quarta-feira, 23 de agosto de 2023

Nordeste açucareiro - Economia e sociedade do açúcar no nordeste da América portuguesa

Nordeste açucareiro - Economia e sociedade do açúcar.



Economia açucareira


Durante os dois primeiros séculos de colonização, o açúcar se tornou o produto mais lucrativo e o principal negócio para a Coroa e para os comerciantes portugueses. Os melhores resultados foram alcançados na faixa litorânea do Nordeste, especialmente em Pernambuco e na Bahia. As duas capitanias foram favorecidas pela maior proximidade da metrópole, pela disponibilidade de terras aráveis e pela existência de rios navegáveis, que facilitavam o transporte do açúcar.


A produção açucareira ocorria nos engenhos. O engenho colonial era composto pela lavoura canavieira, pelas instalações onde a cana era transformada em açúcar, pelas moradias de proprietários e trabalhadores e, muitas vezes, por uma capela, onde se realizavam missas, casamentos e festividades previstas no calendário da Igreja.


No entanto, poucos fazendeiros contavam com recursos próprios para montar uma plantação de cana e arcar com os custos de instalação dos equipamentos utilizados para a fabricação do açúcar. Por isso, a atividade açucareira esteve, desde o início, associada a financistas europeus, principalmente flamengos e holandeses. Eles emprestavam dinheiro para a aquisição e manutenção de maquinário, a compra de escravos e o aumento da área de cultivo. Além disso, eles se encarregavam do refino do açúcar que os portugueses levavam para a Europa.



A produção de açúcar (séculos XVI-XVII) - os dois primeiros séculos da colonização portuguesa na América foi o período de apogeu da economia açucareira na região.


A produção de açúcar no Brasil no século XVII


O açúcar produzido no Brasil fazia parte de uma extensa rede de comércio internacional. Além de gerar lucros aos comerciantes e financistas europeus e de aumentar a arrecadação da Coroa portuguesa, o comércio do açúcar ajudou a impulsionar o tráfico de escravos africanos e a animar a economia de muitas cidades europeias.



Dos engenhos para o mundo


Os engenhos ficavam a meio caminho entre o oceano, conexão obrigatória com a Europa, e os canaviais e as florestas.


Exportações de açúcar do Brasil


O comércio do açúcar se desenvolveu rapidamente. Já no começo do século XVII, através de Lisboa, cerca de 50 mil caixas de açúcar do Brasil chegavam por ano à Holanda. Depois de refinado, o produto era distribuído pela Europa.




As guerras entre Holanda e Espanha durante a União Ibérica e a concorrência do açúcar das Antilhas prejudicaram as vendas do açúcar brasileiro no exterior.


Como era feito o açúcar no Brasil colonial


Até o século XVIII, a produção de açúcar foi uma das atividades mais complexas realizadas na colônia. Os engenhos eram um agrupamento de fábrica, canaviais e matas virgens, onde alguns poucos senhores e trabalhadores livres fiscalizavam o trabalho de grande número de escravizados.



Figura engenho 01



Figura engenho 02 - Seu funcionamento (clique na figura para melhor visualização)


Distribuição da mão de obra em um engenho


Na maior parte dos engenhos, a mão de obra era composta de cerca de 40 escravos e alguns poucos trabalhadores livres; alguns engenhos, no entanto, chegaram a ter mais de 350 escravos. Veja abaixo como era distribuída a mão de obra em um engenho de grande porte no Nordeste do começo do século XVII.

Mão de obra no engenhos de açucar


Em relação ao trabalho dos escravizados nos engenhos, além de trabalharem longas jornadas, viviam em péssimas condições, vestiam trapos, eram açoitados pelos capatazes e se alimentavam muito mal. Trabalhavam tanto na produção da cana, como nas casas senhoriais, ocupando-se da cozinha, faxina, criação dos filhos do senhor, etc.


A produção açucareira era um dos principais pilares da colonização de exploração na América Portuguesa. Dentro deste contexto do mercantilismo e colonização portuguesa, destacamos o sistema de plantation. O plantation consistia principalmente na produção de produtos tropicais em latifúndios monocultores para o mercado externo, utilizando para isso força de trabalho escrava.




O plantation é um sistema de produção agrícola que foi implantado pelas nações europeias em suas colônias. Os historiadores entendem o plantation como uma prática que fazia parte do mercantilismo. O plantation se baseava no latifúndio, na monocultura, no trabalho escravo e era voltado para atender o mercado exterior.


A sociedade do engenho


O engenho colonial, além de ser o coração da produção açucareira, era espaço de convívio social e trocas culturais, de escravidão e resistência. Reunindo senhores, escravos, lavradores de cana, sacerdotes e diferentes tipos de trabalhadores livres, o engenho deu forma, em grande parte, à sociedade colonial. E o Brasil de hoje, em muitos aspectos, é herdeiro dessa sociedade que se formou em torno da produção de açúcar.

Conheça agora os principais grupos sociais do engenho e suas tarefas na economia açucareira.


