segunda-feira, 20 de novembro de 2023

Mulheres nas culturas pagã e cristã

As mulheres nas culturas pagã e cristã


Mulher na antiguidade



Uma história das mulheres



Mulheres na antiguidade


Na maioria das vezes, enquanto lemos um texto de história, associamos o que está escrito à vida dos indivíduos do sexo masculino, como se a história descrevesse exclusivamente as características dos homens ou as ações deles através do tempo. Isso acontece porque, até por volta dos anos 1970, os historiadores concentravam seus estudos nas ações políticas e militares, que na maior parte das sociedades, de fato, eram desempenhadas por homens.


Nas últimas décadas, porém, desenvolveu-se um novo modo de fazer história, preocupado em estudar a vida de diferentes grupos que fazem parte de uma sociedade. Assim, a história das mulheres, por exemplo, adquiriu importância. O papel das mulheres no âmbito político, nas dinâmicas sociais e no mundo do trabalho, bem como em outros espaços, tem sido amplamente investigado, perspectiva que possibilita compreender como se constituíram as relações entre homens e mulheres ao longo dos séculos, por exemplo. Hoje, ao se estudar o universo feminino na história, destaca-se o mérito da mulher, demolindo preconceitos e contribuindo para a igualdade de direitos entre homens e mulheres.


Como viviam as mulheres na Idade Média? Quais mudanças houve em relação à vida que tinham na Antiguidade greco-romana? Ao longo da história, tanto nas camadas mais ricas quanto nas camadas populares, as mulheres foram alvos de preconceitos e de uma visão negativa sobre a sua capacidade de exercer atividades públicas e assumir postos de comando. Veja, a partir de agora, como era a condição das mulheres nessas sociedades.



Iluminura que representa duas mulheres fazendo massa para macarrão, retirada da obra Tacuinum Sanitatis, século XV.


Mulheres em Atenas e em Esparta


Em Atenas, em geral, as meninas pobres não eram ensinadas a ler nem a escrever. Até o casamento, elas aprendiam com as mães as tarefas domésticas. Nas camadas sociais mais ricas, as meninas eram educadas por uma mulher mais experiente, em geral a mãe. Com ela, aprendiam a tecer e a cozinhar e noções básicas de leitura, música e matemática. Submetidas ao pai ou ao marido, deveriam zelar pela casa e ter uma vida reclusa.


O papel inferior da mulher em Atenas chegou a ser criticado pelo filósofo Platão. No século IV a.C., quando a cidade-Estado começou a perder seus homens nas guerras e a enfrentar falta de dinheiro, Platão escreveu que a solução para a crise era garantir às mulheres a mesma educação que tinham os homens. Segundo ele, as mulheres e os homens mais capazes deviam formar uma elite para governar a cidade e zelar pelo seu bom funcionamento.


Em Esparta, a condição das mulheres era diferente daquela que predominava em Atenas. Nas chamadas “Leis de Licurgo”, provavelmente do século VIII a.C., foi determinado que as meninas deveriam receber a mesma educação dos meninos até os 7 anos. Depois disso, deveriam cuidar da casa e praticar exercícios físicos a fim de terem filhos saudáveis e fortes para servir o exército. Um indício do papel diferenciado que tinham as mulheres é o fato de que, no século IV a.C., dois quintos das terras espartanas pertenciam a elas.


A condição feminina em Roma


Até o período republicano, a mulher em Roma estava subordinada à tutela do homem. No entanto, tinha certa liberdade social. Podia, por exemplo, ficar ao lado do marido nas negociações com os seus escravos e eram consultadas por eles sobre assuntos políticos e religiosos.


As aristocratas distribuíam benefícios e podiam ser responsáveis até por construções públicas em grandes cidades. As mulheres eram consideradas cidadãs, casadas ou não, e todos os seus filhos também. Porém, era uma cidadania limitada. Antes dos 25 anos, só podiam se casar com o consentimento do pai ou, na falta dele, do familiar mais próximo. As mulheres nunca podiam exercer qualquer cargo público. Antes do casamento, estavam submetidas ao poder do pai e, depois de casadas, ao do marido.


