terça-feira, 21 de novembro de 2023

Intercâmbio comercial e cultural no Mediterrâneo

Intercâmbio comercial e cultural no Mediterrâneo


Intercâmbio comercial e cultural no Mediterrâneo


O Mediterrâneo na história



Mapa Mar Mediterrâneo


Desde a Antiguidade, o Mar Mediterrâneo tem sido um local de integração e intercâmbio entre diferentes povos, produtos e culturas. Muitas civilizações da Europa, da África e do Oriente Próximo construíram sua história econômica, política e cultural com base em atividades relacionadas à presença do Mar Mediterrâneo.


Os fenícios, por exemplo, dominaram o comércio no Mediterrâneo entre os séculos XI a.C. e IX a.C. Habitando o território onde hoje está o Líbano, eles fundaram várias colônias pela região. Na Europa, por volta de 1500 a.C., florescia a civilização micênica, que também prosperou com o comércio marítimo no Mar Mediterrâneo. Da mesma forma, a cultura, a filosofia e as ciências dos antigos gregos se espalharam pelo sul da Europa e pela Ásia Menor através do Mediterrâneo.


Outro exemplo foi Roma nos séculos III a.C. e II a.C. Ao expandir seu território, os romanos entraram em guerra com os cartagineses pelo controle econômico, político e cultural da região do Mediterrâneo. Após derrotar Cartago, antiga colônia fundada pelos fenícios no norte da África, Roma passou a chamar o Mediterrâneo de Mare nostrum ("nosso mar", em latim).


O comércio romano


Comércio em Roma


Ao derrotar Cartago nas Guerras Púnicas, os romanos tornaram-se senhores do Mediterrâneo. Porém, a partir do século III, o Império Romano entrou em crise, que se agravou nos séculos seguintes. A economia romana tornava-se cada vez mais rural e agrícola, como seria nos primeiros séculos da Idade Média.


Assim, para você compreender o funcionamento do comércio na Europa medieval, vamos relembrar qual era sua importância na economia romana. A agricultura era a base da economia de Roma. Nas grandes propriedades, o trabalho era realizado por camponeses dependentes e por escravos, em geral capturados nas guerras de conquista. Também havia pequenas propriedades camponesas que produziam para o consumo local.


O principal destino da grande produção agrícola e pecuária no mundo romano eram as cidades, ou seja, o abastecimento da população urbana. Calcula-se que, no início do império, 30% dos habitantes da Península Itálica viviam nas cidades. Roma, com cerca de 1 milhão de habitantes no século I, era a maior e mais importante delas.



Imigrantes africanos tentam chegar à Europa cruzando o Mar Mediterrâneo. Foto de 2018. O Mediterrâneo tradicionalmente tem sido um canal de ligação entre os continentes africano, asiático e europeu. Nas últimas décadas, crises econômicas, guerras civis e perseguições religiosas levaram sírios, iraquianos e africanos de diferentes países a buscar refúgio na Europa. Na tentativa de migrar para esse continente pela via marítima, de forma clandestina, muitos perdem a vida durante a jornada.


“Todos os caminhos levam a Roma”


Para abastecer esse grande mercado no Império Romano, uma rede de vias terrestres foi construída e ampliada, assim como as rotas pelo Mar Mediterrâneo. Com isso, foi possível transportar produtos até a capital e outras cidades, obtidos dentro e fora dos limites imperiais: marfim da África, seda do Oriente, cerâmica da Grécia e cereais da Espanha e do norte da África. Com isso, uma intensa circulação de pessoas e mercadorias fluiu pelo Mediterrâneo.


A partir do século III, porém, o comércio e as cidades começaram a decrescer no império. As incursões germânicas criavam um ambiente de insegurança nas estradas e nas cidades; faltavam escravos para as atividades urbanas, onde eles eram essenciais; não havia dinheiro suficiente para controlar um vasto império; e o ouro, usado nas transações comerciais, escasseava. O mundo romano entrava em crise profunda.



