domingo, 10 de setembro de 2023
Escravidão africana no Brasil
sexta-feira, 8 de setembro de 2023
Tráfico do Atlântico (Tráfico negreiro entre África x Américas)
Tráfico negreiro do Atlântico - comércio de escravos entre África e Américas.
Clique no link abaixo e veja o vídeo sobre a grandiosa história africana ao longo da antiguidade e idade média.
https://youtu.be/hSDhPrMz7IQ?si=sdVcnMYsgMp4RUcE
O tráfico transatlântico
Quais foram os principais resultados do tráfico transatlântico?
Dançarinos de conga se apresentam nas ruas de Havana, em Cuba. Foto de 2016.
A diáspora africana
Até recentemente, o termo diáspora era aplicado para nomear a dispersão forçada dos judeus pelo mundo após a destruição de Jerusalém pelos romanos, no século I d.C. Sabemos, porém, que processos semelhantes de dispersão territorial ocorreram com outros povos. Por isso, desde o final do século XX, muitos livros e artigos têm feito referência à diáspora africana, o movimento de migração forçada mais intenso de que se tem notícia.
Diáspora
O deslocamento territorial de milhões de africanos através do Oceano Atlântico foi motivado pelos lucros obtidos com o tráfico negreiro e com a exploração do trabalho escravo na América.
Diáspora africana
Escravidão promovida por europeus que focavam nos altíssimos lucros obtidos pelo tráfico.
Praticado por quase quatro séculos, o tráfico de escravizados teve como maior consequência para o continente africano a perda demográfica. Na Europa, o seu principal resultado foi o acúmulo de grandes lucros. Na América, para onde a maior parte dos africanos escravizados foi levada, o tráfico atlântico e a escravidão produziram sofrimento, mortes e um legado de preconceito difícil de superar. Porém, eles também promoveram encontros e trocas entre diversas sociedades e culturas, ocorridos tanto nos navios negreiros como nos espaços que os sujeitos escravizados encontraram fora da África.
Nas terras ligadas pelo Atlântico, os africanos escravizados estabeleceram novos vínculos afetivos e familiares, construindo, na relação com outros povos, expressões culturais afro-americanas. Seus descendentes, em razão das barreiras étnico-sociais geradas pela escravidão, hoje lutam para se inserir como cidadãos plenos na sociedade.
“Para pensar a diáspora africana é preciso destacar as regiões portuárias. Tais regiões marcaram a entrada desses indivíduos em novos mundos, e por serem locais de chegada, eram também marcados pelo contato e […] pela diversidade cultural, étnica e social. [...]
Um mundo de trocas e sociabilidade se construiu a partir da experiência num novo local. Formas de ver o mundo, domínio de diferentes tecnologias, ideias e crenças são exemplos destas trocas. Africanos de todas as partes do continente precisaram construir novas formas de viver a vida em terras (hoje) brasileiras.
Assim, a diáspora não é apenas sinônimo da imigração à força, mas também [...] a construção de novas formas de ser, agir e pensar no mundo. Os castigos físicos e o sofrimento fizeram parte da vida de homens e mulheres escravizados. Mas as lutas diárias, os novos elos afetivos, os vínculos familiares também.”
ANDRADE, Ana Luíza Mello Santiago. Diáspora africana. Geledés, 14 fev. 2017. Disponível em <http://mod.lk/67yhg>. Acesso em 16 mar. 2020.
Rancho na região da serra do Caraça, gravura de Spix & Martius, 1817-1820.
Escravo ou escravizado?
Segundo alguns pesquisadores, do ponto de vista semântico, o termo “escravo” naturaliza a condição do cativo, como alguém que se acomodou a uma condição estabelecida desde sempre. Por isso, o termo mais correto seria “escravizado”. Ele permite perceber que a pessoa cativa estava naquela condição, criada e não natural, por decisão do opressor.
A expansão portuguesa na África
Os portugueses foram pioneiros no comércio de pessoas escravizadas da África para a América. Em 1443, a Coroa portuguesa criou, no Arquipélago de Arguim, a primeira feitoria em terras africanas. O entreposto de Arguim seria utilizado para a obtenção de ouro, goma arábica e escravizados, além de servir de base para a expansão portuguesa em direção ao Atlântico Sul.