No período imperial, as mulheres conquistaram mais autonomia e o direito a conciliar as obrigações familiares com as atividades sociais, como caçadas e programas recreativos no espaço público.



Relevo grego de 450 a.C. que mostra uma mulher guardando roupas.



Relevo romano do século II que representa uma mulher vendendo flores. 


A mulher na Europa medieval


A relativa liberdade social que a mulher adquiriu em Roma não alterou, porém, sua condição jurídica de inferioridade em relação ao homem. Com a conversão do cristianismo em religião oficial do império, a Igreja, fortalecida, passou a interferir cada vez mais nas relações familiares. Nos primeiros séculos da Idade Média, o poder da Igreja cresceu, contribuindo para difundir a imagem do clero cristão sobre a mulher.


A visão da Igreja sobre a figura feminina foi construída por pensadores cristãos com base na Bíblia e em escritos do grego Aristóteles. Na narrativa bíblica, Eva, a primeira mulher, foi criada por Deus a partir da costela de Adão, o primeiro homem. Ela o convenceu a comerem o fruto da árvore proibida e, por isso, foram expulsos do Paraíso. Assim, por carregar o peso do pecado original, a mulher estava condenada a viver sob a tutela masculina e a dedicar-se ao lar.


O pensamento da Igreja sobre a mulher certamente influenciou o comportamento de muitas pessoas, mas não se deve concluir que toda a sociedade medieval, incluindo as mulheres, concordasse com ele. Algumas mulheres tiveram uma atuação de destaque, buscando uma conduta independente da tutela masculina. Figuras femininas que sobressaíram na época são encontradas tanto na comunidade laica quanto entre as religiosas.


No meio laico, um nome feminino de destaque foi o da nobre francesa Leonor de Aquitânia, que viveu no século XII. Casada duas vezes, com o rei Luís VII da França e depois com o futuro Henrique II da Inglaterra, Leonor estudou astronomia e matemática e falava oito línguas. Descontente com o segundo marido, ela instigou uma rebelião dos filhos contra o pai. Punida, Leonor foi levada à prisão e lá permaneceu por dezesseis anos.


Ainda na comunidade laica, a atuação da italiana Cristina de Pisano (c. 1364-1430) foi mais audaciosa. Quando criança, viveu num ambiente de letrados e intelectuais. Na viuvez, ela encontrou na literatura o prazer pela vida e a fonte de sua sobrevivência. Considerada a primeira mulher a exercer a profissão de escritora, Cristina produziu poemas e vários textos sobre política, moral e educação. Centrada na temática feminina, sua vasta obra foi pioneira ao mostrar que a condição inferior da mulher diante do homem não tinha origem na natureza, mas foi criada pela sociedade.


Na comunidade religiosa, também há experiências de atuação feminina independente, como os mosteiros cistercienses femininos dos reinos de Leão e Castela. Eles foram fundados por mulheres nobres, nos séculos XII e XIII, com o objetivo de garantir às aristocratas, especialmente às viúvas, um abrigo onde pudessem viver livres da ingerência masculina e adquirir propriedades territoriais, geralmente incorporando terras de pequenos camponeses.



A construção da Cidade das Mulheres, ilustração da obra A cidade das senhoras, da escritora medieval Cristina de Pisano, publicada em Paris por volta de 1410.


Quem tem medo de bruxa?


A figura das bruxas não teve origem na Idade Média, como muitas pessoas acreditam. Nas sociedades grega e romana, por exemplo, muitas mulheres faziam adivinhações e rituais de celebração dos mortos e dos deuses. Na literatura clássica, personagens como Circe e Medeia eram bruxas renomadas.


Quando os clérigos medievais entraram em contato com a cultura clássica, deram um novo sentido às bruxas. Influenciados pela Bíblia, que condena a investigação do futuro e a interrogação dos mortos, eles formularam os primeiros tratados sobre bruxaria.


No século XIV, período em que a sociedade medieval enfrentou uma grave crise econômica e social, essas mulheres, geralmente camponesas, foram acusadas de pacto com o de- mônio em processos instaurados pela Igreja, que condenaram milhares delas à morte.



Ilustração francesa do século XV representando bruxas.


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