Tira dos personagens Frank & Ernest, do cartunista Bob Thaves, 2000. A charge brinca com o antigo ditado popular “todos os caminhos levam a Roma”. A cidade foi, durante a Antiguidade, o maior centro comercial e urbano do mundo ocidental.


O Mediterrâneo é dos árabes


O declínio do comércio e a ruralização da economia se aprofundaram nos primeiros séculos da Idade Média. Apesar disso, o comércio dos europeus ocidentais com o Oriente através do Mediterrâneo manteve-se, mesmo fraco, até fins do século VI. Reis, senhores de terra e a Igreja compravam alguns artigos de luxo fornecidos principalmente por comerciantes sírios.


Com o esgotamento das reservas de ouro, o fraco comércio dos europeus com o Oriente praticamente desapareceu entre fins do século VI e início do VIII. O Ocidente cristão viveu nesses dois séculos o período mais rural e agrícola de sua história medieval. Nesse momento, os árabes muçulmanos assumiram o controle do comércio no Mar Mediterrâneo.


O período que se estende do século VIII ao XI foi o mais próspero do comércio e da vida urbana no mundo árabe. Cidades como Cairo, Fez, Túnis e Timbuctu, na África; Córdoba, Toledo e Sevilha, na Espanha; Damasco e Bagdá, no Oriente Médio; e Palermo, na Sicília, foram grandes centros comerciais do Império Muçulmano. Nelas, eram comercializados ouro, cobre, mármore, madeira, tecidos, sal, escravos, entre outros produtos.


A Península Ibérica: encontro de dois mundos


O Mediterrâneo não foi apenas a via marítima do comércio muçulmano. Ele foi também o caminho das expedições de conquista dos árabes muçulmanos no norte da África, na Sicília e na Península Ibérica. Conquistada do reino germânico visigodo em 711, a Península Ibérica foi a região da Europa Ocidental onde a influência muçulmana foi mais forte e duradoura.


O território ibérico ocupado pelos muçulmanos recebeu o nome de Al-Andaluz, mais conhecido como Andaluzia, e esteve primeiro sob controle da dinastia omíada. Com o enfraquecimento do Império Árabe-Muçulmano, a região se fragmentou em pequenos reinos, até o estabelecimento, na sequência, das dinastias mouras dos almorávidas e almóadas.


Em 1085, Toledo foi tomada pelos cristãos, iniciando a Reconquista. Em meados do século XIII, quase toda a Andaluzia estava sob controle cristão. O emirado de Granada, o último reduto muçulmano na Península Ibérica, foi conquistado pelos cristãos em 1492.



Vista e detalhe do interior da Mesquita-catedral de Córdoba, na Espanha. Fotos de 2015 e 2016. Frequentada por estudiosos muçulmanos, cristãos e bizantinos, a biblioteca da mesquita se transformou em importante centro de conhecimento e trocas culturais. Após a conquista cristã, a mesquita foi transformada em catedral.


Testemunhos do islã em Córdoba e Granada


Entre os exemplos da presença islâmica na Andaluzia, está a Mesquita de Córdoba, que foi construída no século VIII sobre a antiga igreja visigoda de São Vicente. O edifício tem características da arquitetura islâmica: arcos internos em formato de ferradura, figuras geométricas e desenhos inspirados na natureza e inscrições árabes e trechos do Alcorão. Dentro da mesquita também foi construída uma grande biblioteca, com obras escritas em árabe, grego e latim.


Outro importante complexo arquitetônico é Alhambra, em Granada, que começou a ser construído no século IX para abrigar o palácio do emir de Córdoba. Nos séculos seguintes, o complexo foi remodelado para ser um refúgio muçulmano, uma proteção contra o avanço cristão na Andaluzia. Alhambra exibe mosaicos e azulejos coloridos, colunas e arcos em forma de ferradura e a arte da caligrafia, combinando a arquitetura islâmica com influências da arte cristã.



Iluminura italiana do século XIV representando um mercado medieval.


