


Outro povo que se fixou na península foram os etruscos. De origem incerta, eles se estabeleceram ao norte do Rio Tibre, onde desenvolveram o comércio marítimo, a pirataria, a agricultura, a criação de rebanhos e o artesanato. Por volta do século VII a.C., os etruscos já formavam uma confederação de cidades-Estado e mantinham intensos contatos comerciais com os fenícios e os gregos.


Os gregos (helenos) também fundaram importantes colônias no sul da Península Itálica e na Sicília, onde viviam cartagineses e diferentes povos itálicos. Os helenos só não conseguiram avançar para o norte porque foram barrados por cartagineses e etruscos.


Muitos mitos envolvem a fundação de Roma. Segundo a tradição, a cidade teria sido fundada em 753 a.C. Vestígios arqueológicos indicam que, de fato, por volta do século VIII a.C., formou-se uma comunidade naquela área. Ela era composta de várias aldeias latinas, unidas provavelmente para se defenderem dos sabinos, outro povo itálico que vivia na região.


 Antigos povos da Península Itálica  


Fonte: KINDER, Hermann; HERGT, Manfred; HILGEMANN, Werner. Atlas histórico mundial: de los orígenes a nuestros días. 22. ed. Madri: Akal, 2007. p. 74.


Clique no link abaixo e veja o vídeo sobre os etruscos.

https://youtu.be/iui_27sIIZg?si=Xpqhj5sRMHtBRCZR


A origem lendária de Roma



Lenda de Rômulo e Remo


A mais conhecida lenda sobre a origem de Roma narra a trajetória dos gêmeos Rômulo e Remo, filhos do deus Marte e da humana Reia Sílvia (filha do rei da cidade de Alba Longa).



deus Marte e da humana Reia Sílvia (filha do rei da cidade de Alba Longa).


Conta-se que Reia foi obrigada a jogar seus filhos nas águas do Rio Tibre após seu pai ser destronado pelo tio. Os gêmeos foram encontrados por uma loba, que os amamentou até serem acolhidos por um casal de pastores.



Os gêmeos foram encontrados por uma loba, que os amamentou até serem acolhidos por um casal de pastores.


Quando se tornaram adultos, os gêmeos se vingaram do tio, tomaram de volta o trono e fundaram uma nova cidade: Roma. Na disputa para decidir quem seria o primeiro rei de Roma, Rômulo matou o próprio irmão.



Para decidir quem seria o primeiro rei de Roma, Rômulo matou  Remo.



Relevo representando Rômulo e Remo sendo alimentados por uma loba.




Escudo do time de futebol Roma


A periodização da História de Roma na antiguidade

1º período: Monarquia romana (753-509 a.C.)

2º período: República romana (509-27 a.C.)

3º período: Império romano (27 a.C. - 476 d.C.)


A monarquia romana (753-509 a.C.)


A história antiga de Roma geralmente é dividida em três períodos, que correspondem aos regimes políticos adotados entre a fundação da cidade e a queda do último imperador romano: monarquia, república e império.


Desde a sua fundação, ao longo do período monárquico, Roma foi governada por reis, que eram escolhidos pelo Senado, um conselho formado pelos chefes das famílias aristocráticas romanas. Os reis podiam declarar guerras, administrar a justiça e presidir rituais religiosos. Apesar disso, deviam ouvir a opinião do Senado e dependiam das assembleias para garantir seu poder.


Durante a monarquia, Roma cresceu rapidamente. Esse crescimento se acelerou no século VII a.C., quando os etruscos se espalharam pela Planície do Lácio e expandiram a atividade comercial na região. Com isso, Roma urbanizou-se e tornou-se o centro do domínio etrusco na região do Lácio.


 Cronologia da história política romana  



Periodização da história da Roma Antiga


Estrutura social na Roma antiga


A sociedade romana do período monárquico dividia-se basicamente nos seguintes grupos.


Patrícios. De patres, que significa pais. Pertenciam às famílias que se consideravam descendentes dos fundadores de Roma. Eram muito ricos e possuíam gado e terras. Formavam a aristocracia da cidade.


Plebeus. De plebs, que significa multidão. Eles trabalhavam no comércio, no artesanato, na agricultura e na criação de rebanhos e eram obrigados a servir no exército. Até o início da república, não podiam participar da vida política, mesmo quando enriqueciam.


Clientes. Podiam ser tanto plebeus quanto patrícios. Os membros desse grupo pertenciam a famílias que juravam fidelidade ao chefe de outra família, o chamado patrono, que em geral era um patrício. Para o patrício, quanto maior o número de clientes sob sua proteção, maior era o seu prestígio social e político.


Também havia em Roma nesse período um pequeno número de escravos. Ao contrário dos plebeus, eles não eram livres até conseguir quitar sua dívida com um credor.


A república romana (509-27 a.C.)


No final do século VI a.C., o domínio etrusco chegou ao fim. O mais provável é que os reis etruscos tenham perdido o apoio da aristocracia romana e se enfraquecido com a oposição dos plebeus. Com o fim da monarquia, em 509 a.C., o governo de Roma passou a ser uma res publica, que em latim significa “coisa pública”. Porém, essa “coisa pública” tinha um sentido diferente daquele que usamos atualmente.

