Processo de centralização política na Europa
Necessidade de concentração de poderes para resolução dos problemas gerados com a crise feudal.
A centralização monárquica (fortalecimento do poder do rei)
A Europa Ocidental passou por uma série de transformações sociais e econômicas entre os séculos XI e XIV, que favoreceram a nascente burguesia. Apesar disso, existiam muitos obstáculos para o enriquecimento desse novo grupo social, relacionados principalmente com o poder político fragmentado.
O transporte de mercadorias de uma cidade para outra, por exemplo, obrigava os comerciantes a cruzar vários senhorios. Cada um deles, porém, estava sob a autoridade de um senhor feudal, que estipulava suas próprias leis e taxações.
Na Idade Média, a Europa estava dividida em vários feudos, cada feudo desse pertencia a um ser feudal. Isso dificultava muito o trabalho do comerciante burguês, pois no transporte de mercadorias, esse comerciante era obrigado a pagar impostos em cada feudo que ele passasse.
Obrigação de pagamento de impostos ao senhoria da terra.
Essas restrições, que variavam de um senhorio para outro, incentivaram a burguesia a apoiar a transferência de poder para as mãos de um rei; assim, ele poderia unificar a moeda, as leis e os impostos e estabelecer um sistema de pesos e medidas único, facilitando os negócios.
A figura do rei se vê recebendo apoio. Clero (apoio ideológico - os clérigos influenciaram os membros da sua igreja), Nobres/militares (apoio político e militar) e burguesia (apoiava o rei financeiramente).
O surgimento do Estado moderno
Os monarcas também receberam apoio de alguns nobres. Enfraquecidos com as Cruzadas e as fugas dos servos para as cidades, muitos aristocratas se aliaram ao rei, mantendo boa parte de seus privilégios.
Os nobres compunham a classe social detentora das forças militares e de uma parcela considerável das terras disponíveis no mundo feudal. Mediante essas prerrogativas, ocupavam junto ao clero importantes funções políticas que marcaram o período.
As Cruzadas foram expedições militares organizadas pela Igreja Católica no período entre os séculos XI e XIII no Oriente Médio. Elas tinham como principal missão conquistar a Terra Santa, com o objetivo de tomar Palestina e Jerusalém, e foi iniciada após o domínio dos turcos. Muitos também foram para o Oriente em busca de terras e riquezas, mas não tiveram sucesso.
Esses nobres que apoiavam o rei conseguiam manter os seus privilégios.
A centralização do poder real, contudo, sofreu resistência da maior parte dos senhores feudais e da Igreja. Os senhores feudais temiam ter seu poder diminuído; enquanto o alto clero receava que reis muito poderosos se tornassem politicamente mais fortes que o papa.
Senhor feudal era o dono do feudo. Com o poder europeu descentralizado, não existia ninguém com cargo político acima deles, por isso ele era contrário ao fortalecimento do poder do rei.
O Papa é a autoridade máxima da Igreja Católica, porém, as igrejas são construídas em algum lugar que possui uma autoridade política local. O era que o fortalecimento do poder do rei gerasse conflitos com os interesses da igreja.
Apesar desses entraves, aos poucos os reis europeus conseguiram impor sua autoridade sobre os habitantes de um território e estabelecer o chamado Estado moderno.
O fortalecimento do poder do rei e a formação dos Estados Modernos são feitos que marcaram definitivamente a transição da Idade Média para a Moderna.
O Estado Moderno é uma instituição caracterizada por um território limitado por fronteiras, defendido por um Exército nacional e governado pelo monarca soberano, onde vive um mesmo povo (súdito) que fala uma única língua.
A formação dos reinos ibéricos
Desde o início do século VIII, a maior parte da Península Ibérica estava dominada pelos árabes muçulmanos. Os cristãos ocupavam o norte da península. A partir do século XI, as Cruzadas e as disputas políticas entre os muçulmanos estimularam os cristãos a retomar os territórios ocupados pelos árabes, em batalhas que ficaram conhecidas pelo nome de Reconquista.
A Reconquista é o processo histórico ao longo do qual os reinos cristãos da Península Ibérica procuraram dominar a região durante o período de al-Andalus. Tal processo decorreu entre 718 ou 722 e 1492, com a conquista do Emirado de Granada pelos reinos cristãos.
Aos poucos, os territórios reconquistados na península deram origem a reinos como Leão, Castela, Navarra e Aragão. Esses reinos, entretanto, também lutavam entre si pelo controle político e territorial da região. Alianças entre famílias reais, firmadas por meio do matrimônio, foram usadas para ampliar o poder de cada reino.
Os territórios reconquistados na península deram origem a reinos como Leão, Castela, Navarra e Aragão.
Os novos reinos, visando o fortalecimento, muitos reinos se uniam viam casamento, para unificarem as famílias, terras e formarem alianças.