Comerciantes bizantinos, italianos e africanos


Constantinopla, capital do Império Bizantino, viveu uma fase de prosperidade entre os séculos IV e VI, mas seu comércio havia refluído depois disso. Porém, o grande volume de ouro em circulação no comércio muçulmano ajudou a aquecer a produção bizantina de artigos de luxo a partir do século IX. Situada no cruzamento entre o Ocidente e o Oriente, Constantinopla conheceu então uma nova idade de ouro.


O mesmo aconteceu com as cidades italianas de Nápoles, Salerno, Gênova e principalmente Veneza a partir do século X. Essas cidades eram o local de encontro entre o Império Muçulmano, Bizâncio e a Europa cristã. Comerciantes de Veneza enriqueceram revendendo, em feiras da Península Itálica, sedas, perfumes e outros artigos de luxo produzidos no mundo bizantino, ao mesmo tempo que forneciam às cidades muçulmanas escravos, madeira, metais e peles.


O Mar Mediterrâneo interligou mercadores europeus, principalmente italianos, mas também catalães e marselheses, ao continente africano. A partir do século XII, a África tropical, ao sul do Deserto do Saara, os reinos muçulmanos do norte africano e os Estados cristãos da Europa foram integrados a uma poderosa rede de trocas comerciais.


O ouro africano era o principal objeto da cobiça dos cristãos, que, para obtê-lo, pressionavam os reis africanos a assinar acordos comerciais favoráveis aos produtos europeus. Comerciantes de Veneza, Gênova, Pisa e Marselha, por exemplo, fundaram feitorias em Cairo, Fez, Túnis, Trípoli e outros portos do Mediterrâneo africano destinadas às transações comerciais.


Nessas feitorias, os europeus vendiam principalmente tecidos de lã, açúcar, trigo e utensílios de metal. Em troca adquiriam, a preços muito baixos, produtos como marfim, especiarias, perfumes e escravos.


Nos mercados da Europa, os cristãos revendiam, a preços elevados, os produtos adquiridos no comércio com a África. Eles também lucravam cobrando tributos dos reinos do norte africano em troca de proteção militar, além de fretar navios aos muçulmanos para o transporte de pessoas e produtos entre o Egito e a Espanha. O ouro acumulado nessas transações fez surgir uma poderosa classe de comerciantes nas cidades de Veneza, Gênova, Milão e Florença.


Conexões culturais através do Mediterrâneo


O Mar Mediterrâneo foi, em vários momentos, um ponto de encontro cultural e econômico entre a Ásia, a África e a Europa. A partir do século XI, a população e a economia europeias cresceram expressivamente, intensificando as conexões da Europa Ocidental com os mundos islâmico e bizantino. Veja a seguir algumas das trocas entre esses três espaços culturais no entorno do Mediterrâneo durante esse período.



Fonte: O’BRIEN, Patrick K. Philip’s Atlas of World History: concise edition. Londres: Octopus Publishing Group, 2007; ONIANS, John. Atlas del Arte. Barcelona: Blume, 2005.


Próxima aula:

A expansão do comércio e das cidades

https://historiaecio.blogspot.com/2023/11/expansao-do-comercio-e-das-cidades.html

segunda-feira, 20 de novembro de 2023

Mulheres nas culturas pagã e cristã

As mulheres nas culturas pagã e cristã


Mulher na antiguidade



Uma história das mulheres



Mulheres na antiguidade


Na maioria das vezes, enquanto lemos um texto de história, associamos o que está escrito à vida dos indivíduos do sexo masculino, como se a história descrevesse exclusivamente as características dos homens ou as ações deles através do tempo. Isso acontece porque, até por volta dos anos 1970, os historiadores concentravam seus estudos nas ações políticas e militares, que na maior parte das sociedades, de fato, eram desempenhadas por homens.


