Economia cafeeira - A expansão cafeeira no Brasil
O café: uma riqueza nacional
O café foi introduzido no Brasil no início do século XVIII, vindo da Guiana Francesa. Em pouco tempo, ele foi levado para a capitania do Rio de Janeiro, onde passou a ser cultivado para o consumo doméstico. Apenas no final do século XVIII, com a ampliação do consumo nos países do Ocidente, a produção para o mercado interno e externo começou a se expandir.
No começo do Segundo Reinado, o café já era o principal produto da economia brasileira, representando 40% das exportações do país e mais da metade da produção mundial. A rápida expansão do seu cultivo deveu-se a quatro fatores: abundância de terras, disponibilidade de mão de obra barata, condições climáticas favoráveis e aumento do consumo do produto no exterior.
A primeira fase da produção se estendeu até 1860 e teve como centro o Vale do Paraíba fluminense (Barra Mansa, Vassouras, Barra do Piraí etc.) e paulista (Taubaté, Areias, Bananal etc.). Essa região reunia condições naturais excelentes para o cultivo: terras virgens e férteis, chuvas regulares, relevo acidentado e altitudes médias entre 900 e 1.200 metros acima do nível do mar.
O cultivo de café no Vale do Paraíba seguiu o modelo adotado na agricultura de exportação do Nordeste, baseado na grande propriedade monocultora e na mão de obra escravizada. Sem investir em inovações técnicas, os fazendeiros procuravam aumentar a produção expandindo os cafezais para novas terras e ampliando o número de cativos.
O café no Oeste Paulista
Por volta de 1860, a cafeicultura no Vale do Paraíba dava sinais de decadência. O desmatamento, as queimadas, o sistema extensivo de produção e a ausência de técnicas para combater a erosão causaram o enfraquecimento do solo e a queda da produção.
Com o declínio da lavoura cafeeira no Vale do Paraíba, a economia do café entrou em uma nova fase, que teve como centro o Oeste Paulista. A região apresentava condições favoráveis ao cultivo, como o solo de terra roxa, muito fértil, a geografia pouco acidentada e grandes extensões de terras inexploradas.
Esses fatores, somados à adoção de novas técnicas agrícolas, fizeram com que os cafezais do Oeste Paulista fossem mais produtivos e duradouros que os do Vale do Paraíba. A aquisição de máquinas de secagem, ensacamento e beneficiamento do café, a partir de 1870, também contribuiu para o aumento da produção nessa área do interior paulista.
Principalmente na província de São Paulo, os fazendeiros não eram apenas proprietários rurais, mas empresários capitalistas. Com o lucro obtido das vendas, os cafeicultores introduziam inovações técnicas nas fazendas, bem como investiam em indústrias, bancos, ferrovias, casas de exportação e outros setores urbanos. Muitos representantes dessa burguesia cafeeira estavam estabelecidos nas cidades e participavam ativamente da vida política do país.
A expansão das ferrovias
A economia cafeeira contribuiu para o surgimento das estradas de ferro no Brasil. Para garantir e baratear o escoamento do café do interior até os portos litorâneos, foi necessário construir ferrovias próximas às lavouras. A primeira do país foi a Estrada de Ferro Mauá, inaugurada em abril de 1854, no Rio de Janeiro, que ligava a Vila de Inhomirim, na região serrana, à Baía da Guanabara.
Em São Paulo, a primeira ferrovia foi a São Paulo Railway Company, construída com capitais ingleses, que entrou em operação em 1867. Ela ligava a cidade de Jundiaí, no Oeste Paulista, ao porto de Santos. Depois dela, outras estradas de ferro foram construídas em São Paulo, com recursos dos próprios cafeicultores, como a Paulista, a Mogiana e a Sorocabana.
O desenvolvimento das estradas de ferro também levou à urbanização e à industrialização de algumas áreas, principalmente em São Paulo.
Próxima aula
Indígenas, escravizados e imigrantes - A política indigenista do império
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