Porém, o grande impulso ao tráfico veio com a colonização da América, a partir do século XVI. A crescente demanda de mão de obra estimulou a criação de rotas diretas entre a África e a América, transformando o tráfico negreiro em um negócio transatlântico.
No século XVI, com o apoio de guerreiros imbangalas, os portugueses derrotaram reinos mais ao sul do continente africano, que resistiam à sua presença, e fundaram as colônias de Luanda e Benguela. Aos poucos, formou-se uma nova sociedade colonial portuguesa, voltada à captura e venda de escravizados.
À medida que cresciam os lucros com o comércio negreiro, as guerras entre os reinos africanos passaram a ser motivadas cada vez mais pelo interesse em adquirir escravizados e comercializá-los com os europeus. Dessa maneira, a solução para o fornecimento de mão de obra na América tornou-se um lucrativo negócio, tanto para os europeus quanto para os chefes e líderes africanos.
Navio negreiro, gravura colorizada de Johann Moritz Rugendas, 1835.
O funcionamento do tráfico negreiro
Clique no link abaixo e veja o vídeo sobre o tráfico negreiro
https://youtu.be/D8OYVuwquCs?si=jG1U_8TDbPwB1F_E
O tráfico transatlântico de escravizados foi responsável pelo maior deslocamento forçado de pessoas, a longa distância, da história. Das primeiras viagens realizadas no início do século XVI até 1866, ano da partida do último navio negreiro para a América, cerca de 12,5 milhões de africanos foram escravizados e obrigados a embarcar, em sua maioria, em direção às colônias americanas do outro lado do Oceano Atlântico.
As propriedades monocultoras de cana-de-açúcar na América, conhecidas como plantations, foram fundamentais para a expansão do tráfico negreiro, pois 80% de todos os escravizados que saíram da África entre os séculos XVI e XIX foram levados para trabalhar nessas áreas de produção de açúcar. Entre os que desembarcaram em portos americanos, 95% foram levados para o Caribe e a América do Sul.
O tráfico era lucrativo para todos os agentes nele envolvidos. Na maior parte da costa africana, o comércio entre europeus, colonos americanos e traficantes locais se assentava em praças mercantis, portos e fortalezas. Os navios negreiros partiam de vinte portos principais, de onde quase três quartos de todos os cativos retirados da África foram transportados em naus para diversas localidades (veja o mapa abaixo).
Os principais portos de embarque de pessoas escravizadas se localizavam na África Ocidental. Ao longo de quase quatro séculos de tráfico negreiro, a maior parte dos cativos partiu da região centro-ocidental. Na porção oriental da costa africana, Madagascar e Moçambique destacaram-se a partir do final do século XVIII até meados do século XIX, período em que o tráfico começou a declinar e as rotas convencionais foram proibidas.
Visão geral do tráfico de escravizados (1501-1866)
Fonte: Slave Voyages: The Trans-Atlantic Slave Trade Database. Disponível em <http://mod.lk/zon3v>. Acesso em 9 mar. 2020.
O discurso que justificava a escravidão
O volume do tráfico de africanos escravizados superou em muito o comércio de cativos na Antiguidade. Diferentemente do escravismo antigo, a escravidão moderna alcançou uma dimensão intercontinental, criando sociedades escravistas em várias partes da América.
Os reinos europeus que comerciavam escravizados no Atlântico criaram leis para regulamentar o tráfico e a escravidão, definindo, por exemplo, até onde ia o poder do senhor sobre seus cativos, quais eram as condições de compra e venda, que castigos eram toleráveis etc. Procuravam também determinar em quais situações os escravizados poderiam alcançar a alforria.
Para legitimar a prática da escravidão do ponto de vista moral e jurídico, os europeus procuravam justificativas nas ideias de pensadores da Igreja, nos textos de Aristóteles e no direito romano. Assim, eles criaram um discurso que tratava um ato cruel e hediondo como uma prática justa, natural e necessária (leia o boxe no final desta página).