Nas últimas décadas, porém, desenvolveu-se um novo modo de fazer história, preocupado em estudar a vida de diferentes grupos que fazem parte de uma sociedade. Assim, a história das mulheres, por exemplo, adquiriu importância. O papel das mulheres no âmbito político, nas dinâmicas sociais e no mundo do trabalho, bem como em outros espaços, tem sido amplamente investigado, perspectiva que possibilita compreender como se constituíram as relações entre homens e mulheres ao longo dos séculos, por exemplo. Hoje, ao se estudar o universo feminino na história, destaca-se o mérito da mulher, demolindo preconceitos e contribuindo para a igualdade de direitos entre homens e mulheres.


Como viviam as mulheres na Idade Média? Quais mudanças houve em relação à vida que tinham na Antiguidade greco-romana? Ao longo da história, tanto nas camadas mais ricas quanto nas camadas populares, as mulheres foram alvos de preconceitos e de uma visão negativa sobre a sua capacidade de exercer atividades públicas e assumir postos de comando. Veja, a partir de agora, como era a condição das mulheres nessas sociedades.



Iluminura que representa duas mulheres fazendo massa para macarrão, retirada da obra Tacuinum Sanitatis, século XV.


Mulheres em Atenas e em Esparta


Em Atenas, em geral, as meninas pobres não eram ensinadas a ler nem a escrever. Até o casamento, elas aprendiam com as mães as tarefas domésticas. Nas camadas sociais mais ricas, as meninas eram educadas por uma mulher mais experiente, em geral a mãe. Com ela, aprendiam a tecer e a cozinhar e noções básicas de leitura, música e matemática. Submetidas ao pai ou ao marido, deveriam zelar pela casa e ter uma vida reclusa.


O papel inferior da mulher em Atenas chegou a ser criticado pelo filósofo Platão. No século IV a.C., quando a cidade-Estado começou a perder seus homens nas guerras e a enfrentar falta de dinheiro, Platão escreveu que a solução para a crise era garantir às mulheres a mesma educação que tinham os homens. Segundo ele, as mulheres e os homens mais capazes deviam formar uma elite para governar a cidade e zelar pelo seu bom funcionamento.


Em Esparta, a condição das mulheres era diferente daquela que predominava em Atenas. Nas chamadas “Leis de Licurgo”, provavelmente do século VIII a.C., foi determinado que as meninas deveriam receber a mesma educação dos meninos até os 7 anos. Depois disso, deveriam cuidar da casa e praticar exercícios físicos a fim de terem filhos saudáveis e fortes para servir o exército. Um indício do papel diferenciado que tinham as mulheres é o fato de que, no século IV a.C., dois quintos das terras espartanas pertenciam a elas.


A condição feminina em Roma


Até o período republicano, a mulher em Roma estava subordinada à tutela do homem. No entanto, tinha certa liberdade social. Podia, por exemplo, ficar ao lado do marido nas negociações com os seus escravos e eram consultadas por eles sobre assuntos políticos e religiosos.


As aristocratas distribuíam benefícios e podiam ser responsáveis até por construções públicas em grandes cidades. As mulheres eram consideradas cidadãs, casadas ou não, e todos os seus filhos também. Porém, era uma cidadania limitada. Antes dos 25 anos, só podiam se casar com o consentimento do pai ou, na falta dele, do familiar mais próximo. As mulheres nunca podiam exercer qualquer cargo público. Antes do casamento, estavam submetidas ao poder do pai e, depois de casadas, ao do marido.


No período imperial, as mulheres conquistaram mais autonomia e o direito a conciliar as obrigações familiares com as atividades sociais, como caçadas e programas recreativos no espaço público.



Relevo grego de 450 a.C. que mostra uma mulher guardando roupas.



Relevo romano do século II que representa uma mulher vendendo flores. 


A mulher na Europa medieval


A relativa liberdade social que a mulher adquiriu em Roma não alterou, porém, sua condição jurídica de inferioridade em relação ao homem. Com a conversão do cristianismo em religião oficial do império, a Igreja, fortalecida, passou a interferir cada vez mais nas relações familiares. Nos primeiros séculos da Idade Média, o poder da Igreja cresceu, contribuindo para difundir a imagem do clero cristão sobre a mulher.


