A África Ocidental Francesa
Descolonização da África
Diante das pressões dos movimentos de independência na África, o governo francês do general Charles de Gaulle permitiu, em 1945, a participação de delegados dos territórios além-mar na Assembleia Nacional Constituinte, encarregada de elaborar uma nova Constituição para a França. Com uma expressiva bancada de comunistas e socialistas, fortalecida pela delegação colonial, a assembleia aprovou a criação da União Francesa, transformando os protetorados em Estados associados, com exceção da Tunísia e do Marrocos. A mudança, no entanto, foi principalmente formal, pois a política colonial continuou sendo ditada pelas autoridades francesas.
Instituição criada no âmbito dos resultados da Conferência de Brazzaville em 1944 e da fundação da Quarta República Francesa em 1946 para substituir o Império colonial francês, instituição que gerou muita revolta e guerras nas colônias francesas, pois não apenas negava a independência dos países, mas também seu autogoverno.
Em 1958, um referendo popular propôs a criação da Comunidade Francesa, que concedia maior autonomia às colônias, mas mantinha sob o controle da França a economia e a defesa dos territórios. Porém, os planos do governo francês de evitar a ruptura definitiva fracassaram. Primeiro a Guiné e depois as demais colônias da África Ocidental Francesa declararam a sua independência.
Monumento da renascença africana, escultura de bronze erguida em homenagem à independência do Senegal, ex-colônia francesa. Foto de 2016. A estátua foi erguida na cidade de Dacar e inaugurada em 2010, por ocasião das comemorações dos cinquenta anos do Ano da África.
A independência da Argélia (emancipação com luta)
Mapa da Argélia
Enquanto a maioria das colônias da África Ocidental Francesa tornou-se independente em 1960, sem a necessidade de luta armada, a Argélia, colônia francesa no norte da África, viveu um sangrento conflito que durou oito anos e deixou mais de um milhão de mortos.
Movimento favorável a emancipação política da Argélia
Para a França, a Argélia representava uma extensão de seu território. Além de grande produtora de petróleo, ela era responsável por cerca de 60% da produção agrícola francesa. Aproximadamente 10% da população argelina era constituída de franceses, e os outros 90% eram nativos muçulmanos, tratados como inferiores. Em 1º de novembro de 1954, uma série de atentados realizados em vários pontos do território argelino marcou o início da luta armada da Frente de Libertação Nacional da Argélia (FLN), um partido de orientação socialista. A adesão ao movimento teve início nas áreas rurais e, aos poucos, espalhou-se pelas cidades.
Movimento argelino contra a dominação francesa
Libertação Nacional da Argélia (FLN)
Graças à pressão exercida pela opinião pública internacional, a repressão francesa à luta pela independência da Argélia começou a ceder. Em março de 1962, acordos assinados na cidade de Évian-les-Bains, na França, determinaram o cessar-fogo entre as partes. No plebiscito realizado em julho desse mesmo ano, a maioria da população argelina optou pela independência.
Acordos assinados na cidade de Évian-les-Bains - Cessar-fogo entre Argélia e França
Quênia: ex-colônia britânica
Localização do Quênia
A colonização britânica no Quênia, que correspondia à região da África Oriental Britânica, caracterizou-se pela expropriação dos camponeses e pela formação de uma elite branca de grandes fazendeiros. Após a Segunda Guerra Mundial, uma nova leva de imigrantes ingleses se instalou no território colonial, intensificando os conflitos pela terra e piorando as condições de vida dos camponeses.
África Oriental Britânica
Diante dessa situação, em 1952 o povo kikuyu liderou uma grande rebelião contra os colonizadores britânicos, que ficou conhecida como Revolta dos Mau-mau. O movimento conseguiu resistir até 1960, quando sucumbiu diante da violenta repressão britânica, que causou milhares de mortes. Além disso, Jomo Kenyatta, um dos líderes do movimento pan-africano e fundador da União Africana do Quênia (KAU), que defendia a via pacífica para a independência, foi preso.
Revolta dos Mau-mau
Jomo Kenyatta
Pressionada pelos principais grupos nacionalistas do Quênia, a Coroa britânica acabou libertando Kenyatta. Sob sua direção, o Quênia declarou a independência em 1962, de forma pacífica e com um programa de conciliação nacional.
Bandeira do Quênia
Crianças e jovens celebram a conquista da independência da Argélia, na capital Argel, em 3 de julho de 1962.
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