Crise na idade media europeia (Crise do sistema feudal)
O que foi a Idade Média?
Idade Média corresponde ao período entre o declínio do Império Romano do Ocidente, no século V (476 d.C.) , e a tomada de Constantinopla pelo Império Turco Otomano, no século XV (1453 d.C.).
Divisão Idade Média
A Idade Média é dividida pelos historiadores em duas grandes fases, que são:
Alta Idade Média: século V ao século X (período de "apogeu" do feudalismo);
Baixa Idade Média: século XI ao século XV (período de "declínio" do feudalismo).
O feudalismo em decadência
A Europa Ocidental vivenciou, de modo geral, um período de crescimento demográfico, revigoramento urbano e expansão comercial entre os séculos XI e XIII. Esse quadro positivo, contudo, começou a se inverter no século XIV.
O crescimento econômico deu lugar à estagnação. A produção de alimentos e de outros artigos diminuiu, e a fome, as epidemias e as rebeliões passaram a assolar a população feudal no Ocidente europeu. Veja a seguir como essas crises ocorreram.
Significado da palavra estagnação
A fome
Iluminura medieval representando o trabalho de camponeses na agricultura, do manuscrito Espelho das virgens, século XIII. Imagine o impacto que a queda drástica das colheitas causava para o conjunto da sociedade medieval.
Na segunda metade do século XIII, já se podiam notar os primeiros sinais de que a produção agrícola não conseguia acompanhar o aumento populacional na Europa. A solução adotada para aumentar a produção agrícola foi explorar solos antes cobertos por florestas, em vez de desenvolver novas tecnologias.
A agricultura medieval não conseguia crescer a sua produtividade no mesmo ritmo do crescimento da população, ou seja, a oferta de alimentos diminuía e o preço dos gêneros alimentícios aumentava.
A ignorância predominou, a solução adotada para aumentar a produção agrícola foi explorar solos antes cobertos por florestas.
O avanço contínuo da agricultura atingiu também áreas de pastagens e terrenos menos apropriados ao cultivo. Com a redução do adubo natural, antes fornecido pelo gado, e com o cultivo de solos menos férteis, o resultado foi a queda das colheitas e dos rendimentos de senhores e camponeses.
Áreas menos férteis e regiões de pastagens também foram invadidas pelos agricultores medievais, isso foi um grande erro, pois as áreas degradas não deram o resultado esperado e o plantio nas regiões de pastagens diminuíram a oferta de adubo natural.
Estrume usado para adubar a terra e potencializar o seu resultado. Esse estrume passou a faltar devido o uso das terras de pastagem para a plantação de gêneros alimentícios.
No século XIV, os períodos de más colheitas tornaram-se frequentes. Em 1314 e 1315, por exemplo, as fortes chuvas em quase todas as regiões da Europa destruíram plantações. Como consequência, o preço dos alimentos aumentou rapidamente, e o fantasma da fome voltou a assombrar a população europeia. Na região do Baixo Reno, na França, um cronista relatou que as populações chegaram a se alimentar de cadáveres de animais vitimados por enfermidades, originando graves epidemias. Nos territórios alemães, covas coletivas foram abertas para enterrar os “mortos de fome”.
Em 1314 e 1315, por exemplo, as fortes chuvas em quase todas as regiões da Europa destruíram plantações.
A peste negra
Em meados do século XIV, a população europeia, grande parte dela desnutrida pela escassez agrícola, foi vítima de uma epidemia devastadora. Conhecida como peste negra ou bubônica, ela causou a morte de um terço da população europeia e reduziu ainda mais a produção econômica do período.
Fome e miséria, resultados da baixa produtividade agrícola e aumento dos preços dos alimentos.
Pobreza - A população não possuía recursos para comprar alimentos e não conseguiam manter as condições de higiene. As precárias condições de higiene ajudou o aparecimento de doenças.
A peste negra (peste bubônica) é uma doença de caráter infectocontagioso provocada pela bactéria Yersinia pestis. Ela é transmitida aos humanos principalmente por meio de pulgas que se contaminam ao parasitar roedores que alojam a bactéria, como os ratos, e se manifesta de duas formas principais: a bubônica e a pneumônica.
Ela é transmitida aos humanos principalmente por meio de pulgas que se contaminam ao parasitar roedores que alojam a bactéria, como os ratos.
No caso da peste bubônica, o bacilo entra no indivíduo percorrendo seus vasos linfáticos até ficar retido nos gânglios* do pescoço, sob os braços e nas virilhas, gerando um inchaço doloroso chamado bubão. A incubação da doença é rápida e seus sintomas, como manchas escuras na pele, aparecem entre dois e cinco dias após o contágio.