Gravura colorizada do século XIX que representa africanos cativos sendo conduzidos, em comboio, para os postos de venda de escravizados na costa do continente.
A dimensão humana da travessia atlântica
Por trás dos números, dos mapas e das tabelas relacionados ao tráfico negreiro, estão as pessoas que foram vítimas da crueldade desse comércio. O terror, o medo e a tortura eram as características mais evidentes da escravização e do tráfico negreiro.
Dos cerca de 12,5 milhões de africanos que embarcaram nos navios com destino à América, quase 2 milhões não sobreviveram. Sucumbiram em razão das precárias condições da viagem, que durava em média quarenta dias: embarcações lotadas, disseminação de doenças como tuberculose e disenteria, alimentos estragados e sujeira. Também foram vítimas de castigos físicos, privações e violência sexual.
Nos navios, os africanos resistiam com frequência, promovendo motins na tentativa de se libertar. Em um a cada dez navios ocorreu algum tipo de rebelião de escravizados ou ataque na costa africana. As fugas, as revoltas armadas e a formação de comunidades de fugitivos são alguns exemplos da resistência à escravização que acontecia ainda no interior do continente africano.
As pressões dos agentes envolvidos na economia escravista para aumentar a cada dia o fornecimento de escravizados levaram as elites africanas a criar e incrementar meios para a obtenção de cativos, como o sequestro, a captura ilegal de livres e libertos e a escravização de pessoas acusadas de algum crime. Os resultados desse processo foram o despovoamento de regiões inteiras, a instabilidade política de reinos, vilas e aldeias e a desagregação social das populações locais.
O motim no Amistad, pintura mural de Hale Woodruff, 1938. A cena representa a rebelião de africanos escravizados ocorrida em 1838 no navio Amistad.
A escravidão atlântica
Fotos quadro
Abaixo, foto do quadro aula 01 e 02
Aula01
quarta-feira, 6 de setembro de 2023
Mapão Nordeste açucareiro (sociedade e economia açucareira)
Mapão (estudos orientados) Nordeste açucareiro (sociedade e economia açucareira)
O engenho e seu funcionamento - Nordeste açucareiro (sociedade e economia do açúcar)
Avaliação baseada no conteúdo
https://historiaecio.blogspot.com/2023/08/nordeste-acucareiro.html
- Após o ciclo do pau-brasil, qual produto tomou importância na colonização de exploração da América portuguesa?
- Sobre o cultivo da cana-de-açúcar... Tivemos duas capitanias foram favorecidas pela maior proximidade da metrópole, pela disponibilidade de terras aráveis e pela existência de rios navegáveis, que facilitavam o transporte do açúcar. Estamos falando sobre as capitanias de:
- Durante os dois primeiros séculos de colonização, o açúcar se tornou o produto mais lucrativo e o principal negócio para a Coroa e para os comerciantes portugueses. Por que isso acontecia?
- O engenho colonial era composto por:
- Ao longo do processo produtivo do açúcar, defina:
1 - Setor de moagem 2 - Setor de cozimento 3 - Setor de purgar
- Poucos fazendeiros contavam com recursos próprios para montar uma plantação de cana e arcar com os custos de instalação dos equipamentos utilizados para a fabricação do açúcar. Como os fazendeiros conseguiam empréstimos para cultivar a cana-de-açúcar e os produtos derivados?
- O açúcar produzido no Brasil fazia parte de uma extensa rede de comércio internacional. Quem lucrava com essa extensa rede de produção e comércio?
- Em quais regiões das capitanias de Pernambuco e Bahia ficavam os engenhos?
- Boa parte da mão de obra implantada no cultivo da cana-de-açúcar, a maioria dos trabalhadores no engenho eram:
- Quem eram os senhores de engenho? Fale um pouco sobre eles:
- Nem todo produtor tinha recursos para a instalação de um engenho. Os produtores de cana que não possuíam engenho eram chamados lavradores de cana. Eles se dividiam basicamente em duas categorias: os lavradores proprietários e os arrendatários. Quem eram os:
1 - Lavradores proprietários 2 - Lavradores arrendatários
- Todo proprietário de lavouras de cana-de-açúcar era um senhor de engenho?