A visão da Igreja sobre a figura feminina foi construída por pensadores cristãos com base na Bíblia e em escritos do grego Aristóteles. Na narrativa bíblica, Eva, a primeira mulher, foi criada por Deus a partir da costela de Adão, o primeiro homem. Ela o convenceu a comerem o fruto da árvore proibida e, por isso, foram expulsos do Paraíso. Assim, por carregar o peso do pecado original, a mulher estava condenada a viver sob a tutela masculina e a dedicar-se ao lar.


O pensamento da Igreja sobre a mulher certamente influenciou o comportamento de muitas pessoas, mas não se deve concluir que toda a sociedade medieval, incluindo as mulheres, concordasse com ele. Algumas mulheres tiveram uma atuação de destaque, buscando uma conduta independente da tutela masculina. Figuras femininas que sobressaíram na época são encontradas tanto na comunidade laica quanto entre as religiosas.


No meio laico, um nome feminino de destaque foi o da nobre francesa Leonor de Aquitânia, que viveu no século XII. Casada duas vezes, com o rei Luís VII da França e depois com o futuro Henrique II da Inglaterra, Leonor estudou astronomia e matemática e falava oito línguas. Descontente com o segundo marido, ela instigou uma rebelião dos filhos contra o pai. Punida, Leonor foi levada à prisão e lá permaneceu por dezesseis anos.


Ainda na comunidade laica, a atuação da italiana Cristina de Pisano (c. 1364-1430) foi mais audaciosa. Quando criança, viveu num ambiente de letrados e intelectuais. Na viuvez, ela encontrou na literatura o prazer pela vida e a fonte de sua sobrevivência. Considerada a primeira mulher a exercer a profissão de escritora, Cristina produziu poemas e vários textos sobre política, moral e educação. Centrada na temática feminina, sua vasta obra foi pioneira ao mostrar que a condição inferior da mulher diante do homem não tinha origem na natureza, mas foi criada pela sociedade.


Na comunidade religiosa, também há experiências de atuação feminina independente, como os mosteiros cistercienses femininos dos reinos de Leão e Castela. Eles foram fundados por mulheres nobres, nos séculos XII e XIII, com o objetivo de garantir às aristocratas, especialmente às viúvas, um abrigo onde pudessem viver livres da ingerência masculina e adquirir propriedades territoriais, geralmente incorporando terras de pequenos camponeses.



A construção da Cidade das Mulheres, ilustração da obra A cidade das senhoras, da escritora medieval Cristina de Pisano, publicada em Paris por volta de 1410.


Quem tem medo de bruxa?


A figura das bruxas não teve origem na Idade Média, como muitas pessoas acreditam. Nas sociedades grega e romana, por exemplo, muitas mulheres faziam adivinhações e rituais de celebração dos mortos e dos deuses. Na literatura clássica, personagens como Circe e Medeia eram bruxas renomadas.


Quando os clérigos medievais entraram em contato com a cultura clássica, deram um novo sentido às bruxas. Influenciados pela Bíblia, que condena a investigação do futuro e a interrogação dos mortos, eles formularam os primeiros tratados sobre bruxaria.


No século XIV, período em que a sociedade medieval enfrentou uma grave crise econômica e social, essas mulheres, geralmente camponesas, foram acusadas de pacto com o de- mônio em processos instaurados pela Igreja, que condenaram milhares delas à morte.



Ilustração francesa do século XV representando bruxas.


Próxima aula

Intercâmbio comercial e cultural no Mediterrâneo

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sábado, 18 de novembro de 2023

Cruzadas

 As Cruzadas (séculos XI e XIII)


As Cruzadas foram expedições religiosas e militares, ocorridas entre os séculos XI e XIII, cujo principal objetivo era resgatar a Terra Santa, que estava sob o domínio islâmico, para os cristãos. O termo “cruzada” se refere à cruz que os cavaleiros usavam em suas roupas quando estavam em marcha da Europa até o Oriente.