Na nossa sociedade, um bem público é aquele que pertence a uma coletividade. Um parque público, por exemplo, pode ser utilizado por todas as pessoas. Na república romana, no entanto, “coisa pública” significava que o Estado deixava de pertencer ao rei para ser administrado pelos cidadãos, que no início eram apenas os patrícios.


Nova ordem política


No período republicano, os antigos reis foram substituídos por dois cônsules. Eles eram escolhidos pelos patrícios no Senado e auxiliados por magistrados e pelas assembleias, que estavam divididas da seguinte maneira.


  • Assembleia por cúria. Os cidadãos eram divididos pelo local de origem ou de residência.

  • Assembleia por centúrias. Divisão dos cidadãos de acordo com a riqueza e a participação no exército.

  • Assembleia da plebe. Formada apenas por plebeus. Podiam eleger os magistrados, mas não podiam exercer cargos políticos, direito que era exclusivo dos patrícios.

Os magistrados eram eleitos pelos cidadãos, em geral para um mandato anual (veja o quadro a seguir). O exercício da magistratura não era remunerado, o que significa que apenas os patrícios mais ricos tinham condições de desempenhar essa função.


Principais magistrados romanos
CônsulesComandavam os exércitos em tempos de guerra, além de presidir o Senado e os comícios.
PretoresEram responsáveis pela justiça. 
EdisCuidavam dos serviços públicos (abastecimento da cidade, segurança, pavimentação das ruas e organização de jogos públicos).
QuestoresAdministravam o tesouro público.
CensoresFaziam a contagem da população, controlavam a conduta do cidadão e supervisionavam as despesas públicas.




Detalhe de sarcófago romano que representa uma procissão do Senado para a nomeação de um cônsul, 270 a.C.


O descontentamento da plebe


Além de não participarem do Senado, os plebeus tinham pouco peso nas assembleias centuriais, pois o voto nessas assembleias era censitário. Patrícios e clientes votavam primeiro, e, quando se atingia a maioria, a votação se encerrava, mesmo que um grande número de plebeus não tivesse votado.


Ilustração atual representando um plebeu romano.


Além disso, muitos plebeus, em geral pequenos proprietários rurais, eram convocados para a guerra e, ao voltar, viam-se obrigados a contrair empréstimos, usando sua propriedade como garantia. Aqueles que não conseguiam pagar suas dívidas perdiam suas propriedades e sua liberdade, tornando-se escravos.

Os plebeus mais ricos também estavam descontentes por não terem acesso às magistraturas e por serem proibidos de se casar com patrícios.

A partir do século V a.C., o descontentamento da plebe transformou-se em rebeliões e resultou na conquista de direitos políticos por parte dos plebeus, como mostra a linha do tempo abaixo.


Alguns acontecimentos importantes 



1º   Em 494 a.C.

Os plebeus conquistam o direito de eleger um magistrado para defender seus interesses: o tribuno da plebe.


2º  Em 450 a.C.

Patrícios e plebeus redigem a Lei das Doze Tábuas, que regulava os direitos de família e de propriedade, além de crimes como homicídio e roubo.

3º Em 367 a.C.

Os plebeus conquistam o direito de se candidatar ao cargo de cônsul.

4º Em 326 a.C.

Fim da escravidão por dívidas, principal queixa dos plebeus pobres.

5º Em 286 a.C.

Os plebiscitos, decisões tomadas pela plebe em suas assembleias, ganham força de lei para todos os romanos.

Foto da aula - A origem de Roma e a monarquia romana 1004

Foto aula 01 de 2024 - A fundação de Roma e a Monarquia Romana 1001 e 1002 integral.


Quadro aula 01 - Ondas migratórias, Lenda de Rômulo e Remo, Monarquia Romana e sociedade romana.


Quadro 02 - Fim da monarquia romana, a república romana, uma nova ordem política, as assembléias, os magistrados e o descontentamento da plebe.



Próxima aula
Roma: da monarquia à república


Exercícios 

01 até 12 (Aula 01).

01 - Quais povos fundaram a cidade de Roma?

02 - Informe três povos que fazem parte da etnia dos itálicos:

03 - Qual povo habitou o sul da Península Itálica e na região da Sicília?


04 - Os etruscos povoaram qual região da Península Itálica?

05 - Explique, com suas palavras, a  fundação da cidade de Roma de acordo com a lenda de Rômulo e Remo:

06 - A História de Roma é dividida em três períodos, quais são?

07 - Informe o início e o fim de cada período abaixo:

a) Monarquia romana:

b) República romana:

c) Império romano:

08 - Na monarquia romana, quem era a autoridade máxima? O que ele fazia?

09 - O rei não governava sozinho na monarquia romana, governava com o apoio do Senado. O que era o Senado romano? Quais eram as suas principais funções?

10 - Além do Senado, os reis romanos também precisavam do apoio das:

11 - Como a sociedade romana era dividida? Quais eram os principais grupos sociais?

12 - Defina:

a) Patrícios:

b) Plebeus:

c) Clientes

d) Escravos:

13 até 24 (aula 02)

República Velha (1889 - 1930) República de Espada (1889 - 1894) e República do Café com Leite (1894 - 1930)

A República Velha (1889-1930): Das Espadas ao Café com Leite O que é uma República?  República, do latim "res publica"...