Os senhores de engenho


Os proprietários do engenho eram chamados de senhores de engenho. Eram detentores de grandes riquezas, terras e escravos e representavam o poder máximo no engenho. Em seu dia a dia, ocupavam-se com a administração da propriedade, com o comércio de açúcar e de escravos e com o pagamento dos trabalhadores livres.


Os senhores de engenho moravam na casa-grande, que era o centro administrativo e religioso da propriedade. As primeiras construções, com paredes de barro e teto de sapé ou folhas de palmeira, tornaram-se depois mais sólidas, com alicerces de pedra e telhados de barro. 


As casas podiam ser térreas, embora as assobradadas (com mais de um andar) fossem mais apreciadas. Essas residências contavam com muitos cômodos. Até o século XVIII, embora fossem espaçosas, raramente eram luxuosas; em geral tinham poucos móveis e objetos decorativos.


É equivocado imaginar que os senhores de engenho mantinham pouco ou nenhum contato com o mundo urbano. Muitos engenhos da Bahia e de Pernambuco, por exemplo, ficavam próximos às cidades portuárias, como Salvador e Olinda, onde vários senhores de engenho tinham residência, negócios e atividades sociais.



Capela e casa-grande no Engenho Poço Comprido, em Vicência (PE). Foto de 2017. Único engenho remanescente do século XVIII em Pernambuco, foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Os africanos escravizados


As dificuldades na escravização de indígenas e a demanda crescente por trabalhadores levaram os senhores de engenho a investir na aquisição de escravizados de origem africana. Isso não significa que o trabalho indígena tenha desaparecido completamente. No entanto, a maior parte das atividades nos engenhos era realizada por africanos escravizados.


Além de participar da produção de açúcar, os escravizados de origem africana trabalhavam como marceneiros, barqueiros, ferreiros e pedreiros. As escravas trabalhavam no eito e em diversas atividades domésticas realizadas na casa-grande.


Os africanos escravizados habitavam a senzala, que podia ser construída pelo senhor ou pelos próprios cativos. As construções erguidas pelo senhor eram geralmente grandes pavilhões térreos, retangulares, divididos em cubículos destinados a casais ou a indivíduos solteiros. Já as moradias construídas pelos escravizados eram bastante precárias e destinadas a abrigar uma família.


Uma vez por ano, os escravizados recebiam duas camisas e saias ou calças, motivo pelo qual andavam muitas vezes em farrapos. Era frequente haver nas fazendas teares domésticos para a fabricação desses tecidos, tarefa geralmente executada por escravas.


A vida dos escravizados de origem africana caracterizou-se, sobretudo, pela violência. A retirada forçada da terra natal, a longa viagem nos navios negreiros, os trabalhos pesados e insalubres nas lavouras, minas e instalações do engenho, a alimentação precária, os castigos físicos e a desagregação das famílias foram traços marcantes da escravidão africana no Brasil.



Ilustração representando a moagem de cana-de-açúcar em um engenho.


Os lavradores de cana


Nem todo produtor tinha recursos para a instalação de um engenho. Os produtores de cana que não possuíam engenho eram chamados lavradores de cana. Eles se dividiam basicamente em duas categorias: os lavradores proprietários e os arrendatários.

Os lavradores proprietários cultivavam a cana em suas próprias terras e a moíam em determinado engenho, de acordo com as condições acertadas com o dono do engenho. Os arrendatários plantavam cana nas terras de um proprietário, sendo obrigados a moer a cana no engenho desse mesmo proprietário e a entregar a ele metade ou a terça parte do açúcar produzido.


O grupo social dos lavradores de cana teve muita importância na sociedade açucareira, tanto que, no século XVII, havia em média cinco lavradores de cana para cada engenho na colônia. Entre os lavradores de cana era possível encontrar desde indivíduos humildes, que possuíam dois ou três escravos e enfrentavam sérias dificuldades, até produtores prósperos, donos de vinte a trinta escravos e ligados, muitas vezes, ao comércio açucareiro e à atividade política.



Engenho de Itamaracá, gravura de Frans Post feita para a obra História dos feitos recentemente praticados durante oito anos no Brasil, de Gaspar Barleus, 1647. Note as instalações do engenho, no centro da imagem, e a casa-grande e a senzala, ao fundo.

O trabalho no engenho na visão de Antonil


O jesuíta italiano André João Antonil (1649-1716) chegou a Salvador, na capitania da Bahia, em 1681, permanecendo na cidade até a sua morte. Grande orador e escritor, assumiu atividades administrativas da Companhia de Jesus na Bahia e publicou, em 1711, um importante testemunho das condições sociais e econômicas na colônia no início do século XVIII. Conheça a seguir um trecho em que ele descreve o trabalho no engenho de açúcar.