* Gânglio: corpo arredondado de tamanho e estrutura variável; linfonodo.
A peste pneumônica é mais grave. Isso porque as bactérias se alojam nos pulmões, facilitando o contágio pelo ar por meio da tosse ou do espirro. Foi essa forma da doença que matou mais de um terço da população europeia entre 1348 e 1351, o período mais crítico da epidemia.
Durante muito tempo, acreditou-se que a peste bubônica era transmitida aos humanos somente pela picada de pulgas de roedores. Atualmente, sabe-se que a doença também pode ser transmitida por meio da picada de pulgas de animais domésticos e ao se liberarem gotículas infectadas com a bactéria por meio da tosse, do espirro ou simplesmente ao falar.
Os caminhos da peste negra
Acredita-se que a peste tenha surgido na Ásia Central e tenha chegado à Europa pelos portos do Mediterrâneo em embarcações que estavam infestadas de ratos contaminados, provavelmente em 1347. Em seguida, a doença se espalhou pelo interior da Europa até chegar ao norte do continente. Depois, atingiu as Ilhas Britânicas e as regiões escandinavas, de onde rumou para a Rússia.
Devido às precárias condições sanitárias do período, inclusive entre as camadas mais abastadas da sociedade, as casas ficavam infestadas de ratos. Quando as pulgas que parasitavam os roedores picavam seres humanos e animais, eles eram contaminados pela bactéria causadora da enfermidade.
A doença espalhou-se pelo continente de forma rápida: Marselha, no litoral francês, já apresentava doentes em dezembro de 1347; Paris e Londres tiveram seus primeiros contaminados em junho de 1348, enquanto Frankfurt, em dezembro de 1349. Calcula-se que até 1390 a doença tenha vitimado entre 20 e 25 milhões de pessoas na Europa.
A peste negra sempre esteve associada aos roedores. Atualmente, porém, não há mais consenso na ciência sobre terem sido os roedores os vetores mais importantes da doença. Algumas pesquisas apontam que o maior transmissor da enfermidade foi o próprio ser humano.
O medo da morte
Gravura de exemplar de Ars moriendi representando a tentação da avareza na hora da morte, século XV.
“Da peste, da fome e da guerra livrai-nos, oh Senhor!” Essa oração, muito entoada nas igrejas da Europa no final da Idade Média, é um exemplo do quadro de crise, angústia e fervor religioso do período. Era como se a profecia revelada no Livro do apocalipse estivesse se cumprindo. Esse cenário de medo, destruição e morte foi representado à exaustão por muitos artistas da época.
Na pintura, por exemplo, a morte era representada na figura de esqueletos humanos, de corpos em decomposição e, em especial, nas danças macabras, como você pode observar na imagem ao pé desta página. Essas danças mostravam a morte personificada em um esqueleto. Nas representações da morte, as diferentes camadas sociais da Europa medieval apareciam, enfim, igualadas pela finitude da existência humana.
Dança macabra - A morte estava próximo de todos, não importava o estamento social (nobreza, clero, burguesia, camponeses).
Na literatura, as representações da morte deram origem ao Ars moriendi (“a arte de morrer”), gênero literário em que os textos ensinavam aos cristãos os preparativos para uma boa morte. O famoso Tractatus artis bene moriendi (1415), por exemplo, procurava consolar o moribundo e motivá-lo a considerar o lado bom da morte. A obra também trazia conselhos para que o agonizante evitasse as tentações que rondavam seu leito de morte, além de regras gerais de boa conduta de parentes e amigos junto a ele e de preces apropriadas à situação.
Tractatus artis bene moriendi
Revoltas populares
A cavalo, o clérigo revolucionário John Ball lidera os camponeses durante a revolta popular de 1381 na Inglaterra. A cena foi representada em ilustração das Crônicas de Jean Froissart, c. 1470.
O contexto de fome e epidemias, somado às constantes guerras e aos tributos devidos à Igreja e aos senhores feudais, impeliu muitos camponeses à rebelião. Na década de 1350, explodiram várias revoltas camponesas na França, conhecidas como jacqueries, nome que deriva de uma expressão francesa semelhante a “joão-ninguém”.
Para alguns autores, essas revoltas contestavam os altos tributos cobrados pelos senhores. Para outros, teriam sido motivadas por uma crise de fome no norte da França. Outros, ainda, as interpretam como levantes contra o poder da nobreza. Essas revoltas foram duramente reprimidas, deixando mais de 20 mil camponeses mortos.