Guerreiro cristão integrante do movimento cruzadista


O movimento das Cruzadas


Em 1095, o papa Urbano II, a fim de unificar a cristandade na luta contra os muçulmanos, lançou, durante o Concílio de Clermont, na França, o movimento cruzadista. Na ocasião, o papa chamou os cristãos a lutar pela libertação de Jerusalém, a Terra Santa, local onde Jesus foi morto na cruz e sepultado. A cidade estava sob controle islâmico desde o século VII.



Papa Urbano II



Concílio de Clermont


O Concílio de Clermont


A convocação se materializou no chamado Discurso de Clermont. Marcado por fortes elementos religiosos, uma constante tentativa de desumanização do inimigo contra o qual tentava mover multidões e em busca de uma união que superasse as divergências das disputas políticas entre os reinos, o discurso teve forte impacto sobre os cristãos europeus. Que tal dar uma olhada em alguns de seus trechos?


Dos confins de Jerusalém e da cidade de Constantinopla, uma estória horrível tem se propagado e muito frequentemente chega aos nossos ouvidos. A estória de uma raça do reino dos Persas, uma raça amaldiçoada, uma raça profundamente alienada de Deus, uma geração que não dirigiu seu coração e não confiou seu espírito a Deus, invadiu as terras daqueles cristãos e as despovoou por espada, fogo e pilhagem. Eles levaram alguns dos cativos para dentro de seu próprio país e alguns foram mortos por torturas cruéis. […] Quando eles querem torturar pessoas até a morte, eles perfuram seus umbigos e arrancam seus intestinos […] outros são pregados em postos e perfurados com flechas […]


De quem é o trabalho de vingar esses erros e recuperar esse território, se não de vocês? […] Se vocês se sentem presos pelo amor de seus filhos, pais e esposas, lembrem o que Deus diz no Evangelho “aquele que ama seu pai e sua mãe mais do que a mim, não é digno de mim” […]


Quando um ataque armado for feito ao inimigo, deixe esse grito ser levantado por todos os soldados de Deus: “Esta é a vontade de Deus! Esta é a vontade de Deus!” […]   (Discurso do Papa Urbano II – Tradução do autor)


Além das motivações religiosas


As Cruzadas também eram movidas por interesses econômicos e sociais. Os comerciantes italianos ambicionavam controlar os portos do Oriente, os nobres buscavam terras e riquezas e as camadas mais pobres esperavam melhorar sua condição de vida no Oriente.



Os Cruzados não eram apenas os nobres cavaleiros interessados em aumentar as suas riquezas. Também era comum a presença de pessoas pobres que visualizavam no movimento cruzadista uma oportunidade de melhoria de vida.



As Cruzadas não foram apenas expedições religiosas, muitos se utilizaram da religião e da força militar para a obtenção de aumento de poder econômico e político.



Os muçulmanos possuíam algumas vantagens sobre os europeus.


A Primeira Cruzada (1096-1099) foi um grande sucesso para os cristãos, que estabeleceram governos em Jerusalém, Antioquia, Edessa e Trípoli. Mais tarde, os muçulmanos retomaram Edessa, levando à Segunda Cruzada (1147-1149), que fracassou. A Terceira Cruzada (1189-1192) foi organizada após a perda de Jerusalém para os muçulmanos. O resultado dela foi o controle muçulmano sobre a cidade e a concessão de apenas cristãos desarmados de visitá-la.


As Cruzadas (1095 – 1291) foi um processo longo e que se caracterizou pelo intenso conflito entre cristão e muçulmanos, além do constante revezamento de resultados entre ambos os lados.


As Cruzadas contribuíram para enfraquecer o sistema feudal, já que senhores se endividaram para montar exércitos e muitos servos que participaram das expedições morreram; além disso, elas estimularam as trocas comerciais com o Oriente, colaborando para a expansão do comércio.



Movimentações das cruzadas rumo ao Oriente



As Cruzadas influenciaram no processo de declínio do feudalismo (senhores feudais mortos em batalhas ou endividados), servos mortos, pobreza na Europa, crises...