“Servem ao senhor do engenho, em vários ofícios, além dos escravos de enxada e foice que tem nas fazendas e na moenda e fora os mulatos e mulatas, negros e negras de casa ou ocupados em outras partes, barqueiros, canoeiros, calafates, carapinas, carreiros, oleiros, vaqueiros, pastores e pescadores. Tem mais cada senhor destes necessariamente um mestre-de-açúcar, um banqueiro e um contrabanqueiro, um purgador, um caixeiro no engenho e outro na cidade, feitores nos partidos e roças, um feitor-mor do engenho, e para o espiritual um sacerdote seu capelão [...]”.


ANTONIL, André João. Cultura e opulência do Brasil. São Paulo: Edusp, 2007. p. 79-80.


Trabalhadores especializados


A produção do açúcar também contava com o trabalho de homens livres que realizavam diversas tarefas especializadas e recebiam um pagamento.


Feitor - uma das funções mais importante do processo produtivo.


A palavra feitor é substantivo masculino que significa gestor; quem administra os bens alheios. Capataz; aquele que supervisionava o trabalho escravo.


* O feitor do eito escolhia as terras para o plantio e o tipo de cana utilizado na lavoura e determinava os momentos adequados para o cultivo e a colheita. 


* O feitor da moenda recebia os feixes de cana e controlava a produção do caldo. 


* Acima deles estava o feitor-mor, que controlava o trabalho escravo e garantia o bom estado dos equipamentos.



Significado da palavra feitor


Mestre de açúcar. Garantia a qualidade do produto final. Ele definia o momento em que o melaço estava pronto para ser retirado do fogo e levado à purga.


Outros trabalhadores. O purgador administrava o processo de clareamento do açúcar, enquanto o caixeiro retirava a parte dos impostos que cabia à Coroa.



Feitores açoitando negros na roça, detalhe de pintura de Jean-Baptiste Debret, 1828.



Foto - Quadro da aula 2023


quinta-feira, 17 de agosto de 2023

Mapão conquista e início colonização América portuguesa

* A importância do pau-brasil para o início da exploração portuguesa no novo mundo;

* Tipo de mão de obra era utilizado no início da exploração portuguesa na América (fase pré-colonial);

* O que foi o monopólio real (exclusivo comercial);

* O que é escambo;

* No projeto de exploração português, como os indígenas participavam na extração do pau-brasil?

* O que eram as feitorias? A sua principal função era:

* O que eram as expedições guarda-costas? Qual era a sua principal função no contexto da colonização portuguesa na América?

* A partir de 1530 a Coroa portuguesa precisou tomar medidas para não perder sua colônia americana. A ideia era estimular a fixação de portugueses, explorando uma atividade econômica que gerasse lucros e ao mesmo tempo garantisse a defesa da colônia. Qual solução foi encontrada pelos exploradores?

* Quais fatores favoreceram o cultivo da cana-de-açúcar na América portuguesa?

* Quem foi Martim Afonso de Souza?

* O que eram as capitanias hereditárias?

*Quem eram os capitães donatários?

* Por que Portugal implantou o sistema de capitanias hereditárias na América Portuguesa?

* O que eram as sesmarias?

*Quem eram os sesmeiros?

* Carta foral era

* O sistema de capitanias fracassou na tarefa de estimular a colonização, por quais motivos?

*Na América portuguesa, quais foram as duas únicas capitanias hereditária prosperaram? O sucesso se deu por qual motivo?

* Dentro do contexto do início da colonização da América portuguesa, quem eram os homens-bons?

* Enquanto a administração de toda a América portuguesa ficava sob a responsabilidade do governo-geral, a administração das vilas e cidades era incumbência das câmaras municipais. Quais eram as principais funções das câmaras municipais?

* O que foi o Governo Geral?

* O que fazia o governador geral?


quarta-feira, 16 de agosto de 2023

Mapão Guerra Fria

 Mapão (orientações de estudo) Guerra Fria 1945 -1991


Guerra Fria

Em relação ao assunto Guerra Fria, o domínio dos tópicos abaixo é de extrema importância para a realização de uma ótima avaliação.

* O que foi a Guerra Fria?

* Definição de Doutrina Truman;

* Plano Marshall - O que foi e o que determinava?

* OTAN - O que é? Qual é o seu principal objetivo?

* O que foi o macarthismo? Qual era o seu foco?

* Definição Comecon;

* O que foi a Cominform?

* O que foi o Pacto de Varsóvia? Qual era o seu objetivo?

* O que é significa uma economia planificada?

* Movimento dos Países Não Alinhados;

* No contexto da Guerra Fria, como se deu  a corrida tecnológica e espacial envolvendo os EUA e a URSS?

* Sobre a corrida espacial e armamentista, durante a Guerra Fria, indique exemplos ocorridos:

* Sputnik I e Sputnik II - O que foi? Qual legado?

* Laika e Iuri Gagarin - Quais foram os seus feitos no contexto da corrida espacial?

* No contexto da corrida espacial ao longo da Guerra Fria, o que foi o Programa Apollo?