Explique a principal diferença entre os lavradores proprietários e os lavradores arrendatários:
terça-feira, 5 de setembro de 2023
Revisão 3° ano Fascismo 3° bim. 2023
Revisão História prova 3° ano 3° bim. 2023 Fascismo e nazismo.
Avaliação baseada na aula:
https://historiaecio.blogspot.com/2022/12/a-ascensao-do-fascismo-na-italia.html
Principais tópicos que você precisa saber para a realização de uma boa avaliação sobre o fascismo:
- Em qual contexto histórico surgiu o fascismo na Itália e o nazismo na Alemanha?
- Definição de fascismo é:
- Quem foi Benito Mussolini e Adolf Hitler? Fale um pouco sobre cada um deles:
- As principais características do fascismo (informe pelos menos cinco características):
- O que era o Fasci di Combattimento?
- Relação entre o regime fascista e os meios de comunicação. Como o fascismo usava a mídia para controlar e censurar?
- Qual era o objetivo dos governos fascistas ao usar a censura?
- Características econômicas defendidas pelos regimes fascistas europeus nas décadas de 1930 e 1940:
- O governo fascista na Itália sob Benito Mussolini foi caracterizado por:
- Como Mussolini chegou ao poder?
- Como o fascismo usava a religiosidade?
- Como Adolf Hitler assumiu o poder na Alemanha?
- Qual relação entre os regimes totalitários (fascismo e nazismo) com o início da Segunda Grande Guerra Mundial?
- Por que o fascismo é considerado de direita?
- Por que os empresários italianos, em sua maioria, apoiavam o fascismo?
- Qual é o lema do fascismo?
- Como ditador (Duce), o que Mussolini fez nos primeiros anos de poder?
- Qual o problema do fascismo?
Liberação de armas para a população - formação de milícias armadas
Faça uma reflexão...
O fascismo e as suas características lembra algo que o Brasil possui atualmente?
Aula (material)
https://historiaecio.blogspot.com/2022/12/a-ascensao-do-fascismo-na-italia.html
domingo, 3 de setembro de 2023
Primeiro Reinado (1822 - 1831)
O Primeiro Reinado
Brasil Imperial (parte 01) - Primeiro Reinado (1822 - 1831)
Nem todos queriam a independência...
Que acontecimentos marcaram o governo de D. Pedro I no Brasil?
Após a independência, a resistência de algumas províncias ao rompimento com Portugal avançou para o confronto armado. Nas províncias do Pará, Maranhão, Piauí e Ceará, além de parte da Bahia e da Província Cisplatina, militares e altos funcionários portugueses não aceitaram a independência, aliando-se às Cortes de Lisboa.
No município de Campo Maior, no Piauí, por exemplo, ocorreu a Batalha do Jenipapo, em 13 de março de 1823. Na luta, piauienses, apoiados por maranhenses e cearenses favoráveis à independência, combateram as tropas portuguesas, comandadas pelo governador João José da Cunha Fidié, que desejavam manter as províncias do Norte e Nordeste fiéis a Portugal.
O movimento teve forte caráter popular. Estima-se que mais de 2 mil sertanejos, entre vaqueiros, artesãos, fazendeiros, roceiros, lavradores e até mesmo escravos, tenham participado do conflito. Eles armaram-se com instrumentos de trabalho, como foices e enxadas.
Apesar da resistência sertaneja, as tropas de Fidié venceram o conflito e fizeram cerca de 500 prisioneiros. Porém, após a batalha, um grupo de sertanejos invadiu o acampamento militar dos portugueses e apreendeu armamentos, munições e dinheiro. Além disso, muitos soldados desertaram. Assim, Fidié se viu obrigado a sair do Piauí, seguindo para o Maranhão, onde foi preso e mandado de volta a Portugal.
Na Bahia, a guerra contra as tropas portuguesas contou com o apoio de oficiais ingleses. O conflito terminou em 2 de julho de 1823, com a vitória das forças inglesas e imperiais.