As jacqueries (revoltas camponesas) foram duramente reprimidas, deixando mais de 20 mil camponeses mortos.
Além das jacqueries, uma revolta de trabalhadores do campo e da cidade explodiu na Inglaterra em 1381, motivada pela cobrança de um novo imposto. Os trabalhadores chegaram a tomar a cidade de Canterbury e a constranger o rei em Londres, que se viu forçado a atender às demandas do movimento. Contudo, após essa concessão, a rebelião foi derrotada e massacrada pela aristocracia.
As Cruzadas
Dentro desse contexto de declínio do sistema feudal, principalmente devido os motivos que vimos nesse texto - crescimento da população, baixa oferta de alimentos, agricultura subdesenvolvida, desiquilíbrio ambiental, fome e epidemias, surgiram as Cruzadas.
O crescimento populacional na Europa, o processo de marginalização nos feudos, a divisão do poder religioso da Igreja Romana e a expansão territorial dos turcos seriam os principais fatores explicativos para tal evento.
Crise feudal, enfraquecimento da Igreja e expansão do islamismo, possíveis influenciadores para o início das Cruzadas.
As Cruzadas foram expedições militares organizadas pela Igreja Católica no período entre os séculos XI e XIII no Oriente Médio. Elas tinham como principal missão conquistar a Terra Santa, com o objetivo de tomar Palestina e Jerusalém, e foi iniciada após o domínio dos turcos seljúcidas.
Tentativa de reconquistar a Terra Santa que estava sob o domínio dos muçulmanos (interesses religiosos, econômicos e políticos).
Uma parte expressiva dos exércitos cruzados era formada por cavaleiros e ex-servos que buscavam dominar as terras dos povos orientais. Imbuídos da crença que cumpriam uma determinação divina, homens, mulheres, crianças e idosos se dispunham a compor parte desses exércitos religiosos.
Homens, mulheres, crianças, ricos, pobres, novos, idosos, ou seja, qualquer um poderia participar das Cruzadas.
Os cristão não venceram a guerra, muitos cruzadistas morreram nas batalhas e vários voltaram mais endividados do que foram. Apesar das derrotas, as cruzadas conseguiram restabelecer as relações europeias com o norte da África e a Ásia. Foram responsáveis pela reabertura do Mediterrâneo ao comércio internacional e pelo desenvolvimento do comércio ocidental.
Para revisar, veja o vídeo abaixo:
ATIVIDADE PONTUADA
01 - O que foi a Idade Média?
02 - Defina:
a) Alta Idade Média:
b) Baixa Idade Média:
03 - A Europa vivenciou um período de crescimento demográfico, revigoramento urbano e expansão comercial?
a) Sim b) Não
04 - Na Baixa Idade Média, como ficou a oferta de alimentos no continente europeu?
05 - Não foi um fator que influenciou no início da crise na Baixa Idade Média Europeia?
a) Crescimento da população
b) falta de alimentos e aumento do preço da comida
c) aumento da fome e surgimento de epidemias
d) Rebeliões e guerras
e) Crescimento comercial e urbano
06 - Qual foi a solução adotada na Baixa Idade Média para resolver a baixa oferta de alimentos?
07 - Por que o uso das terras de pastagem prejudicou a produtividade agrícola na Baixa Idade Média?
08 - Qual a função do esterco na agricultura?
09 - Por que o desmatamento de florestas prejudicou a agricultura medieval?
10 - Para um bom equilíbrio ambiental, qual é a função das florestas em nosso planeta?
11 - Qual solução era a melhor alternativa para a resolução dos problemas de oferta de alimentos?
12 - O que aconteceu de importante nos anos de 1314 e 1315 que acabou prejudicando diretamente o plantio e a colheita no continente europeu?
13 - Por que a população europeia passou fome no final da Baixa Idade Média?
14 - O que foi a Peste Bubônica?
15 - Como a Peste Bubônica era transmitida no contexto medieval europeu?
16 - Quais eram as duas formas de Peste Bubônica na Baixa Idade Média?
17 - Como a Peste Bubônica chegou ao continente europeu?
18 - Quais foram os principais impactos da Peste Bubônica em relação ao povo europeu?
19 - Como a morte era representada e vista ao longo da epidemia da Peste Negra?
20 - O que eram as Jacqueries? Porque elas aconteciam?
21 - Como as Jacqueries eram terminadas?
22 - O que foram as Cruzadas?
23 - Quem participava das Cruzadas? Por que essas pessoas lutavam?
24 - Quem venceu as Cruzadas? Por quê?
25 - Qual foi o principal legado das Cruzadas?
FIM
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