Na luta contra os árabes, o rei Afonso VI de Leão e Castela contou com o apoio de seu primo francês Henrique de Borgonha, que recebeu em casamento a filha do rei, D. Teresa, e o Condado Portucalense. Em 1139, Afonso Henriques, filho de Henrique de Borgonha, proclamou-se rei de Portugal e inaugurou a primeira dinastia portuguesa.
Afonso VI de Leão e Castela contou com o apoio de seu primo francês Henrique de Borgonha para expulsarem os árabes da Península Ibérica.
Afonso Henriques, filho de Henrique de Borgonha, proclamou-se rei de Portugal.
A tomada definitiva de Lisboa pelos cristãos aconteceu em 1147, após um cerco de quase quatro meses. A participação de uma frota poderosa de cruzados atribuiu um caráter religioso à batalha contra os mouros.
-“Esta vitória cristã contou com a importante participação de cruzados ingleses, flamengos e frísios. [...] Ao chegarem ao Porto em 1147, os cruzados foram recebidos pelo bispo, D. Pedro Pitões (1146-1152), que fez um discurso, compelindo-os a ajudarem Afonso Henriques a tomar a cidade dos mouros [...].
[...] o bispo do Porto esperava suscitar nos cruzados o ímpeto guerreiro que auxiliaria Afonso Henriques a tomar Lisboa. O simbolismo da cruz é motivo de várias passagens do cronista-presbítero. Numa delas, já quando do sítio à cidade, os cristãos mostravam-se profundamente ofendidos pelos insultos dos muçulmanos à Virgem Maria [...] e sobre seu símbolo, a cruz [...].
Momentos antes do assalto final a Lisboa, foi rezada uma missa campal. Um sacerdote desconhecido, presente entre as fileiras dos cruzados, trouxe a cruz do Santo Lenho [...]. Acreditava-se que este objeto era um pedaço de madeira legítimo da cruz onde Cristo tinha sido crucificado. Assim, era adorado como uma verdadeira relíquia [...].”
COSTA, Ricardo da. A mentalidade da Cruzada em Portugal (séculos XII-XIV). In: Estudos sobre a Idade Média peninsular. Anos 90 – Revista do Programa de Pós-Graduação em História da UFRGS, n. 16, 2001-2002. p. 143-178. Disponível em <http://mod.lk/s1kw3>. Acesso em 5 dez. 2019.
O reino da Espanha formou-se a partir do casamento de Fernando, herdeiro do trono de Aragão, e Isabel, irmã do rei de Leão e Castela. Mas a centralização política somente se consolidou após a expulsão definitiva dos árabes que ainda resistiam em Granada, no extremo sul da península, em 1492. Assim nascia o Reino da Espanha, que adotou o castelhano, a língua de Castela, como idioma oficial para todo o reino.
Casamento de Fernando (Aragão) e Isabel (irmã do rei de Leão e Castela), além da expulsão definitiva dos árabes de Granada, de origem ao reino espanhol.
A monarquia na França e na Inglaterra
A formação do Estado moderno na França teve início com a dinastia Capetíngia (978-1328). Visando aumentar o poder real, a partir do século XII os monarcas capetíngios criaram impostos e confiscaram feudos. Nos dois séculos seguintes, os monarcas criaram um exército assalariado e estabeleceram taxas sobre os bens da Igreja.
Entretanto, o poder real somente foi consolidado na França com a Guerra dos Cem Anos, ocorrida entre 1337 e 1453 e vencida pelos franceses. O conflito foi motivado pelas disputas com a Inglaterra pela sucessão do trono francês e pelo controle da região de Flandres, importante centro produtor de tecidos. Muitos nobres franceses morreram no conflito. Enfraquecida, grande parte da nobreza se aliou aos reis da dinastia Valois. Com ela, o poder real se afirmou na França.
A centralização monárquica na Inglaterra teve início com Guilherme, o Conquistador, no século XII. Ele confiscou terras da população e criou 5 mil feudos, administrados por vassalos que deviam fidelidade ao rei. Nos séculos seguintes, porém, os monarcas ingleses tiveram de lutar para manter a autoridade real contra o fortalecimento dos senhores feudais.
Guilherme, o conquistador tomou territórios da população e criou 5 mil feudos. Esses feudos foram "doados" a aliados em troca de total apoio e dedicação.
Após Guilherme, o conquistador, várias revoltados ocorreram, com isso, os monarcas ingleses tiveram que agir com força e repressão para manterem o poder em suas mãos, pois muitos senhores feudais queriam a divisão do poder.
O ato que marcou definitivamente a história da monarquia inglesa ocorreu durante o reinado de João Sem Terra. Em 1215, ele assinou a Magna Carta, uma espécie de Constituição que reconhecia o poder do rei, mas o obrigava a respeitar as resoluções da lei. Com a Magna Carta, nobres, clérigos e burgueses conseguiram limitar o poder do monarca na Inglaterra.
A Magna Carta, assinada pelo rei João Sem Terra, limitou o poder do rei (dividindo esse poder entre nobres, clérigos e burgueses), diminuindo assim os conflitos e consolidando a monarquia inglesa.
O rei inglês João Sem Terra assinando a Magna Carta.
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