Ilustração atual representando a Batalha do Jenipapo, ocorrida em 1823.
Bahia: mulheres na luta pela independência
Na Bahia, a Festa da Independência é celebrada no dia 2 de julho, data em que todo o estado relembra a vitória sobre as tropas portuguesas, ocorrida em 1823. Os conflitos entre portugueses e brasileiros na Bahia começaram em fevereiro de 1822 com a chegada de um novo governador enviado pelas Cortes de Lisboa. No mesmo mês, ele ordenou a invasão do convento da Lapa, supostamente à procura de armas e rebeldes ali escondidos. A freira Joana Angélica tentou impedir a entrada dos soldados e foi morta a golpes de baionetas. Quem também se destacou foi Maria Quitéria. Nascida em uma família de militares, a jovem fugiu de casa, vestiu um uniforme militar e se passou por homem para integrar as forças voluntárias que lutavam contra os portugueses. Hoje é considerada, oficialmente, a primeira mulher a integrar uma unidade militar no Brasil. Maria Felipa de Oliveira, negra liberta e pescadora da Ilha de Itaparica, liderou voluntários em ações de apoio às tropas brasileiras: erguiam barricadas, vigiavam a praia e a chegada de embarcações inimigas e organizavam o envio de provisões para o interior. Em 2017, o nome de Maria Felipa foi acrescentado a uma lápide comemorativa em Itaparica ao lado de outros personagens que se destacaram nas lutas de independência da Bahia.
Ilustração atual representando Joana Angélica, Maria Felipa de Oliveira e Maria Quitéria.
A Assembleia Constituinte de 1823
Além dos conflitos internos, em 1823 também ocorreram eleições para a Assembleia Constituinte. Ela tinha por objetivo elaborar a primeira Constituição do Brasil, tarefa essencial na construção do novo Estado. Instalada em maio, a Assembleia reunia advogados, padres, funcionários públicos – civis e militares – e, principalmente, proprietários rurais.
Os constituintes estavam divididos em duas correntes distintas: os partidários do imperador, que defendiam um governo centralizado e forte, capaz de derrotar as tendências separatistas que se verificavam no começo do império, e os adversários do imperador, que propunham limites para a autoridade de D. Pedro I.
A proposta inicial da Constituição desagradou o imperador. Apesar de conservador, mantendo os interesses das elites que apoiaram D. Pedro na independência do Brasil, o projeto limitava os poderes do monarca, como o de dissolver a Câmara dos Deputados quando considerasse necessário.
Diante disso, em novembro de 1823, D. Pedro I enviou suas tropas à Assembleia Constituinte, pondo fim aos seus trabalhos. Esse acontecimento ficou conhecido como a Noite da Agonia. Dissolvida a Assembleia Constituinte, D. Pedro I encomendou a um grupo de pessoas de sua confiança um novo projeto constitucional.
RJTV - Noite da Agonia
Clique no link abaixo e veja o vídeo.
Coroação de D. Pedro I, pintura de Jean-Baptiste Debret, 1828.
A Constituição de 1824
Em 1824, D. Pedro I outorgou a primeira Constituição do Brasil, que conciliava os interesses da elite com o autoritarismo do imperador. Veja as principais resoluções da lei.
* O governo do Império do Brasil foi definido como uma monarquia hereditária, constitucional e representativa.
* Adotou-se o princípio da separação dos poderes, que foram divididos em Executivo, Legislativo, Judicial e Moderador. Este último era exclusivo do imperador e lhe garantia o direito de intervir nos demais poderes.
* Foi garantido o direito à propriedade de terras, escravos e demais bens adquiridos pelas elites durante o período colonial.
* O catolicismo foi adotado como religião oficial do império.
* Foi estabelecido o voto indireto e censitário. Os eleitores escolhiam, nas eleições primárias, o colégio encarregado de eleger os deputados. Além disso, exigia-se do cidadão uma renda mínima para poder votar ou candidatar-se à Câmara e ao Senado.
A nova lei também dividiu o território brasileiro em províncias, governadas por um presidente nomeado pelo imperador. Estabeleceu ainda o princípio da tolerância religiosa e a educação primária gratuita.