* A “Guerra Fria” foi a expressão utilizada para caracterizar um tipo de política externa decorrente da:

* O que foram as Conferências de Ialta?

* Como a Alemanha foi impactada com a Guerra Fria?

* Em setembro de 1949 foi criada a República Federal da Alemanha (RFA) - Como ela era composta?

* Em outubro de 1949 foi criada a República Democrática Alemã (RDA) - Como ela era composta?

* Como a Guerra Fria influenciou o esporte?

* O que era o Muro de Berlim? Qual era o seu objetivo?

* Por que as Olimpíadas de Melbourne, em 1956 e Olimpíadas de Moscou de 1980 foram polemicas?


Consultar aula 01 Guerra Fria

Guerra Fria - A configuração geopolítica no mundo bipolar e as origens do conflito

https://historiaecio.blogspot.com/2022/12/guerra-fria-configuracao-geopolitica-no.html


Consultar aula 02 Guerra Fria

Guerra Fria - Corrida armamentista, espacial e esportiva entre EUA e URSS

https://historiaecio.blogspot.com/2022/12/guerra-fria-corrida-armamentista.html




quarta-feira, 9 de agosto de 2023

Povos nativos

Os povos nativos (Povos pré-cabralinos)


Os povos de Pindorama


Os portugueses não foram os primeiros habitantes das terras que viriam a ser chamadas de Brasil. Quando aqui chegaram, em 1500, encontraram povos com cultura, costumes, organização social e línguas totalmente diferentes das que conheciam na Europa, na África e no Oriente.


Calcula-se que, na época da chegada dos portugueses, entre 3 milhões e 5 milhões de nativos habitavam o território brasileiro, distribuídos em mais de mil povos que falavam aproximadamente 1.300 línguas. Cada um desses povos possuía seus rituais, crenças, mitos, línguas, formas de trabalho e organização social.


As línguas mais faladas pelos indígenas do Brasil podem ser agrupadas em dois troncos linguísticos, Tupi e Macro-Jê, compostos de diversas famílias linguísticas. Além delas, há várias famílias linguísticas cujas semelhanças não são suficientes para formar um tronco linguístico, como Aruaque e Caraíba.


Por estarem distribuídos ao longo da costa brasileira, os povos Tupi foram os que mais contato tiveram com os portugueses. Eles chamavam o Brasil de Pindorama, que na sua língua significa “terra das palmeiras”.


Os povos indígenas no Brasil em 1500 


CATHERINE A. SCOTTON



Fonte: Atlas histórico escolar. Rio de Janeiro: FAE, 1991. p. 12.


Formas de organização social


Os Tupi, em geral, andavam nus, com pinturas pelo corpo e adornos feitos de penas. Praticavam a agricultura de subsistência, cultivando mandioca, milho, inhame, abóbora, batata-doce, entre outros alimentos. Coletavam frutos, caçavam e pescavam. Com troncos de árvores, ossos, fibras vegetais, barro e madeira, confeccionavam diferentes artigos, como canoas, arcos e flechas, redes, cestos, vasos e urnas funerárias.


Os Tupi e a maior parte dos povos indígenas que habitavam o Brasil na época da chegada dos portugueses viviam em aldeias. As moradias podiam estar organizadas em um círculo ou em fileiras. Porém, em algumas aldeias, havia apenas uma grande casa comum.


As aldeias estabeleciam entre si laços de solidariedade. Entretanto, havia guerras constantes entre povos diferentes. Muitas vezes, os conflitos ocorriam quando um povo queria afirmar sua superioridade sobre outro grupo.


Além disso, os indígenas não tinham um Estado organizado. Entre os Tupi, por exemplo, não existia um poder centralizado, exercido por um rei ou alguém com autoridade para dar ordens aos demais. Reunidos numa espécie de conselho, os líderes, chamados principais, decidiam em conjunto o destino da aldeia. Os primeiros a serem ouvidos eram os membros mais corajosos.


THEODORE DE BRY - ARQUIVO HISTÓRICO DA MARINHA FRANCESA, VINCENNES


Índio ou indígena?


O termo “índio” originalmente expressava uma visão preconceituosa por parte do conquistador. Ao longo do tempo, porém, ele foi ressignificado. Hoje, documentos oficiais, entidades indígenas e estudiosos utilizam esse termo para se referir aos povos nativos do Brasil e seus descendentes, com seus diferentes modos de vida e identidade cultural. Nesse aspecto, podemos considerar que o termo perdeu o sentido pejorativo. Contudo, o escritor indígena Daniel Munduruku apresenta outro ponto de vista.


“Sempre que posso tenho falado sobre os equívocos que cercam a palavra ‘índio’. Faço uma provocação e tenho certeza [de] que muitas pessoas, especialmente professores, ficam com a ‘pulga atrás da orelha’. Sempre que isso acontece alcanço meu objetivo. A inquietação é já um princípio de mudança. Ficar incomodado com os saberes engessados em nossa mente ao longo dos séculos é uma atitude sábia de quem se percebe parte do todo [...].