Mapa mental Cruzadas


Dica de filmes

Opção 01


Brancaleone nas Cruzadas (pedir para o professor Écio passar em sala de aula)

Clique no link e veja o filme

O incrível exército de Brancaleone - filme 01 

https://www.youtube.com/watch?v=lCzH0LMRs98&t=32s


Brancaleone nas Cruzadas - filme 02 (foto)

Pedir para o professor Écio passar em sala de aula


Opção 02 



Clique no link e veja o filme

https://www.youtube.com/watch?v=Lc-7QXXnutY


Próxima aula

As mulheres nas culturas pagã e cristã

https://historiaecio.blogspot.com/2023/11/as-mulheres-nas-culturas-paga-e-crista.html

quinta-feira, 16 de novembro de 2023

quarta-feira, 15 de novembro de 2023

Quando começou a derrocada da economia Argentina?

Quando começou a derrocada da economia Argentina?



Crise de 1929, a Grande Depressão, o populismo, os golpes de estados, mudanças radicais nas políticas econômicas, deficit fiscal entre outros fatores justificam a atual crise na Argentina.

Clique no link abaixo e entenda esse complexo e longo caso.

https://youtu.be/zspsbdyiViM?si=l46aemtN863DfikH

terça-feira, 14 de novembro de 2023

segunda-feira, 13 de novembro de 2023

domingo, 12 de novembro de 2023

Histórica "Noite da Agonia" completa 200 anos

Histórica "Noite da Agonia" completa 200 anos.



RJTV - A Histórica "noite da agonia" novembro de 1823

Clique no link abaixo e veja o vídeo.

https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/rj1/video/historica-noite-da-agonia-completa-200-anos-12103210.ghtml


A noite da agonia foi um episódio da história do Brasil, ocorrido na madrugada de 12 de novembro de 1823, durante a Assembleia Constituinte, no Rio de Janeiro, que estava encarregada de redigir a primeira Constituição do país recém-independente.


Pedro I deu início à formação de uma Assembleia Constituinte para a elaboração de uma Constituição para o país. A Assembleia chegou a ser dissolvida por D. Pedro I, em novembro de 1823, por não concordar com os termos que limitavam seus poderes. Esse episódio ficou conhecido como Noite da Agonia.


Data de início: 12 de novembro de 1823.


Causas: Confecção de uma constituição limitadora dos poderes do Imperador.


Local: Rio de Janeiro, Império do Brasil.


Período: 13 de novembro de 1823.

https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/rj1/video/historica-noite-da-agonia-completa-200-anos-12103210.ghtml

sábado, 11 de novembro de 2023

Filme Independência ou morte

Filme Independência ou morte (1972).

https://youtu.be/sGr6lhUizjc?si=dGQe80vbDmqspI8g


Clique no link para ver o filme

https://youtu.be/sGr6lhUizjc?si=dGQe80vbDmqspI8g


O filme mostra de maneira romantizada o processo que levou à emancipação política do Brasil em relação a Portugal, além de outros eventos como o caso extraconjugal de Pedro I com a Marquesa de Santos.

sexta-feira, 10 de novembro de 2023

quinta-feira, 9 de novembro de 2023

Mapão expansão territorial América portuguesa (interiorização da colonia - União Ibérica, gado, bandeiras, entradas, missões, monções etc)

Mapão expansão territorial da América portuguesa



Expansão territorial da América portuguesa


Leia o seu material de estudo (livro, caderno e blog) e após a sua leitura, utilize os tópicos abaixo para a orientação dos seus estudos.


* O que foi o Tratado de Tordesilhas? Qual era a sua principal função?


* No mapa do Brasil de hoje, o Tratado de Tordesilhas passaria por quais estados no nosso país?


* O que foi a União Ibérica? Por que ela aconteceu?


* Como a União Ibérica auxiliou a expansão territorial da América portuguesa?