Negros e indígenas na Constituição
As elites que conduziam o novo país mantiveram os negros escravizados e os indígenas excluídos de seus planos políticos e sociais.
A Constituição de 1824 não fazia menção aos escravos, apenas aos ingênuos e libertos. Por exemplo, ao determinar quem era cidadão brasileiro, a lei declarava que os ingênuos e os libertos nascidos no Brasil eram cidadãos com direitos restritos. Com isso, os cativos nascidos na África que obtinham a alforria ficavam em condição vulnerável, suscetíveis a todo tipo de violência por parte dos antigos senhores e das autoridades imperiais.
Em relação aos indígenas, o estadista José Bonifácio apresentou à Assembleia Constituinte de 1823 uma proposta para integrá-los socialmente por meio da educação, do trabalho, dos casamentos mistos e do convívio com o homem branco. Entretanto, o projeto foi excluído da Constituição de 1824. Apenas com a Constituição de 1988, os indígenas conquistaram o direito à sua identidade étnica e às terras que tradicionalmente ocupam.
Mulher escravizada que trabalhou como ama de leite e babá, em Pernambuco. Foto de Alberto Henschel, 1874.
Museu Imperial
Disponível em <http://mod.lk/aLkgp>. Acesso em 2 jul. 2020.
O Museu Imperial, localizado no centro histórico do município de Petrópolis, no Rio de Janeiro, possui o principal acervo referente ao Império Brasileiro. O site da instituição disponibiliza diversas informações sobre o Primeiro e o Segundo Reinado por meio de documentos escritos, imagens e objetos do acervo do museu, além de publicações on-line. Também é possível fazer uma visita virtual para conhecer as exposições e a arquitetura do prédio, que foi residência de veraneio da família imperial.
A Confederação do Equador
Confederação do EquadorA dissolução da Assembleia Constituinte de 1823 e o caráter centralizador da Constituição de 1824 desagradaram as lideranças da província de Pernambuco, onde havia um forte sentimento antiportuguês e favorável à república. A difusão das ideias liberais na província tinha como principais representantes o médico e ativista político Cipriano Barata e o Frei Joaquim do Amor Divino Rabelo, conhecido popularmente como Frei Caneca, um dos líderes da Revolução Pernambucana de 1817.
Em seu periódico Sentinela da Liberdade, Cipriano defendia a liberdade de imprensa e um governo liberal e federativo para o país. Por suas posições políticas, foi preso em 1823 e libertado somente em 1830. Na prisão, Cipriano continuou a alimentar o movimento com as ideias liberais publicadas em seu jornal. Já Frei Caneca, por meio de seu jornal, o Tifis Pernambucano, denunciava o autoritarismo do governo imperial, propagava os ideais republicanos e conclamava o povo à revolta.
O estopim para a insurreição foi a nomeação, por parte do governo de D. Pedro I, de um novo presidente para a província de Pernambuco. Em julho de 1824, os revoltosos proclamaram a Confederação do Equador, propondo a formação de uma república independente. Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí e Paraíba aderiram à revolta.
O governo imperial reprimiu com violência o movimento: os principais líderes foram presos, e nove deles foram condenados à morte. Frei Caneca, figura central na revolta, foi morto a tiros depois da recusa do carrasco em enforcá-lo.
A execução de Frei Caneca, pintura de Murilo La Greca, sem data.
Bárbara de Alencar: líder rebelde do Cariri
Nascida em Exu, em Pernambuco, Bárbara de Alencar fez sua carreira política em Crato, no vale do Cariri cearense, onde ajudou a fortalecer os ideais republicanos. Proprietária de terras e escravos, ela pertencia à elite agrária do sertão e sua casa era usada como local de encontros políticos e sociais. Na Insurreição Pernambucana de 1817, tomada pelo fervor revolucionário, Bárbara e outros rebeldes arriaram a bandeira portuguesa do Paço Municipal de Crato e hastearam a bandeira da república. A rebelde teve os bens confiscados e foi presa com seus três filhos. Após terem passado quatro anos em prisões de Fortaleza, Recife e Salvador, eles foram libertados. Quando eclodiu a Confederação do Equador, a família engajou-se na nova rebelião republicana. Com a violenta repressão do governo de D. Pedro I, Bárbara refugiou-se em uma fazenda e dois dos seus filhos foram mortos pelas tropas imperiais. Bárbara é considerada a primeira revolucionária, republicana e antimonarquista do país e também a primeira prisioneira política.