[...] [o termo índio] não é uma definição, é um apelido, e apelido é o que se dá para quem parece ser diferente de nós ou ter alguma deficiência que achamos que não temos. Por este caminho veremos que não há conceitos relativos ao termo ‘índio’, apenas preconceito: selvagem, atrasado, preguiçoso, canibal [...] são alguns deles. [...]


Por outro lado, o termo ‘indígena’ significa ‘aquele que pertence ao lugar’, ‘originário’, ‘original do lugar’. Pode-se notar, assim, que é muito mais interessante reportar-se a alguém que vem de um povo ancestral pelo termo ‘indígena’ que ‘índio’.”


MUNDURUKU, Daniel. Três reflexões sobre os povos indígenas e a lei 11.645/08. Disponível em <http://mod.lk/2zmnv>. Acesso em 2 mar. 2020.


Trabalho e religiosidade


O trabalho nas aldeias era dividido conforme o sexo e a idade. Em geral, as mulheres plantavam e cuidavam da colheita; fabricavam farinhas, especialmente de mandioca, fiavam e teciam, além de cuidarem das crianças. Os homens eram responsáveis pela caça, pesca, construção de moradias, fabricação de canoas e armas e pelo corte da lenha. Também derrubavam, queimavam e limpavam a mata, preparando-a para o plantio. Os idosos tinham papel fundamental na educação das crianças e na transmissão da cultura para as gerações mais jovens.


Cada povo indígena possuía crenças e rituais religiosos próprios. Entretanto, todos acreditavam nas forças da natureza e nos espíritos dos antepassados, para os quais realizavam cerimônias e festas. O responsável por ensinar os rituais e transmitir as tradições religiosas era o pajé.


A guerra e o ritual antropofágico


A guerra era um valor central da cultura Tupi e servia, principalmente, para vingar parentes mortos pelo inimigo. Associado à guerra estava o ritual da antropofagia, quando o inimigo capturado no conflito era morto e devorado em uma grande festa.


Primeiro, o prisioneiro era levado à aldeia, onde podia integrar-se à rotina do lugar. Ele devia ser bem tratado e alimentado por uma mulher, que lhe era cedida como companheira temporária. Chegado o grande dia, os Tupi realizavam danças e cantos rituais, além de um grande banquete. Só então o inimigo era morto. Seus membros eram cortados, cozidos e divididos entre os indígenas da aldeia.


Ser devorado em um ritual antropofágico era um destino digno na vida de um guerreiro. Isso porque, para os Tupi, os mortos em guerra iam para uma espécie de Paraíso, onde estavam seus ancestrais. Aqueles que comiam a carne do inimigo acreditavam que, assim, incorporariam a força, a coragem e o espírito do valente guerreiro.


THEODORE DE BRY - ARQUIVO HISTÓRICO DA MARINHA FRANCESA, VINCENNES



Cena de canibalismo, gravura colorizada de Theodore de Bry, 1592.


O contato com o “outro”

O que os indígenas teriam pensado quando avistaram as caravelas de Cabral? Quais foram suas impressões ao ver homens barbados, vestidos, vindos do mar em embarcações muito diferentes das canoas que conheciam?


Os povos indígenas não deixaram registros sobre o encontro entre eles e os portugueses. Contudo, podemos imaginar que as diferenças culturais causaram grande estranhamento nos nativos.


Os relatos dos portugueses sobre os primeiros contatos com os indígenas mostram que o espanto foi grande entre os europeus.


Veja como Pero Vaz de Caminha, escrivão oficial da expedição de Cabral, descreveu o primeiro encontro com os indígenas:


“A feição deles é parda, um tanto avermelhada, com bons rostos e bons narizes, benfeitos. Andam nus, sem nenhuma cobertura. Não fazem o menor caso de encobrir ou de mostrar suas vergonhas, e nisso têm tanta inocência como em mostrar o rosto. […]


[Os indígenas] Entraram [na caravela]. Mas não fizeram nenhum gesto de cortesia, nem sinal de querer falar ao capitão ou a alguém. […]


Deram-lhes comida: pão e peixe cozido, doces, bolos, mel e figos passados. Não quiseram comer quase nada disso e, se alguma coisa provavam, logo a cuspiam [...].”


TUFANO, Douglas. A carta de Pero Vaz de Caminha: comentada e ilustrada. São Paulo: Moderna, 1999. p. 31-33.


Outro registro do primeiro encontro entre portugueses e indígenas é a Relação do piloto anônimo, espécie de diário não oficial da expedição cabralina. Veja como ele descreveu um dos momentos do contato com os nativos:


“Naquele mesmo dia que era a oitava da Páscoa, a 26 de abril, determinou o capitão-mor ouvir missa, e mandou levantar um altar, e todos os da dita armada foram ouvir missa e sermão, onde se juntaram muitos daqueles homens bailando e cantando com as suas buzinas. [...]. E depois, tendo o capitão jantado, voltou à terra a gente da dita armada, para se distraírem e divertirem com os homens da terra. E começaram a tratar com os da armada, e davam dos seus arcos e flechas em troca de guisos, e folhas de papel e peças de pano. E todo aquele dia se divertiram com eles.”


