sexta-feira, 1 de dezembro de 2023

Economia cafeeira - A expansão cafeeira no Brasil

Economia cafeeira - A expansão cafeeira no Brasil


O café: uma riqueza nacional

O café foi introduzido no Brasil no início do século XVIII, vindo da Guiana Francesa. Em pouco tempo, ele foi levado para a capitania do Rio de Janeiro, onde passou a ser cultivado para o consumo doméstico. Apenas no final do século XVIII, com a ampliação do consumo nos países do Ocidente, a produção para o mercado interno e externo começou a se expandir.

No começo do Segundo Reinado, o café já era o principal produto da economia brasileira, representando 40% das exportações do país e mais da metade da produção mundial. A rápida expansão do seu cultivo deveu-se a quatro fatores: abundância de terras, disponibilidade de mão de obra barata, condições climáticas favoráveis e aumento do consumo do produto no exterior.

A primeira fase da produção se estendeu até 1860 e teve como centro o Vale do Paraíba fluminense (Barra Mansa, Vassouras, Barra do Piraí etc.) e paulista (Taubaté, Areias, Bananal etc.). Essa região reunia condições naturais excelentes para o cultivo: terras virgens e férteis, chuvas regulares, relevo acidentado e altitudes médias entre 900 e 1.200 metros acima do nível do mar.

O cultivo de café no Vale do Paraíba seguiu o modelo adotado na agricultura de exportação do Nordeste, baseado na grande propriedade monocultora e na mão de obra escravizada. Sem investir em inovações técnicas, os fazendeiros procuravam aumentar a produção expandindo os cafezais para novas terras e ampliando o número de cativos.



Escravizados trabalham na secagem do café na Fazenda Quititi, no Rio de Janeiro, c. 1865. Fotografia de Georges Leuzinger.


O café no Oeste Paulista

Por volta de 1860, a cafeicultura no Vale do Paraíba dava sinais de decadência. O desmatamento, as queimadas, o sistema extensivo de produção e a ausência de técnicas para combater a erosão causaram o enfraquecimento do solo e a queda da produção.

Com o declínio da lavoura cafeeira no Vale do Paraíba, a economia do café entrou em uma nova fase, que teve como centro o Oeste Paulista. A região apresentava condições favoráveis ao cultivo, como o solo de terra roxa, muito fértil, a geografia pouco acidentada e grandes extensões de terras inexploradas.

Esses fatores, somados à adoção de novas técnicas agrícolas, fizeram com que os cafezais do Oeste Paulista fossem mais produtivos e duradouros que os do Vale do Paraíba. A aquisição de máquinas de secagem, ensacamento e beneficiamento do café, a partir de 1870, também contribuiu para o aumento da produção nessa área do interior paulista.

Principalmente na província de São Paulo, os fazendeiros não eram apenas proprietários rurais, mas empresários capitalistas. Com o lucro obtido das vendas, os cafeicultores introduziam inovações técnicas nas fazendas, bem como investiam em indústrias, bancos, ferrovias, casas de exportação e outros setores urbanos. Muitos representantes dessa burguesia cafeeira estavam estabelecidos nas cidades e participavam ativamente da vida política do país.


A expansão das ferrovias

A economia cafeeira contribuiu para o surgimento das estradas de ferro no Brasil. Para garantir e baratear o escoamento do café do interior até os portos litorâneos, foi necessário construir ferrovias próximas às lavouras. A primeira do país foi a Estrada de Ferro Mauá, inaugurada em abril de 1854, no Rio de Janeiro, que ligava a Vila de Inhomirim, na região serrana, à Baía da Guanabara. 

Em São Paulo, a primeira ferrovia foi a São Paulo Railway Company, construída com capitais ingleses, que entrou em operação em 1867. Ela ligava a cidade de Jundiaí, no Oeste Paulista, ao porto de Santos. Depois dela, outras estradas de ferro foram construídas em São Paulo, com recursos dos próprios cafeicultores, como a Paulista, a Mogiana e a Sorocabana.

O desenvolvimento das estradas de ferro também levou à urbanização e à industrialização de algumas áreas, principalmente em São Paulo.



Trabalhadores na estação de Rio Claro (SP), ponto final da linha férrea que partia da cidade de Analândia (SP), região do Oeste Paulista. Foto da década de 1910.


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