Guerra pela Província Cisplatina
Durante o governo de D. João VI, a Banda Oriental (atual Uruguai), na Bacia do Prata, foi incorporada ao Brasil com o nome de Província Cisplatina. O controle da região era motivo de conflitos entre portugueses e espanhóis desde o século XVIII e tornou-se um problema também para o governo de D. Pedro I.
Em 1825, rebeldes da Província Cisplatina declararam a ruptura com o Brasil e a incorporação daquela região às Províncias Unidas do Rio da Prata (atual Argentina). Foi o início de uma guerra entre o Brasil e o governo de Buenos Aires que trouxe perdas humanas e custos financeiros para ambos.
A guerra terminou em 1828 com a independência da Província Cisplatina, que passou a se chamar República Oriental do Uruguai.
Juramento dos trinta e três orientais, pintura de Juan Manuel Blanes, 1877. A obra representa o momento em que os insurgentes juram libertar a Província Cisplatina do domínio brasileiro.
A abdicação de D. Pedro I
A crise econômico-financeira marcou o governo de D. Pedro I. O baixo preço dos produtos agrícolas no mercado internacional e os elevados gastos militares com a independência aumentaram a dívida pública. Sem dinheiro, o governo elevou a emissão de moedas, causando o aumento do custo de vida e a falência, em 1829, do Banco do Brasil.
A crise econômica intensificou o conflito entre o imperador e o Poder Legislativo, principalmente com a Guerra da Cisplatina, que obrigou o governo a elevar os impostos para sustentar o conflito. A Câmara dos Deputados, dominada pela oposição, só foi convocada em 1826. Visando controlar o Senado, o imperador escolheu seus membros numa lista de três candidatos mais votados em cada província.
Em abril de 1831, já não era possível contro- lar os protestos. Na capital e nas províncias, associações oposicionistas e até membros do alto-comando do exército pediam a derrubada do governo. Ao mesmo tempo, D. Pedro I sofria intensa pressão vinda de Lisboa, pois os liberais portugueses insistiam no retorno do imperador.
Isolado politicamente e abandonado pelos militares, em 7 de abril de 1831 D. Pedro I abdicou do trono do Brasil e partiu para a Europa. A Coroa ficou com seu filho, o brasileiro Pedro de Alcântara, na ocasião com 5 anos de idade. A abdicação do imperador significou a vitória das elites do Centro-Sul e a ruptura definitiva com Portugal.
A abdicação do primeiro imperador do Brasil, D. Pedro I, pintura de Aurélio de Figueiredo, 1911.
Filme
Independência ou morte
Clique no link abaixo para assistir
https://youtu.be/sGr6lhUizjc?si=1MLBKILCMYjKE8Oc
Curiosidade sobre D. Pedro I
Exumação do corpo de D. Pedro I e suas esposas
República Velha (1889 - 1930) República de Espada (1889 - 1894) e República do Café com Leite (1894 - 1930)
A República Velha (1889-1930): Das Espadas ao Café com Leite O que é uma República? República, do latim "res publica"...
-
O Mundo no Pós-Primeira Guerra Mundial (1918-1929): Consequências e Transformações A Primeira Guerra Mundial (1914-1918) deixou um rastro d...
-
Folha de exercício 03 – Tempo, períodos e História. 1. O que é tempo cronológico? a) Tempo subjetivo, relacionado às percepções culturais....
-
Os Estados Unidos entre 1918 e 1929: Os Anos Loucos e o Triunfo do Capitalismo Americano. Após o fim da Primeira Guerra Mundial ...















.jpeg)



.jpeg)
.jpeg)


