Relação do piloto anônimo [1501]. Portal Domínio Público. Disponível em <http://mod.lk/gjepd>. Acesso em 2 mar. 2020.


Note que o relato do piloto anônimo descreve o primeiro contato entre indígenas e portugueses como pacífico e alegre.


Do estranhamento à negação


Os dois relatos que você leu sobre o encontro entre portugueses e indígenas mostram que o estranhamento foi recíproco, como acontece com qualquer indivíduo que se vê diante de uma realidade inteiramente nova. Esse primeiro momento foi também de encantamento com o diferente, de curiosidade em conhecer o novo e de trocas de presentes.


No entanto, à medida que os portugueses foram conhecendo os costumes nativos, o estranhamento se transformou em negação e repulsa, especialmente em relação aos rituais de antropofagia. Assim, partindo de uma visão eurocêntrica, eles classificaram os nativos como seres inferiores e selvagens, sem cultura, leis e religião, e que deviam ser “civilizados”. Com essa visão, os portugueses procurariam justificar as guerras e a escravização dos indígenas. Também se investiriam da tarefa de “salvá-los da vida em pecado” por meio da catequização, isto é, a adequação dos nativos ao mundo cristão.


REPRODUÇÃO AUTORIZADA POR JOÃO CANDIDO PORTINARI/IMAGEM CEDIDA PELO PROJETO PORTINARI - MUSEU NACIONAL DE BELAS ARTES, RIO DE JANEIRO


Foto do quadro - Exercícios povos nativos


domingo, 16 de julho de 2023

quarta-feira, 5 de julho de 2023

Crise da república romana ao início do Império Romano

Crise da República romana ao início do Império Romano.


 A crise da república romana
 


Homens livres e escravos pesando pães para os magistrados da república romana, detalhe de relevo romano de 50 a.C. encontrado no túmulo do padeiro Marco Virgílio Eurísace, em Roma. Eurísace foi um ex-escravo que conseguiu ascender socialmente e tornar-se padeiro, fornecendo pães para o Estado romano.


A república romana entrou em crise a partir do século II a.C. As principais causas dessa crise foram o acesso desigual às terras conquistadas e o empobrecimento do camponês, principal combatente nas guerras de conquista. Os projetos de reforma agrária dos irmãos Tibério e Caio Graco despertaram a forte reação dos grandes proprietários de terras, que dominavam o Senado.


O que abordava as reformas dos irmãos Graco?


As mudanças propostas por Tibério Graco em Roma diante dos problemas que as conquistas territoriais estabeleceia uma ampla reforma agrária, que limitava o tamanho das propriedades rurais e distribuía terras aos camponeses pobres, que lutavam nas guerras.


A aristocrata não queria uma república para todos.


 A reação dos senadores demonstrava que a elite aristocrática de Roma, a qual representavam, não estava disposta a transformar a res publica em um regime político popular. 


Falta de representação, dificuldades e revoltas.


 A elite senatorial derrotou os irmãos Graco, mas não conseguiu evitar as agitações populares, que se espalharam pelas cidades romanas. Nos territórios conquistados, escravos e camponeses pobres levantaram-se contra as elites dirigentes, em revoltas que foram violentamente reprimidas pelas tropas romanas. 


Aristocracia romana dividida (optimates x populares)


A própria elite aristocrática encontrava-se dividida: de um lado estavam os optimates, representando os grandes proprietários; de outro, os populares, que defendiam algumas reformas para controlar as tensões sociais. 


Polarização - Facções disputando o poder e intensificando a crise.


 A crise política se aprofundou no século I a.C., com chefes militares das duas facções em disputa pelo controle do Senado. A revolta dos iberos, na Hispânia, apoiada pelo grupo dos populares, durou oito anos e foi uma das mais sangrentas da república. Ao mesmo tempo, povos aliados na Península Itálica rebelaram-se contra Roma, situação que só foi controlada em 49 a.C., quando o governo concedeu a cidadania a todos os homens livres da península. 


As guerras de conquista e o fortalecimento do Exército e dos generais.


Por outro lado, o exército romano se fortalecia cada vez mais com as constantes guerras de conquista. Até o século II a.C., ele era formado de camponeses e trabalhadores rurais convocados para combater nas guerras. Depois disso, o exército se profissionalizou: os soldados passaram a se alistar de maneira voluntária e a receber salário. Esses novos combatentes eram mais ligados aos seus generais, pois deles recebiam terras, escravos e objetos saqueados. 


O primeiro Triunvirato romano (3 generais no poder)


Diante da crise social e do prestígio do exército, líderes militares começaram a ganhar mais poder político. O general Júlio César, muito habilidoso, soube manipular a situação para formar o Primeiro Triunvirato, em 60 a.C. Com essa aliança militar, César e outros dois generais romanos (Pompeu e Crasso) comprometiam-se a se auxiliar mutuamente para controlar o poder em Roma e nos territórios conquistados.