* Por que a criação de gado auxíliou a expansão territorial da América portuguesa?


* No nordeste colonial brasileiro, qual era o principal produto cultivado no litoral brasileiro?


*Por que a Coroa portuguesa proibiu a criação de bovinos no litoral, obrigando os criadores a avançar para o interior?


*Como o gado era criado no nordeste brasileiro? Qual era a metodologia utilizada?


*Quais eram os tipos de mão-de-obra era utilizada na criação de gado no Brasil colonial?


* No Brasil colonia, quais foram as duas regiões que se destacaram na pecuária (criação de gado)? Justifique a sua resposta:


*No nordeste brasileiro, a criação de gado visava:


* Na região sul do Brasil, a criação de gado, na época da colonia, visava produzir:


* Em relação a criação de gado na região sul da América portuguesa, o que eram as estancias?


* Quem eram os estancieiros?


* O que é o charque?


*O charque produzido no sul da América portuguesa abastecia quais regiões comerciais?


* Defina:

- Bandeiras

- Bandeirantes

- Guerra justa

- Entradas

- Missões (reduções)

- Jesuítas

- Monções


* Quem eram os tropeiros? O que eles faziam?


* O que os indígenas faziam nas missões jesuíticas? Eles se ocupavam com:


* Os jesuítas estabeleceram-se, inicialmente, no litoral da Bahia, em São Vicente e no Rio de Janeiro. Nessas regiões, fundaram colégios que eram mantidos com recursos da Coroa e tinham como principais objetivos:


* Em alguns casos, a igreja católica e os jesuítas se aproveitavam dos indígenas? Como os religiosos tiravam vantagens da cataquese e das missões jesuíticas?


* No início do século XVII, as principais atividades desenvolvidas na vila de São Paulo eram a agricultura e a criação de animais. Os paulistas cultivavam trigo, cana-de-açúcar, milho, algodão, feijão e mandioca. O trigo, principal produto, destinava-se ao abastecimento das vilas e cidades do litoral. O trabalho nas lavouras era quase todo executado por:


* Até 1570, os colonizadores escravizaram os indígenas sem nenhuma restrição legal. Em março daquele ano, contudo, pressionada pelos jesuítas, a Coroa portuguesa determinou que somente os indígenas capturados em guerra justa poderiam ser usados como escravos. Por que a captura de escravo pela guerra justa era permitida? Justifique sua resposta:


* Além de escravizar os indígenas, as bandeiras também visavam a exploração de:


* Qual era a relação entre bandeiras, indígenas, violência e exploração?


* Qual foi a contribuição das bandeiras e dos bandeirantes na descoberta de metais preciosos na América portuguesa? Em qual região isso ocorreu?


* Como a descoberta de metais e pedras preciosas auxiliaram na expansão territorial da América portiguesa?


* Como eram as cidades surgidas após a descoberta de metais e pedras preciosas  a região das Minas Gerais? Fale um pouco sobre esse assunto:


* Como a descoberta de metais e pedras preciosas contribuiu para o processo de interiorização do Brasil?


* O que foi a Guerra dos Emboabas?


* Por quais motivos a Guerra dos Emboabas ocorreu? Quem venceu o conflito?


* Quem eram os Emboabas? 


União Ibérica, a criação de gado, as missões religiosas, as exepdições militares e comerciais auxiliaram na expansão territirial da América portuguesa.

Após leitura do seu material (seu livro e blog) e ter revisado os principais tópicos desse assunto (baseado no mapão).  Faça com muita atenção e calma a avaliação abaixo.

Clique no link abaixo e faça o Google Formulário sobre o processo de expansão territorial da América portuguesa influenciado pela União Ibérica, criação de gado, bandeiras, entradas, missões jesuíticas, monções e outros exemplos da interiorização colonial.


República Velha (1889 - 1930) República de Espada (1889 - 1894) e República do Café com Leite (1894 - 1930)

A República Velha (1889-1930): Das Espadas ao Café com Leite O que é uma República?  República, do latim "res publica"...