Morte de Crasso e a guerra civil entre Júlio Cesar e Pompeu


Com a morte de Crasso, o Triunvirato chegou ao fim. A disputa pelo poder transformou-se então em verdadeira guerra civil, que resultou na vitória de César sobre Pompeu. Fortalecido pelo sucesso na campanha da Gália, Júlio César foi declarado ditador pelo Senado. No governo, ele reformou a administração pública e atendeu a várias demandas sociais.


Vitória de Júlio César, concentração de poder e o seu assassinato.


O crescente poder de Júlio César preocupava a elite senatorial, que decidiu derrubá-lo. Em 44 a.C., ao entrar no Senado, César foi morto em uma conspiração. Após sua morte, formou-se o Segundo Triunvirato, composto pelos generais Marco Antônio, Otávio e Lépido, todos seguidores de César. Depois de uma luta sangrenta entre os exércitos desses generais, Otávio venceu Marco Antônio. De volta à capital, Otávio foi declarado, pelo Senado, imperador de Roma, em 27 a.C. A república romana chegava ao fim.



Júlio César, Ato III, Cena I: O Assassinato, pintura de William Holmes, 1888. A obra representa o momento da peça de William Shakespeare, Júlio César (c. 1600), em que o ditador é vítima de algozes no Senado. 


 O governo de Augusto e a pax romana 


O imperador Otávio Augusto (também conhecido como César Augusto) governou os territórios romanos durante cerca de 40 anos, concentrando todos os poderes em suas mãos. As instituições republicanas de Roma continuaram existindo, mas o imperador tinha o poder de vetar leis, nomear os magistrados e comandar o exército. 


 A habilidade administrativa de Augusto inaugurou o período conhecido como pax romana (paz romana), que se estendeu até o final do século II. As guerras de conquista não foram interrompidas nesses anos (veja o mapa abaixo), mas o principal objetivo dos imperadores romanos foi a proteção das fronteiras e a repressão das revoltas populares. 


 Uma complexa rede de estradas pavimentadas se expandiu pelo império para facilitar a circulação de correspondências, produtos e soldados. A Península Itálica, centro do império, enriqueceu ao receber mão de obra e matérias-primas das províncias e exportar para elas vinhos, azeite, cerâmicas, objetos de metal e outros artigos. 


 Os sucessores de Augusto, procurando associar a riqueza de Roma à sua própria imagem, embelezavam a cidade com praças, aquedutos e arcos do triunfo. Estes últimos eram monumentos construídos para celebrar uma vitória, geralmente militar, e homenagear o general que a comandou. A Antiguidade Clássica Antiguidade Clássica é o período da história europeia que se estende do século VIII a.C. ao V d.C. e corresponde às civilizações grega e romana. O termo foi criado por pensadores dos séculos XV e XVI que viam a cultura greco-romana como a fundadora do mundo ocidental e um modelo a ser seguido no campo das artes, das ciências, da literatura e da educação. 

Além disso, o Fórum, centro da vida pública romana, ganhou novos edifícios, e os mais antigos foram remodelados. O Império Romano em sua máxima extensão (século II).



Fonte: Atlas of World History: concise edition. Nova York: Oxford University, 2007. p. 54-55. 


Os centros de lazer


Os imperadores romanos também se preocuparam em mandar construir diversas áreas de lazer para a população, como termas, circos e anfiteatros. As atividades realizadas nesses locais eram gratuitas, e na entrada era distribuído pão ao povo. Essa política, conhecida como “pão e circo” e que tem raízes na república romana, visava oferecer alimento e diversão às camadas populares a fim de acalmar seus ânimos e tentar diminuir as revoltas. 


 Nos circos e anfiteatros, eram realizados diferentes espetáculos de entretenimento. Destacavam-se as corridas de quadrigas e as lutas de gladiadores, que eram geralmente escravos. Os patrícios patrocinavam os eventos, em busca de popularidade e ostentação de sua riqueza. Muitos plebeus e escravos preenchiam as plateias dos anfiteatros para torcer pelos lutadores. 


O espetáculo se iniciava com o desfile dos gladiadores, que entravam na arena saudando o imperador; em seguida, travava-se o combate. A “luta boa” era a que se encerrava com a morte de um gladiador. Terminado o confronto, os escravos arrastavam os corpos com ganchos e trocavam a areia ensanguentada por areia limpa. 


O maior local de espetáculos era o Anfiteatro Flaviano, mais conhecido como Coliseu, construído em Roma entre 72 e 80 d.C. As arquibancadas do edifício estavam divididas conforme a posição social do indivíduo: o primeiro andar era reservado ao imperador, aos senadores e aos cônsules; o segundo acomodava a aristocracia rural; restava para o povo as fileiras do alto. Havia, ainda, uma área exclusiva para mulheres, localizada no topo. 


A romanização cultural 

A cultura romana se estendeu por várias regiões. Em geral, o governante romano de cada província procurava organizá-la espelhando-se nas instituições, no ensino, na arquitetura e nas artes de Roma. Veja alguns exemplos. 

 * Língua latina. Os romanos criaram escolas nas províncias para os filhos das elites locais, onde aprendiam latim, gramática, retórica, cálculo e política. O latim vulgar, falado pelos colonos e soldados nas províncias, misturou-se às línguas das populações dominadas, o que deu origem às línguas neolatinas: francês, português, espanhol, italiano etc. 

 * Instituições romanas. Os governantes estabeleciam nas províncias instituições similares às romanas (magistrados, assembleias, Senado, exército, sistema de impostos, legislação), o que explica o fato de essas instituições terem se espalhado por todo o mundo ocidental. 

 * Arquitetura. Inspirada nos modelos grego e etrusco, a arquitetura romana ficou famosa pela grandiosidade de seus templos, anfiteatros, aquedutos, pontes e estradas. Seu estilo expandiu-se pelos territórios conquistados e ainda hoje está presente em muitas construções do Ocidente. 

Os povos conquistados, porém, não ficaram passivos à dominação cultural romana. Por meio da resistência e da negociação, eles mantiveram costumes da sua cultura, a exemplo do monoteísmo do povo judeu e do culto à corça dos iberos. E, quando incorporaram costumes e instituições romanos, fizeram à sua própria maneira, adaptando-os à realidade local. 

 Além disso, os romanos também absorveram elementos culturais dos povos dominados, como o culto às divindades gregas, que receberam novos nomes, e aos deuses egípcios Ísis e Osíris. 

Os arcos romanos: uma inovação tecnológica 

Os romanos, inspirados em técnicas etruscas, construíram aquedutos para levar água limpa a residências, banhos públicos, jardins e outras áreas urbanas. O mais antigo deles data do século IV a.C. (Aqua Appia).


A principal característica desses aquedutos é a utilização do arco, aperfeiçoado pelos romanos e amplamente utilizado como elemento de sistemas estruturais nas construções. O arco permite distribuir melhor o peso da construção e elevar a água para que ela atinja as áreas mais altas.


Os aquedutos foram uma importante inovação para solucionar o problema do abastecimento de água durante séculos. Com o tempo, eles foram substituídos por sistemas mais modernos de distribuição de água. Porém, permanecem como marcos de memória, e seu uso atende a outras finalidades, como o turismo ou o transporte.




Arcos da Lapa, na cidade do Rio de Janeiro (RJ). Foto de 2016. Os Arcos da Lapa (ou Aqueduto da Carioca) foram inaugurados em 1750 para levar água do Rio Carioca para a cidade do Rio de Janeiro, como faziam os aquedutos romanos na Antiguidade. Desde 1896 eles têm sido utilizados como viaduto para o bonde que liga o bairro de Santa Teresa ao centro. 


O calendário juliano 

Você sabia que as palavras que usamos para nomear os dias da semana, os meses do ano e o próprio calendário são originárias do latim e da cultura romana antiga? 

O calendário romano mais antigo foi elaborado ainda na época monárquica. Mas ele não era muito preciso, pois apresentava um descompasso com o ano solar, que tem como base o movimento de translação da Terra. Com o passar dos anos, essa diferença foi se acumulando. Assim, as datas dos festivais religiosos, as estações do ano, o início do plantio e da colheita, por exemplo, passaram a não coincidir mais com o calendário romano, causando uma grande confusão na vida cotidiana das pessoas. 

Quando o general Júlio César se tornou ditador (século I a.C.), ele decidiu reformar o calendário. Para dirigir essa tarefa, César convidou o astrônomo Sosígenes, da cidade de Alexandria. 

O calendário juliano entrou em vigor em 45 a.C. O ano passou a ter 365 dias e seis horas e foi dividido em 12 meses, com 31 e 30 dias intercalados, à exceção de fevereiro, que tinha 29 dias. Para o novo calendário coincidir com o ano solar, acrescentou-se, a cada quatro anos, um dia ao mês de fevereiro. Surgiu assim o ano bissexto. 

Mais tarde, sob César Augusto, o oitavo mês foi renomeado de agosto em sua homenagem, e passou de 30 para 31 dias. O dia adicionado ao mês de agosto foi retirado de fevereiro, que passou a ter 28 dias.




Mosaico do século III representando o mês de novembro, localizado na antiga colônia romana de Thysdrus, no norte da atual Tunísia.


Aula 01 - República romana em crise (Do fracasso das reformas dos irmãos Graco ao Primeiro Triunvirato).



Exercícios

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Tema: O povo hebreu e a dominação romana

República Velha (1889 - 1930) República de Espada (1889 - 1894) e República do Café com Leite (1894 - 1930)

A República Velha (1889-1930): Das Espadas ao Café com Leite O que é uma República?  República, do latim "res publica"...